jan 2009 08

por Fernanda Pereira
fernanda@blogdacomunicacao.com.br

O HPV, papilomavírus humano, é responsável por quase 100% dos casos de câncer de colo de útero, o que pouca gente sabe é que o vírus do HPV não é uma exclusividade feminina, ele também pode afetar os homens. Pesquisa recém-divulgada pelo INCA (Instituto Nacional do Câncer), em parceira com o Instituto de Virologia da Fundação Oswaldo Cruz, mostra que o HPV está associado a até 75% dos casos de câncer de pênis.

“A má higiene do pênis, associada à presença de fimose, costuma provocar grande parte dos casos do câncer no órgão genital masculino”, afirma o oncologista Sergio Daniel Simon, especialista, que atua no Hospital Albert Einstein, na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e no Centro Paulista de Oncologia. . Mas também admite que o HPV pode causar uma série de modificações genéticas que, posteriormente, desencadeariam a doença. “Esse tumor se localiza basicamente na pele, mas pode haver penetração profunda”, alerta.

Segundo o urologista Antonio Augusto Ornellas, coordenador do estudo, os dados não são capazes de comprovar se o vírus é o principal causador do tumor, mas ao menos deixa claro algum envolvimento no aparecimento da doença. “O HPV pode ajudar a proliferar as células do câncer”, sugere Ornellas, médico responsável pelo setor de Urologia do INCA e do Hospital Mário Kröeff.

Identificando e tratando
As lesões e verrugas em formato de couve-flor (de diversos tamanhos) – uma característica da presença do HPV no organismo – são mais visíveis e fáceis de ser identificadas no pênis (na glande ou no prepúcio) do que na vagina ou no colo do útero. Por isso, nesse aspecto, os homens saem em vantagem na luta contra o vírus.

Uma vez descobertas, lesões e verrugas são tratadas com procedimentos como cauterização, uso de pomadas, crioterapia e cirurgia a laser.

O problema é que nem sempre esses sinais aparecem. E aí, tanto o diagnóstico quanto o tratamento podem ser mais complicado para eles do que para elas. Por isso, caso a parceira seja diagnosticada com a doença, mesmo que não haja marcas no pênis, o homem precisa passar por um exame preventivo.

A falta de um diagnóstico precoce e alguns obstáculos, como cepas (tipos) resistentes do vírus e imunidade baixa, porém, podem tornar o tratamento complicado e ineficiente. Nesses casos, o risco do HPV provocar um câncer aumenta, assim como a necessidade de retirada de boa parte do pênis. “Mesmo com a amputação, felizmente, há como deixar uma parte do órgão que possibilite ao homem ter relações sexuais e urinar”, lembra o urologista do Inca, Antonio Augusto Ornellas.

Prevenindo
O HPV é transmitido sexualmente ou pelo contato via oral ou genital com fluidos contaminados, que afeta a área genital e a mucosa oral. Portanto, assim como toda doença sexualmente transmissível, o vírus também pode ser barrado com o uso de camisinha – tanto feminina quanto masculina. Essa proteção, porém, não é tão eficaz para o HPV quanto é para outras DSTs. “O homem pode contrair o vírus pela bolsa escrotal, por exemplo, que não recebe a proteção da camisinha”, alerta Ornellas.

Quanto à vacina contra o HPV – três doses, com um custo alto ainda no Brasil e indicada apenas para mulheres sexualmente ativas – teoricamente, ela também poderia ser um recurso de prevenção para os homens. Mas, segundo os especialistas, além de brecar a atuação apenas dos tipos mais comuns de HPV, ainda não há estudos comprovando a eficácia ou atuação da vacina para o sexo masculino.

Para saber mais
Centro Paulista de Oncologia e da Universidade Federal Paulista
Instituto Nacional do Câncer
Sociedade Brasileira de Urologia

nov 2008 19

por Fernanda Pereira

fernanda@blogdacomunicacao.com.br

Ele tem 34 anos, nasceu em Três Lagoas, no interior do Mato Grosso do Sul, é formado em jornalismo pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e Pós-Graduado pela PUC-SP em jornalismo-social, Jairo Marques é chefe de reportagem da Agência Folha coordenando a produção da equipe de correspondentes nacionais do jornal e mais um grupo de repórteres na sede da Folha de S.Paulo. Além disso, Jairo ainda é o autor do blog Assim Como Você, um dos grandes sucessos da blogosfera. Com acessos para deixar qualquer blogueiro com sorriso de orelha a orelha e comentários que beiram as centenas, Jairo já tem inclusive “seguidores”.

