set 2010 01

por Leandro Pereira
entretenimento@blogdacomunicacao.com.br

Na semana passada publiquei um artigo onde critiquei de forma veemente algumas declarações que o cantor Roger, da banda Ultraje a Rigor[bb], concedeu ao jornal Estado de Minas sobre o público jovem há algumas semanas atrás. Percebi que os leitores se manifestaram e o próprio cantor usou o espaço dos comentários para esclarecer seu ponto de vista. Concordo que a intenção do artista não foi a de magoar os fãs, de se colocar como alguém superior ou ser excludente e sim ser franco a respeito dos próprios sentimentos. O que chamo a atenção é para o fato de que precisamos ter cuidado no uso da palavra quando somos entrevistados e penso que o cantor precisa ser mais cuidadoso com o que diz. Não apenas ele, mas todos nós.

O cantor Roger, do Ultraje a Rigor – Crédito: Divulgação

Explico-me: numa conversa particular com um amigo, uma pessoa querida, numa situação onde o interlocutor nos conhece eventualmente dizemos coisas que ferem a sensibilidade do outro e que acabam por nos comprometer diante daquele que amamos. Nesse caso voltamos a ele e pedimos desculpas. Redefinimos a relação. O que é diferente quando falamos num palco para um grande número de pessoas, na imprensa, onde alguém ali está gravando e vai reproduzir o conteúdo. Nem sempre nos é possível revogar o que foi dito e as consequências que nossas palavras podem trazer são perigosas. O objetivo do meu texto foi suscitar um debate a respeito da atenção que qualquer um de nós deve ter com o que torna público e o mote foi a entrevista do líder do Ultraje.

Pelo que percebi a crítica foi útil e suscitou um debate saudável e interessante. A humildade do artista em ler e se colocar mostrou que ele está aberto para o diálogo e para a relação com os fãs e tenho certeza de que sua música ainda nos ajudará muito na construção de um país melhor e mais justo culturalmente.

E não deixem de ouvir o poema “Entrevista” que está no site do poeta Affonso Romano de San’tanna, na voz de Tonia Carrero. Fala sobre comunicação.

ago 2010 25

por Leandro Pereira
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O disco “Nós Vamos Invadir tua Praia” lançou em 1985 a banda Ultraje a Rigor e abriu portas para outras bandas de São Paulo que estavam distantes da grande mídia, concentrada no Rio de Janeiro onde estavam situadas a Rede Globo e as gravadoras. O álbum foi de grande sucesso na época e praticamente as onze faixas do disco tocaram no rádio. Roger, vocalista da banda, se consagrou como talentoso músico e compositor. É também possuidor de uma inteligência acima da média. Ele aprendeu a ler aos três anos de idade e aos oito começou a tocar violão. A música criada por Roger no Ultraje é de um humor inteligente e melodia que envolve. O problema é que se por um lado o cantor esbanja talento e conquista prestígio como artista, pelo outro é um arrogante intelectual e suas declarações comprometem seriamente sua carreira.

Quem leu, por exemplo, a entrevista que Roger concedeu ao jornal Estado de Minas no domingo retrasado, dia 15 de agosto, conduzida pela jornalista Thaís Pacheco, sabe exatamente do que estou falando. Thaís estava brilhante, as perguntas bem elaboradas davam ao leitor uma visão panorâmica do cenário musical na década de 1980. O cantor é que com falas impertinentes e preconceituosas dava para a entrevista um aspecto desagradável e indigesto. Entre uma fala e outra ele declarava “Quando eu digo a gente somos inútil (sic) somos eu e você. Hoje não posso falar de nós por que seria nós quem? Eu e o público somos diferentes”. E pior: “Tem gente que começou a curtir o Ultraje depois do acústico, mas meu público, de quando eu comecei está com a minha idade. Eles já não querem ir a show de rock. A gente se sente meio deslocado com essa diferença de idade”.

Roger, o vocalista do Ultraje a Rigor – Crédito: Divulgação

Fico pensando no quanto é lamentável ver um líder de uma geração se expressar com tanta desconsideração e desdém para com aqueles jovens que lotam seus shows e compram seus discos. Pior ainda é ver esse mesmo líder fechando as portas para uma interação maior com novas gerações que podem fazer com que sua música continue viva e atual sendo referência para o surgimento de novas bandas e novos compositores. Se as coisas continuarem nesse no rumo em que elas estão talvez esse seja o ocaso do Ultraje a Rigor[bb]. Um artista que se sente deslocado com a platéia não faz shows, em tempos de pirataria é pouco provável que a banda sobreviva apenas com direitos autorais.

