jan 2012 25

por Guilherme Freitas
esportes@blogdacomunicacao.com.br

Recentemente o blog Testosterona publicou um divertido post chamado “Escala Pepe de marginalidade no futebol”, tudo após mais um lance infeliz do zagueiro luso-brasileiro. Pepe, famoso por sua deslealdade em campo, pisou no argentino Messi quando este estava no chão. Foi mais uma atrocidade para o seu gordo currículo de confusões (veja mais no vídeo no fim do texto). Não entendo como um jogador destes é titular de um clube tão importante como o Real Madrid. Mas vamos falar da tal escala de marginalidade. Pepe, é claro, é hour concours, mas alguns nomes nela são questionáveis e outros foram esquecidos.

Não acho que o francês Eric Cantona deveria ter sido taxado como nível 10. Ele era um legítimo bad boy dentro de campo, mas ficou mais famoso pela famosa voadora que deu em um torcedor (agressão que lhe custou nove meses de suspensão). Seu colega dos tempos de Manchester United Roy Keane também está na lista, mas no nível 8,5. Porém discordo que ele era menos violento que Cantona. Keane era muito mais agressivo e desleal que o francês. Era comum vê-lo distribuído cotoveladas, pisões, sopapos, soladas e carrinhos nos gramados da Premier League.

A escala Pepe de marginalidade no futebol - Crédito: Blog Testosterona/Reprodução

Outro membro do nível 10 eu concordo. Nigel De Jong protagonizou o lance mais bizarro da final da Copa do Mundo de 2010 com quando acertou uma voadora no peito de Xabi Alonso, E ele também quebrou a perna de Ben Arfa, deixando o francês muitos meses longe do futebol. No nível 10 deveria estar também Marco Materazzi. O mesmo italiano que tomou a cabeçada de Zidane, mas que já agrediu de forma covarde muitos atacantes. E um nome que não está na lista do Testosterona mas deveria estar é Joey Barton, bad boy número 1 do Campeonato Inglês. Já foi preso no passado e raramente termina um jogo sem cartão ou confusão com seus adversários.

No futebol sul-americano também contesto alguns pontos. Não vejo Domingos e Mascherano como “carniceiros natos”. São caras que jogam duro, mas não são desleais no nível de Sandro Goiano ou Darzone (que deixou um adversário em coma e com sequelas após um soco), por exemplo. E Felipe Melo na minha opinião, oscila entre a maldade e o jogar de forma dura. Mas atualmente o posto jogador mais desleal do mundo é de Pepe. E ai o que acharam? Quais jogadores vocês incluiriam nesta lista.

Veja abaixo algumas cenas de Pepe:

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jan 2012 18

por Guilherme Freitas
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Depois de 18 anos um Senna[bb] voltará a pilotar um carro da Williams na Fórmula 1. Foi confirmado ontem a contratação de Bruno Senna, 28 anos, para ser o parceiro de Pastor Maldonado na escuderia inglesa para a temporada 2012. Será a terceira oportunidade de Bruno na categoria: em 2010 ele pilotou o fraco carro da Hispania e ano passado alguns Grandes Prêmios pela equipe Lotus/Renault, onde somou seus primeiros pontos na Fórmula 1. Com essa decisão ele se junta a Felipe Massa como os dois únicos brasileiros no grid de largada. A opção da Williams por Bruno deve colocar um ponto final na carreira de Rubens Barrichello, que ficará sem espaço na F1.

A escolha de Bruno pelo time de Frank Williams foi econômica. O brasileiro levará para o time mais de R$ 17 milhões em patrocínios, a maioria proveniente da OGX, empresa do bilionário Eike Batista. O empresário, aliás, já havia mencionado em seu Twitter que Senna seria titular na Williams este ano. Outras empresas que apóiam o brasileiro são a Embratel e a Procter & Gamble. Bruno acertou contrato por apenas uma temporada e espera se firmar na categoria. Em 26 Grandes Prêmios ele somou apenas dois pontos.

A semelhança entre os Sennas é impressionante - Crédito: Divulgação

Será praticamente impossível não haver comparações entre Bruno e seu ilustre tio, o tricampeão mundial Ayrton Senna. Em 1994, Ayrton se mudou para a Williams onde correu apenas três GPs. Sua trajetória na então melhor equipe da Fórmula 1 terminou de forma trágica no muro da curva Tamburello, no circuito de Ímola, onde o tricampeão perdeu a vida. A realidade que Bruno irá encontrar agora é totalmente oposta a de seu tio. Hoje a Williams é como uma Tyrell ou Leyton Orient na época de Ayrton: um time pequeno. Em 2011 somou apenas 5 pontos e em 2012 deve manter a mesma sina.

