mai 2011 31

Por Leandro Lopes
blog@blogdacomunicacao.com.br

Criança palestina chora em funeral de parentes na Faixa de Gaza após ataque israelense no início de 2009 – Crédito: Fady Adwan/Propaimages

Mortos e feridos. O Oriente Médio é a bomba atômica do mundo. A qualquer minuto, no próximo talvez, uma explosão vem acompanhada de corpos e dor; dor não só física, mas também espiritual. Explorar a tristeza de pessoas é como caminhar em ovos. É preciso tomar cuidado com o caminho escolhido. O confronto deixa marcas na carne e na sociedade; em formas de sangue e destruição. Mais uma luta sem nome e em nome de nada. O escritor é um contador de histórias. Ataca os detalhes e as especificidades de determinado acontecimento com a mesma precisão que um médico cirurgião ou um piloto de corridas tem em uma operação ou numa curva em alta velocidade.

José Saramago é um exímio piloto. Um cirurgião que já entrou pra história. Do confronto israelense, Saramago diz que: “Vivendo sob as trevas do Holocausto e esperando ser perdoado por tudo o que fazem em nome do que eles sofreram parece-me ser abusivo. Eles não aprenderam nada com o sofrimento dos seus pais e avós”. Nessa ótica o conflito passa a ter um nome. Vingança. Em nome da vingança mais mortes. Lutamos pela paz armados de guerra.

Se vis pacem para bellum”.

O conflito não exige vencedor ou perdedor. Exige trégua. Claro que tudo isso é uma visão eufemista. Este utópico autor sabe que o confronto é muito mais amplo, envolve outros jogos de interesse e muito dinheiro. Não custa sonhar, custa? “Viver a custa do Holocausto é abusivo” – Saramago completa seu pensamento e resume o confronto em uma palavra. Abusivo. É isso que os cirurgiões fazem. É assim que os pilotos conduzem as máquinas.

O abuso do Holocausto e o abuso da “resposta” trazem ao confronto – com o perdão do trocadilho – um número abusivo de mortes. A situação calamitosa, o medo e o terror das pessoas. Vítimas – essas sim – sem nome. Não há limites para a crueldade humana. Aprendemos essa lição dia após dia, guerra após guerra. Em nome da paz, é claro. E isso me conforta, ou supostamente devia confortar.

“Nós podemos comparar (a situação palestina) com o que aconteceu em Auschwitz.”.

Negar a insanidade da guerra é como negar a existência do Holocausto. Pessoas morreram por uma causa que a humanidade criou. Um motivo. Saramago expõe os motivos e condena. Perdoa quem sofreu, mas não perdoa quem faz sofrer. O caminho é mesmo esse. Um exímio escritor dedica seu talento aos pesares do conflito. Realmente a guerra envolve todas as instâncias da sociedade…

mai 2011 31

por Guilherme Freitas
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Desde 1947 os olhos do mundo se voltaram para o conflito entre israelenses e palestinos. Selecionamos aqui cinco personagens chaves da história desse conflito que já dura décadas. David Ben-Gurion foi o primeiro israelense a ocupar o cargo de primeiro ministro do Estado judeu. Yasser Arafat foi o maior líder da história dos palestinos e venceu um Prêmio Nobel da Paz junto com Yitzhak Rabin, primeiro-ministro de Israel que foi morto por um judeu radical. Ex-militar, Ariel Sharon foi um dos mais famosos líderes de governo israelense e o grupo armado (ou partido político) Hamas ainda não reconhece a existência do estado de Israel. Confiram nossa lista abaixo:

O ex-premiê David Ben-Gurion – Crédito: Life

David Ben-Gurion
Primeiro premiê de Israel, nasceu em Plonsk, na Polônia, e sempre esteve envolvido com políticas socialistas e sionistas. Mudou-se para a Palestina, sob controle britânico, em 1905 até ser expulso pelas suas atividades políticas. Após um período nos Estados Unidos, regressou a Terra Santa em 1918. Lá fundou o Partido Trabalhista e o Haganá, grupo armado sionista que lutava pelo Estado Judeu. Foi um dos arquitetos da imigração de judeus em massa para a Palestina, atividade que os britânicos não aprovavam. Nesse período tornou-se uma das maiores lideranças sionistas, encorajando os judeus a retornaram para a Palestina e fundar o seu país. Em 1948 tornou-se primeiro-ministro, cumprindo mandato até 1953 (ele retornaria ao posto novamente entre 1955 e 1963). Em 1970 deixou a política, passando a se dedicar a literatura e morreu três anos depois. Veja aqui o discurso de Ben-Gurion após a criação do Estado de Israel.

