fev 2011 20

Por Henrique Torres

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Uma das previsões mais difíceis de serem feitas nas premiações do Oscar, é a de qual será o melhor filme estrangeiro. Apesar do pouco interesse dos americanos, que parecem não gostar de legendas, a categoria é uma das mais significativas. Isto porque, sempre nos revela filmes bons produzidos fora do pólo hollywoodiano. Além disso, em muitas premiações a qualidade dos filmes estrangeiros supera (em muito) a dos filmes americanos.

Assim, passarei de forma panorâmica pelos cinco indicados ao prêmio de melhor filme estrangeiro desta edição do Oscar.

Os Favoritos – Biutiful e Em um Mundo Melhor

Em Barcelona, Javier Bardem (indicado como melhor ator) interpreta Uxbal, o pai dedicado de duas crianças, Ana e Matteo. Uxbal não conta com a ajuda de sua ex-esposa para cuidar dos filhos, desta forma, ele se desdobra trabalhando conjuntamente com outros imigrantes no “ramo” da pirataria. Não bastando os problemas desse mundo, Uxbal ainda presta alguns serviços do outro mundo. Para ganhar alguns trocados ele faz trabalhos mediúnicos consolando famílias enlutadas. É sob esta constante pressão que o personagem de Javier Bardem vive. Até que as coisas mudam drasticamente quando ele descobre que tem uma doença terminal, e passa a tentar arrumar a sua vida antes de passar dessa para uma melhor.

Dirigido por Alejandro González Iñarritu (21 gramas, Amores Brutos, Babel) e magistralmente interpretado por Bardem, o filme é favorito à estatueta, principalmente devido ao prestigio do qual gozam Bardem e Iñarritu. Mas nesta categoria principalmente, o favoritismo vale pouco.

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O segundo nome que aparece com destaque após Biutiful, é o dinamarquês Em um Mundo Melhor. O filme retrata paralelamente as vidas de Anton e Christian, o primeiro, um médico que trabalha em um campo de refugiados localizado em algum lugar na África e que deixou sua mulher e seus dois filhos na Dinamarca. O segundo, um garoto que emigra com seu pai para a Dinamarca logo depois da morte de sua mãe. O mote de Em um Mundo Melhor é precisamente o cruzamento entre estes dois mundos completamente distintos. O filme já abocanhou o Globo de Ouro, e por isso pinta como favorito para o Oscar. Mas os membros da academia gostam de contrariar, e frequentemente o vencedor do Globo de Ouro não vence o Oscar.

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Correndo por Fora… – Incêndios e Fora da Lei

Um casal de irmãos gêmeos descobre com a morte da mãe que possuem outro irmão que está perdido em algum lugar no Oriente Médio. Enquanto o rapaz tem pouco interesse em descobrir a localização do irmão perdido, a moça passa a investigar o passado de sua mãe, e inicia uma viagem a fim de descobrir o paradeiro do irmão extraviado. Com a viagem ela começa a desvendar o passado “negro” de sua mãe. Entre as muitas das revelações, está o fato de que sua mãe era uma ex-guerrilheira que matou um político importante. Foi presa e torturada. E este é só o começo de um filme recheado de desgraças e revelações. E estas estão longe de serem as piores.

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Já em Fora da Lei, os protagonistas são três irmãos e sua mãe, que foram expulsos de suas terras na Argélia e com isso foram obrigados a se separarem. Em Paris, Abdelkader se coloca à frente do movimento pela independência da Argélia. Said ganha uma fortuna em cassinos e nos clubes de boxe em Pigalle. Já Messaoud, se alista na Indochina. Assim como os três estão envolvidos em torno do amor de sua mãe, seus futuros se mesclarão em torno de um país que luta para conquistar sua liberdade.

Fora da Lei e Incêndios são dois filmes grandiosos que possuem uma possibilidade grande de pintarem como surpresas e desbancarem Biutiful e Em um Mundo Melhor.

