ago 2010 24

por Júnior Batista
economia@blogdacomunicacao.com.br

A Petrobras, é reconhecida nacional e internacionalmente por ser uma das maiores empresas do mundo, entretanto vem registrando queda em suas ações na Bolsa. Ela é uma empresa de capital aberto, ou seja, é mantida não por um dono específico, e sim por várias ações. Ontem, o valor da Bolsa da Petrobras caiu US$ 56,2 bilhões (28,2%). O valor de mercado da estatal passou de US$ 199,3 bilhões para US$ 143,1 bilhões – o valor de mercado representa o quanto a empresa está “valendo” naquele momento, e não o seu preço real, no caso da estatal, representa o valor que um investidor pagaria caso fosse possível comprar todas as suas ações.

Logo da Petrobras – Crédito: Reprodução

Além disso, a Petrobras aparece como a segunda empresa mundial com maiores perdas de valor de mercado. E adivinha quem é a primeira com maiores perdas? A Microsoft de Bill Gates, acredite se quiser. Ela viu sua empresa perder US$ 60,5 bilhões do seu valor de mercado ao longo deste ano.

Veja a tabela disponibilizada no UOL, clicando aqui. Até o dia 30 de Setembro, deve ser realizada a capitalização da Petrobras, que vai definir a quanto os Barris de Petróleo devem ser vendidos. Segundo o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, o prazo será cumprido.

ago 2010 10

NOVAS CÉDULAS DO REAL34

Escrito por Natália Christofari | Postado em Economia | Tags: , , ,

por Natália Christofari

economia@blogdacomunicacao.com.br

As novas cédulas do Real começaram a ser produzidas na sexta-feira passada e as primeiras a circular serão as notas de R$ 20 e R$ 50 a partir de novembro. As demais cédulas, R$ 10 e R$ 20 deverão ser produzidas em 2011 e as de R$ 2 e R$ 5, em 2012.

 Apresentadas pelo Banco Central em fevereiro, as notas mantêm as mesmas cores e os animais das cédulas antigas, mas mudam de tamanho, para facilitar a identificação por deficientes visuais.

De acordo com o BC, as cédulas antigas serão recolhidas conforme apresentarem desgastes e assim, serão recolhidas aos poucos.

Curiosidade

Além da produção das cédulas, a Casa da Moeda tem em sua linha de produção cartões telefônicos, passaportes inteligentes e selos portais e fiscais. O investimento no maquinário, que começou em 2009, gira em torno de R$ 350 milhões. A Casa da Moeda poderá disputar concorrência para fabricar as novas carteiras de identidade com chip eletrônico, além de produzir cartões de crédito e débito a partir de 2011.

Lucro

As previsões de lucro giram em torno de R$ 390 milhões em dezembro deste ano e o aumento de 53% no faturamento, de R$1,5 bilhão em 2009, para R$ 2,3 bilhões em 2010.

O que nos resta é aguardar as novas notas, e as novas previsões de produção da Casa da Moeda.

Fonte: Jornal O Globo

jul 2010 20

Até quando amigos leitores? Até quando?

Você pode estranhar um texto sobre a Copa do Mundo, classificado como um texto sobre Economia. Após a leitura, questione-se novamente caro leitor…

Por Leandro Lopes
economia@blogdacomunicacao.com.br

Mês de julho, o Brasil termina melancolicamente sua participação em mais uma Copa do Mundo, o nome do novo técnico está prestes a ser anunciado e a expectativa para o evento que aqui se realizará em 2014 é enorme. A última, aliás, é a que merece (ao menos mereceria) mais cuidado. As obras para a próxima Copa do Mundo serão majoritariamente pagas por mim e por você. Serão pagas pelos impostos que nossa sociedade tem o dever de pagar.

Com o nosso dinheiro serão feitas obras de infraestrutura, transporte público, reforma de aeroportos e em algumas sedes, a construção de novas arenas. Inútil dizer que o dinheiro investido nesse projeto poderia ser melhor empregado em saúde pública e educação, por exemplo, posição esta, aliás, adotada por muitas pessoas das quais conversei sobre o assunto. Inútil também, que se diga que a Copa do Mundo deixará legados e benefícios à população brasileira, tais quais os que se esperam nos aeroportos, portos e transporte público.

