ago 2010 05

por Natália Gaion
politica@blogdacomunicacao.com.br

Foi dada a largada para uma nova fase da campanha eleitoral de 2010: hoje é dia do primeiro debate televisivo entre os principais candidatos à presidência da República. Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio Arruda Sampaio (PSOL) irão se enfrentar na tela da Band, às 22h.

O debate terá cinco blocos e será mediado pelo jornalista Ricardo Boechat. Durante duas horas, os candidatos poderão fazer perguntas entre si e responderão a questionamentos de profissionais da emissora. A emissora excluiu os outros cinco candidatos, cujos partidos não têm representação no Congresso, baseada na legislação eleitoral.

Por ser o primeiro debate desta eleição há grande chances de ter um tom de campanha eleitoral, já que há quem espere pelo por este momento para começar a pensar ou até mesmo decidir em quem votar. Neste sentido, é sabido a importância que tem o encontro.

Imagem do debate da Band das eleições municipais de São Paulo, em 2008 – Crédito: Estadão

A troca de ideias na TV já decidiu eleições no Brasil e no mundo. No entanto, o debate na TV já mudou bastante desde 1989, quando foi realizada a primeira eleição direta para presidente após a ditadura militar. O diretor nacional de jornalismo do Grupo Bandeirantes, Fernando Mitre, afirmou que, desde 1989 até os dias de hoje, o eleitor passou a desejar, durante debates, mais informações sobre o programa de governo dos candidatos. “O estilo dos debates mudou muito nestes anos, porque o telespectador mudou. Antigamente ganhava quem era mais agressivo, mais irônico, mais cruel com o adversário. Hoje, é necessário tomar cuidado com a agressividade, senão o candidato ganha o debate, mas perde voto”, disse Mitre, em entrevista exclusiva ao eBand.

Assim, o horário eleitoral gratuito na TV, que inicia dia 17 de agosto, será uma segunda fase da campanha na TV e já tem ordem de veiculação estipulada. De acordo com sorteio feito pelo Tribunal Superior Eleitoral: o primeiro a aparecer na telinha será José Serra (PSDB). Na seqüência virão Plínio Sampaio (PSOL), Rui Pimenta (PCO), Zé Maria (PSTU), Dilma Rousseff (PT), José Eymael (PSDC), Levy Fidelix (PRTB), Marina Silva (PV) e Ivan Pinheiro (PCB).

No segundo dia, os últimos no sorteio serão os primeiros a aparecer, seguindo a alternância, conforme a lei. As propagandas dos candidatos serão exibidas às terças, quintas e sábados, em dois blocos diários de 20 minutos.

jan 2009 23

 

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por Natália Gaion

natalia@blogdacomunicacao.com.br

O YouTube e a Orquestra Sinfônica de Londres tiveram a brilhante idéia de criar a primeira orquestra sinfônica on-line, a Orquestra Sinfônica do YouTube. O concurso é destinado a qualquer músico interessado em participar, amador ou profissional, de qualquer idade e de qualquer lugar do mundo, basta apenas submeter dois vídeos ao Youtube (o primeiro, onde o candidato executa a Heróica, do compositor Tan Dun e o segundo, que testa o talento de cada um a partir da execução de um trecho de uma lista de obras clássicas).

À frente deste concurso estão também o Carnegie Hall de Nova York, anfiteatro mais conceituado no espaço artístico, o compositor Tan Dun, conhecido pela composição da trilha do filme O Tigre e o Dragão e da música de entrega das medalhas dos Jogos Olímpicos de Pequim e o regente Michael Tilson Thomas, da Sinfônica de São Francisco.

O concurso recebe os vídeos até o dia 28 de janeiro. Dos candidatos inscritos serão selecionados 200 finalistas escolhidos por jurados das sinfônicas de Londres e Sidney e das filarmônicas de Berlim, São Francisco e Nova York e também pelos jurados internautas.

A segunda etapa da seleção ocorrerá nos dias 14 e 22 de fevereiro, onde serão selecionados cerca de 80 músicos para a estréia da Orquestra Sinfônica do YouTube, no Carnegie Hall em Nova York em 15 de abril de 2009.

