out 2011 30

Por Leandro Lopes
entretenimentoecultura@blogdacomunicacao.com.br

Quem esteve na sala Lima Barreto do Centro Cultural São Paulo na tarde do último sábado, 29, prestigiando a 35º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo foi convidado a refletir as complexidades do sistema político brasileiro através do Making Of do filme de maior sucesso da história do cinema nacional: Tropa de Elite 2 – O inimigo agora é outro, 2010, dirigido por José Padilha.

Nas 736 salas de cinema em que o filme de Padilha foi exibido, 11 milhões de espectadores assistiram a um longa que diferente de seu precursor, preocupa-se mais com as bastidores da política brasileira que com a atuação dos policiais. Tropa de Elite 2 é passagem sem volta à realidade do sistema brasileiro e aos meandros dos acordos com os quais, de fato, se faz política neste país.

Cena de Tropa de Elite 2 - Crédito: Reprodução

O Making Of dessa produção, dirigido por Alexandre Lima, é ainda mais contundente em suas críticas. Os depoimentos de Wagner Moura, de membros da equipe técnica, do elenco principal e, é claro, do diretor José Padilha, dão ao longa os ingredientes necessários para atuar junto ao público como um soco de realidade; uma mostra indigesta dos bastidores dos gabinetes brasileiros.

Além de elucidar o conflito político, Lima trabalha todas as peculiaridades e desafios que a produção de um filme dessa magnitude exige. Por detrás das câmeras de Tropa de Elite 2, nota-se todo o aparato técnico envolvido e o trabalho que a equipe precisa por em prática em harmonia para que nada saia em desacordo ao planejado. O papel do diretor, aliás, na personificação de José Padilha, em sua minúcia de obrigatoriedades e decisões fica explícito no envolvimento dele com todas as atividades acerca da realização direta ou indireta das filmagens.

Os cinéfilos certamente tiram proveito do longa de Alexandre Lima, uma vez que sentem-se participantes da produção de Tropa de Elite 2 e entendem os motivos pelos quais o filme saiu como saiu. Por alguns instantes, aliás, é provável que o espectador sinta a tensão dos bastidores de um longa-metragem. Por esse motivo faz-se obrigatória aos fãs da saga, assistir também ao Making Of promovido nessa Mostra de Cinema; até para que se tenha certeza de que o filme é mesmo o que mostra ser.

@falecomleandro

jul 2011 14

por Leandro Lopes
educacao@blogdacomunicacao.com.br

“Art. 1º Os agentes públicos eleitos para os Poderes Executivo e Legislativo federais, estaduais, municipais e do Distrito Federal são obrigados a matricular seus filhos e demais dependentes em escolas públicas de educação básica”.

“Art. 2º Esta Lei deverá estar em vigor em todo o Brasil até, no máximo, 1º de janeiro de 2014.”

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É com esse texto que o senador Cristovam Buarque do PDT pretendia chamar a atenção dos governantes brasileiros para a precária situação da educação em nosso país. São apenas dois artigos. Dois parágrafos que revolucionariam a educação brasileira; revolucionariam. A disposição é inconstitucional na medida em que obriga os agentes públicos a escolher a escola pública em detrimento da privada, tirando-lhes, portanto, a opção de escolha. Além é claro, de prejudicar de forma ímpar as instituições privadas de ensino – que nada tem a ver com o problema educacional brasileiro.

A inconstitucionalidade do projeto não impede, porém, que ele seja discutido de forma aberta na sociedade. Não impede que grandes veículos de comunicação acompanhem a educação básica da mesma forma que acompanham o futebol. Até porque o futebol não está imune de falcatruas aqui e acolá (muito pelo contrário, diga-se de passagem). Enfrentei dificuldade para encontrar material relativo a esse projeto de lei em grandes veículos da imprensa brasileira. Blogs e redes sociais estão recheados com a polêmica proposta; grandes jornais ou emissoras, nem tanto.

Acredito que esteja claro para todos que chegou a hora de discutirmos um projeto em favor da educação. Um projeto de âmbito nacional. A opinião publica também é responsável; necessita de mobilização. Tal qual a mobilização por Ganso e Neymar na seleção; porque prioridades são prioridades.

@falecomleandro

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O projeto de lei na íntegra.

Parecer do relator Romeu Tuma.

Acompanhe o projeto.

jul 2011 06

Por Leandro Lopes
esportes@blogdacomunicacao.com.br

Ronaldinho Gaúcho recebe £ 416.000,00 por mês – segundo pubicação da Futebol Finance – e com tão vasta quantia ocupa o posto de jogador mais bem pago do mercado futebolístico do Brasil.

Convertendo essa simples mais-valia à nossa moeda, o ex-garoto prodígio do Grêmio recebe religiosamente ao quinto dia de cada mês, R$ 941.324,80. O camisa dez do Flamengo tem o 46º maior salário do futebol mundial. Falta-lhe muito dinheiro para acompanhar Cristiano Ronaldo e seus £ 1.000.000,00.

Segundo pesquisa da FGV o salário médio de um profissional de medicina graduado que atua no Brasil é de R$ 6.705,82. Ronaldo Gaúcho recebe aproximadamente 140 vezes mais que um médico brasileiro.

Ainda de acordo com a mesma pesquisa realizada pela FGV, entre os profissionais somente graduados (sem pós ou mestrado) o médico tem em média o maior salário. Então vale ressaltar que o jogador do Flamengo recebe 140 vezes mais que um dos profissionais mais bem pagos desse país.

O salário mínimo no Brasil é de R$ 545,00.

É considerada abaixo da linha da pobreza qualquer pessoa que receba menos de R$ 70,00 por mês. Atualmente residem no Brasil 16,27 milhões de pessoas nessa situação; dessas, 4,8 milhões sem rendimento algum – números do IBGE.