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A Zebra – Dente Canino

Criado na Grécia, Dente Canino (Dogtooth) pinta como um dos melhores filmes da atualidade. Trata-se de um filme que aborda temas que ao mesmo tempo podem ser classificados como chocantes e curiosos. A ação se passa numa casa de muros altos numa grande cidade. Os habitantes da casa são um casal com seus três filhos. O Pai trabalha numa fábrica na cidade enquanto a mãe cuida da casa e dos filhos enquanto o pai está fora. Até aí, nada demais. Apenas o típico cotidiano de grande parte das famílias. Exceto pelo fato de que o casal impede que os filhos tenham contato com o mundo exterior e com qualquer pessoa que venha de fora. Mesmo que digam aos filhos que existem outras pessoas do lado de fora, eles sempre advertem que é extremamente perigoso ter contato com elas. Em suma, no recôndito lar dos muros altos, a imposição é sempre a distorção completa da realidade. Mesmo que seja a distorção de uma simples palavra como carabina.  A realidade está controlada.

Certamente Dente Canino possui um significado para além de sua trama aparente. Uma das leituras possíveis, é que cada indivíduo carrega as características de um grupo de pessoas e assim os representariam. Enquanto por outro lado, os pais representariam a mídia que impõe tiranicamente a realidade e sua significação. Mas esta é apenas uma leitura. Vale a pena vê-lo e pensar sobre ele.

Enfim, Dente Canino é um filme fantástico que ao que tudo indica, é o menos cotado para ganhar a estatueta de melhor filme estrangeiro. Mesmo assim, este filme pode pintar como uma das grandes zebras desta nomeação, já que tudo pode mudar a qualquer momento, e o menos provável passa a ser o favorito.

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Independentemente de qual seja o ganhador, certamente será um filme capaz de mostrar o potencial existente para além dos muros de Hollywood.

fev 2011 16

Por Henrique Torres

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A grande surpresa desta premiação do Oscar é Bravura Indômita. E é uma surpresa não só porque não figurava entre os favoritos. Mas principalmente, por ser uma refilmagem. E se não é tão bom quanto o original (o que pode ser contestado) é uma obra ao menos equiparável à versão de Henry Hathaway de 1969.

Bravura Indômita acompanha Mattie Ross que busca fazer justiça a seu pai que foi assassinado. Ela busca a ajuda daquele que tem a fama de ser o mais destemido dos oficiais da lei, Roster Cogburn, para que ele capture o homem que matou seu pai. Além dele, o patrulheiro vindo do Texas, La Bouef, está atrás do mesmo homem que matou o pai de Mattie, Tom Cheney. Ele completa o trio que se forma em busca de fazer justiça.

Mas não é somente pela história que Bravura Indômita se sustenta como um bom filme. Os irmãos Coen deram um ritmo diferente ao filme. Além disso, as características marcantes dos personagens principais foram muito bem preservadas. Características estas que são o principal sustentáculo do filme. Cogburn é um velho caolho beberrão, rabugento e cruel com seus inimigos, mas também um velho divertido. A garota Ross é uma menina cheia de valentia, destemida e sem papas na língua, que conserva uma ingenuidade natural para uma menina que tem que lidar com negócios de homens.

Méritos para os Coen por conseguirem dar novo ritmo sem perder o que de melhor tinha o filme. Méritos também para os atores, Hailee Steinfeld que foi indicada a melhor atriz coadjuvante, mas principalmente para Jeff Bridges, que atuou magistralmente, interpretando  muito bem o comissário Cogburn, mesmo tendo sempre o lendário John Wayne como sombra.

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Assim, Bravura Indômita é um candidato muito forte à estatueta de melhor filme por vários motivos. No entanto, o que mais me agrada de tudo isso é o clima nostálgico que o filme resgata. O velho e bom clima do velho oeste que já não se costuma ver mais.

fev 2011 11

por Henrique Torres

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A história é conhecida de todos. Aliás, vários dos filmes indicados nesta premiação são assim, histórias verídicas. Poucos são os que se lembrarão quando ouvirem o nome Aron Ralston. Mas ele já foi notícia na televisão brasileira, há mais ou menos sete anos.

