jun 2011 01

por Kika Cirra
blog@blogdacomunicacao.com.br

Aproveitando que dedicamos este dia para tratar da imprensa em Israel, vamos reproduzir aqui fatos e mitos da mídia na Terra Santa. Diferentes interpretações, má-fé e invenções, são comuns de se ocorrer em solo israelense. Veja abaixo essas verdades e mentiras.

MITO: Os jornalistas que fazem a cobertura do Oriente Médio são movidos pela busca da verdade.
FATO:
Ninguém deveria se surpreender ao ser informado que os jornalistas no Oriente Médio compartilham do mesmo interesse por sensacionalismo que seus colegas que cobrem assuntos domésticos. Os exemplos mais destacados são os repórteres de TV, cuja ênfase no visual em lugar da substância encoraja um tratamento superficial dos assuntos.

MITO: As autoridades árabes dizem aos jornalistas ocidentais as mesmas coisas que falam ao seu próprio povo.
FATO:
Os líderes árabes constantemente expressam seus pontos de vista de forma diferente em inglês do que em árabe. Eles revelam seus verdadeiros sentimentos e posições aos seus constituintes em sua língua nativa. Para consumo externo, entretanto, eles aprenderam a falar em tom moderado. Geralmente eles apresentam pontos de vista muito diferentes quando falam em inglês para as audiências do Ocidente.

Mídia atuando na Terra Santa – Crédito: Divulgação

MITO: Os jornalistas conhecem bem a história do Oriente Médio e, assim, sabem colocar os eventos atuais no contexto apropriado.
FATO:
Uma causa das más interpretações sobre o Oriente Médio e da parcialidade da mídia nas reportagens é a ignorância dos jornalistas sobre a região. Quase não há repórteres que falam hebraico ou árabe, de modo que têm pouco ou quase nenhum acesso às principais fontes. Muitas vezes eles repetem histórias que leram nas publicações em inglês da região, ao invés de fazerem reportagens independentes.

MITO: A imprensa não justifica os atos terroristas.
FATO:
Pelo contrário, a mídia rotineiramente aceita e repete as platitudes de terroristas e de seus porta-vozes com relação aos seus propósitos. A imprensa aceita ingenuamente as alegações de que os ataques contra civis inocentes são atos de “combatentes pela libertação”. Em anos recentes, algumas empresas jornalísticas desenvolveram uma resistência contra o termo “terrorista” e substituiram-no por eufemismos como “militante”, porque não querem ser vistas tomando partido ou julgando os responsáveis.

Repórter da Al Jazerra em entrada ao vivo da Faixa de Gaza em 2009 – Crédito: Reprodução de TV

MITO: Os israelenses não podem negar a veracidade das fotos que mostram seus abusos.
FATO:
Uma foto pode valer mil palavras, mas muitas vezes as palavras usadas para descrever a foto são distorcidas e enganosas. Não há dúvida de que os fotógrafos e os câmeras de TV procuram as imagens mais dramáticas que possam encontrar, quase sempre apresentando os brutais “Golias” israelenses maltratando os sofredores “Davis” palestinos. Entretanto, falta normalmente o contexto.

MITO: A TV Al-Jazeera é a “CNN árabe”, proporcionando ao mundo árabe uma fonte objetiva de notícias.
FATO:
A Al-Jazeera é uma cadeia de televisão de língua árabe, fundada no Qatar, amplamente assistida em todo o mundo árabe. O canal começou em 1996 como um projeto de estimação do emir do Qatar, xeque Hamad bin-Khalifa al-Thani, e ganhou destaque durante a guerra no Afeganistão, por causa de seus antigos contatos com os dirigentes do Talibã e com Osama bin Laden. Divulgando uma variedade de pontos de vista, incluindo opiniões dos funcionários da administração Bush, a rede buscou criar a impressão de que é uma fonte de notícias objetiva para o mundo árabe. Na realidade, a Al-Jazeera ficou conhecida como canal de propaganda de visões extremistas no mundo árabe.

