jun 2009 07

Por Juliana Sever
especial@blogdacomunciacao.com.br

Se você está no carro ele é seu companheiro, em casa também. E se está numa partida de futebol ele te ajuda a entender os lances polêmicos e no acompanhamento dos resultados que influenciam a vida do seu time no campeonato.

Dinâmico ele o acompanha aonde você for. Seja elétrico, à pilha ou à bateria, pouco importa. O que interessa é que mais atividades serão realizadas enquanto você o escuta.

E mais fascinante que escutá-lo é fazê-lo. Todas as pessoas que um dia trabalharam em uma rádio dificilmente conseguiram se separar. É um casamento,ou até um caso extraconjugal que se forma mesmo que a pessoa não atue mais na área.

Parece maluco, mas muitos programas são bancados pelos apresentadores, que se submetem a gastar por amor ao som produzido naquele espaço de tempo que é propagado por ondas eletromagnéticas até os seus ouvintes.

Mas difícil mesmo é manter os programas tão tradicionais e informativos ao lado de tanta tecnologia que surge a todo o momento. Alguns questionam a sobrevivência do Rádio nessa era tecnológica que vivemos. E confesso que a proporção do prazer de fazer é a mesma da frustração do não receber incentivo para seguir em frente.

Um estúdio de rádio - Crédito: Divulgação
Um estúdio de rádio – Crédito: Divulgação

É importante registrar o pouco caso feito com o meio e os profissionais que trabalham em Rádio, mas a satisfação de alimentar e manter o som desse canal todos os dias tem que impulsionar o trabalho, pois não há remuneração financeira adequada para os profissionais que tanto se dedicam.

Finais de semana, horários, feriados e folgas longas não estão no dicionário dos radialistas. Só para checar a minha informação ligue o seu rádio agora, em qualquer emissora, o som está ali, para poucas ou muitas pessoas, mas segue firme aguardando uma companhia.

Conheci radialistas importantes que nunca conseguiram se desvencilhar desse vício que é o rádio, como José Paulo de Andrade, José Nello Marques, Zé Béttio e Juarez Soares (o China, que é o meu ídolo, não só por sua brilhante participação no mundo do esporte, mas na vida. Entre reportagens e comentários na televisão, ele sempre encontrou um espaço para nos presentear com a sua sabedoria dentro do mundo esportivo nas ondas longas, médias e curtas. E transmitidas pela rádio, e mesmo com os comentários corintianos, ainda me emociona e a tantos que o escutam).

E é por essa e tantas outras emoções que amo esse veículo, mesmo em meio a tantas dificuldades. Só quero deixar registrada a importância do Rádio no aniversário do Blog da Comunicação. Que hoje está num dos meios mais modernos de jornalismo, mas que só chegou até aqui porque a Rádio abriu as portas.

Parabéns a equipe e ao Blog da Comunicação e principalmente parabéns para a Radiodifusão!

jun 2009 06

por Danilo Barros Andrade
especial@blogdacomunicacao.com.br

Há alguns dias, li uma matéria na Revista Imprensa cuja capa dizia: Blogueiro não é jornalista. Uma discussão que dá pano pra manga.

A Internet brasileira a cada dia toma forma. Há quem diga que, com o advento dos blogs, qualquer pessoa pode ser jornalista. Estamos vivendo um processo contínuo de evolução da Internet e, na minha opinião, este só tem a contribuir para a disseminação das informações e para a qualidade do Jornalismo.

Alguém já tem na ponta da língua como a Internet absorveu o jornalismo? Sou suspeito para falar, mas ela trouxe maior agilidade na divulgação dos fatos e permitiu manifestação de muitas pessoas (blogs), trazendo à tona aqueles assuntos que “teoricamente” não eram tão importantes. Você ainda acredita que a Internet é uma rede mundial de pessoas? Eu não. Ela é uma rede mundial de PESSOAS porque permite a qualquer cidadão se transformar em um produtor de notícias.

Já parou para pensar em como era o mundo 10 anos atrás? Antes do Google? Hoje podemos dizer que o Jornalismo é muito mais participativo.

“O jornalismo encontrou na Internet a possibilidade de informar a 360º: texto, som e imagem.”