O maior líder palestino, Yasser Arafat – Crédito: Osama Silwadi/Reuters

Yasser Arafat
A maior figura da história palestina nasceu no Cairo, em 1929. Após a morte da mãe, viveu por um tempo com um tio em Jerusalém e sempre se considerou palestino. Após a criação de Israel, Arafat abandou os estudos na Universidade do Cairo para lutar contra o novo Estado. Presidiu a Irmandade Muçulmana e em 1969 foi nomeado líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Ajudou a criar o Fatah, uma organização dedicada a criar o Estado palestino e pregava a destruição de Israel (posição que mudou com o passar dos anos). Nos anos 1970 e 1980 esteve engajado na campanha pelo Estado Palestino, apoiando ações contra Israel em vários países muçulmanos (pregando inclusive a violência). Em 1993 junto com Yitzhak Rabin assina a Declaração de Princípios Israelense-Palestino, em Washington, visando a paz na região. Graças à atitude, vence o Prêmio Nobel da Paz com Rabin. Nos anos seguintes, como líder de Autoridade Palestina, Arafat lutou pacificamente pelo Estado Palestino, mas a nova política conservadora de Israel dificultavam as coisas. Em novembro de 2004, ele morreu aos 75 anos de falência múltipla de órgãos.

Rabin e Arafat no histórico aperto de mãos em Washington – Crédito: Divulgação

Yitzhak Rabin
Nascido em Jerusalém, em 1922, o ex-primeiro-ministro também teve destaque na carreira militar, lutando na Guerra de Independência de Israel (1948-1949). Com a fundação do Estado judeu, Rabin serviu por duas décadas às Forças de Defesa de Israel. Na Guerra dos Seis Dias, já general, ele era o Comandante-chefe das forças terrestres, aéreas e navais. No ano seguinte deixou a carreira militar e ingressou na política. Foi embaixador nos Estados Unidos por cinco anos e depois é eleito para o Knesset (Parlamento israelense) pelo Partido Trabalhista. Em 1974, após a renúncia de Golda Meir, assumiu o cargo de primeiro-ministro. Devido a um escândalo financeiro, seu governo durou apenas três anos e ele deixou o cargo. Em 1992 tornou-se mais uma vez premiê e no ano seguinte assinou juntamente com Iasser Arafat, o termo conjunto de Declaração de Princípios Israelense-Palestino, em Washington, sob a supervisão de Bill Clinton. O fato rendeu a ambos o Prêmio Nobel da Paz. Procurava também manter a paz com a Jordânia, mas em 1995 foi assassinado a tiros por um estudante judeu.

Ex-primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharin ainda está em coma – Crédito: Governo de Israel

Ariel Sharon
O ex-primeiro-ministro israelense nasceu em 1928, membro de uma família sionista e começou sua carreira militar aos 17 anos. Após a criação de Israel passou a atuar nos campos de batalha contra países árabes. Comandou a divisão de blindados na Guerra dos Seis Dias e teve participação decisiva na Guerra do Yom Kippur. Porém, sua truculência era motivo de críticas de opositores. Já ministro da Defesa, planejou a invasão do Líbano, em 1982, e o cerco ao quartel-general da Organização pela Libertação da Palestina (OLP), de Yasser Arafat, em Beirute. Em 1983 foi considerado um dos responsáveis pelo massacre nos campos de refugiados palestinos no Líbano, promovidos por cristãos e ganhou o apelido de “Açougueiro de Beirute”. Recuperou sua reputação popular e foi eleito primeiro-ministro em 2001. Foi durante seu governo que os colonos israelenses começaram a ser retirados da Faixa de Gaza, que passaria a ser controlada em 2005 pelos palestinos. No início de 2006 sofreu um derrame e está deste então em estado de coma profundo.

