A SEMELHANÇA DA DIVERSIDADE DAS FAVELAS CAPITAIS6
Escrito por Colaboradores | Postado em Cidades | Tags: Cidades, favelas, Juliana Sever, Luxo, moradores, Paraisópolis, sociedade
Por Juliana Sever
juliana@blogdacomunicacao.com.br
Nesta semana acompanhamos na cidade de São Paulo a repetição do cotidiano fluminense. A segunda maior favela da capital, Paraisópolis, fez questão de assumir a periculosidade dos morros do Rio de Janeiro em meio ao luxo do Morumbi.
Por ossos do ofício percorri a favela e pude perceber algo que as câmeras não captaram, tampouco os muitos microfones e gravadores que estavam junto a base da polícia militar.
Infelizmente nós, simples mortais repórteres, temos que pagar o preço dos erros da grande imprensa, e não podíamos circular tranquilamente no local sem o acompanhamento de uma viatura.
E foi numa dessas “brechas” que eu percorri a favela, e notei uma expressão raivosa nos olhos daqueles que eu encontrava. Fiquei mais surpresa com os olhares dos moradores, do que com as declarações dos comandantes sobre a manutenção da ordem e da segurança pública.
Havia muito mais que um simples sentimento ruim, estava, ali, um medo, uma angústia que não se sabe se partia pela presença dos meios de comunicação, dos policias, da violência ou de todos eles somados.
Só sei que me deu vontade de descer do carro e conversar com todos eles, mas o medo falou mais alto, pois aprendi com um sábio motorista, que jornalistas devem ir atrás da notícia e não se tornar uma.
Quem sabe um dia a sociedade entenda o que se passa dentro de um morro, ou no meio de um lugar luxuoso como é a favela de Paraisópolis, situada na parte baixa daquele luxo, ou podemos denominar lixo?
Pois se dependermos da imprensa ou de nós mesmos, profissionais da comunicação, seremos apenas porta vozes de fonte oficias, e nunca saberemos ao certo de onde e como parte tanta revolta daquela comunidade que só é lembrada quando é conveniente.

Este espaço é reservado para os trabalhos de colaboração e material dos leitores enviados ao Blog da Comunicação e de colunistas especiais.












É um problema muito complexo. Nas favelas o Estado muitas vezes inexiste e o traficante faz o papel de Estado “protegendo” aqueles que poderão servir de escudo mais tarde.
Enquanto os programas sociais se resumirem a Bolsa-Família, que é mais fácil e rende votos, veremos tragédias como aque ocorreu em Paraisópolis e que ocorre semanalmente nos morros do RJ se repetirem infinitamente.
Parabéns a Juliana pelo belo artigo.
Abraços
Somos intrusos na periferia e com razão. É quase um ato recíproco, Quando o pobre desce o morro pra ir ao centro, ele é hostilizado, olhado de maneira diferente, tachado de ladrão, de “mal encarado”. Até hoje só tive uma experiência dessa que você teve. Fiz uma matéria no meio do lado pobre do Jaguaré e logo me veio um popular saber porque eu estava lá. Mesmo ele estando embriagado, eu respirei fundo e comecei conversar com ele. Perguntei a ele qual é a sensação de sair da vila e ir para o centro da cidade. Ele chorou. Cheguei a relatar isso no patifúndio.
A grande imprensa hoje não se preocupa com as periferias. Não querem ir e evitam ir até lá (é mais fácil ficar no helicóptero). Além disso, muitas das matérias são distorcidas, mostrando só um lado da história. Existem lugares onde é realmente perigoso ir sozinho, sem um “guia” ou alguém da comunidade, as vezes até com uma autorização pré-agendada. A intimidação sempre vai acontecer, é o mesmo quando um repórter vai em áreas nobres e o entrevistado não gosta das perguntas.
Mas a missão do jornalista é noticiar, contar os fatos e isso acarreta em correr riscos. Estou lendo livros de dois grandes jornalistas Ryszard Kapuściński e Robert Fisk, que ganharam prêmios e se aventuraram pela África e Oriente Médio, correndo riscos de vida e indo atrás da notícia. A verdadeira notícia está aonde poucos repórteres chegam.
Olá, infelizmente, vivemos esse contidiano em nossas favelas, sejam elas no Sul, Sudeste, Nordeste ou em qualquer outras parte de nosso país. A lei que domina é a lei do crime em que os pobres moradores de bem ficam refém de marginais que o impede de se manifestar de acordo com o que pensa e é obrigado a não revelar o seu verdadeiro sentimento. Por outro lado, a polícia que não respeita os moradores e muitas vezes os tratam como se fossem marginais. Isso tudo deve acabar, demos combater o crime e os criminosos e proteger as pessoas de bem, sejam elas moradores de bairros ricos ou de favelas.
Abraços
Francisco Castro
Se eles quisessem se rebelar mesmo, de uma forma mais “organizada”, queria ver quem segurava. O governo iria chamar o exército por um tempo, assim como aconteceu no RJ, e depois todos voltariam aos seus postos, os militares às bases. os traficantes ao comando da favela e os moradores à sensação de impotência.
Qto ao trabalho do repórter, a verdade é uma só: quem se arrisca a entender o que verdadeiramente rola nas favelas e morros, acaba como nosso colega Tim Lopes.
é isso ai meu camarada…
Aqui no rio é mesma coisa, de repente é pq nenhum morador da comunidade conseguiu estudar para jornalista…
Abraço