jul 2010 08

Tradicionalíssima no futebol, a Alemanha quase foi a final de mais uma Copa do Mundo e com 11 jogadores naturalizados ou filhos de imigrantes; país se une nas ruas para superar traumas do passado e torcer pelo time mais diversificado de todos o tempos

por Guilherme Freitas
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Alemães lotam as ruas de Berlim para torcer pelo time – Crédito: Matthias Kern/Getty Images

A Alemanha[bb] esteve muito perto de voltar a disputar uma final de Copa do Mundo. Os germânicos já levantaram a taça três vezes e a perderam na partida derradeira outras quatro vezes. Porém, no domingo eles assistiram uma nova nação entrar no rol dos seletos campeões do mundo. Para eles, restou disputar o terceiro lugar, como em 2006. Tanta tradição os fazem ser considerados ao lado do Brasil como o país com mais tradição em futebol. Os alemães têm uma liga fortíssima (a Bundesliga) e ao longo da história produziram gênios como Mathaüs e Beckenbauer. Mas só isso não basta. Quando a Copa do Mundo chega traz com ela a animação e fanatismo que tomam as ruas de todo país.

Assim como os brasileiros, os alemães adoram a Copa e vivem o clima do evento ao embalo de muita cerveja. Em 2006, a Alemanha sediou com sucesso o torneio e todo o país vibrou com as partidas em solo germânico. “Nós não pintamos as ruas como vocês ai no Brasil, mas curtimos muito a Copa do Mundo. Como o Mundial sempre ocorre no verão europeu, nós nos reunimos em grupos, fazemos churrasco e assistimos as partidas pela TV. Também há telões espalhados pelas ruas do país”, conta a estudante de música Lea Schmidt, alemã de 22 anos e moradora da pequena cidade de Lage, próxima a Bremen.

Em 2006 eles eram os anfitriões e deram um show a parte – Crédito: Divulgação

O povo alemão, considerado muito frio por outras nações, mostra um outro perfil quando a bola rola em Mundiais. Telões se espalham por Berlim, Munique ou Frankfurt e a população sai as ruas para assistir os jogos do time. Com muita cerveja e churrasco, os germânicos estão enlouquecidos com o desempenho de sua equipe até aqui. Este ano a situação é diferente das outras vezes, afinal nunca se teve tantos jogadores estrangeiros ou filhos de imigrantes[bb] como agora. São 11 “estrangeiros” no grupo de 23 atletas do técnico Joachim Löw. Conhecida pelo seu passado sombrio nos tempos do nazismo, o país parece ter superado este trauma e está unido na torcida pelo time. Segundo Lea, esse sentimento é visto nas ruas. “Todos os jogadores são alemães e representam nossa nação”.

Assim como no Brasil, o evento mexe até com que habitualmente não assiste partidas de futebol. “A Copa do Mundo conquista até quem não gosta de futebol por aqui. É um evento muito forte, que une o país. Foi assim no último Mundial, que aconteceu aqui. As ruas estavam lotadas. Creio que isso é um aspecto cultural mundial. Não é só o futebol que está em jogo. É muito mais do que isso”, finaliza Lea lembrando que o futebol pode unir não só a Alemanha, que sofreu com a separação no passado, mas todo o planeta.

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Guilherme Freitas

Nasceu em São Paulo, no dia 5 de fevereiro de 1986, é jornalista formado pela UniFIAMFAAM, pós-graduado em Globalização e Cultura pela FESPSP e vegetariano desde os quatro anos. É correspondente de imprensa da FINA (Federação Internacional de Natação) no Brasil e jornalista responsável pela revista Swim Channel. Também já trabalhou no LANCE! e no Diário de São Paulo. Em 2006, iniciou com seu amigo e também jornalista James Freitas na época da faculdade o BLOG DA COMUNICAÇÃO, que cresceu e ganhou ares de profissionalização. Em abril de 2010 fez um estágio na sede da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York e planeja fazer um mestrado em Relações Internacionais, tendo a África como foco de estudo.

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