Esse não é o desejo de nós que amamos aquela música debochada, inteligente, irreverente. Esperamos, sim, que Roger se retrate ampliando seus horizontes e conquistando novos espaços.

jan 2010 15

por Leandro Pereira
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Confira abaixo entrevista com o artista plástico mineiro, Domingos Mazzilli.  

O artista plástico Domingos Mazzilli – Crédito: Leandro Pereira

Leandro Pereira: Mazzilli é um prazer tê-lo conosco! Você é considerado uma das maiores revelações das artes plásticas em Minas nos últimos anos e atualmente se dedica em tempo integral ao teu processo criativo, depois de abandonar a psiquiatria. Como está sendo para você este período de transição?
Domingos Mazzilli:
Está sendo muito rico porque aos 43 anos eu me descobri artista, e hoje me vejo com uma produção extensa e de qualidade, fazendo algo que jamais imaginaria fazer na minha vida e de forma profissional. Foram 20 exposições em dois anos e quatro meses. Construí uma obra que perpassa pelo bordado, assemblage, instalações, suportes variados. Isto tudo com um fio condutor, uma marca fortemente autoral e sem fazer maiores concessões. Neste período expus dentro do circuito consagrado da arte como Palácio das Artes, Sesc Pompéia em São Paulo, Chapel Art, Casa dos Contos em Ouro Preto e ao mesmo tempo em lugares alternativos como o Hospital Psiquiátrico Raul Soares, Galpão Abandonado, Casa da Xiclet em São Paulo. Agora exponho no Casarão do Museu Abílio Barreto, que pela primeira vez recebe arte contemporânea e sofre intervenção na sua parede tombada pelo patrimônio. Eu estou muito feliz com esta nova vida de descobertas e sinto o maior orgulho da minha produção e determinação.  

LP: O que significa Bacio e Alcova?
DM:
Bacio é uma palavra pouco usada no idioma português que significa penico, urinol. Também se refere à pronúncia de vazio em espanhol e faz uma referência à bacia, objeto doméstico de metal utilizado para banho e também na cozinha. Diz respeito ao meu trabalho que se estrutura em torno do vazio, da intimidade, do lugar onde se lava a roupa suja. Alcova é um cômodo das casas antigas sem portas e janelas, sem abertura para o exterior, destinado às mulheres solteiras, aos doentes e à devoção.  

A exposição de Mazzilli está em cartaz no Museu Histórico Abílio Barreto- Crédito: Leandro Pereira

LP: A Exposição-Instalação Bacio|Alcova que é teu mais recente trabalho integra o evento “Nos Porões da Razão em Nome da Loucura” dos 30 anos da REFORMA PSIQUIATRICA BRASILEIRA. CAPÍTULO MINEIRO no Casarão do MUSEU HISTÓRICO ABÍLIO BARRETO (MHAB) com a curadoria de Augusto Nunes Filho. Um traço marcante do teu recente trabalho é a relação intimidade/publicidade caracterizado pela exibição de elementos pessoais do feminino como calcinhas, soutiens, espartilhos bordados como metáforas desconcertantes que retratam de forma singular o universo da mulher. Lingeries na alcova e bacias no pátio: qual foi o ponto de partida para esta criação e como o público feminino tem reagido?
DM: O conceito que permeou este diálogo do meu trabalho com a exposição dos 30 anos da reforma psiquiátrica no Brasil, que começou aqui em Minas, foi a partir da camisa de força e do quarto do louco com o espartilho e a alcova da mulher. Ela retrata a exclusão do louco e da mulher na nossa sociedade que, mesmo sofrendo mudanças, ainda continua pelos grandes sertões afora, por determinadas culturas aqui e no resto do mundo. Do feminino da alcova fizemos um contraponto com as bacias no pátio que repetem o corte e dobra do trabalho de Amílcar de Castro enquanto revelam a passagem do privado para o público. É uma exposição que trata de questões bem universais como o preconceito, a intolerância e a liberdade no sentido mais amplo. Espero que as mulheres se reconheçam ali, ao denunciar o que historicamente foi feito com elas. E que também reflitam sobre o aprisionamento estético a que se submetem em nome da beleza, que é a nova camisa de força do mundo contemporâneo: botox, lipos, cirurgias plásticas, etc.  

