BRASIL NO OLHO DO FURACÃO1
Escrito por Editores | Postado em Editorial | Tags: BGC, crise Honduras, Editorial BGC, Itamaraty, Manuel Zelaya
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- Bagunça: Zelaya (de chapéu ao centro), está tumultuando a embaixada brasileira em Honduras – Crédito: AP
Há uma semana o Brasil foi surpreendido em Honduras, país que passa por uma crise política. O presidente deposto Manuel Zelaya apareceu na porta da embaixada brasileira em Tegucigalpa com a família e alguns simpatizantes. Como é lei internacional acatar um asilo político de um governante deposto, o único diplomata brasileiro no local, Fernando Catunda (após o golpe de estado em Honduras, o Brasil retirou seu embaixador local), teve que acolher Zelaya. Após o governo golpista tomar ciência que o presidente deposto estava no país e na embaixada do Brasil, soldados e policiais correram para isolar o prédio de simpatizantes, que já se aglomeravam nas proximidades da embaixada. O Itamaraty e o presidente Lula se posicionaram a favor de Zelaya.
Mel, apelido de Zelaya, aproveitou a oportunidade para se manifestar e assanhar seus simpatizantes. O governo golpista reprimiu os opositores e declarou toque de recolher na capital. Nestes quase 10 dias de cerco, a embaixada brasileira já sofreu de tudo. Falta de água, luz, alimentos, locais para dormir e até uma bomba de gás que caiu no quintal do edifício. O presidente golpista Roberto Micheletti já deu declarações fortes e ameaçou invadir a embaixada brasileira. Por enquanto, Zelaya e mais de 60 pessoas seguem no prédio, ilhados.
A crise política em Honduras parece estar longe do fim. A constituição do país proíbe a reeleição e Manuel Zelaya tentou realizar um plebiscito para mudá-la. Sem dúvida, visava um modo para se perpetuar no poder aos moldes de Hugo Chavéz, seu grande mentor. Esferas da sociedade hondurenha (elite, militares e Igrejas) não aceitaram e derrubaram o presidente, que teve que fugir. As eleições presidenciais marcadas para 29 de novembro se aproximam e podem ser a salvação para o término da crise. O governo golpista já afirmou que é apenas transitório e que vai entregar o cargo para o próximo presidente eleito de maneira democrática. Já Zelaya condena a eleição e tumultua o ambiente.
A bomba, prestes a explodir, está nas mãos do Brasil. A embaixada agiu certo em acudir o presidente deposto, mas porque dezenas de simpatizantes também puderam entrar? Zelaya está se mostrando um convidado bem folgado. Está transformando o local em seu Quartel Geral e não está respeitando a soberania do Brasil, tirando vantagem da situação para objetivo próprio. O Itamaraty agora precisa preservar sua embaixada, tecnicamente seu território. Além disso, precisa tomar uma decisão urgentemente para se sair bem desta confusão. Caso contrário terá fracassado no teste de fogo para se tornar o líder da América Latina.
James Freitas e Guilherme Freitas
Editores e Idealizadores do Blog da Comunicação
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Considero a iniciativa do governo brasileiro correta e oportuna, de consequencias imprevisiveis, mas corajosa e necessária. O Brasil está se tornando o que chama-se de Global Player. Sua voz começa a adquirir status que antes não possuía. Começa a ser ouvido em círculos que outrora sequer fazia parte. Se queremos assumir nosso posto de potencia emergente precisamos nos solidarizar com países em situação de fragilidade politica e fomentarmos esforços e endossarmos todas as lutas pela Democracia contra a Tirania e a opressão do mais forte sobre o mais fraco.