Fonte: Beth-Shalom

jun 2011 01

por Kika Cirra
blog@blogdacomunicacao.com.br

A cidade de Jerusalém, centro do conflito na Terra Santa – Crédito: Divulgação

Israel é um dos países mais religiosos e onde há mais armas por cidadão. O Estado judeu também se destaca em outra frente: é a nação que possui o maior número de jornalistas por habitante do mundo. Por ser uma das poucas democracias na região, o contingente de correspondentes estrangeiros é grande.

Para a repórter do Correio Brasiliense, Mariana Mainenti o grande número de repórteres no país se deve ao conturbado clima com seus vizinhos. “A tão grande atenção da mídia é explicada pelo fato de que nenhum outro conflito apresenta atualmente tantos desafios a cobertura como o que acontece entre israelenses e palestinos”, afirma. Ela destaca que neste contexto, qualquer cobertura que a mídia faça, por mais isenta que se proponha a ser, continuará sendo vista com ressalvas.

Já Daniel Seaman, diretor do Departamento de Imprensa do governo de Israel, diz que há uma “guerra da informação” entre israelenses e palestinos. “E nós consideramos que estamos perdendo esta guerra”, afirmou. Mariana também conclui que há quem acuse a imprensa estrangeira de ser tendenciosa. “Especialmente a norte-americana, de ser pró-israelense, e a européia, de ser pró-palestina”. Nos noticiários de Oriente Médio, os meios de comunicação no Brasil são pautados pelas agências de notícia internacionais e a imprensa israelense. E, assim como toda a mídia no mundo, são acusados por ambos os lados de ser pró-inimigo.

Para o jornalista José Ernani Almeida, professor de Sociologia e História do Pensamento e das Instituições Jurídicas da FAPLAN (Faculdades Planalto), a grande dificuldade da mídia na região está em separar o mito da realidade, o compromisso com os dogmas religiosos com a realidade política. Ernani ressalta que por lá, “tudo é muito complexo”.

Existe ainda, a questão do sensacionalismo, (que não é diferente do que acontece na mídia ocidental). “Gostamos do “circo pegando fogo”. Muitas vezes a televisão nos mostra uma imagem e o texto que a acompanha é muito contraditória. Evidentemente que para o grande público estas contradições passam despercebidas”, diz. Outra questão que para ele é crucial, é o pouco conhecimento dos jornalistas sobre a história dos países orientais.

“Poucos conhecem as línguas locais, logo a comunicação fica com ruídos e a informações deformadas. Normalmente, quando os jornalistas tentam colocar fatos ou acontecimento sob a perspectiva histórica, acabam errando e dando versões totalmente equivocadas”. O historiador defende a tese de que um ato terrorista sempre será um ato de covardia e que nunca e em tempo e lugar algum, será um “ato de protesto de combatentes pela libertação”, e sim um crime covarde e hediondo.

TV AL JAZEERA
A atuação da TV Al Jazeera também merece atenção pelo papel que ela tem como veículo de grande influência no mundo árabe. É a maior emissora de transmissão jornalística do Catar, transmitindo em língua árabe e inglês. Criada em 1996 por Hamad bin Khalifa Al Thani, emir do Catar, no intuito de transformar seu pequeno país em centro cultural da região, Al Jazeera iniciou suas transmissões em 1º de novembro daquele ano e logo se destacou por alcançar um nível de liberdade de expressão e de oposição raramente visto no mundo.

A Al Jazeera tornou-se o canal preferido dos militantes muçulmanos para divulgar suas ações, sendo mostrados inclusive estrangeiros sequestrados no Iraque, no cativeiro ou sendo executados, neste último caso não sendo levadas ao ar as cenas mais fortes. Várias mensagens de Osama Bin Laden foram divulgadas em primeira mão pelo canal. Por outro lado, as autoridades de Israel têm ocupado espaço na emissora para divulgar seus pontos de vista e assim amenizar sua imagem negativa no mundo árabe.