Nove, das doze arenas esportivas no Brasil, serão reformadas ou construídas com dinheiro público. Segundo reportagem da Carta Capital, a Associação Brasileira de Infraestrutura fez um levantamento ano passado que estima em 100 bilhões de reais a conta de 2014. Gostaria de lembrá-los, que em 2007, os investimentos do Pan Americano realizado no Rio de Janeiro, foram orçados inicialmente em 400 milhões de reais e finalizados em mais de 4 bilhões de reais, um aumento significativo.

Retomando, o órgão responsável pela organização da Copa de 2014 é o COL – Comitê Organizador Local –. Serão eles que chefiarão e opinarão a cerca de todas as obras para o evento. Até então, nenhuma novidade em relação as demais Copas, porém, no Brasil, o Comitê é formado por apenas seis pessoas, todas elas aliadas à um homem: Ricardo Teixeira. Ainda como exclusividade nossa, o COL “brasileiro” não conta com nenhum representante do poder público e dentre os outros cinco integrantes do Comitê: “Outro absurdo é a composição do COL, no qual apenas cinco pessoas apitam além de Teixeira: sua filha e mais quatro parceiros de longa data.” – declaração de Eduardo Rocha Azevedo, ex-presidente do Bovespa e um dos fundadores do movimento denominado TT, que ele mesmo explica: “Tira Teixeira. Não dá mais para confiar nessa dinastia que se perpetua no poder há mais de 50 anos.”

O "Poderoso Chefão".

Em 2014 Ricardo Teixeira completará 25 anos no comando da presidência na CBF. Por melhor que seja a administração e em qualquer que seja a área, acredito eu que renovar é preciso. Aliás, o excelentíssimo senhor Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, compartilha da mesma opinião que este humilde blogueiro que vos escreve: “Eu não posso falar da CBF porque é uma entidade particular e eu não posso votar, não posso dar palpite. Eu acho que se a CBF adotasse o que eu adotei quando era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, a cada oito anos a gente trocava a direção da CBF. No Sindicato a gente trocava.” – declarou Lula.

No dia anterior a esta declaração de Lula, portanto em 5 de julho, Ricardo Teixeira comunicava que a seleção brasileira de futebol passaria por uma grande renovação. Jogadores novos, técnico novo e mentalidade nova após a Copa. Menos no comando, obviamente. Por falar em Copa do Mundo, o presidente do COL Ricardo Teixeira, que já foi indiciado por 13 crimes em CPIs do futebol, foi condenado em 2001 por sonegação fiscal pela 22ª Vara Federal do Rio de Janeiro, pelo ocorrido em 1994, quando na volta da delegação tetra campeã, Teixeira teria tentado entra no país sem passar as bagagens da delegação pela alfândega. Os ficais encontraram 13 toneladas de produtos importados. O episódio ficou conhecido como “voo da muamba”.

Recentes desafetos de Ricardo Teixeira vem sentindo o grande desafio que é enfrentá-lo. O atual presidente do São Paulo Futebol Clube, Juvenal Juvêncio, recebeu (junto ao clube que comanda) duros golpes da entidade máxima do futebol brasileiro. Ontem, por exemplo, a CBF anunciou a antecipação da janela de transferências de jogadores vindos do exterior, diferente do que havia dito em comunicado à imprensa no dia 12 de julho. O São Paulo FC é semifinalista da Copa Libertadores da América e enfrentará o Internacional – RS que terá condições de inscrever seus reforços a tempo para o duelo, fato duramente criticado pela mídia em geral. Com definição de “caráter excepcional” a CBF de Ricardo Teixeira, conseguiu junto à FIFA de seu amigo pessoal Joseph Blatter, a autorização para a antecipação, coincidentemente ou não, atrapalhando seu desafeto, Juvenal Juvêncio.

Existem opiniões espalhadas pela mídia esportiva em geral, que a rusga entre Juvenal Juvêncio e Ricardo Teixeira teria inclusive afastado o estádio Cicero Pompeu de Toledo, o Morumbi, da Copa de 2014, como se sabe a arena pertence ao São Paulo Futebol Clube de Juvenal Juvêncio. A arena, duramente criticada pelo secretário geral da entidade – e também amigo pessoal de Ricardo Teixeira – Jérôme Valcke, por enquanto, é descartada do Mundial, mesmo contando com apoio de autoridades públicas brasileiras. Autoridades como o presidente Lula, o atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab e o atual governador de São Paulo, Alberto Goldman.

