nov 2010 30

por Victor Oliveira

comportamento@blogdacomunicacao.com.br

O país assiste, aterrorizado, cenas de guerra urbana que costumavam passar apenas na TV, em países distantes daqui. Milhares de policiais com armas longas, tanques e blindados das forças armadas, pintura de guerra nas faces dos guerreiros. Tudo isso para entrar em uma comunidade pobre do Rio de Janeiro, em uma favela que há anos convive com a realidade da criminalidade e que não sabe o que é ter a presença do Estado naquela região.

Bem coordenada, a operação conseguiu, até o presente momento, obter sucesso. Não houve, como era esperado, confrontos sangrentos entre os bandidos e os policiais. O Estado conseguiu retomar aquele território e, segundo informações da mídia, pretende instalar no Complexo do Alemão a chamada UPP – Unidade de Polícia Pacificadora, que se trata, em linhas simples, da presença constante de unidades policiais na comunidade, afastando a criminalidade, sobretudo o tráfico de drogas.

Os números das apreensões são assustadores. Apenas no segundo dia de operação naquele local, a polícia mostra o quanto o tráfico de drogas é importante para as quadrilhas. Mais de quarenta toneladas de maconha, duzentos quilos de cocaína, uma centena de armas, entre elas fuzis e metralhadoras, milhares de munições e granadas foram exibidas à população, mostrando que muita coisa ainda pode ser encontrada.

As grandes questões feitas neste momento tratam das possibilidades de entrada dessas drogas e dessas armas nas comunidades. Os especialistas, e os leigos também, sempre mencionam a questão da proteção das fronteiras, a facilidade que os traficantes têm para trazer esse material, sem nenhum tipo de fiscalização. Óbvio, essa é uma questão crucial no combate ao crime organizado, dificultar o acesso a produtos ilícitos, aumentar a máquina estatal que fiscaliza, combate e pune quem atua dessa forma. Mas outra questão, já antes debatida, sobretudo quando do lançamento do filme Tropa de Elite, versa sobre o papel importantíssimo dos usuários de drogas. Afinal de contas, quem vai fumar aquelas quarenta toneladas de maconha? Alguém vai pagar, e caro, por essa droga, vai movimentar toda essa máquina do tráfico.

Há quem acuse até mesmo de fascista o discurso de quem coloca a culpa, também, nos usuários de drogas. Para muitos, os usuários, habituais ou não, são pessoas doentes, que precisam de tratamento médico e não de uma intervenção policial. São, segundo eles, o elo mais fraco dessa corrente, a parte sensível, não podem ser visto como culpados por uma, segundo os defensores dessa corrente, ineficiência estatal no combate às drogas.

Por mais que se tente argumentar nesse sentido, é claro para todos que somente existe venda de drogas se existir alguém para comprá-las. Ainda que o usuário não tenha ciência disso, ele é sim a origem de grande parte desse conflito. Naquele momento em que ele busca uma boca para comprar sua droga, um grande número de pessoas se mobiliza para que esta venda ocorra. São os olheiros, de olho nas polícias e nos traficantes rivais, os vendedores, as pessoas que, por alguns trocados ou mesmo por ameaça, aceitam que a droga seja guardada em suas casas e, lógico, o fornecedor maior, aquele que alimenta aquela determinada localidade.

Toda essa estrutura toda não pode ficar desguarnecida, então a solução é buscar armas cada vez mais fortes, com calibres usados em guerras. A briga pelos melhores pontos de venda costuma mobilizar dezenas de bandidos, que não se importam se pessoas inocentes serão atingidas.  O rendimento financeiro com esse tipo de conduta é imensurável, sendo um dos que mais movimentam a economia mundial. Para se ter uma ideia, essas primeiras apreensões de drogas no Complexo do Alemão causaram um prejuízo de aproximadamente R$200 milhões. O tráfico de drogas é a atividade mais rentável no mundo da criminalidade, mas precisa de uma figura essencial para que toda essa engrenagem se mova: o usuário, o comprador, aquele que usa por necessidade fisiológica, aquele que usa para aparecer, não importa, aquele que alimenta todo esse sistema e que, indubitavelmente, gosta de jogar a culpa pela violência atual nos ombros alheios.

É isso.

nov 2010 29

por André Ítalo

politica@blogdacomunicacao.com.br

É praticamente unânime que a última disputa presidencial no Brasil foi pobre em debates de idéias e propostas. Perdeu-se muito tempo discutindo questões bobas como aborto e religião, deixando de lado assuntos importantíssimos, como por exemplo, a saúde pública, que “desde sempre” deixa o cidadão na mão.