Acesse e confira: http://br.youtube.com/symphony

dez 2008 12

por Natália Gaion*
blog@blogdacomunicacao.com.br

Foi aprovado, na última terça-feira, na sessão Plenária da Assembléia Legislativa Gaúcha, por unanimidade, o projeto de lei que assegura a meia-entrada em atividades culturais aos estudantes matriculados em estabelecimentos de ensino regular e jovens de até 15 anos. O projeto de autoria do deputado Raul Carrion (PCdoB) foi aperfeiçoado por um substitutivo construído pelos deputados Carrion, Paulo Odone (PPS) e Edson Brum (PMDB).

A Lei assegura aos estudantes matriculados em estabelecimentos de ensino regular o direito ao pagamento de meia-entrada em atividades culturais e esportivas, tais como espetáculos cinematográficos, teatrais, musicais, circenses, jogos esportivos e similares no Estado do Rio Grande do Sul. Serão beneficiados por esta Lei os estudantes matriculados em estabelecimentos públicos ou particulares de ensino fundamental, médio, superior, de pós-graduação “lato sensu” e “stricto sensu”, de cursos técnicos, pré-vestibulares e de ensino de jovens e adultos, devidamente autorizados a funcionar na forma da legislação vigente. Os beneficiados devem portar a Carteira de Identificação Estudantil – CIE, que deverá ser apresentada no ato da compra do ingresso e no momento do acesso do beneficiário aos locais onde se realizem as atividades.

Parece uma anomalia, mas é a realidade do estudante do RS, não temos um benefício básico com esse. A meia-entrada estudantil não deve ser só vista como um benefício, mas também como um complemento educacional. A educação deve ser tratada de forma mais abrangente, temos que não só nos preocupar com os bancos escolares e o cumprimento da grade curricular, mas nos atermos a formação integral do cidadão.

O Deputado autor do projeto defende que a juventude de hoje se encontra exposta à violência e ao consumo de drogas, sendo que o acesso dos jovens aos bens culturais e ao esporte são, comprovadamente, formas de afastar os jovens do contato com a marginalidade.

Acredito que essa iniciativa possa ser um importante sistema de incentivo à arte, à cultura e ao esporte, através da formação de um público cativo nas salas de exibição dos espetáculos cinematográficos, teatrais e esportivos.

Agora nos resta apenas esperar pela aprovação da governadora Yeda Crusius, que tem 90 dias para o fazer. Vamos torcer para que o básico seja feito.

* Natália Gaion é jornalista e colunista especial de cultura e entretenimento do Blog da Comunicação.

dez 2008 05

por Natália Gaion *
blog@blogdacomunicacao.com.br

Se no quadro “Central da Periferia”, apresentado por Regina Casé, no programa “Fantástico”, da Rede Globo, podemos notar uma ascensão da chamada inclusão digital nas favelas do Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, etc, através de Lan Houses, por outro lado podemos notar que essa inclusão, de certa forma, e por inúmeros motivos, dos quais não vou me abster, está se desvirtualizando.

Não digo isso à toa, pois o Yahoo! Brasil divulgou essa semana a lista de termos e assuntos mais pesquisados na ferramenta de busca do site, no período de janeiro a novembro deste ano. Confesso que quando vi a chamada da matéria fiquei muito curiosa, pois sabia que me surpreenderia. E não é que foi muito além das minhas expectativas…

No primeiro lugar do ranking está nada mais, nada menos do que o queridinho da Rede Globo, o reality-show Big Brother Brasil 8, que mesmo tendo sido exibido apenas no inicio do ano foi o assunto mais buscado no site ao logo de 2008. Seguidos, vêm os termos Olimpíadas, Oscar 2008 e células tronco – até aqui está ótimo, o pior vem agora: Mulher Melância, Isabella Nardoni e Amy Winehouse. E finalmente, dengue, Barack Obama e portabilidade numérica. Além deste resumo, o site divulgou que as pesquisas mais realizadas trazem temas variados, de entretenimento, celebridades e TV.

Ao terminar de analisar a lista de divulgação do site me perguntei que tipo de inclusão digital estamos implantando para que o povo brasileiro se interesse tanto pela vida alheia, porque não adianta apenas rogarmos pela democratização do acesso e inclusão digital sem critérios, sem prestarmos atenção se essa inclusão esta promovendo os efeitos desejados. Afinal, incluir digitalmente não é apenas ensinar o bê-a-bá da informática a uma pessoa (ou pessoas), mas também ensiná-las como usufruir desse suporte para melhorar as suas condições de vida, melhorar os quadros sociais a partir do manuseio dos computadores.