A audiência da emissora está em constante crescimento e é formada principalmente por telespectadores residentes em países do mundo árabe e imigrantes na Europa, com destaque para a França, onde vivem 4,5 milhões de árabes ou descendentes, e também na Alemanha. A rede não tem transmissão nos Estados Unidos e estuda conseguir um sinal para ser assistida no Brasil.

abr 2011 01

por Kika Cirra
internacional@blogdacomunicacao.com.br

O diário esquerdista Libération declarou: “A França deu um golpe de mestre”. Em uma demonstração interpartidária que não era vista desde 2003, em oposição á guerra do Iraque, a intervenção francesa na Líbia foi universalmente aplaudida. Dominique de Villepin, rival gaullista do presidente Nicolas Sarkozy, declarou que a França “se manteve fiel aos seus ideais”. Até mesmo o líder parlamentar dos socialistas, Jean-Marc Ayrault aplaudiu o “compromisso francês com o povo da Líbia”.

O presidente francês Nicolas Sarkozy – Crédito: Divulgação

Enquanto eram exibidas imagens do porta aviões Charles de Gaulle zarpando de Toulon e de caças decolando da Córsega, via-se claramente um sentimento de “orgulho restaurado”, embora houvésse um certo “atordoamento” pela repentina virada na política francesa com relação ao norte da África. Os franceses ofereceram ajuda a outro autocrata, na Tunísia, para conter os distúrbios nas ruas. A pouca refletida decisão de Sarkozy, de reconhecer os rebeldes da Líbia surpreendeu Alain Juppé, novo misnistro das Relações Exteriores. A França aliou a Força Aérea a suas palavras, com ataques militares contra um líder árabe. De acordo com pesquisas, 66% do país aprova estas ações.

A imagem do presidente Sarkozi afundou tanto junto à opinião pública, que muitos embora elogiem sua decisão, questionam seus motivos, fato este que o fará enfrentar uma difícil eleição presidencial no próximo ano, a maioria acredita que devido a ressurreição de popularidade da Frente Nacional, Sarkozy terá dificuldades para avançar ao segundo turno. A sua política externa, não gerou até agora grande impacto no que diz respeito as considerações humanitárias como afirmou Bernard Kouchner, defensor dos direitos humanos e seu primeiro ministro das Relações Exteriores. Os franceses voaram sob os céus da Líbia com os mesmos caças Rafale que tentaram vender a Muammar Khadafi. Como explicar o zelo de Sarkozy por uma intervenção militar em nome de uma “consciência universal”, uma vez que “não há” interesse eleitoral? É o que muitos se perguntam…

Caças Rafaeles no porta-aviões Charles de Gaulle – Crédito: Divulgação

Separada da Líbia pelo Mediterrâneo, a França se sente exposta à imigração que uma demorada guerra civil pode causar e seus interesses nacionais podem coincidir com os interesses pessoais de Sarkozy; sua credibilidade no Magreb francófono, corre riscos. Boa parte da iniciativa francesa foi comandada por Juppé, que nem de longe é um aliado político de Sarkozy. Ex-ministro das Relações Exteriores nos anos 1990, Juppé traz autotidade e experiência ao cargo e foi pessoalmente apresentar a causa francesa à ONU, sendo o único ministro nacional a tomar esta atitude.

Fonte: The Economist

jan 2011 19

por Kika Cirra
saude@blogdacomunicacao.com.br

Quem não sonha em ter uma bela silhueta? Mas só em pensar em passar por um procedimento cirurgico longo e doloroso, ficar internado, é algo que álem de dispendioso faz com que muitos desistam de tornar este sonho uma realidade.