Recentemente, foi divulgada a notícia de que a ONG Contas Abertas, será responsável por representar a mim e a você, fiscalizando as contas destinadas à 2014, fato este que não nos exime da responsabilidade de sermos ainda assim, um olho a mais, afinal, é nosso dinheiro.

Assim a Copa do Mundo de 2014 promete mexer com a Economia, a infraestrutura, a sociedade, a política e com todos os envolvidos no projeto, ou seja, nós, brasileiros. Até lá, Teixeira continuará sendo presidente da CBF, e diga-se de passagem, continuará sendo por quanto tempo achar necessário (dizem os rumores até 2015, quando tentará o cargo de presidente da FIFA), já que mesmo com a notória desaprovação de Lula, Ricardo continuará no cargo, porque como o próprio presidente afirmou, ele nada pode fazer. Caso o governo de qualquer país, se envolva nos casos futebolísticos, a FIFA tem o poder de punir e suspender esse país de qualquer competição, ou seja meus amigos, se o governo brasileiro tentasse participar ou opinar nessa situação toda, bastaria um telefonema entre os amigos Teixeira e Blatter para que tudo voltasse ao “normal”.

É muito chato para os amantes de futebol perceber que uma Copa do Mundo é mais recheada de dribles e marcação fora dos campos, do que dentro deles. O nobre esporte bretão tem dono amigos. Mais de um até. E com certeza, não somos nós.

Fonte: Carta Capital.

De olho em tudo isso e com certo nojo.

Abraço,

Leandro Lopes
@falecomleandro
fomrspring.me

jun 2010 09

Por Henrique Torres

economia@blogdacomunicacao.com.br

Poucos são os que realmente entendem de economia. Por isso são poucos os verdadeiramente aptos para discutir sobre isso. Mesmo assim podemos fazer juízos sobre o que acontece na economia deste país, e tentar entender porque algumas ações são tomadas. A ascensão econômica pela qual o Brasil vem passando na era Lula é notória; o Brasil saiu das sombras para os holofotes do prestigio econômico internacional. Ainda não somos “grandes”, mas estamos em vias de ser.

Embora estejamos no caminho certo, e principalmente, andando rápido por este caminho, pisamos pela segunda vez no freio este ano. Grosso modo, a alta dos juros mais uma vez foi a medida utilizada.  A questão é controversa, e por ser controversa é difícil para os mais precavidos e menos entendidos de economia, dizer se o aumento é bom ou ruim. Vamos então às razões da controvérsia.

A Selic representa a média que o governo paga em juros aos bancos credores. Quando ela está alta os bancos correm para emprestar dinheiro ao governo, para com isso lucrarem mais. Deste modo, os empréstimos à população em geral ficam mais caros por que há menos dinheiro disponível. Isso afeta diretamente o crédito de maneira geral, isto é, cartão de crédito, cheque especial, crediário, compras à prazo e etc. Este é o maior impacto que a população recebe: ela perde o estímulo para as compras à prazo, que ficam mais caras.

Por outro lado o risco de inflação fica controlado, isto é, a produção não corre o risco de ser superada pelo consumo, e assim sendo, os preços não correm o risco de atingir níveis estelares. Este é o resultado imediato deste freio ao consumo. Mas ainda é necessário acrescentar um outro fator decorrente deste segundo.

Até quando durará o medo dos falsos fantasmas? - Crédito: Divulgação.

Aumentando os juros se impede que a população consuma de modo desenfreado, e com isso se diminui o risco de inflação. Contudo, se não tem gente consumindo não tem gente vendendo. E nisso as empresas ficam prejudicadas e o Brasil dá um “pause” na economia. Além disso, se as empresas não crescem alguns indicadores crescem em contrapartida. O desemprego é um deles.

Vale acrescentar que com os juros altos o Brasil é alvo de especuladores estrangeiros que colocam dinheiro aqui, mas que a qualquer momento podem retirá-lo. Esse tipo de investimento é completamente diverso daquele investimento estrangeiro (mais benéfico) que é feito para melhorar uma empresa, por exemplo. É de se notar também que aqueles que são donos de poupança passam a vê-las render um pouco mais, já que os bancos são obrigados a pagar uma taxa mais alta de juros pelo dinheiro que eles pegam emprestado.