Para entender melhor o processo de evolução da comunicação:

Imagem de Amostra do You Tube

Com a Internet, o produtor de conteúdo tem o poder de publicar o texto sem precisar passar pelo crivo do editor.

Quem é que se não lembra do caso da queda das Torres Gêmeas? Em pouco tempo muita gente compartilhava com os colegas o momento com que gravou a tragédia no celular, na máquina fotográfica e em muitos outro meios, inclusive, é claro, a Internet.

Muitos blogs são alvos de críticas por causa da credibilidade das informações. Sabemos que o Jornalismo sério é um pouco mais denso. Apuração de fatos, fontes precisas etc. É que, por incrível que pareça, muita gente ainda tem medo dessa tal de tecnologia.

Posso dizer que esta é a segunda revolução altamente significativa do jornalismo. A primeira aconteceu no momento da produção do jornal impresso em série.

montagem

Minuto a minuto, a informação muda. Novas tecnologias surgem e outras ficam mais obsoletas. Normal. Mas a consequência disso é que o cliente fica mais exigente. Óbvio. Na Internet, o furo de reportagem é praticamente instantâneo. Hoje, a leitura das notícias acontece praticamente em tempo real. Não temos trabalho ao ler a notícia pela Internet. Veja bem: você, na sala, com seu notebook no colo, lendo uma notícia. Não amassa. Não se desfaz quando molha. Não desbota. Não solta tinta. E, com o tal do banco de dados, pode ser lida a qualquer hora. Nada contra quem ainda gosta da notícia impressa.

O conceito de Jornalismo colaborativo está cada vez mais em voga. Objetivo: descentralização das informações (webjornalismo).

Já ouviu falar no wikis? Notícias e conteúdos diversos que permitem colaboração e edição pelo internautas de textos já publicados. Quando isso seria possível? Pois bem. Agora é. E funciona muito bem. Já ouvi dizer que a enciclopédia Wikipedia tem mais credibilidade do que a Barsa. Como pode? É a Internet que fez e faz isso. A colaboração.

“Com certeza, a evolução da tecnologia digital colabora positivamente para o jornalismo.”

Pergunta: Os jornalistas estão deixando de ser os maiores responsáveis pela coleta de informações, mas talvez os responsáveis pela revisão destas? Estariam sendo obrigados a depositar a confiança naqueles de que nunca ouvimos falar? Vale lembrar que a legitimidade das informações sempre foi premissa para o Jornalismo. Vale a reflexão.

jun 2009 05

por Leandro Lopes
especial@blogdacomunicacao.com.br

Abrem-se as cortinas! Começa o espetáculo!

Nós temos por obrigação parabenizar a todos os leitores, colunistas e colaboradores do Blog da Comunicação por esse ano de vida que atingimos com muito trabalho e esforço de todos.

Digo que nós temos por obrigação parabenizar o Blog porque, como alguns de vocês, eu fui um leitor do BGC e, hoje do lado de cá, vejo como tudo só funciona porque todos trabalham juntos. Como uma equipe. Parabéns!

Rádio – Emoções a Mil
Por definição, a comunicação nos remete ao sentido que damos à vida em sociedade. Sabemos que a necessidade de comunicação nasce conosco junto com alma, coração e sentimentos. Um dos meios de comunicação de maior sucesso é, foi e sempre será o Rádio.

Um modelo de rádio antigo - Crédito: Reprodução
Um modelo de rádio antigo – Crédito: Reprodução

Vivemos em um mundo completamente sem fronteiras, um mundo em que a distância entre o hoje e o amanhã, entre o aqui e o ali é superada com um simples clique, com um único toque. Mas, em momentos mais remotos em que a comunicação não contava com a ajuda da tecnologia como aliada, como vemos nos dias de hoje, o Rádio mostrava-se um importante meio de transcender a barreira da distância.

E foi justamente nessa época que o Rádio ofereceu ao Brasil grandes nomes da voz comunicativa da nossa nação. Entenda-se por voz comunicativa uma voz que faz, de alguma forma, alguma diferença na sociedade, seja com entretenimento, política ou qualquer outro meio que atinja a chamada “grande massa”.

Para falar de Rádio, nada melhor que falar de três grandes nomes brasileiros. Um da música, um do entretenimento e outro do esporte.

