O CLIMA, O HOMEM, O MEIO… UMA RELAÇÃO COMPLEXA1
Escrito por Henrique Oliveira | Postado em Meio Ambiente | Tags: Clima, humanidade, Meio Ambiente, migrações, mudanças climáticas, relações huamanas, sociedade
Por Henrique Oliveira
meioambiente@blogdacomunicacao.com.brNesta segunda-feira o Banco de Desenvolvimento Asiático (BDA) divulgou uma informação importante para o quadro de impactos ambientais no planeta: segundo um relatório produzido pela Instituição, as fortes mudanças climáticas que ocorrem na região da Ásia e do Pacífico estão prestes a causar uma enorme onda migratória nesta que é uma das regiões mais populosas do planeta. Conforme notícia publicada pelo Portal IG (com informações da Agência Reuters), “os governos da região da Ásia-Pacífico correm o risco de ver um número sem precedentes de pessoas se deslocando por conta de enchentes, tempestades e outros impactos da mudança climática[...]. O banco e os climatologistas afirmaram que a região, que abriga 4 bilhões de pessoas, estará entre as mais afetadas pelos impactos da mudança climática, que levará a uma importante migração tanto dentro dos países, como entre as nações, sobrecarregando os recursos”.
Em outras palavras, as mudanças climáticas globais mostram, cada vez mais, a sua força. E não é só na Ásia: não nos esqueçamos que, só no início deste ano, cerca de 30 mil pessoas ficaram desabrigadas por conta das enchentes nas regiões serranas do Rio de janeiro. No ano passado, em Portugal, a turística Ilha da madeira foi completamente destruída pelas enxurradas e as pessoas que lá viviam perderam trabalho, casa, amigos, família…
Diante de uma forte interferência numa dita “relação harmoniosa” entre um animal e o seu meio, nada mais natural do que o aparecimento de fenômenos migratórios de defesa. È uma reação natural, que não se dá apenas com a raça humana. A migração de grupos sociais demonstra um aspecto importante da relação do homem com o seu contexto e, muito mais do que uma questão climática, ela envolve os diversos fatores que compõem o complexo “meio ambiente humano”.
Como bem afirma Pedro Ruivo, da Universidade de Coimbra, os principais fatores do fenômeno migratório refletem, no geral, sinais de uma conjuntura negativa. Dentre esses sinais se destacam, segundo o Ruivo, “o fraco crescimento econômico, a repartição desigual dos rendimentos, o excesso de população (um forte crescimento demográfico), as taxas de desemprego elevadas, os conflitos armados e limpeza étnica, as violações dos direitos do homem e perseguições, as catástrofes naturais (degradação do ambiente em geral), bem como um governo deficiente”.
Os impulsos migratórios que brotam nas relações humanas, podemos dizer, são expressões íntimas da complexidade das nossas inclusões no meio que nos cerca. Nossas ocupações territoriais e a relações que desenvolvemos dentro dos diferentes aspectos da nossa vida social fazem parte do que chamamos de meio ambiente. A tragédia que está sendo anunciada para o continente asiático, não se enganem, é resultado da nossa colocação em todo um contexto ampliado que vai desde a interferência climática até as complicadíssimas consequências socioeconômicas posteriores.
Talvez o que nos esteja faltando perceber é que o meio ambiente não se restringe ás matas ou florestas. Não é algo além de nós. Não é algo que tenhamos que socorrer lá fora. O meio está em nós e nós somos partes ativas desse meio… Talvez se passássemos a entender isso; se passássemos a enxergar nossos contextos de maneira mais transversal, pudéssemos evitar que uma intempérie climática, literalmente, abalasse meio mundo. Ou melhor: se entendêssemos melhor a relação que nutrimos com o meio, muitas dessas intempéries sequer existiriam…
Nada é estanque:





















