out 2008 08

por Guilherme Freitas

guilherme@blogdacomunicacao.com.br

Há exatos 11 dias (28 de setembro) enviei uma mensagem a seção “Painel do Leitor” do jornal Folha de S. Paulo com cópia para o ombudsman Carlos Eduardo Lins da Silva. No e-mail, perguntava ao jornal se o Datafolha era um mito. Afinal nunca fui entrevistado pelo instituto, não conheço ninguém que tenha sido, não acredito nas pesquisas e digo que elas beneficiam e prejudicam candidatos, fazendo com que o pleito eleitoral seja conduzido de maneira injusta.

No dia seguinte, o competente ombusdman me respondeu o e-mail dizendo que iria encaminhá-lo para os responsáveis pelo Datafolha. Respondi ao Sr. Carlos da Silva que havia colocado uma enquete neste blog, onde a pergunta era se os leitores acreditavam nas pesquisas. A grande maioria respondeu que não e os comentários foram praticamente os mesmo que citei no e-mail ao jornal, do qual sou assinante.

Até agora nenhuma resposta do Datafolha. Como não sou de desisitir fácil das coisas, enviei um novo e-mail ao “Painel do Leitor” com cópia para o ombudsman na última segunda-feira, pós-eleição. Questionei o Datafolha sobre o resultado do pleito em São Paulo (o jornal dizia que Marta Suplicy-PT ficaria seis pontos a frente de Gilberto Kassab-DEM, mas no fim foi o atual prefeito quem terminou à frente). O ombudsman me respondeu dizendo que enviou novamente a mensagem ao Datafolha e aos jornalistas responsáveis pela cobertura da Folha nas eleições. Até agora nada de respostas.

A crítica que fiz ao Datafolha, serve também para o Ibope e para os demais institutos de pesquisa (principalmente o dos partidos políticos). Acredito que as pesquisas eleitorais mais atrapalham do que ajudam. Em São Paulo elas alavancaram Gilberto Kassab e derrubaram Geraldo Alckmin (PSDB). A  questão “de quem é o candidato do Serra” ajudou demais os eleitores indecisos a preferirem Kassab à Alckmin, já que o prefeito subia nas pesquisas do Ibope e do Datafolha.

No Rio de Janeiro a queda do senador Marcelo Crivella (PRB) aconteceu no final da campanha, mas não é de se entranhar que o deputado federal Fernando Gabeira (PV) subiu de 8 pontos para 20 em apenas um mês? Não há interesses da mídia e de uma parte da imprensa por trás disso? Porque muitas vezes a imprensa é parcial durante as eleições, apoiando um candidato de maneira subliminar e esquencendo que seu dever é informar o eleitor e não manipulá-lo? Confesso que fico com a pulga atrás da orelha com essas pesquisas eleitorais.

Não sei estou sendo radical, mas sugeri na mensagem a Folha de S. Paulo que nas próximas eleições a cobertura seja feita sem as pesquisas eleitorais. Acredito que sem elas os candidatos serão mais ativos, afinal ninguém poderá culpar as pesquisas por fracassos. Além de não relaxarem como o candidato a prefeitura de Belo Horizonte, Mário Lacerda (PSB) (que foi apoiado pelo presidenciável Aécio Neves e o  PT), e achou que poderia ganhar no 1º turno e ficou poucos pontos à frente do rival Leonardo Quintão (PMDB). Ou então ACM Neto (DEM) que liderou boa parte das pesquisas em Salvador e ficou de fora do 2º turno.

Uma dica sobre o tema é um artigo escrito pelo jornalista da TV Record Paulo Henrique Amorim em seu site, logo após a eleição do último domingo. O mais engraçado é que só aqui no Brasil as pesquisas são levadas extremamente a sério. Na eleição americana, que ocorre daqui a menos de um mês, poucos eleitores ligam para as pesquisas. O que interessa lá são o que os candidatos tem a dizer, se vão manter os EUA no topo do mundo. Eu mantenho a minha opinião de não acreditar nas pesquisas e considerá-las injustas. E você leitor, o que acha?

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Guilherme Freitas

Nasceu em São Paulo, no dia 5 de fevereiro de 1986, é jornalista formado pela UniFIAMFAAM, vegetariano desde os quatro anos e pós-graduando em Globalização e Cultura pela FESPSP. Desde 2006 colabora com o site especializado em natação Best Swimming e é correspondente de imprensa da FINA (Federação Internacional de Natação) no Brasil. Também já trabalhou no LANCE! e no Diário de São Paulo. Em 2006, iniciou com seu amigo e também jornalista James Freitas na época da faculdade o BLOG DA COMUNICAÇÃO, que cresceu e ganhou ares de profissionalização. Em abril de 2010 fez um estágio na sede da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York e planeja fazer um mestrado sobre democracia e direitos humanos na África no futuro.

2 comentários

  1. Rodrigo Piva disse:

    Eu também nunca fui e não conheço ninguém que fora entrevista ou pelo Datafolha, ou pelo IBOPE, Vox-Pópuli etc. De qualquer forma não entrarei no mérito se é ou não fraude. O que não concordo é com as pesquisas sendo divulgadas todos os dias e inclusive na noite de sábado, véspera da eleição. Por que? Porque acredito que muitas (senão a maioria) acaba por ser influenciada e tende a votar em quem está na frente ou em um dos dois primeiros, popularmente chamado “voto útil”.
    O que tenho certeza absoluta é que uma “empresa” de pesquisas, é uma mina de ouro.
    Abração

  2. [...] A mídia e as pesquisas: manipulação ou imparcialidade? [...]

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