Aron Ralston é um alpinista aventureiro, que teve os cinco piores dias de sua vida registrados em vídeo e posteriormente num livro. Agora, sob a câmera de Danny Boyle, o registro ganha as telas de cinema. Em 2003, durante uma de suas trilhas nos Canyons, Ralston foi atingido por um deslizamento de pedras, uma das quais, esmagou seu antebraço e o deixou preso. Aron ficou ali por aproximadamente cinco dias, mais precisamente, 127 horas.

Eis o desafio; sair vivo desta encrenca. Aron não havia avisado ninguém do lugar para onde estava indo. Tinha pouca água e quase nenhuma comida. Deveria então superar todas as adversidades para conseguir sair vivo. Este é o grande mote do filme, a superação. Superação de um homem numa situação desesperadora. Situação em que as perspectivas eram as piores possíveis. Apenas a solidão como companhia e a morte como horizonte.

O grande momento do filme fica mesmo por conta da cena em que Aron consegue escapar daquela fenda, e pelo modo empregado por ele para escapar. Apesar de acreditar que a maioria das pessoas se lembre do que ele fez para escapar, para não fazer spoiler, apenas mencionarei que é uma das cenas mais aflitivas que já assisti. Mesmo achando que poderia ser pior, visto que Boyle várias vezes desvia a câmera para o rosto de Aron. Não sei se para nos poupar, ou para captar a aflição pelo rosto do ator.

James Franco interpretando Aron Ralston - Crédito: Divulgação

Apesar de ter superado minhas expectativas, o filme é tão somente um filme bom. Danny Boyle conseguiu contar bem a história, sem cair nos clichês bastante comuns destas histórias de superação que constantemente Hollywood produz. Além disso, James Franco está provavelmente na melhor atuação de sua carreira. Ele se desdobra e redobra para passar uma imagem quase perfeita da situação de Aron.

Em suma, 127 horas vale o ingresso no cinema. É um filme acima da média por ter conseguido contar muito bem uma história relativamente simples. Além disso, consegue fazer muito bem criar uma identificação entre nós (espectadores) e Aron, mesmo que seja numa situação tão díspar. Mas está longe de ser um filme grandioso. Não deve levar o Oscar.

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fev 2011 08

por Henrique Torres

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Quando escolho um filme, geralmente seleciono-o devido a um único fator; o nome do diretor. Escolhê-lo pelo nome de um diretor que conheço, e que já tive oportunidade de observar em outros trabalhos, é de certa maneira uma forma de garantir que não vou perder meu tempo com um péssimo filme. Isso faz com que quase sempre, eu opte por filmes antigos, de diretores consagrados pelo tempo. Poucos são os diretores ainda vivos que merecem ter seus filmes assistidos. Um destes raros casos é Darren Aronofsky.

Aronofsky é um dos poucos da atualidade que consegue manter um bom nível em seus filmes. Estes, quase nunca caem no lugar comum do cinema “hollywoodiano”. Eles mantêm uma distância considerável disto que podemos chamar de cinema comercial e de entretenimento que Hollywood produz em larga escala.

Em seus filmes, Aronofsky sempre traça retratos de situações em que o ser humano é levado ao limite por excessos e obsessões. Mencionarei aqui apenas dois casos retirados da filmografia pouco extensa do diretor. O bastante humano O Lutador, e o denso e impactante Réquiem para um Sonho.

Em O Lutador Aronofsky nos coloca diante de uma situação que é no mínimo muito humana. O filme retrata a vida do lutador de luta livre Randy “The Ram” Robinson (Mickey Rourke) que havia sido excepcional no passado, mas que agora, vinte anos depois, vive uma vida marginal. Fora dos grandes circuitos de luta livre, ele agora ganha seu sustento entre pequenos combates de quinta categoria, feitos para meia dúzia de adoradores esquisitos, e “bicos” em um supermercado. A situação de Randy se agrava quando ele sofre um infarto e é impedido de lutar.