O Assim Como Você é um diário onde Jairo, que teve poliomelite aos seis meses de idade e é cadeirante, conta as aventuras de ser uma pessoa com deficiência em diversas situações que todo mundo passa, fomenta a inclusão e o respeito à pessoa com deficiência e de lambuja apresenta para o leitor diversas histórias de gente que assim como você, leva a vida superando dificuldades todos os dias.

Blog da Comunicação: Como surgiu a idéia de fazer o Assim Como Você e como o projeto foi recebido pelo Grupo Folha?

Jairo Marques: As histórias que conto no blog são as mesmas que eu sempre contei para amigos, familiares e colegas e fazem muito sucesso, ao mesmo passo que causavam indignação, exatamente como acontece no meu diário. Várias pessoas começaram a me incentivar a colocar aquelas situações no “papel”. Fui pegando opiniões e todo mundo achava que poderia dar muito certo, como tem dado, felizmente. A Folha abraçou a causa do blog de imediato, para minha surpresa. A aceitação foi e é tão grande que o portal da Folha Online destaca sempre os textos.

BC: O Assim Como Você foi idealizado para um público específico, foi uma surpresa quando você percebeu que seus leitores vão muito além daqueles do mundo da “Matrix” de quem tem alguma deficiência?

Jairo: Foi. Eu não achava que conseguiria atingir tanta gente que, hipoteticamente, nada tem a ver com o que eu chamo de projeto de “dominar o mundo”, que nada mais é do que dar condições de vida plena para pessoas que tem algum tipo de deficiência.

BC: vc é conhecido por ser um chefe linha dura, no entanto no blog vc é um “minino muito bão”, o blog é mais prazer do que trabalho?

Jairo: Totalmente. O blog é o que eu realmente sou no meu dia a dia. É o que penso do mundo, minhas inspirações. Tanto é assim que quando não estou afim, por qualquer que seja o motivo, eu não escrevo, mesmo com a reclamação dos leitores.

BC: Além das suas boas histórias, vc também conta sobre a luta de superação e respeito de várias pessoas, como é o processo para escolher o que vai para o blog, vc recebe muitas “sugestões”?

Jairo: Recebo muita coisa, muita coisa, mesmo, ainda bem. No processo entram a minha experiência de chefia de reportagem, de feeling com a notícia isso me ajuda um bocado. O que eu consigo visualizar como “manchete” , como chamada de página, vai pro blog!

BC: A chamada “blogosfera” vem crescendo, na sua opinião que reflexo isso pode ter na produção jornalística?

Jairo: Na produção jornalística, particularmente, acho que nenhuma. Um blog nunca será um espaço jornalístico, mas um espaço onde poderão ser discutidas ou abordadas questões jornalísticas. Pelos próprios princípios da profissão, o que se faz em um diário se contrapõe às regras consagradas da comunicação. De qualquer forma, é inevitável, a meu ver, o avanço para esse novo veículo de informação.

BC: No Assim como Você tem algum post que seja o seu preferido?

Jairo: Tem, tem sim. Mas não vou dizer qual o meu favorito. O marketing me obriga a dizer que todos têm seu charme. (risos)

Agora que você já conheceu melhor o autor de um dos blogs mais visitados da Folha Online, clica no link e conheça de perto. Para entender as palavras que vêm entre aspas, só indo ao Assim Como Você, também. O Jairo está de férias, portanto as postagens não estão sendo diárias, mas para ler as histórias anteriores é só clicar lá em baixo em Ver mensagens anteriores e escolher a data para visualizar.

http://assimcomovoce.folha.blog.uol.com.br/

Divirta-se!

nov 2008 11

por Fernanda Pereira

fernanda@blogdacomunicacao.com.br

Alunos da E.E. Padre Franco Delpiano, ao fundo o Jornal Mural – Crédito: Fernanda Pereira

Muito se tem reclamado da educação nesse país. Eu mesma já postei um “desabafo-reclamação” a respeito da qualidade da Universidade onde estudo. Mas dessa vez é diferente. Vou mostrar como é possível, com força de vontade e participação integrar os alunos na escola e desenvolver neles capacidades que, talvez, eles nem imaginassem que tinham. Em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, existem alguns projetos de organizações não-governamentais voltados para a infância e a adolescência. Um deles é o Projeto Jovem Repórter, realizado pela Girassolidário – Agência em Defesa do Direito da Infância e Adolescência.