De um modo bem geral são essas as influências do aumento da Selic: compra-se mais caro a prazo, não se corre o risco de inflação, a economia cresce menos e as poupanças rendem mais. Dois pontos positivos e dois negativos.  Cabe a nós pensar, em que medida este aumento é vantajoso ou prejudicial para nossa vida, e principalmente, em que medida este aumento é realmente necessário para o Brasil. Alguns vêem como acertada a decisão de aumento dos juros visando o controle da inflação. Outros vêem como um medo exagerado diante deste “fantasma” (a inflação). Particularmente, eu estou neste segundo time. Acho que o Brasil possui um medo exagerado não só do fantasma da inflação, como do fantasma do crescimento (que não é um fantasma). Ao menos a mim, este aumento passa a impressão daquele condutor iniciante que ao ver uma curva mais acentuada na estrada freia demais e chega quase a parar o carro com medo de não conseguir fazê-la. O Brasil precisa aprender a se conduzir como gente grande. Precisa adquirir a experiência dos “velhos-lobos” da economia.

Para terminar, lembro-me ainda que numa matéria da Carta Capital sobre o assunto, o colunista (André Siqueira) compara o Brasil à Salsicha e Scooby-Doo. Como se sabe, os dois fogem à menor ameaça de fantasmas, e no fim dos episódios acabam sempre descobrindo que o seu fantasma não passa de algum patife disfarçado. A comparação é assaz pertinente. O Brasil precisa parar de ver falsos fantasmas.

Ver também:

- Carta Capital (Edição de 5 de Maio de 2010) e

- http://g1.globo.com/economia-e-negocios/noticia/2010/04/entenda-como-taxa-selic-afeta-vida-do-consumidor.html

mai 2010 25

Por Leandro Lopes
economia@blogdacomunicacao.com.br

Rico – Que possui em grande quantidade, abundância, fartura, bom, agradável.
2. Muito usado para referenciar uma pessoa que tem muito dinheiro.

Quando se fala em economia, ou estudar economia, a maioria da população sempre relaciona o estudo econômico a ganhar muito dinheiro e conseguir alcançar o sentido literário da palavra rico, como demonstrado (principalmente, ou pior, unicamente, no segundo trecho) no parágrafo acima.

O ser humano tem uma grande capacidade de concentrar-se e lutar por um ideal até conquistá-lo. Nesse sentido, entramos no mundo da motivação e dos valores, que diferenciam de acordo com cultura ou conhecimento de cada individuo. O grande ponto a ser explorado nessa circunstância é a grande fixação pela busca da riqueza material.

Muito provavelmente o nobre leitor já ouviu falar que quando deixarmos este mundo e, por conseguinte, sairmos do mundo material (no sentido químico de matéria) deixaremos neste planeta toda nossa riqueza material para próximas gerações.

Desde os tempos de Aristóteles e Platão, a busca pela felicidade é o maior objetivo de todas as pessoas. Ainda não tive noticias de alguém que veio a este mundo e não buscou a felicidade. Para alguns de nós, essa busca é constantemente confundida com a busca por bens.

Estar em uma luta incessante por bens faz do ser humano um mero instrumento econômico, um motor que ajuda a aquecer a roda da economia, e de alguma forma isso é bom, porém, por diversas vezes nos distancia do mundo ou do sentido de felicidade que foi ensinado a nós (provavelmente) por nossos pais, ou professores.

Esquecemos da riqueza de ser criança?

Quando somos crianças, aprendemos que a felicidade reside em pintar o céu de vermelho ou comer um algodão doce dado pelo palhaço que nos faz rir enquanto caminhamos. Quando crescemos e deixamos de nos preocupar com a cor do céu, grande parte da população passa a entender como felicidade um carro na garagem, uma casa na praia e uma televisão de LCD. Nada de condenável nesta atitude, porém, quase que instantaneamente, a pessoa que consegue comprar estes itens de luxo, por assim dizer, passa a lutar por um iate, uma lancha e possivelmente um carro sport para passeios.

A qualidade de vida anda paralela com a felicidade. Ter ou não dinheiro suficiente para comprar o iate e a lancha podem fazer de alguém um comprador de potencial maior do que eu ou você. Não o fará mais rico. O primeiro sentido da palavra rico, ou seja, abundante, pode ser empregado em abundância na harmonia em família, abundância no lazer em coisas simples, abundância de conhecimento… Logo, considero-me rico.

A economia também visa estudar a qualidade de vida das pessoas e qualidade de vida NÃO está relacionada à quantidade de bens materiais que você possui. Qualidade de vida está relacionada à viver bem com as condições que você tem e saber lutar para melhorar essas condições e possibilitar melhores armas para a luta que é ser feliz.

