ALÉM DA VELHA EDUCAÇÃO4
Escrito por Henrique Oliveira | Postado em Educação | Tags: ação social, artes, cinema, cultura, Educação
por Henrique Oliveira
educacao@blogdacomunicacao.com.br
Quando se fala em educação, a primeira coisa que nos vêm á cabeça é a imagem daquela velha sala de aula: cenário de reverência a um professor detentor de conhecimento e enquadrador de condutas. O primeiro contato que temos com o processo social da educação emana justamente do formato rígido das classes e das falações repetidas da instituição secular das carteiras, lousas e do silêncio. Poucas vezes ousamos a pensar a educação como algo que possa ir além desse formato, que possa trazer elementos diferentes, que possa inovar os costumes.
Até poucos anos atrás, pensar a educação como forma criadora e estimuladora de comportamento artístico ou, mesmo, de um comportamento crítico, por exemplo, era colocar a escola num patamar dito inferior, de qualidade questionável. Com o advento da modernidade industrial o que se queria era muito mais um aprendizado técnico, que desse conta das demandas das fábricas. Tudo que estivesse fora disso era perda de tempo, um investimento vão. A escola superior de teatro da universidade Federal da Bahia, hoje aclamada como um seleiro de grandes artistas, era tida como uma incursão fracassada por uma educação menos técnica e eminentemente artística. Há quarenta, cinquenta anos atrás tinha-se um grande preconceito com quem fazia teatro. E, até hoje, ainda se tem: frases como “Ele está desesperado, não consegue estudar para outra coisa”; “Coitado, vai sofrer muito na pobreza”; “Deve ser gay”, ainda rotulam muitos daqueles que se arriscam a sair do tecnicismo em busca de uma maior aproximação com a arte e com a reflexão humana.
Parece até que tudo o que não é mecânico é errado. Tudo que escapa da frieza dos números e das leis é fracasso…
Porém, nesses tempos bicudos de uma sociedade tecnicista, ainda afloram aquelas “rebeldias provocativas” das ideias dos então chamados de loucos. Teatro na escola, música na escola, cinema na escola – tudo isso, muito mais do que uma guerra utópica, se faz realidade a partir do esforço de minoria insistentes e louváveis. Professores, estudantes e funcionários, para a nossa esperança, ainda tentam fazer algo de diferente em nossa educação. O projeto Lanterninha de Salvador é um belo exemplo disso.
Com a proposta de trazer o cinema para o âmbito de diferentes escolas públicas da capital baiana, o projeto pretende construir um espaço cineclubista dentro do contexto escolar. Construir um grupo que, por si próprio, possa gerir exibições e operar leituras críticas de obras cinematográficas brasileiras é o grande objetivo da iniciativa. “Através da criação de cineclubes nas escolas o Lanterninha pretende formar público, tornando a experiência cinematográfica acessível a quem nunca foi ao cinema. O projeto evidencia ainda, a necessidade de repensar o ambiente da escola tradicional criando maior diálogo do seu conteúdo com as novas linguagens da sociedade em que vivemos. Levando o cinema brasileiro para dentro das escolas, de forma sistemática, pretendemos criar condições para o desenvolvimento do pensamento critico, o entendimento acerca das diferenças, e através da nossa cultura retratada nas telas, propomos aos jovens que fortaleçam noções de cidadania e identidade” [...]” (fonte: www.projetolanterninha.com.br) . Vejam o vídeo:
Em outras palavras, o Lanterninha, como diversos outros projetos da mesma natureza, prova que o processo educativo não pode ser engessado. Pelo contrário. Cada vez mais, o aprendizado terá que se fazer de maneira múltipla, contemplando os diversos saberes e potencialidades humanas. O ensino técnico é sim importante. Porém, ainda não nos acostumamos a ser máquinas…

Jornalista e blogueiro, atualmente Henrique é editor do site Incomode-se. Tendo experiência com leitura de peças fílmicas e culturais. É, também, autor de artigos publicados nas áreas de comunicação, política, Ciências Sociais Aplicadas. É cinéfilo convicto! Na literatura interessa-se por grandes obras da literatura mundial, indo desde Machado de Assis até Falkner! No debate procura o que foge do consenso. É intensamente instigado pela iquietude do diálogo a pelas portas abertas das novas idéias. Por isso, está, também, sempre aberto a novas parcerias e debates!













Concordo com sua conclusão. E é esse entendimento que será capaz de moldar bons cérebros no futuro.
Muito interessante o texto. A educação está mudando com o avanço das tecnologias. Somos da turma de jornalismo da Unisul de Santa catarina e na aula de mídias digitais, criamos um blog onde são publicadas matérias feitas pelos alunos.
http://jornalink.blogspot.com/ Acessem!!!
Bacana esse projeto Laterninha. Mostra que outros tipos de educar podem ser colocados em prática. Eu acho que devemos investir nessas fórmulas novas de educação. Isso é criatividade, é por a cabeça para funcionar. Abraços.
Muito legal o texto sobre a educação…parabens!Indico um site otimo tbem que sempre leiohttp://www.denisebertola.blogspot.com/…