LP: Como você define a loucura e o que os loucos e as mulheres têm em comum?
DM:
Loucura é falta de razão como é conhecida por nós. Na verdade o louco, agora chamado de portador de sofrimento mental, termo politicamente correto, possui uma outra lógica, um outro funcionamento psíquico. O que há em comum entre a loucura e o feminino é que ambos estão sujeitos a desregramentos, à transgressão, à subversão, escapam do cerceamento, do enquadramento, da lógica vigente. E isto é maravilhoso, pois obriga a sociedade, o mundo, a repensar seus valores e a si próprio. Veja por exemplo um filme do Almodóvar ou de Fellini, onde o feminino e a loucura, a desrazão, se fazem presentes.  

Um dos destaques da mostra – Crédito: Leandro Pereira

LP: Quando e como surgiu este fascínio pelo universo da mulher e suas complexidades?
DM:
Da minha vida. As mulheres sempre foram muito mais interessantes que os homens. Tem semitons, são desdobráveis. Apontam para o desejo de uma forma sinuosa, enviesada.   

LP: Algumas das tuas peças causam forte impacto sobre a emoção das pessoas fazendo com que homens e mulheres saiam das galerias tocados e muitas vezes em choque ao simples contato visual de algum objeto. Você tem noção do poder que tua arte exerce sobre o público?
DM:
Tenho o relato de monitores sobre pessoas que sentiram-se mal em exposições, tiveram crise de choro, descontrole emocional. Já pude também observar isto dentro de sala de aula quando levava os meus trabalhos. Eu trabalho muito com o estranho familiar, com a estética do inconsciente, com o tempo e a memória. E também gosto da teatralidade na hora da apresentação do objeto. Então uma exposição minha de certa forma obriga a pessoa a se entregar ao material exposto, ainda que ela não queira. Ela é fisgada por algo que não sabe bem nomear e que é da ordem do inconsciente, ou por lembranças várias que a obrigam a se deparar com determinados conteúdos subjetivos. Como diria Clarice, ela pescou a entrelinha. Alguns artistas fazem isto de forma muito contundente com o público como Louise Bourgeois, Farnese de Andrade, Joseph Cornell. Lembram o que a humanidade gostaria de esquecer.

 

Outros objetos na exposição de Mazzilli - Crédito: Leandro Pereira

 LP: As artes plásticas no Brasil atual são tidas como uma arte elitista, no sentido de que a maior parte da população não tem suporte intelectual para compreender sua natureza sutil e complexa e, no entanto, seus trabalhos são apreciados por um público diverso proveniente de todas as classes sociais. O que você acha que está mudando na cabeça das pessoas?
DM:
Eu não tenho a pretensão de mudar algo nas pessoas e se é esta a função do artista. Mas procuro com o meu trabalho tocar o ser naquele que ele tem de mais íntimo e, por isso, universal. Se o outro vai mudar, melhor. E como lido com objetos familiares, do cotidiano, todos, mesmo as pessoas de menor formação intelectual, sempre tem algo a dizer sobre o que vê, seja uma calçola, um penico, um faqueiro ou uma bala. Meu trabalho não é excludente, embora tenha ali embutido nele, muitas vezes um conceito sofisticadíssimo que dialoga perfeitamente com a sociologia, a psicanálise, a filosofia, a semiótica e por aí vai. E é nesta hora que percebo a força dele, quando a faxineira pára para observar, o pedreiro, o pintor de paredes, nas vésperas do vernissage. 

LP: Só o prazer nos salva da loucura (Hélio Pelegrino). Como você define a loucura e de que modo o prazer estético que a arte proporciona pode libertas as pessoas de seus males psíquicos?
DM:
Eu penso que nada, nem a arte, traz salvação. Se o prazer trouxesse a redenção, as pessoas liberadas sexualmente, dadas a gula e outras transgressões capitais seriam mais felizes, o que não corresponde ao que se vê por aí. Muitas vezes o prazer vem associado à morte, ao que chamamos de gozo, à repetição, à compulsão. E também há o prazer em não ter prazer. As coisas não são tão simples assim. Não acho que a arte liberta ninguém de nada. Pode no máximo dar vazão a expressão do artista e esvaziá-lo por certo tempo. 

A mostra de Mazzilli estará em cartaz até 21 de fevereiro – Crédito: Leandro Pereira

LP: Existe algum, dentre teus muitos trabalhos, que você gosta mais?
DM:
Sim. “O que me Completa”, Lar, Doce Lar”, “Regras e Balas” são trabalhos muito fortes conceitualmente e que o público gosta muito e eu também.    