As cartas estão na mesa.

@falecomleandro

IBGEFGVFutebol Finance

jun 2011 15

Por Leandro Lopes
esportes@blogdacomunicacao.com.br

Passo precisamente quatro horas do meu dia no trânsito de São Paulo. Leio livros, artigos e estudo textos para me preparar para o mercado de trabalho.

Sou obrigado a encarar – e sem reclamar muito – os aumentos no transporte público, a falta de segurança nas ruas, a educação de baixa qualidade e casos de corrupção ou enriquecimento ilícito aqui e acolá.

No começo de cada ano pago as mesmas contas de sempre… IPTU, IPVA, material escolar, matrícula… Não tenho isenção de impostos para me estimular a enrijecer a economia. Não, jamais terei isenção de impostos. Aliás, o Imposto de Renda me devora se eu não o decifrar.

Mas eu sou um brasileiro nato. Esqueço tudo isso aos domingos. Aos domingos eu vejo futebol.  Não me interessa mais nada. Eu só vejo futebol. Sou um idiota.

O problema, amigos… É que eu vejo coisas assim no futebol:

gângster – Integrante de um grupo de malfeitores, bandidos organizados em grandes cidades. Indivíduo sem escrúpulos, capaz de qualquer recurso para obter o que deseja.

@falecomleandro

jun 2011 08

Por Leandro Lopes
esportes@blogdacomunicacao.com.br

Ricardo Teixeira não fala com a imprensa desde que a rede inglesa de televisão BBC exibiu documentário – http://migre.me/50JKS – denunciando possíveis falcatruas envolvendo cifras e outras pessoas importantes; uma delas, João Havelange.

Fala no lugar de Teixeira o diretor de comunicação da CBF, Rodrigo Paiva. Entre as declarações dadas ao repórter Cosme Rimoli – http://migre.me/50IuZ -, Paiva disse que a Copa pode ser realizada sem a cidade de São Paulo.

A capital mais rica do país perdeu o centro de imprensa e os jogos da Copa das Confederações.  A ameaça agora é perder a Copa.

Paiva usa como exemplo as cidades de Nova Iorque e Tokyo que ficaram de fora das Copas de 1994 e 2002 respectivamente.

Os hotéis que se prepararam à época do anuncio da Copa no Brasil, as pessoas que se programaram para receber os visitantes de todo o mundo, os estudantes que ingressaram em cursos de idiomas visando melhores oportunidades com o evento. Essas pessoas são prejudicadas. A CBF não.

Paiva culpa o São Paulo Futebol Clube pelo atraso da cidade. Diz que a organização da Copa perdeu tempo demais com o Morumbi.

Torcedor, não se engane. Eles não estão preocupados com vitórias ou derrotas.

Imagem de Amostra do You Tube

Andrew Jennings resumiu bem o caso. Vergonha, Brasil. Brasil.

@falecomleandro

mai 2011 31

Por Leandro Lopes
blog@blogdacomunicacao.com.br

Criança palestina chora em funeral de parentes na Faixa de Gaza após ataque israelense no início de 2009 – Crédito: Fady Adwan/Propaimages

Mortos e feridos. O Oriente Médio é a bomba atômica do mundo. A qualquer minuto, no próximo talvez, uma explosão vem acompanhada de corpos e dor; dor não só física, mas também espiritual. Explorar a tristeza de pessoas é como caminhar em ovos. É preciso tomar cuidado com o caminho escolhido. O confronto deixa marcas na carne e na sociedade; em formas de sangue e destruição. Mais uma luta sem nome e em nome de nada. O escritor é um contador de histórias. Ataca os detalhes e as especificidades de determinado acontecimento com a mesma precisão que um médico cirurgião ou um piloto de corridas tem em uma operação ou numa curva em alta velocidade.

José Saramago é um exímio piloto. Um cirurgião que já entrou pra história. Do confronto israelense, Saramago diz que: “Vivendo sob as trevas do Holocausto e esperando ser perdoado por tudo o que fazem em nome do que eles sofreram parece-me ser abusivo. Eles não aprenderam nada com o sofrimento dos seus pais e avós”. Nessa ótica o conflito passa a ter um nome. Vingança. Em nome da vingança mais mortes. Lutamos pela paz armados de guerra.

Se vis pacem para bellum”.

O conflito não exige vencedor ou perdedor. Exige trégua. Claro que tudo isso é uma visão eufemista. Este utópico autor sabe que o confronto é muito mais amplo, envolve outros jogos de interesse e muito dinheiro. Não custa sonhar, custa? “Viver a custa do Holocausto é abusivo” – Saramago completa seu pensamento e resume o confronto em uma palavra. Abusivo. É isso que os cirurgiões fazem. É assim que os pilotos conduzem as máquinas.

O abuso do Holocausto e o abuso da “resposta” trazem ao confronto – com o perdão do trocadilho – um número abusivo de mortes. A situação calamitosa, o medo e o terror das pessoas. Vítimas – essas sim – sem nome. Não há limites para a crueldade humana. Aprendemos essa lição dia após dia, guerra após guerra. Em nome da paz, é claro. E isso me conforta, ou supostamente devia confortar.

“Nós podemos comparar (a situação palestina) com o que aconteceu em Auschwitz.”.

Negar a insanidade da guerra é como negar a existência do Holocausto. Pessoas morreram por uma causa que a humanidade criou. Um motivo. Saramago expõe os motivos e condena. Perdoa quem sofreu, mas não perdoa quem faz sofrer. O caminho é mesmo esse. Um exímio escritor dedica seu talento aos pesares do conflito. Realmente a guerra envolve todas as instâncias da sociedade…

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