Um desses, Carmen Miranda. (Veja abaixo uma apresentação da cantora em 1940 cantando Mamãe eu quero)

Imagem de Amostra do You Tube

A Pequena Notável, como ficou conhecida no mundo todo, estreou no Rádio em meados de 1929 e, um ano depois, já lançava seu primeiro sucesso, a marcha “Taí”, de Joubert de Carvalho. Esse foi apenas o primeiro passo de uma carreira mais que vitoriosa, uma carreira de inúmeros sucessos que mostraram ao mundo o talento brasileiro, tais como “O que é que a Baiana Tem?”, de Dorival Caymmi, ou então “Moleque Indigesto” e “Chegou a Hora da Fogueira”, de Lamartine Babo.

Nos EUA, Carmen, como não podia ser diferente, fez muito sucesso como atriz e cantora e virou celebridade. Seu jeito descontraído e animado, suas roupas coloridas e enfeitadas, tipicamente calientes, tipicamente brasileira ficaram conhecidos por todos e viraram marca registrada da cantora. Definitivamente, Carmen foi, se não o maior, um dos maiores ícones da música brasileira no Rádio.

Outro grande nome do Rádio brasileiro faz até hoje a alegria do povo com seu grande bordão:

“Oiiiiiii, genteeeeeeeeeeeee!”

Eli Correia é sinônimo de carisma no Rádio brasileiro. Conhecido como o “homem sorriso do Rádio”, esbanja simpatia em seu programa e, com o carinho que demonstra por seu fiéis ouvintes, foi conquistando cada dia mais uma enorme legião de fãs. (Veja abaixo um vídeo sobre Eli Correia).

Imagem de Amostra do You Tube

O programa de Eli Correia vai até hoje ao ar. Um dos quadros que mais marcaram o público brasileiro e levaram para Eli enorme reconhecimento chama-se “Que saudade de você”. Nesse quadro, ele conta histórias da vida real, relações entre pessoas comuns que escutavam seu programa e queriam dividir com outros ouvintes uma história de amor, amizade, um grande momento ou, como o nome sugere, uma perda.

Considerado por muitos como o maior comunicador do Rádio, o segredo de Eli Correia encontra-se na relação pessoal que brilhantemente consegue passar através das ondas do Rádio. Uma lenda viva.

Para representar o esporte no Rádio brasileiro, resolvi falar de Fiori Gigliotti. Foi um grande narrador esportivo brasileiro. Sua brilhante carreira, narrando partidas de futebol, rendeu ao mestre – como era comumente chamado por seus colegas – um currículo invejado por qualquer um que sonha em trabalhar com esportes e jornalismo. (Veja abaixo vídeo com locução de Fiori)

Imagem de Amostra do You Tube

Fiori narrou durante sua carreira dez copas do mundo de futebol. Durante diversas dessas partidas, criou bordões que até hoje estão bem vivos na mente de muitos dos torcedores brasileiros. Quem não se lembra da frase: “E o tempo passa…” Ou então daquela: “Aguenta, coração!”

Enquanto narrava partidas de futebol pelo mundo afora, Fiori foi tendo seu trabalho reconhecido pelo público e, entre narração de gols e defesas, recebeu mais de duzentos títulos de cidadão honorário em diversas cidades, principalmente do interior de São Paulo.

No final de 2005, ao receber da Federação Paulista de Futebol a Medalha da Ordem Nacional do Mérito Futebolístico, Fiori declarou: “Eu confesso que hoje vivo um momento de muita emoção. É daqueles momentos de rara felicidade que nos fazem ter alegria de viver”.

O mestre faleceu um ano depois, às vesperas da Copa do Mundo, e deixou saudades no meio do futebol. Antes da primeira partida da Copa, Galvão Bueno, em homenagem ao narrador, começou a transmissão pela TV Globo com a célebre frase:

“Abrem-se as cortinas! Começa o espetáculo!”

Esses três, Carmen, Eli e Fiori, marcaram época.

E aqui eu encerro essa matéria especial, com três nomes que escreveram suas histórias no cenário brasileiro do Rádio. Alguns se foram, outros ainda fazem a festa no Rádio, este sinônimo de boas histórias e informação.

Como sugestão, eu digo:
“Desligue um pouco a TV. Escute o Rádio”.