O Blog da Comunicação conversou com o médico gaúcho Álvaro Salgado, um dos mais respeitados e renomados Cirurgiões Plásticos do país, que desenvolveu técnicas seguras, rápidas e que causam o minimo desconforto para os pacientes. A técnica utilizada por ele para nariz e silicone é realizada em poucas horas: Normalmente o paciente chega ao hospital as 7 horas da manhã e dentro de poucas horas vai para casa, sendo possível muitas vezes voltar para o almoço.

Além disso o procedimento é praticamente indolor: “A anestesia é local com sedação leve, causando ao paciente ausência de dor por aproximadamente 8 horas, é o tipo de anestesia ideal, por ser mais segura e logo após o procedimento que dura em torno de 60 minutos, o paciente pode ir caminhando para casa”, explica o cirurgião.

Isto somente é possível pelo fato deste procedimento causar o mínimo de traumas e sangramentos e também pela utilização da anestesia local que causa pouca sedação, facilitando muito a recuperação. Sílvia, paciente do Dr. Salgado afirma que aprovou o procedimento: “Depois de uma semana eu já estava viajando para São Paulo e logo após a cirurgia pude conferir o resultado em meus seios que ficaram exatamente como eu sonhara, depois de concluído o curativo já foi possivel a ingestão de alimentos calóricos e líquidos, isto sem passar por uma sala de recuperação”, diz.

Cirurgia feita a base de vibrolipoaspiração – Crédito: Divulgação

De acordo com o cirurgião, a técnica foi criada para minimizar a dor, o desconforto, diminuir riscos e reintroduzir o paciente ás suas atividades quase que imediatamente, diminuindo também custos hospitalares. “Não tenho a pretensão de dizer que essa é a melhor, e muito menos a única técnica para realizar essas cirurgias, mas é a que eu julgo ser eficiente e segura por ter uma resposta altamente positiva dos pacientes”, conclui.

VIBROLIPOASPIRAÇÃO
Esta técnica usa um vibrador rotineiramente utilizado nas lipoesculturas, proporcionando grande satisfação aos pacientes por pemitir uma retirada maior de gordura localizada, além disso este é o método mais moderno disponível. “A anestesia local ou geral e a liberação do paciente passa pela avaliação do anestesista e é possivel em média após 6 horas de pós-operatório”.

Outras cirurgias como rejuvenescimento facial, redução e/ou elevação de mamas, usam as mesmas normas acima descritas com curto período de hospitalização e retorno rápido do paciente as suas atividades habituais. A cirurgia plástica tornou-se muito mais acessível e segura possibilitando menor restrição ás atividades do paciente.

set 2010 23
O cantor Cazuza – Crédito: Silene do Valle

por Kika Cirra
entretenimento@blogdacomunicacao.com.br 

Cazuza afirmou: “O Tempo não para”…Não para e passa muito rápido. Há vinte anos, o Brasil perdia um dos maiores ícones do pop rock nacional. Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza, morreu aos 32 anos vítima da AIDS, doença que na época não contava com os avanços da ciência, que oferecia poucas possibilidades terapêuticas. 

Desde que assumiu ser portador do vírus HIV em 1987 até sua morte em 1990, foram três anos de uma luta árdua do artista e de sua família pela vida e contra o preconceito. Cazuza passou por inúmeras internações em hospitais do Rio, São Paulo e Boston. Chegou a pesar 38 quilos e a se locomover em cadeira de rodas, mas morreu produzindo como nunca e deixando aos seus fãs e à música brasileira um legado, que vem atravessando gerações. Gravou três álbuns com o Barão Vermelho, conquistando disco de ouro com Maior Abandonado (o terceiro da banda). Em 1985, deixou os companheiros de estrada para alçar vôo solo. No mesmo ano lançou Exagerado, seguido de Só se For a Dois e Ideologia

Já debilitado pela doença, Cazuza foi ovacionado ao receber em 1989, numa festa no Copacabana Palace, (Rio) o Prêmio Sharp de melhor álbum por Ideologia e melhor música com Brasil, que ganhou o país na voz de Gal Costa como tema da abertura da novela “Vale Tudo”, de Gilberto Braga. 