Militantes do Hamas em Gaza – Crédito: Ahmed Deeb/WN

Hamas
Organização radical, partido político, movimento terrorista. Afinal, como definir o Hamas? Este grupo fundamentalista surgiu em 1987, data da primeira Intifada contra Israel. Braço armado da Irmandade Islâmica Palestina, o grupo anunciou sua “guerra” contra o Estado judeu. O Hamas defende o fim de Israel e prega a fundação de um Estado palestino onde hoje se encontra a nação israelense. No início, o Hamas tinha o apoio de Israel que via no grupo, um rival para a OLP de Arafat. Hoje o grupo é considerado terrorista por vários países ocidentais, mas tem simpatia de nações muçulmanas. Tornou-se partido político e venceu as eleições de 2006, podendo governar a Faixa de Gaza. Hoje continua atuando como sigla política e grupo armado ao mesmo tempo, disparando mísseis contra o território israelense. No início de 2011 surpreendeu o mundo ao firmar um acordo paz com o rival secular Fatah. O destino do Hamas é uma incógnita.

mai 2011 31

por Guilherme Freitas
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Begin, Carter e Sadat assinam o Acordo de Camp David – Crédito: White House Photographs Collection

O território israelense cresceu após o término da Guerra dos Seis Dias. Áreas árabes na Cisjordânia, Faixa de Gaza, Península do Sinai e as Colinas de Golã foram anexadas ao país, o que provocou mais tensão na região. A derrota para Israel fez os árabes reagirem, e foi através da luta armada que isso aconteceu. Nasceram várias organizações anti-Israel, sendo a Organização de Libertação da Palestina (OLP) a mais importante. O terrorismo passou a ser uma arma poderosa dos árabes, com destaque para o atentado contra atletas israelenses nas Olimpíadas de Munique em 1972. No ano seguinte, Israel conseguiu vencer uma guerra mais uma vez. No feriado sagrado judaico do Yom Kippur, os exércitos de Síria e Egito fizeram um ataque surpresa contra o inimigo e foram repelidos. Com mais essa vitória, Israel firmava-se com um duro adversário de ser batido pelos árabes.

A PAZ COM O EGITO
Após décadas de guerra, Israel e os países árabes começaram a buscar uma aproximação. O Egito foi a primeira nação árabe a reconhecer o Estado israelense e manter relações diplomáticas. O presidente egípcio Anwar El Sadat e o premiê de Israel Menachem Begin assinaram, sobre chancela dos Estados Unidos, o Acordo de Camp David e o Tratado de Paz Israel-Egito. Com esses tratados, Israel devolveu a Península do Sinai aos egípcios e o Egito manteve uma relação cordial com o vizinho.

Se a relação com o Egito ia bem, com os demais países árabes ia de mal a pior. Em 1982, Israel resolveu intervir na Guerra Civil Libanesa e destruiu bases da OLP, que respondeu lançando mísseis no norte de Israel. O resultado desse incursão resultou na Guerra do Líbano, que terminou com a retirada da Organização de Libertação da Palestina do país árabes.

Palestinos atiram pedras na Primeira Intifada, em 1987 – Crédito: Divulgação

A REVOLTA PALESTINA
Em 1987 ocorreu a Primeira Intifada, um grande levante popular palestino contra Israel. Paus e pedras eram jogados pelos palestinos contra soldados judeus. Mais uma vez situação voltava a ficar tensa entre os vizinhos. Até que Yitzhak Rabin foi eleito premiê e estabeleceu a paz como objetivo de governo. Em 1993 ele assinou juntamente com o líder palestino Yasser Arafat o Acordo de Oslo, que dava a Autoridade Nacional Palestina o direito de governar algumas partes da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. Ambos receberam o Prêmio Nobel da Paz pelo ato.

