Por Henrique Oliveira

Crédito: www.diaadia.pr.gov.br
Pensado inicialmente como um mero diário virtual, onde os indivíduos poderiam registrar e estender, às mais diversas pessoas, suas vidas particulares, o Weblog, expressão nascida das palavras inglesas Web (rede) e log (diário), tornou-se uma das principais expressões da “liberdade comunicativa” colocada em prática pela Internet e seus usuários. Conhecidos também como Blogs, estes pretensos “ciberdiários”, hoje mantidos e criados pelos conhecidos Webloggers, Bloggers ou Blogueiros, vêm colocando cada vez mais em cena uma novíssima forma de escrita virtual: uma escrita em que as pessoas não só expõem suas vidas privadas, mas também constroem um caminho alternativo para a circulação de notícias e de outras diversas informações.
Numa intensidade nunca vista antes, e sob a tutela do suporte da internet, os Blogs vêm sendo fonte de curiosidade entre diversos estudiosos da comunicação humana. E isto se dá, justamente, porque estes mesmos Blogs se configuram como uma das expressões mais fortes da nova comunicação que surge com a “Era da Internet”.
Segundo o professor Javier Díaz Noci, em seu “Manual De radeccíon ciberperiodística”, um Weblog contém em sua definição cinco características básicas: “é um espaço de comunicação pessoal, seus conteúdos abarcam qualquer tipologia, os conteúdos apresentam uma marcada estrutura cronológica, o sujeito que os elabora normalmente vincula conexões a sítios da web que tenham relação com os conteúdos que foram desenvolvidos e a interatividade contribui para um alto valor agregado como elemento dinamizador no processo de comunicação”.
Porém, muito mais do que uma mera comunicação pessoal, hoje os Weblogs, em suas características essenciais, exemplificam com propriedade a busca do homem por uma comunicação mais dinâmica e agilizada. Com o suporte oferecido pelas potencialidades da Web, estas novas ferramentas, utilizadas pelos indivíduos enquanto seres comunicativos, já podem apresentar uma série de dúvidas: O que leva o homem a buscar o constante aperfeiçoamento e expansão de suas formas comunicativas? O que o homem busca ao inventar novas possibilidades de comunicação? Quais “necessidades” estas novas técnicas vêm a responder?
Objetar essas perguntas não é tarefa fácil. Desde o velho telegrafo, a humanidade vem buscando melhorar suas formas de comunicação. A interação global e seus canais comunicativos se tornaram, ao longo de todo o século XX, algo muito mais paupável, real. O homem moderno sempre buscou, através das mais diversificadas potencialidades, aperfeiçoar sua experiência e seu contato informativo com outros seres humanos. As barreiras da distância e do tempo hoje foram praticamente suprimidas e os véus da censura dos grandes conglomerados da comunicação parecem ser tornar, na Web, cada vez mais contornáveis. Como nos diz o pesquisador José Manoel Moran, “É possível criar usos múltiplos e diferenciados para as tecnologias. Nisso está o seu encantamento, o seu poder de sedução. Os produtores pesquisam o que nos interessa e o criam, adaptam e distribuem para aproximá-lo de nós. A sociedade, aos poucos, parte do uso inicial, previsto, para outras utilizações inovadoras ou inesperadas. Podemos fazer coisas diferentes com as mesmas tecnologias. Com a Internet podemos comunicar-nos – enviar e receber mensagens – podemos buscar informações, podemos fazer propaganda, ganhar dinheiro, divertir-nos ou vagar curiosos, como voyeurs, pelo mundo virtual”.
O indivíduo, ao tentar construir uma imagem de si mesmo, cria um papel pelo qual tentará representar sua própria realidade. Ou seja, os “sujeitos” começam a “construir” um contexto de representações que servirá exatamente para comprovar que a sua colocação em determinado momento da interação social se dá porque ele e as outras pessoas inseridas no ambiente comunicativo estão ligados em constante movimento e desempenhando papéis distintos. A vida seria, então, uma continua representação de si mesmo aos olhos de uma plateia atenta e também realizadora de outros papéis.
A internet e os blogs são então uma busca do homem por si mesmo, por umas de suas mais vitais necessidades: o encontro. Os indivíduos continuam buscando a interação com outras pessoas, mas agora o fazem de maneira diferente, mais diversificada, descentralizada e veloz. Esta nova realidade comunicativa se aflora com extrema intensidade em todos os cantos do planeta e em todas as áreas de atuação sociais. “A tecnologia de redes eletrônicas modifica profundamente o conceito de tempo e espaço. Posso morar em um lugar isolado e estar sempre ligado aos grandes centros de pesquisa, às grandes bibliotecas, aos colegas de profissão, a inúmeros serviços. Posso fazer boa parte do trabalho sem sair de casa. Posso levar o notebook para a praia e, enquanto descanso, pesquisar, comunicar-me, trabalhar com outras pessoas à distância” (citação: http://www.eca.usp.br/prof/moran/novtec.htm).
*** Revisado por Ane Patrícia Flora
Isso é a grande ruptura. Blogs, Groupwares, e-mails, redes sociais online… Tudo isso é expressão de uma mesma conflagração: a revolução da nossa intensa busca por interação comunicativa. Em nome da proximidade nos reinventamos, construímos espaços, talhamos estradas, buscamos o universo…