De olho neles.
Abraço,
Leandro Lopes.

jun 2009 05

por Ivone Soares *
especial@blogdacomunicacao.com.br

No dia 3 de maio último, comemorou-se o dia Internacional da Liberdade de Imprensa. O Sindicato Nacional dos Jornalistas moçambicanos lançou, em parceria com uma companhia de telefonia móvel, o Grande Prémio de Jornalismo. Este prémio, a meu ver, significa merecido reconhecimento aos escribas nacionais. É iniciativa de se louvar, já que muitas vezes os jornalistas não têm o devido reconhecimento, não obstante faça sol ou chuva estarem no terreno buscando acontecimentos e/ou conhecimentos que viram notícias.

Em África, prémios há que visam reconhecer e incentivar a excelência do jornalismo africano. É o caso do Prémio Jornalista do ano CNN Multichoice, fundado em 1995. Prémio este criado por Edward Boateng, ex-director da Turner Broadcasting System Inc para a África, que eleva a altos patamares os escribas que se distinguem, sendo de referir que em 2008 o moçambicano Fernando Lima, do semanário Savana, foi distinguido.

Mas haverá condições para falarmos de jornalismo africano? Pelo que me consta, em África não existe uma cultura unitária, ou seja, não há relato da existência de uma cultura jornalística homogénea. Consta sim que a cultura, as tradições e/ou a política africanas variam de país para país, o que torna difícil falar de jornalismo meramente Africano, apesar de se reconhecer a existência de alguns pontos de convergência.

Em Moçambique, com o advento da Constituição de 1990, abre-se um espaço para a liberdade de imprensa e de criação jornalística. Esses direitos ficaram salvaguardados em 1991 com a adopção da lei de imprensa, instrumento bastante para consubstanciar as premissas das liberdades fundamentais do homem. Antes da assinatura dos Acordos Gerais de Paz, em 1992 em Roma, havia pretensa liberdade de imprensa, mas era fortemente condicionada pelo sistema monopartidário de derivação cultural comunista. De facto, os primeiros jornais não determinados pelo Estado e/ou pelo partido no “poder” surgem sensivelmente há 15 anos. É exemplo o Mediafax e do Savana. Atente que esta «liberdade condicionada» foi posta à dura prova quando do assassinato do mais conhecido jornalista autónomo deste País, Carlos Cardoso.

Cardoso que criou o Metical após ruptura com o Mediafax e desenvolve ali um jornalismo investigativo que afectou o “poder” ao ponto de ter sido assassinado.

Se, por um lado, o problema do jornalismo em particular moçambicano se assenta no facto de que os detentores do poder político são os detentores do poder económico (dado que estes por seu turno influenciam (in)directamente os órgãos de comunicação que sobrevivem das publicidades feitas por empresas com participação financeira de Estatais e/ou das empresas de membros do Executivo), nota-se, por outro, que em alguns países africanos, cuja democracia é emergente, como são os casos da Namíbia, de Ghana e da África do Sul, não se respeita a crítica, e a polícia «teleguiada» pelo Judiciário pressiona aos achados «infractores/jornalistas críticos» com vista a fragilização do jornalismo investigativo.

Vezes sem conta, acompanhamos detenções, ameaças, condenações e intimidação de jornalistas, bem como situações em que jornalistas independentes sofrem agressões físicas, sem repetir a violência política e/ ou judiciária a que me referi.

O jornalista moçambicano Fernando Lima, do Savana, na premiação do CNN Multichoice - Crédito: Reprodução
O jornalista moçambicano Fernando Lima, do Savana, na premiação do CNN Multichoice – Crédito: Reprodução

Quem não acompanhou o caso movido contra um dos semanários moçambicanos por alegadamente ter atentado contra a segurança do Estado quando o jornal apenas questionou a nacionalidade da primeira-ministra? Quem não se lembra dos crimes de difamação de que muitos jornalistas foram acusados no regime de Mobutu Sese Seko? Desenterrando estes exemplos, pretendo mostrar que o facto dos governos, quer corruptos como não, não suportarem críticas leva-os a cometer atrocidades também contra essa classe que, só por opinar contra o governo, já cometeu algum crime.

É bem sabido pelos políticos que os jornais, por natureza, devem seguir uma linha independente, longe de qualquer relação de subalternidade com o poder político. Como diz o meu ex-professor de Direito e Deontologia da Comunicação, Tomás Vieira Mário, actual presidente do Misa Moçambique: “a política editorial dos jornais deve estar fora de alinhamentos políticos”.