LP: Fontes disseram ao nosso blog que você pretende um dia abordar a temática do universo masculino? Você confirma essa informação?
DM:
Sim. Ainda quero fazer uma série em que me refira ao universo masculino, assim como penso também numa série sobre o universo pop, da sociedade de consumo. Mas não sei quando ainda. No meu próximo trabalho, depois desta série de bacias, devo voltar a bidimensionalidade onde retomo o tecido, bordando bandeiras que são pontas de peças com marca de origem do fabricante, característica do tecido, como ex: puro linho irlandês, 100 % algodão etc. 

LP: Domingos Mazzilli, o Blog da Comunicação agradece o tempo dedicado a esta entrevista. Nós te desejamos um 2010 de saúde e muito sucesso!
DM:
Obrigado pela atenção e um feliz 2010 para todos vocês e seus leitores.   

INFORMAÇÃO
Nos Porões da Razão em Nome da Loucura
De:
28 de novembro de 2009 a 21 de feveriro de 2010.
Horário: de terça a domingo, de 10h às 17h e quinta de 10h às 21h.
Local: Museu Histórico Abílio Barreto, Av. Prudente de Morais, 202, Cidade Jardim, Belo Horizonte (MG).

ROUPA SUJA SE LAVA EM CASARÃO HISTÓRICO
“A exposição nos porões da razão em nome da loucura, com curadoria de Augusto Nunes-Filho, traz a instalação bacio e a exposição alcova do artista plástico Mazzilli. Ela comemora os 30 anos da Reforma Psiquiátrica Brasileira: Capítulo Mineiro, que se deu em Belo Horizonte em 1979″.

set 2009 01

por Leandro Alves
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Vênus e Cupido - Crédito: Reprodução
Vênus e Cupido – Crédito: Reprodução

A mitologia grega nos relata de um deus chamado Cupido. Um deus-menino com voz afável, cabelos encaracolados, o mais temido de todos os deuses. Cupido esconde malícia nos gestos pueris de uma criança, ou melhor, de um lobo que se esconde na pele de um cordeiro. Ele é detentor de uma força que faz com que todos os seres se sintam irremediavelmente atraídos uns pelos outros.

Não se sabe ainda hoje quem é seu pai, mas muitos poetas aceitam por lhe dar Vênus por mãe. É natural que Cupido seja filho da beleza. Muitos acham tal história fantasiosa. Uma mera veleidade do povo grego. Ainda que o fosse, as lendas gregas não perderiam seu prestígio uma vez que são influentes na cultura ocidental, em especial na medicina: quem nunca ouviu falar em complexo de Édipo, doenças venéreas? Hipócrates, médico grego, é considerado por muitos o pai da medicina. Seus escritos ainda são estudados. Foi ele, por exemplo, que disse que as condições de saúde de um povo estão ligadas ao seu ambiente de vida, seus hábitos e costumes. Freud ressalta dois potenciais do ser humano: o do progresso e o da autodestruição: Eros e Tânatos. Tânatos deus da morte; Eros deus do amor, Eros, Cupido.

Eros é Cupido adulto, amigo de Antero. Cupido é sua forma astuta. Pueril. Guri algoz, com uma flecha no arco. Olhos postos nas suas vítimas. Cupido antes de Antero não crescia, preocupada Vênus conseguiu que ele fosse seu amigo. Entretanto, quando era abandonado voltava à infância. Ou seja, o amor precisa ser recíproco.

Então, onde está o Cupido? Teria sido morto por Júpiter? Ou vitimado por Zeus? Tentei mandar um e-mail para Vênus, mas me lembrei de que ela está sem veloxs, em vão busquei a ajuda de Antero, mas há muitos anos ele não fala comigo, porque brigamos. A clínica do Dr. Hipócrates está lotada, além da consulta ser cara, ele não atende pelo SUS. Procurei Cupido exaustivamente por todo mês de abril, sem êxito. Para o bem das divindades e dos que têm medo do amor, resolvi então o dá-lo por morto.

Foi quando, em fim, encontrei-o. Circunstâncias estranhas. Momento inoportuno. Estava eu a ler poesias no Recanto quando, de repente…

” Ai, meu grito foi ensurdecedor, minha carne se esvaía em sangue, debruçado diante do computador, balbuciei umas poucas palavras:
” Por onde entraste?
” Pela janela.
” Estás vestido. Quem te viu, quem te vê, heim guri!?
” Estou com frio.
” De onde vens?
” Do sul.
” Porto Alegre?
” Não.
” Morro Reuter.
” Não.
” De onde, então?
” Bagé.
” Tens notícia do Analista, ou da Lindaura?
” Sumiram. Estás doente, tchê?
” Por que falas tchê, se não és gaúcho e sim grego?!
” Por que tu, se és mineiro?
” É… É…
“Bom, queres café?
“Não
“Cachaça?
” Estou sem apetite.