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E aí é que ele tem que enfrentar o verdadeiro desafio de sua vida. Viver. Não mais viver exclusivamente de suas lutas e de seus fãs como antigamente. Mas viver a vida simples, cotidiana e corriqueira. E o desafio não é pequeno como parece. Randy é incapaz de qualquer relação social estável, além de ser completamente desprezado e renegado pela sua filha. Para ele, mesmo o simples atendimento dos clientes do supermercado é um desafio a ser equiparado a uma de suas lutas. O Lutador é um retrato do abandono e da solidão de um homem que um dia já foi grandioso. Ele mostra como o sucesso pode ser passageiro e destruidor quando acaba. Aronofsky criou aqui um retrato bastante humano do declínio de uma carreira e de suas conseqüências na vida de um homem. Algo que é bastante comum observarmos num país como o nosso, recheado de grandes esportistas que quase sempre caem no esquecimento e no abandono.

Em Réquiem para um Sonho, quatro personagens dividem nossa atenção. Harry (Jared Leto), seu amigo Tyrone (Marlon Wayans), sua namorada Marion (Jennifer Connelly) e sua mãe Sara (Ellen Burstyn) são quatro pessoas comuns, com suas dificuldades na vida e seus sonhos por realizar. O filme retrata a busca deles pela realização de suas buscas e anseios. Busca que é realizada por um caminho destruidor; as drogas. Os três primeiros são amigos que se envolvem cegamente no mundo das drogas. Compram, consomem e revendem para tentar ganhar dinheiro e conseguir levar uma vida melhor. Sara, a mãe de Harry, é uma mulher solitária que não tem mais a companhia do filho e que é viciada em televisão. Quando recebe uma suposta ligação para participar de um programa de TV, ela procura de todas as formas melhorar sua aparência. E isto a leva a tomar comprimidos de Anfetamina para emagrecer. Quando os comprimidos passam a perder o efeito, ela começa a tomá-los incontrolavelmente para conseguir reavivar a sensação que sentia antes, e isso a leva a uma situação completamente destruidora.

Este roteiro é o que vez por outra vemos passando nas novelas das nove. Com uma diferença fundamental. Como o próprio nome do filme já diz, não devemos esperar um final feliz. O que o filme busca retratar é exatamente o efeito devastador que o excesso no uso de drogas pode causar. Desde o começo otimista até o final impactante, Réquiem para um Sonho traça uma trajetória de degeneração física e mental. Ele expõe o fundo do poço, o limite do ser humano diante das drogas. Ele é exatamente o que o título pretende, isto é, o Réquiem que é tocado para os sonhos, a música ou prece pela qual se homenageiam os mortos, o repouso eterno dos sonhos destruídos.

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Apesar de aparentar possuir um discurso moralizante, o filme não traz este tipo de mensagem. Ele é apenas factual e realista. Não mostra se é certo ou errado. Mostra apenas que o potencial destrutivo é enorme quando existem excessos. Aliás, este é um dos lugares comuns da filmografia de Aronofsky. Os excessos e obsessões são sempre destruidores. Seja por um grupo de jovens que abusa das drogas, por uma bailarina obcecada com a perfeição, por um lutador que viveu sua vida apenas de suas lutas, ou um matemático que obstinadamente tenta encontrar o número que explique todas as coisas do mundo. Através de seus personagens, Aronofsky encontra sempre um modo de nos mostrar nossos limites, e os caminhos que alguns traçam para a destruição. Por meio deles, Aronofsky sempre encontra um modo de falar sobre nós mesmos.