No entanto, concordo com aqueles que consideram que os jornais públicos (de capitais públicos) não devem estar subordinados editorialmente a qualquer poder político por serem financiados pelos impostos dos contribuintes por via do Banco de Moçambique, EMOSE e Petromoc. Porém, os privados, porque visam o lucro, seguem a linha editorial que o proprietário bem entender. Essa situação remete-me à três situações peculiares da economia moçambicana:

i) a tentativa tempestiva de ruptura com o sistema de economia centralizada fez com que se adoptasse uma economia de mercado selvagem. Que o Estado continua a ser o maior empregador, todos sabem, mas peca quando adopta uma política fiscal que não ajuda na consolidação da economia de mercado, tornando a intervenção do Estado na fixação de preços um problema. Essa situação acaba se reflectindo na forma de fazer jornalismo. Como vimos, temos dois suportes conhecidos para o jornalismo: o estatal, o privado. Acrescento um terceiro, que denomino misto, caracterizado por ser privado com participações de membros do Executivo. Esses órgãos privados privados deveriam ter autonomia em relação ao poder, mas o poder económico, em África, acaba fazendo vingar suas aspirações em troca de publicidade, que são o coração da media privada. Outros problemas agudizaram-se com a:

ii) implantação da economia de mercado livre e o

iii) fortalecimento da ligação entre a economia de mercado e o sistema político.

Tudo está na mesma relação. Se formos definir quem faz grandes publicidades nos jornais, determinando com isso a vida dos jornais, são as empresas com forte ligações com o poder político. As telefónicas, da aviação civil e outras públicas ou controladas pelos membros do executivo de alguns países africanos.

Enfim, é um cancro que nós os africanos teremos de vencer. Atendendo que a cultura é um «status» determinado pela história de um povo e pelo tempo.

Moçambique, à semelhança daqueles países a que acima referi, é um país com democracia multipartidária jovem, emergente. Daí que me sinto confortável em afirmar não existirem aspectos nacionais característicos de Moçambique, Ghana, África do Sul em diante, mas, sim, reconheço que os jornalistas determinados pelas experiências pessoais que vivem tendem a adoptar um modo de escrever pouco detalhado ou mais longo. Acredito que isto seja reflexo da antiga tradição cultural oral, característica africana: cheios de particulares, de desvios, de interjeições.

A este ponto, arrisco-me a afirmar que, teoricamente, está criado em Moçambique um espaço de debate construtivo de idéias. Mas para carimbar que o jornalismo africano tem pernas para andar, questiono: sobre o que deveria versar o jornalismo africano para ser entendido como tal numa sociedade global?

ivone

* Ivone Soares, 29 anos, moçambicana. Cursou Ciências da Comunicação na Universidade A Politécnica, em Moçambique, Maputo. Política, Poetisa, autora de quatro blogues, detentora de um sonho: um dia abrir a sua fábrica, ou seja, fazer quatro filhos. Seus blogs favoritos são Meu Ser Original e Rabisco da Soares. Escreveu a convite da equipe do Blog da Comunicação.

jun 2009 04

por Danilo Vaz
especial@blogdacomunicacao.com.br

Adolf Hitler é caso claro e intrigante de marketing. O que aterrorizou o mundo, e aterroriza ainda hoje, foi reflexo de exemplo de marketing pessoal, utilizado infelizmente para objetivos destruidores. No século XX deram-se início e fim de duas guerras mundiais. Hitler manipulava as pessoas, fazendo-as acreditar na existência de apenas uma raça ideal, de apenas um povo correto, de um mundo “de raça pura”.

O chanceler alemã foi um cidadão comum, até então vendedor e pintor de quadros, nascido em Braunau am Inn, pequeno município no norte da Áustria. Após acalentar sonhos de poder, decide cumprir seu maior desejo: afastar-se do império multiétnico austro-húngaro e viver em um país racialmente “mais homogêneo”.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Hitler já havia adquirido um patriotismo alemão apaixonado. Com o passar dos anos, torna-se líder do partido nazista, como era conhecido o – NSDAP (Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães). O comandante defendia a ideia de fazer desaparecer os indesejados, tais como Testemunhas de Jeová, eslavos, poloneses, ciganos, negros, homossexuais, deficientes físicos e mentais e judeus. Alguns foram levados ao campo de concentração; outros, usados em experiências médicas.