Ainda zonzo, com o guri do meu lado. Me pus a ollhar para o computador. Um artigo, li de uma sentada. O texto era sobre os festivais gaúchos. A autora, muito jovem. Linda. Foi quando li o nome de sua cidade de origem que entendi tudo:”Bagé”. E que ternura me domou neste momento. A mim, homem.

“Guri, disse para meu hóspede.
” Que é?
” Estás a serviço de quem?
“Ninguém.
“Por que me flechaste?
“Para matar as saudades.
Louco, desvairado. Este guri não tem mesmo jeito.
“Tu me feriste a pedido da guria?
“Humm Humm.
” Olha, Leandro, a conversa tá boa, tu és muito hospitaleiro. Mas preciso ir.
“Insisto, por que tu, se és grego?
” Adeus.
“Vais para o sul? Leva-me contigo.
“Não, vou dar uma passadinha no Paraná.

Juro, Cupido estava gélido de frio, com casaco de couro gaúcho, além de uma cuia com chimarrão. Sinceramente, não sei o que veio fazer por estas bandas. O que sei é que esteve em minha casa. Era noite. Partiu sem dizer pra onde.

Desde então, me dedico a mandar mensagens para o sul. E-mails diários, repletos de um afeto que nunca acaba. Ao contrário, cresce, cresce e se renova a cada dia. A guria responde com carinho a todos. Sou agora teu gurizinho, ela minha guria. Imagino-a de gorro, numa lareira. De mãos dadas com este poeta. Lendo histórias: Pedro Nava, Capote, Dyonélio Machado… E é com saudade no peito, um afã por nosso encontro e uma imensa ternura nos olhos que encerro este conto. Sei que quando Deus faz duas pessoas cruzarem o mesmo caminho, sobretudo quando elas têm afinidades não é por acaso. Ele tem um plano. E bendito seja este plano!

Este conto não visa expressar nenhuma opinião religiosa, social ou política!

É pra ti, guria que adoro!. É baseado na mitologia grega. Extraí do site mundo dos filósofos a história do cupido, fantasiando sobre ela.

ago 2009 21

por Leandro Alves
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Suzanna Lubrano durante show em Angola - Crédito: Divulgação
Suzanna Lubrano durante show em Angola – Crédito: Divulgação

A cantora cabo-verdiana Suzanna Lubrano fará um show no dia 5 de setembro, sábado, em Belo Horizonte no espaço Hard Rock Café que fica na Rua Senador Milton Campos, 155, Nova Lima, Belo Horizonte (MG). O show propriamente começará às 19h30, depois do qual os presentes são convidados a permanecer para curtir uma das baladas mais animadas de Belo Horizonte. Ás 16h os DJS do ZoukMania e convidados aquecerão os motores da moçada ao som do zouk creóle e da música africana.

Suzanna Lubrano é jovem, belíssima e uma das melhores vozes da música africana e tem cinco discos gravados: 1997 – Sem Bó Nes Mund (Kings Records), 1999 – Fofó (Kings Records), 2003 – Tudo Pa Bo (Kings Records), 2008 – Saida (Mass Appeal Entertainment/Vidisco e 2009 – Festa Mascarado. É vencedora do premio Kora Awards 2003, pelo qual foi contemplada com o troféu de melhor artista africana. Residente na Holanda a cantora esbanja pretigio, energia, talento e beleza.

O local também merece destaque. Decorado ao estilo Rocking Roll serve o melhor da cozinha americana e está presente em diversas cidades do mundo. Da varanda o freqüentador pode ter uma vista panorâmica de toda a cidade de nova lima. A faixa etária é de pessoas entre 22 e 30 anos. O preço é aproximadamente R$ 20,00.

O Zouk é um estilo que surgiu no Caribe e acredita-se que sua base é proveniente do mundo árabe. É cantado em criolé, uma mistura de francês com idiomas africanos. No Brasil o ritmo sofreu influências da lambada e é dançando transferindo o peso nos tempos musicas intercalando com giros de cabeça e movimentos lentos e sensuais.