Filas, falta de equipamentos, problemas nas emergências, pacientes sendo atentidos nos corredores e consultas pouco profissionais. Imaginar esta cena não é nada difícil para quem frequenta hospitais públicos no País. Infelizmente, acabar com isto ainda é um sonho muito distante.

Nos próximos quatro anos, Dilma Rousseff terá que provar que pode e deve ser bem melhor do que Lula no que diz respeito à saúde pública no Brasil – Crédito: Divulgação

Durante o governo Lula, a saúde pública não esteve entre suas prioridades. Totalizando todos os aumentos de gastos realizados desde que assumiu, somente 2% foram destinados à saúde, segundo pesquisa feita pela Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados. A situação ficou ainda pior depois que o Congresso Nacional aprovou a extinção da CPMF. Com isso, os investimentos anuais na saúde foram reduzidos em cerca de R$40 milhões.

Para o mandato da presidente eleita Dilma Roussef, o maior desafio, portanto, será encontrar fontes de recursos para que melhorias sejam iniciadas. Até então, a medida mais provável é a criação de um novo tributo específico para a saúde. Apesar da proposta ser impopular, já que a palavra “imposto” é vista com terror pelos cidadãos brasileiros, é provável que Dilma consiga sua aprovação. Isto porque vai contar com um congresso bem mais favorável do que o esteve por lá durante a Era Lula.

@andreitalo

nov 2010 28

A última semana foi recheada de tensão e adrenalina para o cidadão do Rio de Janeiro. Após protestos dos traficantes (e porque não as milícias) contra as UPPs, que se resumiram em carros e ônibus queimados, o Governo do Estado do Rio deu carta branca para uma pesada ação policial e militar. O Exército também foi convocado e já assumiu o controle do Complexo do Alemão. E você caro leitor, concorda com o Exército nos morros e favelas do Rio? Vote na nova enquete do Blog da Comunicação, localizada na barra lateral a direita do seu monitor.

Militar durante a operação no Complexo do Alemão – Crédito: Antonio Scorza/AFP

RESULTADO - A pesquisa anterior, questionava os leitores sobre o Brasileirão 2010. Ainda falta uma rodada para o término do campeonato e três times seguem com chances de título. A preferência dos leitores é pelo Fluminense, que recebeu 44% dos votos. O Corintians teve 36% e o Cruzeiro veio logo atrás com 20%.

nov 2010 27

por Guilherme Freitas
internacional@blogdacomunicacao.com.br

Um clima de tensão e medo pairou no ar nesta semana. Irmãos de sangue, porém inimigos quando o assunto é território e ideologia, as duas Coreias entraram em choque após ataques mútuos no último dia 23. O incidente ocorreu na Ilha de Yeonpyeong, território sul-coreano. As causas ainda não estão claras. O lado norte, comunista, disparou cerca de 50 peças de artilharia contra o arquipélago e a parte sul, capitalista, revidou aos ataques dos vizinhos com seus soldados e acabou tendo duas baixas.

As duas Coreias jamais assinaram um acordo de paz. Após o fim da II Guerra Mundial[bb] os dois países entraram em guerra, apoiados por Estados Unidos e União Soviética. Em 1953 elas assinaram um armistício. Tecnicamente ainda estão em guerra, embora jamais um conflito similar ao dos anos 1950 tenha ocorrido novamente. Desde então a relação teve altos e baixos. Momentos fraternos como quando as duas delegações desfilaram juntos na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, se contrastam como momentos de terror, como quando a Coreia do Norte atacaou e afundou um navio sul-coreano que trafegava em suas águas, em março de 2010, matando 46 pessoas.

A ilha de Yeonpyeong é atingida ao fundo – Crédito: AFP

Os Estados Unidos[bb], maior aliado militar de Seul, saiu em defesa de seu parceiro e já programou treinamentos com seus caças no Mar Amarelo, irritando o regime comunista. O contingente americano no lado sul da península é de 28 mil homens e após este episódio deve aumentar. Já a Coreia do Norte tem na China seu maior parceiro comercial. Os chineses porém, fazem uma política do “morde e assopra”. Ao mesmo tempo que defendem o regime comunista Pyongyang, se irritam com as atitudes radicais do vizinho. A China teme um conflito armado entre as Coreias, porque isso traria mais tropas americanas para região e faria com que muitos camponeses norte-coreanos fugissem para seu território.