E no entanto, o que podemos ver nesta lista divulgada pelo Yahoo! é exatamente o problema da questão do inclusão digital: a desvirtualização da utilização do meio digital. O propósito da inclusão está se executando de maneira errônea. O cenário que estamos vivenciando é o oposto. Muitas pessoas já estão alfabetizadas no que definimos como “informatiquês”, porém, infelizmente, ainda não estão utilizando essa ferramenta valiosa do meio digital para um desenvolvimento pessoal e social.

A própria Regina Casé aponta o problema, mesmo não tendo a intenção de criticar, quando deu uma entrevista à “Folha Online”  dizendo que em suas andanças por favelas brasileiras percebeu que as Lan Houses se tornaram espécies de pracinhas modernas, que servem de ponto de encontro para diversão – ressaltando que o MSN, Orkut e jogos lideram a preferência dos usuários.

É sabido que o Yahoo! é um dentre diversos sites de informação e entretenimento, mas eu acredito que através dele já podemos tirar por base o que povo brasileiro tem se interessado, e a partir daí nos preocuparmos de fato em como levaremos isso adiante.

Reprodução

O BBB foi o mais buscado no site do Yahoo! - Crédito: Reprodução

* Natália Gaion, é jornalista e colunista especial de entretenimento & cultura do Blog da Comunicação.

nov 2008 28

por Natália Gaion *
blog@blogdacomunicacao.com.br

Para estrear minha coluna no Blog da Comunicação acredito que não há reflexão melhor se não o objetivo de escrever.

Ocorre que em Porto Alegre existe todo ano, nessa mesma época, a Feira do Livro, o que é muito genial, pois a capital se transforma em um ponto de cultura. É visitada por muita gente do interior e também de fora do Estado. Além de expositores, livreiros, barraquinhas de pipocas, stands de veículos de comunicação, existe também eventos extras como teatros, palestras, etc. E foi em um dos eventos da feira que presenciei um bate-papo com o escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano. Era uma espécie de entrevista aberta para o público. Foi incrível, ele é incrível! Nesse bate-papo ele lançou o seu novo livro “Espelhos: Uma história quase universal” e, melhor, ele leu trechos de algumas das histórias que compõem o livro.

O conjunto em si foi perfeito: a pessoa, sua composição e sua leitura. Tamanho foi o sucesso do evento que ao sair de lá fui obrigada a comprar o tal livro.

O livro, explica o autor, conta alguns episódios da aventura humana no mundo, do ponto de vista dos que não apareceram na fotografia, sob a ótica dos desvalidos, dos esquecidos da história oficial. São cerca de 600 histórias breves que proporcionam ao leitor viajar através de todos os mapas e de todos os tempos, sem limites, sem fronteiras. Escrito em tom de crônica poética, traz um inquietante panorama de acontecimentos e de transformações do mundo, misturando o passado e o presente.

Cito aqui uma das histórias que não só me chamou muita atenção, como me fez refletir sobre essa “coisa” que jornalista acha que sabe fazer muito bem e sobre a nossa função de informar, de comunicar para todos.

“Escrever não
Uns cinco mil anos antes de Champollion, o deus Thot viajou a Tebas e ofereceu a Thamus, rei do Egito, a arte de escrever. Explicou aqueles hieróglifos, e disse que a escrita era o melhor remédio para curar a memória ruim e a pouca sabedoria.
O rei recusou o presente:
- Memória? Sabedoria? Esse invento produzirá o esquecimento. A sabedoria está na verdade, e não em sua aparência. Não se pode recordar com memória alheia. Os homens registrarão, mas não recordarão. Repetirão, mas não viverão. Serão informados, mas não saberão.”

Admito que após ler este conto me senti como se tivesse levado um tapa na cara, mas no fundo acho que é disso mesmo que estamos precisando. Devemos lembrar que nossa profissão nos permite fazer tudo que Galeano citou no texto: registrar, repetir, informar, mas não somos os donos da verdade e não podemos esquecer que por traz de cada “história que contamos” há um ser, uma vida, uma memória.

Infelizmente nosso mercado profissional tem se esgotado cada vez mais e a cada dia com profissionais mais despreocupados com o que realmente o jornalismo deve ser, profissionais que muito pouco se interessam pela sociedade e com as conseqüências que nossa profissão pode trazer.

Por isso, registro aqui minha preocupação pelo jornalismo e os convido a refletirem sobre isso.

Natália Gaion é jornalista e colunista especial de entretenimento&cultura do Blog da Comunicação.