A VIOLÊNCIA NO BRASIL: COMO A MÍDIA TELEVISIVA ATUA?8
Escrito por Renata Monteiro | Postado em Especial BGC | Tags: Especial BGC, Rede Record, Renata Monteiro, sensacionalismo jornalístico, televisão brasileira, violência e jornalismo
por Renata Monteiro
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A televisão e, em específico, os telejornais, possuem um papel de destaque no comportamento da população brasileira, no que diz respeito à informação e como ela é absorvida. Basta prestar atenção nos diálogos cotidianos, quando se fala de temas que estão em evidência. A televisão é sempre lembrada. Sem dúvida, a Internet também ocupa um espaço importante, no entanto, percebe-se que os telejornais trazem mais credibilidade, por invadirem as nossas casas há mais tempo (recordando: o primeiro telejornal brasileiro – “Imagens do Dia”, foi ao ar no dia 19 de dezembro de 1950, com texto e reportagem de Rui Rezende, transmitido pela TV Tupi). Desde o início, os telejornais passaram por visíveis evoluções em todos os campos: reportagens e matérias, a forma de abordagem, os repórteres, a seriedade e o compromisso com o telespectador.
Para descrever esta evolução no comportamento do telejornalismo brasileiro, decidi reduzi-la a uma editoria: a policial. Segundo dados do Mapa Brasileiro de Violência nos municípios de 2008, lançado pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla), desde 1996 até o ano passado, foram assassinados 500.762 brasileiros. Com este número, faz sentido a presença de um grande número de notícias sobre violência e segurança, dentro da televisão brasileira.
Durante muitos anos, pudemos conferir programas altamente sensacionalistas (como o “Aqui Agora”, do SBT, e o “Cidade Alerta”, da TV Record), que combinavam jornalismo e histeria, todos com a única intenção de ganhar elevados índices de audiência, esquecendo-se que a informação deveria atuar como intermédio entre os cidadãos e os governantes, agindo em prol da melhoria na qualidade da segurança pública nacional.
Atualmente, ainda existem programas de cunho sensacionalista, que atrasam o progresso da divulgação de informações através da TV e, por conseqüência, fazem regredir toda uma sociedade que ainda depende e se alia tanto ao que vê pela telinha. Vamos exemplificar esta realidade:
Em Curitiba, um brutal assassinato de uma criança de nove anos teve repercussão nacional, em novembro do ano passado. O corpo da vítima, Rachel Maria Lobo Oliveira, foi encontrado com sinais de estrangulamento e abuso sexual, dentro de uma mala, na rodoviária da cidade. Vejam a reportagem exibida pela Rede Record em 05/11/2008:
Pode-se notar, nesta reportagem, que os fatos são ditos com seriedade e precisão. Imagens do local, dos policiais são cobertas com um off sério, sem palavras sensacionalistas, nem ofensivas. Ou seja: o fato relatado como ele é.
Mas nem tudo é assim no telejornalismo brasileiro. Vejam este vídeo que relata a mesma notícia, porém, deixa a seriedade de lado e parte para imagens apelativas:
Reportagens como esta, acima, fazem refletir: parece que ainda estamos engatinhando e precisamos dar um salto de qualidade na cobertura destas matérias. O telejornalismo policial brasileiro ainda tem dificuldade em seguir uma regrinha básica: menos sangue, mais informação. Só com notícias objetivas e responsáveis se pode contribuir para uma sociedade mais crítica e menos acostumada a ver tragédias brutais na televisão, como se fossem somente ficções cinematográficas.

Jornalista formada pela Puc-Pr. 22 anos, carioca só na identidade, pois o destino lhe fez pagar os pecados na chuvosa Curitiba. Ama o jornalismo porque escrever e comunicar é preciso. Externar idéias, pensamentos e, por que não, notícias e opiniões. Escrever para se entender. Ah, viajar é preciso. Teve oportunidade de morar em alguns lugares desse mundão maravilhoso. Música, cultura, viagens, natureza. Fazem toda a diferença.










Desafio a todos os colunistas e participantes do Blog da Comunicação a trazerem apenas uma boa notícia que esses programas sensacionalista já colocou no ar.
São sempre desgraças!! todos esses programas apostam na fórmula de atirar pedras em autoridades e fazem todo o tipo de julgamento precipitado…
E o que acontece? A população acaba comprando essas programas! Acham que os apresentadores estão acima de deus…
A população também é culpada por todo o lixo que passa na tv todos os dias…
abs
Concordo que a população compra programas ruins. Mas também compra os bons. E como compra! O problema é que ainda são muitos os ruins. Nós jornalistas é que deveríamos penerar isso!
Abs!!!
ops
*peneirar
!!!!!
Pois é infelizmente alguns programas ganham audiência através de sangue,violência ..enfim…e acho que luto e muito por jornalismo…porque ainda creio que a informação..pode inflênciar e fazer um mundo melhor!
A mídia tem uma grande responsabilidade e alguns órgãos não sabem disso, infelizmente. O sensacionalismo para ganhar audiência e dinheiro ainda impera. Parabéns pela matéria.
Abraços
Belo artigo Reni, excelente comparação entre dois telejornais. Um é sério, procura ouvir as pessoas e relato apenas o fato. Um jornalismo honesto. O outro é apelativo. Fica explorando a desgraça alheia. Ai pergunto: precisa mostar imagem do corpo, ao vivo? Não sei pra que esse sensacionalismo todo, como ocorreu no caso Isabella onde um programa da Record simulou a queda da menina do prédio. Ridículo! Pior é que esses programas tem muita audiência nas camadas mais pobres da população, que acham que isso é jornalismo. Mas não é.
Olá Renata. Estou fazendo um trabalho sobre este assunto na faculdade.Possso fichar a sua Matéria como referência bibliografica?
E só para completar: Veja o que diz Miguel Falabella: Ela(a televisão) precisa se repensar urgentemente, como um todo. Nós precisamos apontar novos caminhos – mas é muito difícil. Porque nós trabalhamos com uma matéria-prima que é a palavra. Quanto menos educado é o povo, menos você pode dizer as coisas, por que as pessoas não entendem. As pessoas não leem e não sabem escrever. É aterrador. Por isso enfatizo a educação. O povo precisa ser educado, a leitura tem de ser incentivada. Não sei o que vai acontecer, mas, obviamente, mudanças são necessárias.”
Abraços
Não deixe de ler excelente artigo sobre a Lei Maria da Penha e como eu entender porque até o presente, a Lei Maria da Penha tem sido ineficaz, pois a violência doméstica e familiar tem aumentado. Acesse o blog, comente e divulgue: http://www.valdecyalves.blogspot.com