por Jefferson Albuquerque
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Caros amigos, leitores, blogueiros, jornalistas, profissionais da comunicação e infelizes boêmios! A casa caiu, ou melhor, o meu copo caiu. No dia 19 de junho de 2008 (nunca vou esquecer esse dia) o nosso presidente sancionou o projeto de lei que prevê mais rigor contra o motorista que ingerir míseros dois decigramas de álcool por litro de sangue. Isso equivale a aproximadamente uma tulipa de cerveja, vocês entenderam bem? Uma tulipa.
Se por um acaso eu tomar essa bendita tulipa eu vou pagar uma multa de aproximadamente R$ 955,00 e perco o direito de dirigir e para melhorar a situação o meu veículo será retido. Isso é mais que um “chute no saco”. Fazendo uma paródia com a música Ideologia do saudoso Cazuza eu diria que “o meu prazer, agora e risco de dívida”. Sinceramente, meus caros amigos, isso é muito triste.
Lembro certa vez que meu sogro, em uma viagem de negócios, me contou uma história semelhante ao que está acontecendo no Brasil. Ele foi convidado para jantar na casa de um anfitrião na Alemanha. Antes que todos os presentes entrassem na casa o alemão perguntou. Quem será o sacrificado? Um deles levantou a mão e pronto. Aquele cara não bebeu uma gota de álcool e depois da refeição e muita bebedeira dos outros, levou todos para os seus respectivos hotéis. Minha primeira reação? Eu falei: – isso nunca vai acontecer aqui. Queimei minha língua.
Eu nunca pensei que fosse dizer isso, mas essa lei, em minha opinião, demorou em vigorar. Quem nunca meio embriagado? Quem nunca viu um amigo sem condições de dirigir, dirigindo? Quem nunca viu um acidente com um bêbado que mal conseguia andar? Quem? Quem nunca teve essa visão, que atire a primeira pedra.
A lei é radical sim, e radicalismo não funciona muito bem, parece algo que nos priva de andar, ditadura no século XXI, chavismo, etc. Mesmo porque a partir de seis decigramas por litro, a punição será acrescida de prisão, isso quer dizer duas tulipas. A pena será de seis meses a três anos e é afiançável (de R$ 300 a R$ 1.200, em média, mas depende do entendimento do delegado).
Absurdo? Não é bem assim, nesse caso a intenção é um bem comum, a vida. Lembra do cinto de segurança? Seu uso não era obrigatório. Doeu? Foi difícil se acostumar, mas quem tomou a multa nunca mais se esqueceu de colocar o cinto. Foi pela vida. Sei que não cabe comparação, mas o que quero dizer é que o ser humano se adapta em qualquer situação, principalmente quando atinge o bolso. Vamos nos acostumar.
As pessoas que “bebem socialmente” vão ficar muito chateadas, mas eu sou um desses e já tive os meus excessos. Na verdade, estamos pagando por poucos irresponsáveis que acabaram com vidas inocentes. E nesse caso, é aí que eu devo concordar com a lei, se não for assim, os acidentes e morte vão continuar.
Mas estou bolando algumas alternativas, veja abaixo:
Vai beber com os amigos?
Beba com os amigos da redondeza, aqueles amigos que moram longe? Evite-os. Ou arranje um amigo crente, nerds ou puritanos que possa te levar.
Como fazer em dia de happy hour no trabalho?
Vá de ônibus ou metrô e depois peça para mamãe ou papai ir buscar (vai ficar feio, mas a maioria vai fazer isso também).
Como fazer em reuniões de negócios?
Vá de táxi, metrô ou ônibus, será uma boa desculpa. (o táxi é caro, mas é o melhor jeito e peça para o motorista te levar a estação de metrô mais próxima).
Como fazer depois do futebol?
Leve a namorada, mulher ou esposa (elas sempre perguntam o porquê da demora, vão ficar sabendo).
Como sair com a namorada?
Já imaginou quem vai levar o carro? Isso mesmo, ela. As mulheres vão dirigir mais e futuramente, dominar o mundo, só faltava isso.
Aceito outras dicas. Aliás, não sou machista, estou levando em consideração a minha triste situação. Vamos nos acostumar amigos boêmios, é o jeito.