Mas o que me deixa mais chocado é que os fiéis sabiam o fim que teriam ou pelo menos tinham noção disso; daí, é possível mensurar a influência de Hitler que, apenas com palavras, conseguiu aliciar vários paises, comandar exércitos e mentes. Toda essa força de persuasão tinha apenas um foco, seu maior objetivo: manter vivo apenas o humano da “raça pura”.

Hitler usou o marketing e a comunicação para convencer seu público de que os “indesejados” atrapalhariam o desenvolvimento do país; sua perspicácia chegou ao extremo de comandar e supervisionar propagandas feitas em rádios, os jornais e outros meios da época. Todos tinham obrigação de estar a seu favor. Quem se recusasse a aceitar as suas condições e o seu ponto de vista era levado à tortura ou à morte. Marketing pessado. Por isso, diz-se que Hitler foi um dos maiores marketeiros dos século XX.

A ideologia racista de Hitler pode ser verificada em grupos atuais como os Skinheads e outros grupos neo-nazistas. Devemos tomar cuidado para tais ramos, não cresçam e produzam frutos. Talvez, se Hitler tivesse usado o poder de palavra para o bem, a Segunda Guerra Mundial sequer tivesse se inicado. Mas suas eram palavras destrutivas e obejtivos, doentios.

Montagem feita com Hitler, Lula e Obama: líderes que atingiram grande popularidade através da comunicação
Montagem feita com Hitler, Lula e Obama: líderes que atingiram grande popularidade através da comunicação – Crédito: Danilo Vaz

Hoje, há pessoas que podemos comparar a Hitler em questão de influência, porém para o bem. No Brasil, nosso presidente Lula usa apenas palavras e muita força de vontade para conquistar a população brasileira e estrangeira. Nosso país hoje cresce graças à força que nosso presidente transmite como forma de motivação para continuar a batalha para o crescimento. Um exemplo de como saber se comunicar bem com a grande massa da população.

E, claro, não posso deixar de falar sobre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que também hipnotizou o povo americano e de todo o mundo apenas com palavras que prometem bons resultados para todos nós. Outro exemplo de boa comunicação.

Estes são exemplos que a mídia e o marketing apresentam de poder extremo sobre as pessoas. Basta direcionarmos nosso alvo para o crescimento de todos, para a paz, para o combate às drogas, ao racismo. Nós precisamos fazer a diferença no mundo da comunicação, pois nossos talentos só serão vistos e valorizados a partir do momento em que tomarmos a decisão de não mais sermos medíocres.

É hora de inovar, fazer o quem nem Hitler conseguiu fazer: ganhar o favoretismo de todos, pois nossa imagem quem a faz somos nós, nossa marca quem a divulga somos nós. Meus queridos amigos, façam a diferença, inovem. O mundo com certeza dirá sim a sua imagem, ao seu artigo, a sua profissão.

Que Hitler foi um líder doentio e psicopata ninguém duvida, porém ele foi um dos políticos que mais conseguiu manipular a opinião pública e midiátrica, através de uma forte propaganda criada por seu Ministro Joseph Goebbles. Veja abaixo um vídeo em inglês sobre a propaganda nazista de Hitler:

Imagem de Amostra do You Tube
jun 2009 04

por Kika Cirra
especial@blogdacomunicacao.com.br

Em 1772, quatro anos antes da proclamação da independência dos Estados Unidos, um grupo de revolucionários comandado por George Washington, preocupado com a divulgação de informações oficiais, contratou o escritor e editor Samuel Adams para desenvolver um trabalho que mesclasse elementos da comunicação. Anos depois, em 1829, Amos Kendall dava início à assessoria de imprensa governamental. Durante o governo de Andrew Jackson, organizou um setor bem estruturado de imprensa e relações públicas: o The Globe, considerado por muitos como o primeiro house-organ.

As primeiras publicações empresariais surgiram na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos no século XIX. Os efeitos sobre a opinião pública consolidaram-se e, a partir daí, começaram a aparecer jornalistas que se encarregavam de divulgar o que acontecia dentro das organizações. Outras áreas também adotariam a ideia, levando ao público fatos do mundo empresarial.