Mas os acordos fracassaram depois que Rabin foi assassinado por um judeu de extrema-direita e terroristas palestinos começaram a fazer atentados a bomba contra civis israelenses. Políticos linha dura assumiram o poder em Israel, os palestinos promoveram uma segunda Intifada, Yasser Arafat morreu e as negociações travaram.

Vista da cidade de Gaza destruída após incursão militar de Israel – Crédito: Abid Katib/Getty Images

ISRAEL ATUAL
Em 2005, o então primeiro-ministro Ariel Sharon começou a retirar colonos judeus da Faixa de Gaza e entregou o território ao controle da Autoridade Palestina. Ao mesmo tempo, porém, começou a construir muros e barreiras na Cisjordânia para separar judeus de árabes. No ano seguinte o Hamas, que não reconhece o Estado judeu, vence as eleições e passa a atacar o território de Israel com foguetes.

Nos últimos anos, Israel não deixou seu lado bélico de lado. Se envolveu em um conflito no Líbano, caçando membros do Hezbollah e na virada de ano de 2008 para 2009 massacrou palestinos na Faixa de Gaza, após o Hamas descumprir um acordo de cessar-fogo. Recentemente o presidente americano Barack Obama entrou na história ao defender que o futuro Estado Palestino seja criado com as fronteiras de 1967, antes da Guerra dos Seis Dias. Binyamin Netanyahu, atual premiê de Israel rejeitou e apresentou sua proposta, onde defende um Estado Palestino sem exército e sem a partilha de Jerusalém. Os palestinos afirmaram que as propostas de Netanyah são uma “declaração de guerra” e declinaram a proposta.

Ainda estamos longe de um consenso na Terra Santa…

mai 2011 30

por Maísa Capobiango
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Uma capa histórica do jornal The Palestine Post - Crédito: Reprodução

Era fevereiro de 1947 quando a Grã-Bretanha, um império em declínio, passou o controle da Palestina à Organização das Nações Unidas (ONU). O aumento dos conflitos entre judeus, ingleses e árabes forçou a reunião da Assembleia Geral da ONU, realizada em 29 de novembro de 1947, presidida pelo brasileiro Osvaldo Aranha e que decidiu pela divisão da Palestina Britânica em dois estados, um judeu e outro árabe, que deveriam formar uma união econômica e aduaneira. Em 14 de maio de 1948, David Ben-Gurion, primeiro de Israel, assinou a Declaração de Independência do Estado de Israel. A partir daí, começa a era de conflitos no país.

GUERRA DE INDEPENDÊNCIA
A Primeira Guerra Árabe-Israelense irrompeu logo após a independência, quando o Egito, Transjordânia, Iraque, Síria e Líbano mandaram suas tropas para invadir o estado nascente. O projeto de partilha da Palestina aprovado pela ONU previa o estabelecimento de dois estados, um árabe e outro judeu. Os árabes da Palestina não aceitaram a partilha e, com o apoio dos cinco países vizinhos, iniciaram o conflito, atacando bairros e cidades judias.

A guerra durou de 1948 a 1949 e culminou na fuga de cerca de 800 mil árabes palestinos e na invasão da Faixa de Gaza pelo Egito e da Cisjordânia pela Transjordânia gerando, assim, a Jordânia. Israel também conquista cerca de 75% do território que seria destinado aos palestinos e a parte ocidental da cidade de Jerusalém.

O mapa original que criaria os dois estados. De vermelho o árabe e de verde o judeu – Crédito: Arquivo das Nações Unidas (ONU)

A GUERRA DE SUEZ
Em 26 de julho de 1956, o líder do Egito Gamal Abdel Nasser ocupa, nacionaliza e bloqueia o Canal de Suez impedindo o acesso de navios israelenses. Em resposta, Israel se alia à França e ao Reino Unido e integra uma força militar que invade o Egito em 29 de outubro. Israel penetra na Península do Sinai, mas é obrigado a recuar pela pressão dos Estados Unidos e da União Soviética. A ONU envia uma força de paz internacional a Suez.