Definitivamente eu sou rico, e você?

De olho neles (e na riqueza que acham que tem).

Abraço,

Leandro Lopes.
formspring.me
@falecomleandro

mai 2010 23

Por Henrique Torres

economia@blogdacomunicacao.com.br

Grécia. Século VIII a.C. País dos grandes poetas épicos, como Hesíodo e Homero, que narravam em versos (respectivamente) as histórias do nascimento dos deuses e de heróis fantásticos como Ulisses e Aquiles, sendo este segundo, de acordo com a própria história, alguém que teria o nome gravado eternamente na memória da humanidade.

Grécia. Séculos V e IV a.C. Terra da filosofia nascente. Pátria de uma gama de filósofos que nos surpreendem com os seus problemas tão atuais ainda hoje. Dentre estes, destaque para o pai da filosofia; Sócrates. Nada mais do que o segundo homem mais influente de toda a história da civilização ocidental. Nesta mesma época, pode-se destacar a existência de um outro fato tão prodigioso quanto os anteriores: a democracia. Esta terra tão fértil deu luz à forma de governo que hoje é a consagradamente a mais “justa”.

Estas são as duas épocas mais férteis da Grécia, nelas de tudo se desenvolveu: agricultura, política, filosofia, religião, artes e por ai vai. E desta última (a arte) colho um dos exemplos mais bem sucedidos da época. O teatro. Neste vigoravam dois gêneros principais, a saber, a comédia e a tragédia, gêneros que atraiam o público ao teatro de uma forma que poucas vezes se atraiu ao longo da história.

Contudo, o mundo já deu muitas voltas desde aquela época. E para me utilizar de um dos emblemas gregos da época, eu diria que a roda da fortuna grega também deu algumas voltas. Não vou enumerar os altos e baixos da fortuna. Basta saber que hoje em dia ela anda em baixa. E as coisas não mudaram muito quanto ao gênero dramático da tragédia. O palco não mudou, mas os atores e a platéia mudaram. Diria também que aumentaram.

Manifestantes protestam em Atenas - Crédito:veja.abril.com.br

Atualmente o palco da grande tragédia ainda se dá na Grécia. Mas os atores agora são todos os gregos, e a platéia é toda a humanidade. A antiga Grécia promissora, berço da filosofia, dos grandes poemas épicos, dos grandes sistemas políticos, outrora a força que impulsionava a humanidade, é agora sua âncora. Literalmente falida, a Grécia hoje vem trazendo a baixo bolsas de valores de todo o mundo, e com elas o Euro. Sorte do Dólar. Azar da União Européia.

A Tragédia econômica grega mostra uma verdade muito simples e muito antiga do cotidiano de qualquer um. Não dá para fazer dividas e só pensar em gastar. É preciso trabalhar para pagar de volta. Chega a ser ridículo que o país onde a racionalidade nasceu tenha se comportado de maneira tão irracional. Mas é fato: os gregos foram desleixados com a administração fiscal do país e contraíram dividas sem lembrar que um dia teriam pagar. Culpados os políticos, culpado o povo. Os políticos pela condução desastrosa da economia. O povo por aplaudir com alegria os seus eleitos que prometiam o consumo sem o trabalho. Pura ignorância. A população é mais culpada do que os políticos, pois era da vontade deles este tipo de conduta econômica.

Os gregos muitas vezes comeram e não pagaram a conta. Agora o dono do restaurante não quer mais servi-los sem o pagamento de tudo o que está atrasado. O que fazer? Quatro coisas. Primeira: pagar o mais rapidamente possível o dono do restaurante (os bancos que emprestaram dinheiro para a Grécia) com o generoso empréstimo (112 bilhões de euros) do credor riquíssimo e benfeitor (FMI). Segunda: apertar o cinto e comer menos (reduzir o consumo desenfreado). Terceira: trabalhar convivendo com esta nova realidade que se impõe. Por que agora, apesar do empréstimo vir a calhar e conseguir abater até 50% da divida, ainda resta a outra metade. E quarta: agradecer a não importa quem pela sorte de poder contar com este empréstimo, por que sem ele a Grécia além da estagnação teria de conviver com a extrema pobreza. Em todo caso só resta trabalhar.

A Grécia volta a ser a grande mestra da tragédia. Mas a tragédia no decorrer dos séculos migrou da dramaturgia para a economia.

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