O Jovem Repórter busca estimular e ensinar as técnicas de comunicação aplicadas ao ensino regular, pricipalmente dos adolescentes, quando eles começam a tomar contato com o mundo a sua volta e a perceberm o seu papel de cidadão. A Educomunicação, é uma importante e eficaz ferramenta de inclusão social. Durante as oficinas do Projeto, os estudantes debatem sobre cultura de paz, Direitos e Deveres da Criança e do Adolescente, o seu papel na sociedade, cidadania e ao final dos oito encontros produzem um jornal, que é entregue para toda a comunidade escolar e nos bairros onde moram. “A participação dos jovens comprovou que o fazer da comunicação, aliado aos debates e reflexões sobre a realidade, desenvolve não só o aprendizado de técnicas de produção de jornais, mas também estimula o olhar crítico sobre o mundo em que vivem e permite que exponham suas idéias e opiniões”, explica a jornalista resposável pelo projeto Ivanise Andrade.

Construir jovens conscientes de seu papel na sociedade futura, eis a grande tarefa dos educadores. É fato que muitas salas de aulas não estão dando conta desse trabalho, dessa missão, é aí que entram projetos como esse e como o trabalho desenvolvido por Laís Dória, na Casa de Ensaio. A Casa de Ensaio existe para resgatar a cidadania e expandir conhecimentos de crianças e adolescentes através da arte. Desde 1996 atua com teatro-educação criando oportunidades que vão muito além dos palcos. Um trabalho de transformação social que faz bem a quem assiste e a quem é assistido. “Uma escola de verdade só que de brincadeiras.” As crianças e adolescentes tomam contato com os diversos tipos de arte, dança, canto, interpretação, leitura são todas atividades com as quais os jovens trabalham e através dos quais são incentivados a buscar um horizonte mais amplo.

O Projeto Jovem Repórter em 2008 atendeu cerca de 120 adolescentes e está com oficinas na última escola desse ano, a Casa de Ensaio acabou de apresentar seu espetáculo de final de ano com 3 dias de teatro lotado. São formas de colaborar com um mundo melhor, mais justo e acima de tudo inlcusivo. O brilho nos olhos de cada adolescente ao ver o jornal que eles mesmos produziram ser entregue e o de um pequeno ator no palco de um espetáculo, é um ode alegria na alma daqueles que realizam ações como essa. E na sua cidade, o que tem sido feito para ampliar os horizontes dos futuros adultos desse país?

Assita a uma matéria apresentada em um jornal local sobre a Casa:

Imagem de Amostra do You Tube

out 2008 14

por Fernanda Pereira

fernanda@blogdacomunicacao.com.br

Não é muito meu perfil, não como eu gosto de escrever, mas acredito que nada precisa ser tão duro como os fatos que devem ser contados. Então, hoje, exercito um pouco de “new jornalism”

Créditos: Imagem Sidnei Bronka, Dourados Agora

A primeira vítima Catalino Gardena, de 30 anos, morto dia 24 de julho. A segunda vítima foi Letícia Neves de Oliveira, de 22 anos, morta dia 24 de agosto e a terceira, Gleice Kelly da Silva, de 13 anos, morta no dia 6 de outubro. Todas foram mortas por esganadura, Catalino também teve uma faca de cozinha enfiada no coração. Depois de mortas, eram deixadas em posição de Cristo crucificado, os braços abertos e um pé sobre o outro.

No peito da primeira vítima havia a inscrição “INRI”, a segunda estava nua e tinha uma cruz tatuada no peito e com a última um papel sobre a cabeça, com letras e sinais incompreensíveis. Todos os crimes aconteceram em Rio Brilhante, a 160 quilômetros de Campo Grande no Mato Grosso do Sul. A pacata cidade interiorana assistiu perplexa aos assassinatos e, mais perplexa ainda, à prisão de um adolescente, que afirma ser o autor de todas as mortes.

