por Guilherme Freitas
internacional@blogdacomunicacao.com.br
Os noruegueses tentam aos poucos retomar sua rotina cotidiana após o duplo atentado ocorrido na semana passada na capital Oslo. O radical cristão de extrema direita Anders Behring Breivik, de 32 anos, causou pânico e comoção mundial ao cometer um dos atos mais brutais da história deste pequeno país europeu. Primeiro ele explodiu uma bomba na frente do prédio do governo. O alvo era o premiê, Jens Stoltenber, que estava no edifício. Depois ele rumou para a Ilha Utoya, ao norte de Oslo onde ocorria um evento do Partido Trabalhista, de esquerda. Lá, a sangue-frio, executou um verdadeiro massacre. Em pouco mais de 1 hora e meia, abriu fogo contra uma multidão até ser preso pela polícia que demorou horas para chegar até o local. O saldo da tragédia: 77 mortos e milhões de noruegueses traumatizados.
O fato praticado por Breivik, ressuscitou um fantasmas que teima em não desaparecer. Na primeiro metade do século 20 ele atendeu pelo nome de nazismo
, quando o terceiro reich de Hitler tentou eliminar os judeus e minorias da face da Terra. Agora é chamado de xenofobia, a aversão ao diferente. No caso, a aversão aos imigrantes que vão a Europa buscando uma vida melhor e mais oportunidades. Extremistas como Breivik veem estas figuras como ameaças que irão acabar com a cultura e história europeia, além de tomarem empregos e benefícios dos nativos. O terrorista era tão louco que fez um manifesto com mais de 1.500 páginas onde criticava o multiculturalismo e classificou o Brasil como um país que deu errado, devido a miscigenação. Mas o ato do atirador foi tão irracional que ele vitimou em sua maioria cidadãos noruegueses, assim como ele.

O terrorista Anders Behring Breivik possa com um rifle - Crédito: Reprodução
Após o atentado em Oslo
, essa onda xenófoba começa a crescer e se espalhar pelo continente. Na Itália o deputado Mario Borghezio causou polêmica ao defender as ideias do atirador norueguês, as classificando como “boas” e “ótimas”. Ele é membro da Liga Norte, também de extrema direita e um partido aliado do governo de Silvio Berlusconi. Borghezio disse concordar com Breivik na luta contra a islamização da Europa. O parlamentar francês Jacques Coutela, membro da Frente Nacional, foi suspenso do partido ao descrever o terrorista como “defensor do Ocidente”. Além disso, já ocorreram casos de xenofobia na Suíça recentemente.
Não me surpreende essa onda racista e nacionalista na Europa contra imigrantes, principalmente muçulmanos. O continente passa por um momento delicado e a economia vai mal das pernas. Com a economia em baixa vem a recessão e o desemprego. Isso reflete na sociedade e prejudica políticas sociais que normalmente são implantadas por partidos esquerdistas. A direita cresce e ganha popularidade, como estamos vendo (Reino Unido, Itália e Alemanha tem governos de direitistas). Mas sempre há radicais que conseguem inflamar as massas. Já assistimos isso uma vez quando um certo Adolf Hitler subiu ao poder na falida Alemanha, devastada pela I Guerra Mundial. O saldo foi outro conflito militar de enormes proporções e milhões de mortos. Não queremos ver isso mais uma vez.