Quem estiver no sábado do Hard Rock Café terá a oportunidade de conhecer um ambiente luxuoso, uma dança apaixonante ao som de uma das mulheres mais belas e talentosas do mundo e interagir com uma gente linda e que é sinônimo de alegria e descontração.

Veja abaixo um clipe da música “Festa Mascarado” de Suzanna Lubrano

Imagem de Amostra do You Tube

Fonte e pesquisa: Embaixada de Cabo Verde no Brasil e Studio de Dança Airton Araújo.

ago 2009 17

por Leandro Alves
entretenimento@blogdacomunicacao.com.br

” A canção impressiona pela forma com que ela elabora o carinho e sua importância vital na vida de todo e qualquer ser humano”

O cantor Guilherme Arantes - Crédito: Planeta Guilherme Arantes
O cantor Guilherme Arantes – Crédito: Planeta Guilherme Arantes

Guilherme Arantes é um grande nome da MPB e responsável por um número imensurável de trilhas sonoras que fazem parte da marca pessoal de muitos de nós. Guilherme é poeta, cantor, instrumentista e transita muito em todas essas categorias. Sabe escrever, canta divinamente bem e consegue casar como ninguém letra e melodia. E todos nós sabemos que não é tão simples assim. No samba, por exemplo, os músicos lidam com sentimentos complexos como dor, traição, tristeza, exclusão com tanto bom humor que chego a ficar perplexo com o sorriso de algumas pessoas embaladas por canções como “Essa moça ta diferente” de Chico Buarque ou “Com que roupa” de Noel Rosa. Guilherme, muito pelo contrário, entrelaça poesia e música fazendo a gente levitar e deixando nossa alma leve e entregue.

A minha canção predileta do Guilherme é “Labirinto” e foi gravada pelo MPB-4 no disco “40 anos contra a corrente” em 2005 pela Universal Music. A canção impressiona pela forma com que ela elabora o carinho e sua importância vital na vida de todo e qualquer ser humano. Veja:

Quero a sua mão no meu cabelo
Que é pra desembaraçar meu pensamento
Quero respirar o teu perfume
Que é pra descongestionar meu peito…

A mão no cabelo para “desembaraçar o pensamento” me remete a uma frase do escritor e psiquiatra Hélio Pellegrino que diz “Só o prazer nos salva da loucura” porque o prazer só é possivel através do relacionamento entre duas pessoas. A mão no cabelo nos livra de pensamentos emaranhados que vão nos consumindo e adoecendo aos poucos como complexos de superioridade ou inferioridade, sentimento de menos valia, incapacidade, ódio, rancores e toda sorte de fantasmas que fazem com que a gente se isole numa ilha de solidão. Já o respirar o “perfume para descongestionar o peito me faz lembrar da inalação hospitalar que é feita em crianças com o peito cheio quando estão com bronquite. Desculpem a comparação, mas os sentimentos ruins incomodam do mesmo jeito e também não nos deixam respirar em paz. O cheiro do outro, por sua vez, é indispensável para o surgimento da paixão e a prova disso está nos chamados feromônios sexuais que fazem com que um ser humano se atraia pelo outro. Os feromônios são substâncias químicas exaladas por nós através dos poros da pele que fazem com que a gente reconheça sexualmente os nossos parceiros. Leio agora no site “Guia sexual do amante” que os gregos persistem com o costume de levar um pano entre as axilas e oferecer às damas que pretendem convidar para um baile e que Henique III, duque da Anjou, se apaixonou pela princesa Marie de Clèves depois de cheirar uma camisa encharcada de suor que ela acabava de tirar.

O amor é um sentimento tão difícil de explicar
É um labirinto

Só pode a cada dia complicar
Cada dia melhorar
É um labirinto
Seu código é a frequência do olhar

Relacionamento humano é difícil mesmo. Requer renúncia, aceitação do outro como um ser imperfeito e incapaz de nos preencher totalmente. Pior: complicado mesmo é aceitar que o desejo do outro é flutuante, como diz Affonso de Romano de Sant’anna, e não se deixa apreender. Isso implica dizer que nunca se sabe até quando o amor pode durar. Por último cito o artigo “Pegação evolutiva”, de Alessandro Loiola que fala da regra geral dos 3 segundos que afirma que a troca de olhares e o início de uma paquera. Pergunto: por que não um grande amor? Dá-lhe Guilherme Arantes!

Código do amor
Frequência do olhar

Para ouvir a música “Labirinto”, clique aqui.

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