Composições como Faz Parte do Meu Show, Todo Amor Que Houver Nessa Vida, Ideologia, Codinome Beija-Flor, Maior Abandonado, Pro Dia Nascer Feliz, e tantas outras, foram gravadas por inúmeros intérpretes ou por ele próprio, e até hoje fazem sucesso absoluto, o que prova que sua obra é e sempre será atemporal. 

O menino irreverente e rebelde que apareceu na cena musical brasileira aos 23 anos como vocalista do Barão Vermelho, ao lado de Roberto Frejat, Guto Goffi, Dé e Maurício Barros, continua inflluenciando gerações. Conversei com alguns de seus fãs, entre eles a universitária paulistana Gabriela Mendes, de 20 anos, que conhece toda a sua obra e vê nele o maior poeta do cenário pop de todos os tempos. Gaby, como é conhecida, é estudante de enfermagem, e afirmou ter escolhido esta profissão como forma de auxilio direto a pacientes soro-positivos. Me confidenciou também que o seu maior desejo é trabalhar ao lado de Lucinha Araújo na Sociedade Viva Cazuza e para isso, tão logo termine o curso irá mudar para o Rio de Janeiro. Já o músico carioca Heron, 19, é compositor e vocalista de uma banda de rock no Rio de Janeiro e se diz total e “loucamente” influenciado pela obra de Cazuza, o que fica muito claro em suas composições. 

 Imagem de Amostra do You Tube

Faz parte do meu show…
Em se tratando da paulistana Silene do Valle nenhuma outra frase poderia descrever de forma mais absoluta a sua paixão por Cazuza e sua obra: “Cazuza é doce e ácido, é a ausência mais presente em minha vida, é idolatrado e ao mesmo tempo crucificado, não vou levar para mim o que ele fez na sua vida pessoal, não podemos julgar ninguém (quem somos nós para isso), julgo o que ele deixou de maravilhoso para nós em sua obra, sua magia, sua forma, seus anseios, seus sonhos e sua maneira verdadeira de ser, Cazuza foi isso, viveu intensamente.” 

Único filho do casal Lucinha e João Araújo, Cazuza morreu na casa dos pais, em Ipanema, na manhã do dia em 7 de julho de 1990. Em 2004, sua vida virou filme pelas mãos da cineasta Sandra Werneck em parceria com Walter Carvalho, que o fez baseado no livro “Só as Mães São Felizes” (mais uma letra de música do artista em parceria com Frejat), escrito por sua mãe (em depoimento à jornalista Regina Echeverria) e lançado em 1997. No cinema, Cazuza foi interpretado pelo ator Daniel de Oliveira, uma unanimidade perante público e crítica na pele do artista. 

Fachada da Sociedade Viva Cazuza – Crédito: Divulgação

Nasce a Sociedade Viva Cazuza
Três meses após a sua morte, nascia a Sociedade Viva Cazuza, fundada por Lucinha Araújo, que até hoje preside a ONG, que também completa em 2010 duas décadas de atividades. Atualmente, a Viva Cazuza mantém dois importantes projetos: uma “Casa de Apoio” que abriga 20 crianças e jovens soropositivos (de 4 a 17 anos), a maioria deles órfãos e um “Projeto de Adesão ao Tratamento da Aids”, em parceria com o Hospital da Lagoa e com o Hospital do IASERJ, que contempla hoje 140 pacientes de todas as idades, que se encontram em tratamento na rede pública de saúde. 

