por Guilherme Freitas
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Desde 1947 os olhos do mundo se voltaram para o conflito entre israelenses e palestinos. Selecionamos aqui cinco personagens chaves da história desse conflito que já dura décadas. David Ben-Gurion foi o primeiro israelense a ocupar o cargo de primeiro ministro do Estado judeu. Yasser Arafat foi o maior líder da história dos palestinos e venceu um Prêmio Nobel da Paz junto com Yitzhak Rabin, primeiro-ministro de Israel que foi morto por um judeu radical. Ex-militar, Ariel Sharon foi um dos mais famosos líderes de governo israelense e o grupo armado (ou partido político) Hamas ainda não reconhece a existência do estado de Israel. Confiram nossa lista abaixo:

- O ex-premiê David Ben-Gurion – Crédito: Life
David Ben-Gurion
Primeiro premiê de Israel, nasceu em Plonsk, na Polônia, e sempre esteve envolvido com políticas socialistas e sionistas. Mudou-se para a Palestina, sob controle britânico, em 1905 até ser expulso pelas suas atividades políticas. Após um período nos Estados Unidos, regressou a Terra Santa em 1918. Lá fundou o Partido Trabalhista e o Haganá, grupo armado sionista que lutava pelo Estado Judeu. Foi um dos arquitetos da imigração de judeus em massa para a Palestina, atividade que os britânicos não aprovavam. Nesse período tornou-se uma das maiores lideranças sionistas, encorajando os judeus a retornaram para a Palestina e fundar o seu país. Em 1948 tornou-se primeiro-ministro, cumprindo mandato até 1953 (ele retornaria ao posto novamente entre 1955 e 1963). Em 1970 deixou a política, passando a se dedicar a literatura e morreu três anos depois. Veja aqui o discurso de Ben-Gurion após a criação do Estado de Israel.

- O maior líder palestino, Yasser Arafat – Crédito: Osama Silwadi/Reuters
Yasser Arafat
A maior figura da história palestina nasceu no Cairo, em 1929. Após a morte da mãe, viveu por um tempo com um tio em Jerusalém e sempre se considerou palestino. Após a criação de Israel, Arafat abandou os estudos na Universidade do Cairo para lutar contra o novo Estado. Presidiu a Irmandade Muçulmana e em 1969 foi nomeado líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Ajudou a criar o Fatah, uma organização dedicada a criar o Estado palestino e pregava a destruição de Israel (posição que mudou com o passar dos anos). Nos anos 1970 e 1980 esteve engajado na campanha pelo Estado Palestino, apoiando ações contra Israel em vários países muçulmanos (pregando inclusive a violência). Em 1993 junto com Yitzhak Rabin assina a Declaração de Princípios Israelense-Palestino, em Washington, visando a paz na região. Graças à atitude, vence o Prêmio Nobel da Paz com Rabin. Nos anos seguintes, como líder de Autoridade Palestina, Arafat lutou pacificamente pelo Estado Palestino, mas a nova política conservadora de Israel dificultavam as coisas. Em novembro de 2004, ele morreu aos 75 anos de falência múltipla de órgãos.

- Rabin e Arafat no histórico aperto de mãos em Washington – Crédito: Divulgação
Yitzhak Rabin
Nascido em Jerusalém, em 1922, o ex-primeiro-ministro também teve destaque na carreira militar, lutando na Guerra de Independência de Israel (1948-1949). Com a fundação do Estado judeu, Rabin serviu por duas décadas às Forças de Defesa de Israel. Na Guerra dos Seis Dias, já general, ele era o Comandante-chefe das forças terrestres, aéreas e navais. No ano seguinte deixou a carreira militar e ingressou na política. Foi embaixador nos Estados Unidos por cinco anos e depois é eleito para o Knesset (Parlamento israelense) pelo Partido Trabalhista. Em 1974, após a renúncia de Golda Meir, assumiu o cargo de primeiro-ministro. Devido a um escândalo financeiro, seu governo durou apenas três anos e ele deixou o cargo. Em 1992 tornou-se mais uma vez premiê e no ano seguinte assinou juntamente com Iasser Arafat, o termo conjunto de Declaração de Princípios Israelense-Palestino, em Washington, sob a supervisão de Bill Clinton. O fato rendeu a ambos o Prêmio Nobel da Paz. Procurava também manter a paz com a Jordânia, mas em 1995 foi assassinado a tiros por um estudante judeu.

- Ex-primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharin ainda está em coma – Crédito: Governo de Israel
Ariel Sharon
O ex-primeiro-ministro israelense nasceu em 1928, membro de uma família sionista e começou sua carreira militar aos 17 anos. Após a criação de Israel passou a atuar nos campos de batalha contra países árabes. Comandou a divisão de blindados na Guerra dos Seis Dias e teve participação decisiva na Guerra do Yom Kippur. Porém, sua truculência era motivo de críticas de opositores. Já ministro da Defesa, planejou a invasão do Líbano, em 1982, e o cerco ao quartel-general da Organização pela Libertação da Palestina (OLP), de Yasser Arafat, em Beirute. Em 1983 foi considerado um dos responsáveis pelo massacre nos campos de refugiados palestinos no Líbano, promovidos por cristãos e ganhou o apelido de “Açougueiro de Beirute”. Recuperou sua reputação popular e foi eleito primeiro-ministro em 2001. Foi durante seu governo que os colonos israelenses começaram a ser retirados da Faixa de Gaza, que passaria a ser controlada em 2005 pelos palestinos. No início de 2006 sofreu um derrame e está deste então em estado de coma profundo.

- Militantes do Hamas em Gaza – Crédito: Ahmed Deeb/WN
Hamas
Organização radical, partido político, movimento terrorista. Afinal, como definir o Hamas? Este grupo fundamentalista surgiu em 1987, data da primeira Intifada contra Israel. Braço armado da Irmandade Islâmica Palestina, o grupo anunciou sua “guerra” contra o Estado judeu. O Hamas defende o fim de Israel e prega a fundação de um Estado palestino onde hoje se encontra a nação israelense. No início, o Hamas tinha o apoio de Israel que via no grupo, um rival para a OLP de Arafat. Hoje o grupo é considerado terrorista por vários países ocidentais, mas tem simpatia de nações muçulmanas. Tornou-se partido político e venceu as eleições de 2006, podendo governar a Faixa de Gaza. Hoje continua atuando como sigla política e grupo armado ao mesmo tempo, disparando mísseis contra o território israelense. No início de 2011 surpreendeu o mundo ao firmar um acordo paz com o rival secular Fatah. O destino do Hamas é uma incógnita.