Cabelos mais compridos do que normalmente se vê em meninos. Maquiagem nos olhos. Rock gótico e metall entre suas bandas favoritas. Lacrimosa, Maldita, Iron Maiden e o famoso Marilyn Manson são os ídolos do garoto, sem citar o “maníaco do Parque”. Ele tem 16 anos e aqui, vamos chamá-lo de J.

J, é acusado de assassinar três pessoas de maneira fria e calculada, de acordo com suas próprias palavras “matei o primeiro e acabei gostando, não me arrependo de maneira alguma”.

Para quem assistiu às entrevistas do adolescente J, as palavras tem um tom de indiferença, de descaso. Ele está tranquilo em relação ao que fez, como se estivesse cumprindo seu papel de “limpeza da sociedade”.

Aleatoriamente ele escolhia as vítimas, não as conhecia. Aproximava-se e perguntava sobre a vida pessoal, uma mão sobre o pescoço e com a outra segurando uma faca encostada na barriga da vítima. Às mulheres ele perguntava quantas relações sexuais tiveram, se acreditavam em Deus, se gostavam da vida que levavam. Enquanto ia desenvolvendo essa espécie de julgamento, ia levando a vítima para o local da morte. Segundo ele, há ainda uma quarta vítima, que foi poupada, já que após o “julgamento” ele a considerou “sincera e não merecia morrer”. No quarto dele, a polícia também encontrou, foto do maníaco do parque, seu ídolo, recortes de jornais a respeito dos assassinatos e objetos das vítimas.

Somente após a conclusão das investigações policiais que culminará no inquérito policial é que o Ministério Público deverá oferecer a denúncia e J, ser acusado de ter cometido o ato infracional, que chocou a população de Rio Brilhante.

Muito além da revolta que um caso como esse causa na sociedade e na comoção generalizada na cidade onde os crimes aconteceram, o que vem a tona agora é, o que está acontecendo com a juventude? Onde foram parar as tardes simples com os amigos ou debruçados nos livros da escola? O que está em questão agora, vai muito além da maioridade penal. De acordo com as leis brasileiras, J será enviado à UNEI(Unidade Educacional de Internação), até completar 18 anos, quando passará por uma avaliação psicológica, se for considerado apto a retornar a sociedade será solto e, em sua ficha policial, não constará nada.

Todos os jornais do país publicaram o caso, os telejornais falaram sobre isso. Mas dessa vez, cabe ao jornalismo e a sociedade fomentar uma discussão que é muito maior do que decidir sobre a cabeça de J. É muito fácil achar que somente adolescente americano pode ser assassino, há tiros em muitos lugares além de Columbine. Deve haver uma tomada de consciência geral para saber o que fazem hoje nossas crianças. Por onde andam nossos adolescentes, o que fazem, com quem falam, o que pensam e o que projetam?

O repórter pergunta: “Por que você deixava os corpos daquela maneira?” J responde: “Porque elas se diziam cristãs, mas não praticavam o cristianismo delas, não davam a mínima, sabe?” O Repórter: “Você faria de novo?” J: “Sim, faria tudo de novo”.

Não há arrependimento na voz, não há lágrimas nos olhos, não há medo nas respostas.

out 2008 01

por Fernanda Pereira

fernanda@blogdacomunicacao.com.br

Por mais de uma vez a discussão sobre o diploma de Jornalismo já passou pelas páginas deste Blog. E hoje vai passar de novo!

Retomando a discussão para situar os mais desavisados é o seguinte, o Ministério da Educação (MEC) estuda autorizar profissionais que tenham fomação universitária em qualquer área a exercer a profissão de jornalista. O ministro da educação, Fernando Haddad, também quer discutir as diretrizes dos cursos oferecidos na área que passarão por uma supervisão, a exemplo do que ocorreu com Direito, Pedagogia e Medicina.

O Recurso Extraordinário RE/511961, que está em pauta no Supremo Tribunal Federal (STF), questiona a exigência do diploma de jornalismo como condição essencial para exercer a profissão. Se os ministros aprovarem o recurso, qualquer pessoa, em tese, mesmo as que têm apenas o ensino fundamental ou até analfabetos, poderão requerer o direito de se tornarem jornalistas.