A GUERRA DOS SEIS DIAS
Em 1964 é fundada no Cairo a Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Ao longo das duas décadas anteriores, houve ataques terroristas esparsos contra Israel apoiados por países vizinhos. Com o acirramento das hostilidades e ante a iminência de um ataque militar conjunto árabe, Israel ataca Egito, Síria e Jordânia. Em 5 de junho de 1967, ao amanhecer, a força aérea israelense (FAI), fez um ataque coordenado às principais bases aéreas do Egito, destruindo todos os seus aviões no solo e inutilizando as pistas, marcando o início da Guerra dos Seis Dias.

Tanque de guerra israelense ocupa as colinas de Golã na Guerra dos Seis Dias Crédito: Assaf Kutin/The State of Israel Government Press Office

No período da guerra, a FAI, destruiu 350 aviões árabes e perdeu 31. O exército egípcio tinha sete divisões e cerca de 950 carros de combate. O exército israelense montou a Operação Lençol Vermelho, fazendo um ataque-relâmpago.

Em 8 de junho, os israelenses fizeram uma armadilha, destruindo 60 tanques, 100 caminhões e 300 veículos. Para reabrir o estreito de Tiran, foi enviado um grupo de combate para o sul da península, a fim de encontrar com as forças pára-quedistas que saltavam em Sharma-el-Sheikh, não teve luta porque a guarnição egípcia havia se retirado.

Dificilmente na história militar, ocorreu uma vitória tão ampla e que foi conquistada em tão pouco tempo. Foram apenas quatro dias para derrotar um grande exército com sete divisões. A partir daí, a tensão só cresceu na Terra Santa.

Amanhã tem a segunda parte, aguardem!

mai 2011 30

da Redação
blog@blogdacomunicacao.com.br

Antes de começarmos a apresentar nossos artigos do especial de aniversário é muito importante entender e compreender alguns termos, fatos e territórios importantes nesta história de Israel e Palestina. Neste post você saberá o que significa sionismo. O que foram as Intifadas. E porque territórios como a Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém são tão importantes nesta história.

Sionismo: É um movimento político e filosófico que defende a autodeterminação do povo judeu e um Estado independente judaico no território histórico onde existiu o antigo Reino de Israel. Este termo também é conhecido como nacionalismo judaico e propõe o retorno de todos os judeus do mundo ao atual Estado de Israel. Dentro do sionismo existem várias divisões, como o sionismo socialista, sionismo político, sionismo religioso, etc. Esse movimento é criticado pelo radicalismo e por não colaborar com a criação de dois Estados na Terra Santa.

Intifada: Significa revolta. É utilizado quando há uma manifestação contra um regime opressor ou um inimigo estrangeiro. No Oriente Médio, a Intifada é a revolta popular palestina contra a presença israelense nos territórios ocupados, além da Faixa de Gaza e Cisjordânia. O termo surgiu em 1987, quando aconteceu um levante espontâneo da população civil palestina que atirou paus e pedras contra os militares israelenses. Esta foi a primeira Intifada. A segunda manifestação aconteceu em 2000, após ambos os lados não acertarem propostas de paz na região.

Imagem de Amostra do You Tube

Cisjordânia: Território sob ocupação de Israel e reclamado pelo povo palestino. É um local sagrado e palco de várias histórias religiosas. Tem uma população de aproximadamente 2,5 milhões de habitantes, na sua grande maioria árabes palestinos. É centro de conflito entre israelenses e palestinos, já que ambos disputam o território.Algumas áreas são administradas pela Autoridade Palestina, porém o controle das fronteiras é feito por Israel que constrói um muro para isolar-se dos palestinos e espalhou pontos de passagem pela fronteira. O Estado Judeu afirma que esses pontos são estratégicos para a segurança do país.

