nov 2008 01

por Guilherme Freitas
guilherme@blogdacomunicacao.com.br  

Escrevo este artigo direto da cidade de Mococa, localizada a exatos 266 km de distância de São Paulo. Desde quarta-feira estou aqui na pacata cidade do interior paulista, para cobrir o tradicional Troféu Chico Piscina de Natação, um evento que reúne as seleções estaduais do Brasil e alguns países estrangeiros. A competição é muito tradicional na cidade e o clube mais famoso do município, a Mocoquense, literalmente bomba. Porém, não vou falar do evento. Vou falar sobre a cidade de Mococa.

A cidade de Mococa é uma típica cidade de interior do Brasil. São 69 mil habitantes espalhados em 854 km² de área total. As ruas são pacatas e muitas vezes desertas, os moradores da cidade ficam na rua até tarde batendo papo na calçada, a criançada corre solta pelas ruas e o trânsito praticamente não existe aqui. Esta é a quinta vez que viajo a trabalho para Mococa em dois anos. Sempre quando venho aqui eu simplesmente acho que estou em outro mundo.

Moro em São Paulo, a maior cidade do Brasil e uma das mais populosas do mundo. Além de ter uma muita gente, a metrópole tem carros em excesso, muita poluição e um ritmo de vida cansativo e corrido. Quando você vem para uma cidade como Mococa a situação muda da água para o vinho. Do barulho das buzinas no trânsito você escuta os passarinhos cantando. Do corre-corre do agitado centro paulistano, você encontra a calmaria da praça central da cidade. E o ar pesado e espesso você troca pelo ar puro do campo. Mas não pensem que Mococa é tão parada assim, sem agito.

Um dos clubes da cidade Associação Esportiva Mocoquense, realiza diversos bailes e festas para seus associados e convidados. Ontem mesmo quando deixei o clube morto de cansaço, rumo ao hotel, a festa estava começando, com música ao vivo e muita gente animada. A cidade também tem danceterias para o pessoal que curte balada e alguns restaurantes, pizzarias e churrascarias para quem só quer sair para jantar. Para os esportistas radicais há as cachoeiras naturais, que prometem muita aventura. Mococa é uma cidade legal, interessante, animada, tranqüila, agitada e de vários outros adjetivos. Para quem não conhece a cidade, este colunista recomenda uma visita.

Para mais informações de Mococa acesse os sites da Prefeitura da cidade, da Associação Esportiva Mocoquense e de Mococa no Wikipédia.

nov 2008 01

por Ana Lúcia Abrão *

blog@blogdacomunicacao.com.br

Já faz quase uma semana e a discussão permanece

A 28ª Bienal de São Paulo, inaugurada no último domingo, 26 de outubro, recebeu oficialmente o nome de “em vivo contato”, mas ficou conhecida mesmo como a “Bienal do Vazio”. A novidade desta edição – que gerou o apelido – é que o segundo dos três andares disponíveis para as obras de arte ficou todo vazio. De acordo com os curadores da exposição, a intenção é alertar para a atual falta de dinheiro para organizá-la. Ou seja, uma espécie de protesto.

Também protestando, mas por motivos bem diferentes, cerca de 40 a 50 pessoas entraram no prédio no dia da inauguração e picharam todo o andar. O manifesto já era esperado pela organização da bienal, que nem assim conseguiu contê-la. Enquanto os pichadores agiam, foram aplaudidos por alguns dos visitantes.

Para o designer Paulo Cholla, protestos são válidos, mas pichação é crime e ao final, quem paga a conta é o contribuinte. “Não vejo problema no fato de a curadoria ter deixado o andar superior vazio como forma de protesto. Acho extremamente válido. Só não concordo com pessoas que entram, picham, sujam, batem em seguranças e quebram vidraças para fugir”. Paulo aproveita para ressaltar que pichação é diferente de grafite, e lembra da dupla de grafiteiros OsGêmeos, “que grafita pelo mundo inteiro e tem seu trabalho reconhecido por muitas pessoas”.

Já Michelle Araújo, assessora de imprensa, considera pichação “uma forma de arte, uma forma alternativa de se expressar“, e chegou a pensar que a ação fazia parte da programação da Bienal. “Mas daí seria acreditar demais na superação do pensamento conservador de alguns gestores das artes aqui no Brasil”, ela completa.

Nathália Ilovate, estudante de jornalismo, acredita que tenha sido tudo pensado previamente. Já que a idéia desta edição é propor uma reflexão sobre a própria Bienal, a arte contemporânea e a democratização da arte, “acho que um grupo de pichadores fazer um trabalho justamente no andar vazio de uma exposição que tem como intuito esse questionamento é complementar a ela”.

A segurança foi reforçada e as pichações já retiradas. Mas fica no ar a pergunta: arte ou vandalismo?

Para quem quiser conferir, a 28ª Bienal de São Paulo acontece no Parque do Ibirapuera até o dia 6 de dezembro, de terça a domingo, das 10h às 22h.

* Ana Lúcia Abrão é jornalista e colaboradora especial de “Cidades” do Blog da Comunicação.

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