Tentando deixar a paixão de lado e o fato de estar atualmente no 3° ano do curso de Jornalismo, que dura 4 anos, vou tentar fazer uma análise junto com você, leitor. Será que os estudantes de Jornalismo do país estão saindo das universidades prontos para o mercado? Será que os cursos universitários oferecidos pelo país afora estão dando conta de formar profissionais competentes, humanizados e conscientes de seu papel enquanto agente modificador e propagador da sociedade?

Para isso, vou tomar como base meu próprio exemplo, curso Jornalismo em uma Universidade pública, uma Federal, para ser mais exata. Nós não temos salas de aula, usamos salas emprestadas do curso de Letras. Não temos laboratórios de tecnologia. Não temos câmeras fotográficas, usamos as emprestadas do curso de Artes (o professor de fotografia também era emprestado). Dois dos nossos melhores doutores em jornalismo, foram transferidos para outra universidade( a pedido deles mesmos) sem que fossem “repostos”, outra pós-doutora que deveria ter começado a dar aulas em agosto, só começou agora pois estava em Barcelona, diz ela que fazendo pesquisa e um está afastado para concluir seu pós-doutorado (recebendo para estar afastado, que fique claro).

Por mais que falem e que digam que as particulares são boas, há a realidade do mercado. Diplomas de muitas Universidades particulares de fora do eixo Rio-São Paulo, sequer são analisados nas redações dos grandes veículos. Ainda existe sim o mito da Universidade Federal. Eu, enquanto acadêmica, sabia, desde o início, quando troquei minha vaga com bolsa do Prouni em uma particular pela convocação de segunda chamada na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) que enfrentaria dificuldades absurdas e que teria que correr atrás de tudo, desde as primeiras pautas até o recurso para rodar o jornal da turma. Só não imaginava que estaria entrando no caos.

Fomos prejudicados com tantas idas e vindas de professores, professores substitutos que ganham, pasmem, cerca de R$300,00 por mês para dar aulas e até professores “amigos da escola”, aqueles que davam aulas voluntariamente. E acabamos de sair de um protesto para interdição do reitor, acusado de falcatruas, episódio quase não noticiado pela grande imprensa, já que ao contrário da UNB em Brasília, Campo Grande não deve estar no mapa, a não ser quando se trata de febre aftosa (que faz os preços da carne no país inteiro decolarem) ou quando se trata de apreensão de drogas, já que o Estado é rota do tráfico. E com quatro anos tumultuados eu me pergunto e lhes pergunto: estaríamos nós prontos para o mercado de trabalho?!

Eu mesma respondo, a maioria sim! Já que a maior parte da turma já faz estágio, alguns já exercem no dia a dia o trabalho de um jornalista formado, diga-se de passagem, com muita competência. O grande diferencial, é a formação humana que recebemos. É fato que nas Universidades particulares o ensino é mais voltado à formação prática, enquanto nas públicas o que é desenvolvido e explorado pelos professores é o lado humano do jornalismo. Os dois fatores combinados resultam em grandes produções, exemplo disso são os dois maiores jornais de São Paulo (ou seriam do país?) Folha e Estadão, que empregam profissionais formados em ambas.

E se nós, que passamos quatro anos, estudando, fazendo pesquisas, iniciação científica na área da comunicação, artigos para serem apresentados em Congressos, sentimos um certo frio na espinha ao nos depararmos com o final do curso. E temos munição de sobra para apontar erros crassos da imprensa hoje, o que será dos veículos de comunicação, aprovada essa extinção do diploma de Jornalismo para atuação na área? O que será do público, do leitor, do telespectador que mesmo com tanta gente competente e formada nos veículos, ainda tem que aturar certos absurdos na imprensa?!

Muito antes de ser uma falta de respeito com quem fez e faz a faculdade de Jornalismo, é uma falta de respeito com a sociedade. Talvez, os ministros não tenham consciência do papel que o jornalista desempenha na sociedade ao longo dos anos ou talvez, ainda, estejam muito incomodados com os jornalistas “afiados” e bem formados que dia a dia vêm “derrubando reis”.

set 2008 11

NÃO DÁ PRA NÃO FALAR…3

Escrito por Fernanda Garcia | Postado em Saúde | Tags: , , , , ,

por Fernanda Pereira

fernanda@blogdacomunicacao.com.br

…de CÂNCER DE MAMA!

