CARGOS COMISSIONADOS, UMA DESGRAÇA4
Escrito por Henrique Beirangê | Postado em Política | Tags: Assembléia Legislativa do DF, cargos públicos no Brasil, Henrique Beirangê, Jornal Gazeta do Povo, José Roberto Arruda, mensalão do DEM
por Henrique Beirangê
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A cena parecia surrealista. Dezenas de manifestantes se reuniram em frente à Assembléia Legislativa do Distrito Federal para defender o Governador José Arruda (DEM-DF), flagrado recebendo dinheiro vivo em um esquema de corrupção.
Toda aquela gente levantando bandeiras e gritando palavras de ordem em defesa de Arruda chega a ser repugnante. Tamanha patifaria nos indigna e nos faz questionar a que ponto a falta de auto respeito e de dignidade pode um ser humano se dispor. Trazidos em ônibus fretados, a maioria dos manifestantes eram compostos por cabos eleitorais de Arruda, muitos dos quais ocupam cargos públicos em sua “administração”. Segundo jornalistas presentes no local, eles disseram que foram liberados do “trabalho” para apoiarem o governador.
A cena causa perplexidade e infelizmente não é um caso isolado. Há alguns meses atrás, Agaciel Maia, ex-diretor do Senado acusado de presidir o escândalo dos atos secretos naquela casa, fora aplaudido de pé pelos “funcionários” do Senado quando de sua saída.
Estima-se que haja em torno de 600 mil cargos públicos no Brasil ocupados por não concursados, entre cargos de confiança e terceirizados. Para se ter uma idéia do tamanho da excrescência, países como Alemanha e França não possuem mais do que 500 pessoas em todo o país exercendo atividades deste tipo. Na Inglaterra não passa de 300. Nos Estados Unidos, que possuem uma máquina administrativa muito maior que a brasileira, são cerca de 9 mil.
Cargos comissionados no Brasil são sinônimos de moeda de troca em barganhas políticas de toda natureza. Aqui, a estrutura de Estado se fundou em caracteres patrimonialistas que impedem e dificultam a separação do público e privado. Em nossas terras o mérito, a dedicação, a capacidade intelectual e técnica, muitas vezes são sobrepostas por relações de compadrio e clientelistas. O famoso QI (Quem indica) é a demonstração cabal de que as relações de afeto no Brasil, facilmente se tornam incestuosas quando se trata da coisa pública.
O professor José Matias Pereira, do curso de Administração da UNB, em entrevista ao Jornal Gazeta do Povo, entende que — à exceção dos agentes políticos (ministros, secretários estaduais e municipais), que são necessários — os cargos de confiança geram distorções no funcionamento do Poder Público. Segundo Pereira, a livre contratação traz ineficiência para a administração pública, além de aumentar as chances de corrupção. “Eles não têm compromisso com a máquina pública, diferente do que ocorre com os concursados.”
Ou se acaba com os cargos comissionados e ocupações desta natureza, ou esse parasitismo dentro do Estado acaba com o Brasil.

Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora com extensão em Jornalismo Econômico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente faz pós-graduação em "Brasil: Estado e Sociedade" pelo Instituto de Ciências Humanas da UFJF. Procura focar seus estudos na crítica da conduta política e econômica dos agentes públicos brasileiros.














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Olá!
Certamente, esse tipo de funcionário tem uma grande chance de não se comprometer plenamente com o que os clientes (a população) deseja e necessita. Embora existam muitos que exercem as suas atividades com o máximo empenho e dedicação.
Abraços
Francisco Castro
Cargos público muitas vezes causam esse tipo de atitude, embora não condene totalmente os manifestantes, já que é possível que haja no meio deles alguns partidários de Arruda. Em uma democracia, todos tem o direito de emitir suas opiniões. Não podemos esquecer que no mensalão do PT muita gente também se colocou ao lado do partido, mesmo com provas, assim como esse escândalo. Mesmo assim, as provas são fatais para a condenação de Arruda e não há nada que faça com que alguém defenda o governador do DF.
Sou funcionário público,sei muito bem que este fato é a mais absoluta verdade,estes cargos comissionados são uma desgraça,tanto para o serviço público quanto para nós funcionários concursados que ficamos a mercê dos caprichos destas figuras que aparecem do nada, mudam tudo e depois somem.