Creio que este incidente não é um fato isolado e nem será o único nesta “queda de braço”. A Coreia do Norte vem há anos desafiando as sanções da ONU e do Ocidente, insistindo em manter seu programa nuclear. Especula-se que o país já tenha artefatos nucleares, deixando Japão e Coreia do Sul em estado de alerta. A tensão deve crescer na região, com mais pressão dos EUA sobre Pyongyang. Não sou tão radical de crer que um conflito na península coreana seja princípio para uma terceira grande guerra. Porém, não é interessante para a humanidade tropas americanas e chinesas estarem tão próximas e tão tensas.

nov 2010 26

Todas as sextas indicamos excelentes blogs para os leitores do Blog da Comunicação. Esta semana indicamos o blog Ser.RP, produzido pelo relações públicas Juliano Melo. O site aborda temas do universo de RP, como campanhas publicitárias e ações de comunicação. Quem quiser saber mais detalhes como é ser um relações públicas pode encontrar dicas preciosas por lá e no twitter do blog: @blogserrp. “O blog foi criado como uma demanda da faculdade, como fator de avaliação. No final de 2007, quando a comunicação digital começou a tomar força, minha professora e orientadora do TCC solicitou a criação do canal como forma de conhecermos esta ferramenta”, conta Juliano.

Homepage do blog Ser. RP – Crédito: Reprodução

O blogueiro conta que o perfil de leitores do blog é variado, entre os RPs e outros visitantes mais ecléticos. “Com a criação da área de entrevistas com profissionais de comunicação, provavelmente teremos um auemnto deste público”, conta Juliano que define o Ser.RP como uma mistura de passatempo com algo profissional. “Esta última característica tem sido uma constante nos últimos tempos e os resultados têm sido bastante satisfatórios”.

O Blog da Comunicação indica essa semana o blog Ser.RP, (http://serrp.blogspot.com/). Semana que vem tem mais. Boa leitura!

Se você quiser indicar seu blog ou site para o Blog da Comunicação envie sua dica para blog@blogdacomunicacao.com.br ou deixe o link lá na comunidade oficial do BGC no Orkut, clicando aqui, ou no nosso twitter oficial: www.twitter/blogcomunicacao. Temos uma página no Facebook. Nos curta lá também!

nov 2010 26

A cidade de São Paulo será sede do 8º Campeonato Aberto Internacional de Kung Fu (8th International Cup Brazil of Kung Fu), que ocorre no Ginásio de Esportes “Mané Garrincha” no próximo domingo, dia 28 de novembro, das 09h às 20h. Participam da competição atletas de diversos estados brasileiros e demais oito países (Estados Unidos, Chile, Argentina, Uruguai, Canadá, Irã, México e Cuba).

Atletas realizam a “Dança do Dragão” na primeira edição do evento em 2003 – Crédito: LNKG/Divulgação

O evento é realizado pela Liga Nacional de Kung Fu (LNKF), uma entidade civil de administração nacional de artes marciais chinesas sediada em São Paulo e filiada a Federação Mundial de Kuoshu (The World Kuoshu Federation). A LNFK e tem como principal objetivo proporcionar aos seus atletas filiados a oportunidade de se aprimorar a técnica através de cursos e treinamentos.

Atletas se apresentam na Forma por Equipe em 2006 – Crédito: LNKF/Divulgação

O Kung Fu[bb] é uma das artes marciais mais populares do mundo e foi disseminada por atores consagrados como Bruce Lee, Jackie Chan[bb] e Jet Li. No campeonato acontecerão lutas de Kuoshu, Sanshou, combate clássico (tradicional sem proteção), Tui Shou e Shuai Jiao, formas (seqüência de movimentos), com armas, sem armas e Tai Chi Chuan.

Uma luta de Sanshou na edição de 2008 do festival – Crédito: LNKG/Divulgação

SERVIÇO
8th International Cup Brazil of Kung Fu
Data:
28 de novembro de 2010.
Local: Ginásio de Esportes “Mané Garrincha”, na Rua Pedro de Toledo, 1.651 – Vila Clementino – São Paulo-SP. Em frente ao Hospital do Servidor Público do Estado e AACD.
Mais informações pelos telefones: (11) 5671-6885 ou 3451-6105, via e-mail: presidente@lnkf.com.br.

* A sugestão desta pauta foi enviada pelo Diretor de Relações Públicas da LNKG, Danilo Martire.

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