Apesar de ter perdido um filho, Lucinha Araújo “adotou” os filhos de coração. Pois é como mãe que ela trata as crianças e jovens abrigados na ONG. Desde o acompanhamento das atividades escolares à permissão para fazer programas com amigos ou convidá-los para dormir na casa, tudo passa pelo seu olhar cuidadoso. E é neste momento que se percebe uma grande vitória dos portadores do HIV: a diminuição do preconceito. Segundo Lucinha, as escolas, professores e amigos conhecem a situação de saúde das crianças que vivem ali e, nem por isso, elas deixam de levar uma vida normal como qualquer outro colega da mesma faixa etária. Não são rechaçadas pelos amigos, nem pelos pais dos amigos. 

Além do afeto familiar que elas recebem no projeto, todos têm apoio profissional tanto na área pedagógica (reforço nos estudos, acompanhamento dos deveres de casa e orientação), como na área médica. A casa é equipada com uma enfermaria com todos os recursos médicos necessários inclusive para internação, a não ser para casos mais graves de cirurgia e UTI. Uma técnica de enfermagem disponível 24 horas faz o atendimento individual da garotada, acompanhando semanalmente as taxas virais e a evolução da Aids, bem como o surgimento das chamadas doenças oportunistas. 

De outro lado, a Sociedade Viva Cazuza também atende adultos e crianças de todas as idades com dificuldade de adesão ao tratamento da Aids. Profissionais de saúde, contratados do projeto, investigam a vida dos pacientes para descobrir a causa da falha do tratamento e corrigi-la, através de orientação médica e suporte emocional. O sucesso do projeto é total. 

Lucinha Araújo, a mãe de Cazuza – Crédito: Divulgação

Sociedade Viva Cazuza completa 20 anos em meio a dificuldades *
Apesar do histórico positivo de 20 anos de atuação, a ONG, sustentada com os direitos autorais das músicas de Cazuza (que respondem por uma renda cada vez menor) e pequenas doações, passa por dificuldades financeiras para arcar com o custo fixo mensal, formado em grande parte pela folha de pagamento dos funcionários e encargos trabalhistas. 

Além disso, por motivos desconhecidos, o Ministério da Saúde tem deixado de fornecer a quantidade necessária de remédios retrovirais para o combate da doença desde o início do ano. Segundo Christina Moreira, coordenadora da Viva Cazuza, o Ministério da Saúde conta hoje com uma verba menor para distribuição de remédios do que há cinco anos. “Acredito que isso se deve ao aumento da perspectiva de vida dos portadores do vírus HIV e à ausência de matérias na imprensa sobre a doença. Atualmente, as pessoas não morrem mais de Aids, mas, ainda assim, a doença merece muita atenção, pois não tem cura. No mundo todo, morrem cerca de três milhões de pessoas por ano de Aids e cinco milhões são contaminadas anualmente”, alerta. 

Cazuza é um dos maiores nomes da música brasileira: Crédito: Divulgação

 

Acervo do cantor
Muita gente não sabe, mas é num espaço da Sociedade Viva Cazuza que sua mãe, Lucinha Araújo, mantém viva a memória e obra do cantor. Todo o acervo de Cazuza se encontra lá na sede da ONG e à disposição do público e fãs. São inúmeras fotos enquadradas que tomam quase todas as paredes e ilustram a carreira do artista, tanto ao lado dos companheiros do Barão, como na fase solo. 

Há também roupas de show (como o terno branco de panamá do último show), inúmeras bandanas – marca registrada de Cazuza nos palcos -, prêmios, discos em vinil, livros, CDs, DVDs e muitos objetos pessoais, alguns de quando ele ainda era bebê, como a roupa do batizado. 