jun 2010 22

Após o título mundial de 1998, o futebol ganhou projeção nunca antes visto na França. Porém, a fraca campanha nesta Copa pode fazer com que a confiança no time caia

por Henrique Torres
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Para os brasileiros amantes de futebol, nós temos dois dias “D” numa semana: o domingo e a quarta-feira. Segunda e quinta são dias de contar os mortos e feridos, ou cantar a vitória de mais uma batalha. Domingo e quarta são dias de extravasar na frente de uma televisão, arrancar os cabelos, roer as unhas e perder a voz com o seu time, não importa se para falar mal ou apoiar. Segunda e quinta são dias de andar orgulhosamente com a camisa de seu time na rua, “tirar uma” com o seu amigo de escola, ou seu colega de trabalho que não tem a mesma sorte de ter um time vencedor como o seu. Contudo, segunda e quinta podem ser dias de tristeza, dias de amargura, dias de não querer ver ninguém que goste de futebol para não ter que ouvir falar da vergonha que seu time passou no dia anterior.

Essa é uma imagem bem geral do cotidiano daqueles que são apaixonados por futebol no Brasil, ou que ao menos torcem por algum time. Trago esta imagem do Brasil, no entanto, para falar da França[bb]. Ou melhor, dizendo, para falar de como se vê o futebol na França, e, por conseguinte, de como os franceses encaram a Copa do Mundo. Em alguns aspectos os franceses lembram os brasileiros, é claro que guardadas as devidas proporções. A grande verdade é que no fundo o futebol e a Copa do Mundo ainda são vistos com certa apatia na França. O que não significa que a popularidade do esporte não tenha crescido nestes últimos anos. A França é outra desde 1998.

A Champs Élysées explode em festa no título mundial de 1998 – Crédito: Divulgação

1998 foi o ano em que a França parou. Ela se encheu de um fervor ardente por futebol. Um clima de expectativa total antes da Copa, e um êxtase maior ainda após a vitória épica sobre o que era considerada a melhor seleção do mundo. Este foi um marco. Em 1998 aconteceu na França o que acontece em todos os anos de Copa do Mundo no Brasil; uma nação inteira estagnada diante de uma televisão. Esta Copa do Mundo na França fez com que surgisse não só uma outra potência do futebol, mas fez também com que surgisse um potencial de crescimento para o futebol na França.

É claro que eles ainda estão muito longe de nós. A não ser em 1998, os franceses nunca deixaram o dia-a-dia de lado para assistir os jogos da Copa. Mesmo os da seleção francesa. Os franceses não têm os dias de aula ou de trabalho cancelados para ver a seleção. Tal pratica seria até desperdício na França. A maioria dos que recebessem tal “privilégio” certamente não o aproveitaria para assistir a Copa.

O craque Zidane ergue a Copa do Mundo – Crédito: Divulgação

A verdade é que o futebol na França tem crescido, mas ainda não chegou a ultrapassar outros esportes de menor expressão no Brasil. Temos como esportes tão populares quanto o futebol, o tênis e o tradicionalíssimo torneio de Roland Garros, e a Fórmula 1 do mito Alain Prost, além do fato da França ter uma equipe que a representa, a Renault[bb]. Correm por fora a natação e o futebol americano, que são junto ao tênis, os esportes tradicionalmente praticados nas escolas, nos parques e onde quer que seja possível. Não que seja impossível jogar futebol na França. Mas não é tão fácil quanto jogar futebol no Brasil ou basquete nos Estados Unidos.

Mesmo assim pode-se ver que o prestígio do futebol vem crescendo na França, graças a Copa de 1998, por analisarmos alguns aspectos tipicamente brasileiros. Existem em Paris vários bares que exibem os jogos da Copa como quase todos os bares brasileiros, alguns malucos que assistem a todos os jogos da Copa, ao menos um canal de TV interessado em transmitir todos os jogos, alguns jornais que se não dão tanta importância ao futebol quanto os jornais brasileiros ao menos dão alguma. Com isso, mesmo que o futebol ainda não seja uma grande paixão na França, ele certamente está na boca do povo. E você constatará isso se vier um dia a encontrar um francês que entenda o mínimo de futebol. Ele provavelmente te lembrará que Les Bleus nos bateram duas vezes, isto é, levaram o título de 1998 nas nossas costas, e que nos deixaram no caminho em 2006. Infelizmente. Ou felizmente.