Samuel Adams, foi o pioneiro na assessoria de imprensa - Crédito: Reprodução
Samuel Adams, foi o pioneiro na assessoria de imprensa – Crédito: Reprodução

Yve Lee: Pioneiro na Criação da Assessoria de Imprensa e Comunicação
Em 1906, o jornalista norte-americano Yve Lee fundou em Nova York o primeiro escritório de assessoria de imprensa ou relações públicas do mundo. Com um bem-sucedido projeto profissional e a serviço de um cliente poderoso, Lee conseguiu recuperar a imagem do odiado empresário americano John Rockfeller e conquistou, por direito e mérito na História moderna da Comunicação Social, o título de fundador da Relações Públicas, berço da assessoria de imprensa.

Foi a partir desse momento que diversas empresas, e também órgãos públicos, começaram a adotar serviços de assessoria de imprensa no mundo todo. Nas décadas de 1940/1950, já existiam registros dessa atividade em vários países, entre eles França, Canadá, Itália, Holanda, Bélgica, Alemanha, Suécia, Noruega.

Assessoria de Imprensa no Brasil
Em artigo publicado no site Observatório da Imprensa em 28 de maio de 2008, Osmar Monteiro Mendes afirma que a Assessoria de Imprensa no Brasil surgiu em 1909, quando o presidente Nilo Peçanha criou a Secção de Publicações e Biblioteca do Ministério da Agricultura, tendo como uma das principais finalidades distribuir informações à imprensa sobre o setor, a partir de notícias e notas. Essa foi a primeira iniciativa com características assemelhadas à “assessoria de imprensa” no Brasil.

Durante o governo de Getúlio Vargas, foi criado em 1937 o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) por meio do decreto n° 3.371, em pleno estado novo, com finalidade de estabelecer serviço de atendimento à imprensa ligado ao Gabinete Civil. A ideia principal era divulgar os atos do Presidente e obras realizadas naquele período. O governo Vargas foi também o responsável pela criação do curso superior de Jornalismo, em plena ditadura.

Após a II Guerra Mundial e a eleição de Juscelino Kubitschek, com investimento das grandes multinacionais, surgiram as práticas de assessoria de imprensa, que foram sendo adotadas aos poucos por empresas nacionais e pela administração pública. A partir de 1970, entidades, empresas e empresários descobriram que o assessor de imprensa era figura importante e necessária. Desde então, a atividade vem se profissionalizando e ganhando outra dimensão de trabalho.

O ex-presidente do Brasil Nilo Peçanha, o primeiro a utilizar assessores em seu governo - Crédito: Reprodução
O ex-presidente do Brasil Nilo Peçanha, o primeiro a utilizar assessores em seu governo – Crédito: Reprodução

Na década de 70, de acordo com o professor Manoel Carlos Chaparro, dá-se rápida expansão das assessorias de imprensa como mercado de trabalho jornalístico, mas infelizmente ainda sobre o impacto do controle da informação para a opinião pública, num sistema implantado pelo governo.

Em 1971, os jornalistas Reginaldo Finotti e Alaor José Gomes fundaram a agência Unipress, buscando nova proposta de assessoria de imprensa. Queriam expandir seu trabalho, fazendo com que as informações chegassem de maneira mais rápida e fácil às redações. A Unipress se tornou modelo jornalístico de assessoria de imprensa.

Segundo Jorge Duarte, em 1975 a Unipress chegou a ter cerca de 10 clientes e 45 jornalistas, cujo objetivo principal era a produção de publicações institucionais. Mesmo nessa época, os jornalistas que prestavam esse tipo de serviço não eram bem vistos, porém, mostravam um trabalho útil, conquistando espaço.

O ano de 1979 significou um momento de mudança para o segmento, é o que afirma o jornalista Kardec Pinto Vallada: “Nessa época, houve grande número de demissões nos principais meios de comunicação devido a greves dos jornalistas; redações foram obrigadas a dispor de profissionais incapacitados para desenvolver um bom trabalho. Foi nessa época que surgiram jornais, revistas e anúncios sobre as instituições e órgãos de forma mais profissional. Os jornalistas por sua vez ganharam benefícios, como horário fixo de trabalho, salário bem maior que os oferecidos pelas redações e inúmeras outras vantagens”.