* A sociedade Viva Cazuza está passando por dificuldades e precisando de ajuda. Deposite qualquer valor na conta:Banco Bradesco Agência:0887-7 Conta:26901-8. Quem já é cliente do Bradesco pode fazer uma transferência na página do banco na internet. Para ajudar a Viva Cazuza com remédios, roupas infantis, brinquedos, alimentos não-perecíveis, etc., basta entrar em contato diretamente com a Sociedade.
Endereço: Rua Pinheiro Machado, 39, Laranjeiras, Rio de Janeiro, RJ, CEP 22231-090 – Brasil
Tel: (21) 2551 – 5368 /Fax: (21) 2553 – 0444

FONTE: Assessoria de imprensa Sociedade Viva Cazuza – Adriana Lacerda (Factual Comunicação)

jul 2010 18

por Kika Cirra
meioambiente@blogdacomunicacao.com.br

A parceria firmada entre a Nokia[bb] e WWF-Brasil permitirá o mapeamento e a identificação das mudanças climáticas em curso na região do Alto Purus, no Acre, propondo assim alternativas de adaptação para enfrentar os impactos negativos para as populações locais. O projeto tem como objetivo a melhoria de vida das comunidades locais, compostas em sua grande maioria por pescadores e suas famílias.

O modo como os pescadores tem percebido as mudanças climáticas na região e quais as medidas de adaptação utilizadas para mitigar ou reduzir os impactos de alteração no clima, serão registrados pelo projeto em um vídeo que será divulgado no Brasil e no exterior. Todas as informações serão coletadas com base em metodologia da Rede WWF para o Projeto Testemunhas do Clima, que já foi aplicada em comunidade de pescadores no município de Santarém (PA).

A contribuição para a recuperação do conhecimento tradicional, além de informações técnico-científicas é mais um dos objetivos desse projeto. Uma metodologia participativa assegura o envolvimento dos pescadores em todos os processos do projeto piloto. De acordo com a secretária-geral do WWF-Brasil, Denise Hamú, o projeto será importante para gerar informações sobre as mudanças climáticas na região. “A ideia é que possamos dar uma contribuição para reduzir a vulnerabilidade das populações locais aos impactos dessas mudanças, aumentando sua capacidade de adaptação. Os pescadores do Alto Purus se tornarão Testemunhas do Clima”, afirma.

Almir Luiz Narcizo, presidente da Nokia do Brasil declarou que a empresa orgulha-se de fazer parte desta iniciativa: ”A ação junto à população que vive às margens do rio Purus é mais um fruto da duradoura parceria global entre a Nokia e o WWF”.

Pescadores no Lago Santo Antônio – Crédito: WWF/Brasil

A Região
O rio Purus nasce no Peru, entra no Brasil pelo Acre[bb] e segue pelo estado do Amazonas, caracterizando-se por ser um dos afluentes mais importantes do rio Amazonas, sua bacia abrange 380 mil quilômetros quadrados, sendo que mais de 90% situa-se no Brasil. Na época da cheia, o Purus atinge outros 21.833 km² da várzea (planície inundada nas margens do rio). Suas águas brancas, são ricas em sedimentos provenientes dos Andes e estão entre as mais produtivas da Amazônia respondendo por aproximadamente 70% da produção pesqueira que abastece a capital do Acre, Rio Branco, e por 30% da produção pesqueira de Manaus, capital do Amazonas.

A pesca é considerada o principal meio de subsistência da população ribeirinha da Amazônia. Mais de 80% das famílias da região vivem dela. De acordo com levantamentos, existem ainda outros 37 mil pescadores que praticam a atividade em escala comercial na bacia amazônica. Antonio Oviedo, responsável pelo projeto no WWF-Brasil, considera importante fazer uma avaliação biológica dos recursos pesqueiros da área e apoiar a implementação dos acordos de pesca. “É necessário sistematizar o conhecimento local sobre a pesca e os ambientes da várzea, bem como compreender os padrões individuais e coletivos de uso dos recursos pesqueiros em escala comunitária e regional”, avalia.

O projeto Testemunhas do Clima Nokia/WWF-Brasil no Alto Purus conta com a participação da Secretaria de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar do Estado do Acre (Seaprof). A primeira edição (2008) aconteceu na comunidade de Igarapé do Costa, estado do Pará. Os vídeos produzidos podem ser vistos clicando aqui.

Fonte: WWF-Brasil/Bruno Taitson

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