Hoje eu vou usar esse espaço para falar de um tipo de câncer que é o que mais mata mulheres no Brasil. Nada de novo foi descoberto, nenhum avanço da ciência em relação ao assunto. Nada de curas milagrosas ou alguma nova celebridade engajada no assunto. É que como mulher, me espanta saber que a incidência de câncer de mama poderia ser extremamente menos se as mulheres conhecessem seu próprio corpo. O câncer de mama feminino tem 95% de chance de cura, se o tratamento for feito precocemente. No entanto, dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) informam que 27 mulheres por dia morrem por causa do câncer de mama e os números não param de crescer.

De acordo com o Inca, no Brasil, o câncer de mamaé o que mais causa mortes entre as mulheres e é relativamente raro antes dos 35 anos de idade, mas acima desta faixa etária sua incidência cresce rápida e progressivamente. Muita gente acredita que esse tipo de câncer seja tão somente hereditário, ou seja, só terá quem já teve casos na família. Porém os médicos advertem que apesar da história familiar ser um importante fator de risco, especialmente se um ou mais parentes de primeiro grau (mãe ou irmã) foram acometidas antes dos 50 anos de idade, o câncer de mama de caráter familiar corresponde a aproximadamente 10% do total de casos da doença.

O câncer de mama não dói. O principal sintoma é o próprio caroço no seio – detectado através do auto-exame, do exame feito pelo médico ou por uma mamografia.

Prevenir para não remediar

Examinar todo mês o próprio seio pode detectar muitos casos iniciais. Em visitas regulares ao médico também é possível descobrir um nódulo suspeito. Mamografias anuais são indicadas para mulheres acima de 40 anos, ou para as mais novas caso tenham casos na família.

Não se sabem as causas exatas do câncer de mama. Possíveis culpados, como a terapia hormonal, são motivo de controvérsia entre os pesquisadores. Recomenda-se uma vida saudável, com a ingestão de fibras, frutas, verduras, cereais integrais e carnes magras. Evitar o excesso de álcool, manter o peso correto, praticar exercícios e técnicas de relaxamento podem manter o organismo saudável como um todo. A amamentação ou o uso de próteses de silicone nos seios têm nenhuma influência no desenvolvimento de um nódulo.

Os homens no alvo

O câncer de mama não é uma donça exclusivamente feminina, os homens também podem ter. E a falta de informação é o grande vilão nesse caso. Apesar de serem as mulheres as maiores vítimas os homens também precisam ter cuidado com seu próprio corpo e qualquer alteração da mama no homem deve ser examinada por um médico para que as providências corretas sejam tomadas.

Se toca

A palpação da mama deve ser feita logo após a menstruação, que é a altura em que os seios estão menos sensíveis e menos tensos e, portanto, apenas uma vez por mês. Vale sempre lembrar que o ideal é, além de fazer o auto exame todos os meses, visitar o ginecologista a cada seis meses, ou caso note qualquer alteração.

1° – Observação em frente do espelho:

Antes do banho, posicione-se em frente ao espelho. Observe os dois seios, primeiro com os braços caídos, depois com as mãos na cintura fazendo força nas mãos e, por fim, com elas atrás da cabeça, observe tamanho, posição, forma da pele, aréola e mamilo. Faça o mesmo controle com os braços levantados e mantidos atrás da cabeça.

2° – Palpação de pé:

Durante o banho, com as mamas ensaboadas, deslize as mãos sobre as mamas. Com os dedos unidos, use a mão direita para apalpar a mama esquerda e a mão esquerda para a direita. Procure caroços, alterações de consistência, secreções, ou saliências.

3° – Palpação deitada:

Deitada, coloque uma toalha dobrada sob o ombro direito para examinar a mama direita. Inverta o procedimento para examinar o outro lado. Apalpe toda a mama através de suave pressão sobre a pele com movimentos circulares. Não se esqueça das axilas!

Se encontrar qualquer alteração ou necessitar de maiores explicações, procure um ginecologista.

Página 1 de 4123...Última »