Nos anos 80, as assessorias ganharam espaço maior nas empresas e, assim, passou a haver maior necessidade por esse tipo de trabalho. Os jornalistas começaram a se reunir para trocar experiências e opiniões, a legislação se estabeleceu e foi lançado o Manual de Assessoria de Imprensa, trabalho conjunto com comissões formadas por vários sindicatos do país.

Segundo Chaparro, nessa mesma época o Brasil começou a implantar a ruptura entre a assessoria de imprensa e a relações públicas, consolidando-se como experiência única de assessoria de imprensa jornalística no mundo, já que a maioria dos países não considerava a assessoria de imprensa como prática jornalística.

No livro Comunicação: discursos, práticas e tendências (2001), Duarte cita Portugal como exemplo decorrente desse fato: ”O jornalista que passa a trabalhar em uma organização não jornalística é obrigado a afastar-se do sindicato e, portanto, perde o direito a exercer a profissão”.

Amos Kendall: o pai do house-organ - Crédito: Mathew Brady/Reprodução
Amos Kendall: o pai do house-organ – Crédito: Mathew Brady/Reprodução

Atualmente, 50% dos profissionais formados em Jornalismo atuam em algum tipo de assessoria de imprensa, seja organizacional, institucional ou empresarial, mas essa situação pode sofrer variações dependendo da região. Segundo o Sindicato dos Jornalistas, estima-se que 60% dos jornalistas do estado do Ceará trabalhem em algum tipo de assessoria. Conforme levantamento feito em 2003 pelo Sindicato do Distrito Federal, metade dos 25 mil profissionais brasileiros formados em Jornalismo atua em assessorias.

O Blog da Comunicação conversou com duas jornalistas que exercem a função de assessoras de imprensa: a gaúcha Juliana Vieira, assessora de imprensa de um dos principais clubes sociais de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, e Juliana Braga, fluminense de Niterói, assessora de imprensa da Organização Médicos Sem Fronteiras, com sede no Rio de Janeiro.

BGC: Juliana, fale um pouco de sua trajetória profissional.
Juliana Braga:
Me formei na Faculdades Integradas Hélio Alonso, no Rio de Janeiro. Trabalhei nos jornais O Fluminense (Niterói), Agência Jornal do Brasil, Jornal O Dia, GloboNews.com, Globo Online e há dois anos e meio sou assessora de imprensa do Médicos Sem Fronteiras.

BGC: Quais as principais tarefas atribuídas a um assessor de imprensa?
JB:
O assessor de imprensa é a ponte entre uma organização e/ou instituição e a mídia. No meu caso, além de atender demandas espontâneas da imprensa, também sugiro pautas sobre a organização e temas ligados a ela para a imprensa. Além disso, sou responsável pelas reportagens publicadas no site da organização.

BGC: Como é trabalhar com assessoria de imprensa dentro de uma organização como MSF?
JB:
É bastante interessante e muito desafiador. Aprendo bastante sobre a história de vários países; tem ainda um pouco de ciência (que eu adoro, pois, por cinco anos, cobri editorias de ciência e internacional), troco muita informação com várias pessoas de países diferentes e, ao mesmo tempo, sei que estou divulgando um trabalho do bem. Mas, muitas vezes, é bem difícil porque muitos dos países que acompanhamos não são considerados “interessantes” ou não vendem jornal.

BGC: De que forma é trabalhada a assessoria de imprensa dentro de um clube social?
Juliana Vieira:
A assessoria de imprensa, dentro do Clube Juvenil, é trabalhada de forma informativa e serve como suporte na divulgação. O clube possui um site onde postamos matérias atualizadas diariamente. É o principal vínculo de comunicação entre o clube e o associado. Diariamente são mandados releases para jornais, rádios e TVs com noticias de interesse do associado, de eventos ou atividades que o clube está desenvolvendo.

BCG: Dentre as principais tarefas desenvolvidas pela assessoria de imprensa doo clube, quais você destacaria?
JV:
Com certeza, é o trabalho que realizo através do site.

Fontes Consultadas: Ferraneto e Kopplin (1996) Fenaje (1996) Garcia (2004) Boanerges Lopes (2003) Jorge Duarte (2003) Manoel Carlos Chaparro (2003).

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