Mapa da Faixa de Gaza – Crédito: Ilustração/Reprodução

Faixa de Gaza: Está situada na faixa costeira ao longo do Mar Mediterrâneo e ao sul de Israel e é território palestino. Faz fronteira com o Egito e está cercada por barreiras de Israel, que controlam o “entra e sai”. A Faixa de Gaza é um dos locais mais povoados do mundo. Na área de 362 km² vivem aproximadamente 1,5 milhão de pessoas. O território é também um dos mais pobres do planeta, com pouquíssimos recursos naturais e industriais. Além disso, qualquer ajuda externa para a população precisa ser aprovada por Israel. Atualmente é controlada pelo Hamas.

Jerusalém: Cidade com mais 700 mil habitantes e capital declarada de Israel. É um local sagrado para três religiões: Cristã, Judaica e Muçulmana. Esta cidade foi onde ocorreu a crucificação de Cristo e palco das famosas Cruzadas entre cristãos e muçulmanos. Jerusalém também está no meio de uma grande confusão. Israel considera a cidade como sua capital, porém, muitos países não. Os palestinos afirmam que a cidade também será a capital de seu futuro Estado. A disputa pelo território é um dos maiores entraves para a solução de paz na região. A sagrada cidade tem como destaques turísticos, a Esplanada das Mesquitas, o Muro das Lamentações e o Santo Sepulcro.

mai 2011 30

Os editoriais serão publicados regularmente e estarão disponíveis na homepage do site e depois na aba “Editorial”, localizado no cabeçalho do blog. O editorial representa as ideias e opiniões dos editores e idealizadores do Blog da Comunicação: James Freitas e Guilherme Freitas. Boa leitura! 

Evolução dos mapas de Israel, dos tempos bíblicos até 1967 – Crédito: Ilustração/Reprodução

Há 63 anos nascia no Oriente Médio uma nova nação. Após o fim da II Guerra Mundial e o Holocausto, os judeus afirmaram o desejo de ter uma pátria. A recém-criada Organização das Nações Unidas (ONU) decidiu então que era hora deste povo criar o seu Estado. A sugestão foi dividir a Palestina, na época território Império Britânico e ocupada em sua maioria por árabes, em dois: um Estado judeu e outro árabe. Desde então, esses irmãos milenares jamais se entenderam. Guerras, atentados terroristas, conflitos religiosos e muros marcaram e marcam a história de Israel.

Nessas seis décadas a Terra Santa já viu muita violência, como guerras entre judeus, árabes e palestinos, atentados terroristas contra inocentes e incursões desproporcionais do exército israelense. Mas ao mesmo tempo já foi testemunha de boas ações, como inúmeras tentativas de se chegar a paz e relações cordiais entre vários cidadãos dos “dois lados”. Interferências estrangeiras (EUA, nações árabes, ONU e outros), além de interesses econômicos e religiosos também colaboram para que a paz seja uma realidade distante.

Recentemente o presidente dos EUA Barack Obama discursou sobre as fronteiras de Israel e a criação do Estado palestino. O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, não aceitou a proposta do americano e apresentou a sua versão. Agora quem não aceitou foi o Fatah, partido que governa a Cisjordânia, que classificou a proposta como “uma declaração de guerra”. Como podemos ver essa novela ainda vai se arrastar por muito tempo.

Escolhemos abordar este assunto na comemoração de aniversário do nosso blog por vários motivos. Primeiro pelo fato de ser um tema que é assunto em todo o mundo, onde todos têm a sua opinião. Também pela razão histórica e cultural, afinal a Terra Santa é palco de milhares de histórias. E por fim, o fato jornalístico, afinal estão lá centenas de jornalistas de vários cantos do mundo. E também por muitos outros motivos.

Durante uma semana iremos abordar aqui questões históricas, políticas e culturais. Ouvimos especialistas e envolvidos no assunto, para que além da nossa produção houvesse análises e comentários de pessoas que vivem de fato a questão. Imagens e infográficos complementam esse trabalho que comemora três anos de Blog da Comunicação. Esperamos que vocês leitores gostem desta semana especial sobre Israel e Palestina. Boa leitura!

James Freitas e Guilherme Freitas
Editores e Idealizadores do
Blog da Comunicação
blog@blogdacomunicacao.com.br
www.blogdacomunicacao.com.br 
 

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