A impressionante imagem que ilustra este post é sensacional. Os dois Sennas em seus cockpits expressando o mesmo olhar. Quando olhamos para Bruno por debaixo da viseira parece que voltamos no tempo e estamos diante de um jovem Ayrton. Mas a semelhança acaba por ai, Bruno não é Ayrton e dificilmente será campeão ou vencedor como seu tio. Agora é esperar para ver o que este Senna poderá fazer em sua nova casa da Fórmula 1, a mesma que abrigou o tio há 18 anos.

jan 2012 11

por Guilherme Freitas
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Restam menos de 200 dias para o início dos Jogos Olímpicos. Daqui há sete meses as maiores estrelas do esporte mundial estarão em ação na cidade de Londres. Como amante dos esportes que sou mal posso esperar para que dêem a largada para mais uma edição dos Jogos. Mais uma vez terei a oportunidade de também cobrir as Olimpíadas, porém da redação e não presencialmente, assim como e Pequim-2008. Mas em 2016 se tudo correr bem estarei em ação como jornalista credenciado na cidade maravilhosa do Rio de Janeiro[bb].

Mas vamos ao que interessa, falar deste que é o maior evento esportivo do mundo, que reúne milhares de atletas, milhões de expectadores ao vivo e bilhões que fãs que sintonizam suas TVs, computadores, tablets, celulares e bugigangas eletrônicas para acompanhar a festa do esporte mundial que ocorre de quatro em quatro anos. Londres se preparou muito bem e está praticamente pronta para as competições. E a cidade também se preocupou com o meio ambiente e o futuro dos cidadãos, construindo arenas desmontáveis para evitar futuros elefantes brancos.

Logo do Jogos Olímpicos de Londres-2012 - Crédito: COI/Reprodução

Mas estou ansioso para poder ver os monstros do esporte em ação. Quero ver o incrível duelo entre Michael Phelps e Ryan Lochte nas piscinas, onde o novo super astro da natação tentará desafiar o maior atleta olímpico de todos os tempos. Quero ver as partidas de tênis e torcer para que Novak Djokovic, Rafael Nadal e Roger Federer duelem entre si. Estou ansioso para poder saber de Usain Bolt continuará a correr mais rápido que uma bala. Também estou na expectativa para assistir aos embates do judô, as partidas de basquete e a maratona que fecha os Jogos com alto estilo.

Quanto ao Brasil, o Comitê Olímpico Brasileiro estipulou 15 medalhas como meta. Acho que podemos superar esta marca e conquistar pelo menos 20 pódios. Talento para isso nós temos, o que falta é organização e uma política pública para desenvolver o esporte. Estarei aqui torcendo para Cesar Cielo, Maurren Maggi, Diego Hypólito, Fabiana Beltrame, Fabiana Murer, os judocas, as equipes feminina e masculina de futebol e vôlei e as duplas do vôlei de praia. E não custa sonhar com os outros, que estão próximos dos melhores do mundo e podem surpreender em Londres. Que comecem os Jogos!

Fiquem ligados no site oficial dos Jogos Olímpicos, clicando aqui.

dez 2011 19

por Guilherme Freitas
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O time do Barça comemora o título mundial - Crédito: Reuters

Um dos slogans do Barcelona é o mes que um club. Em catalão significa mais que um clube. E é isso mesmo, o Barça é muito mais que um clube. Dono do futebol mais refinado desde a seleção brasileira de 1982, o time espanhol é hoje o modelo para todos os times, técnicos e jogadores do mundo. É encantador ver como a equipe blaugrana toca a bola e se coloca no jogo. Parece que só há um time em campo. A última vítima foi o Santos na final do Mundial, implacavelmente goleado por 4 a 0.

O Santos não viu a cor da bola, ou melhor, não viu a bola. O time espanhol foi superior do pontapé inicial até o fim do jogo. Teve 71% da posse de bola e trocou 736 passes, 548 a mais que os santistas. O primeiro gol foi uma pintura, com Xavi ajeitando de calcanhar e lançando Messi, que com muita categoria encobriu com sutileza o goleiro Rafael. Depois Xavi, Fábregas e Messi de novo, já no finzinho, decretaram a vitória, ou melhor, massacre catalão.

O que ficou nítido nesta partida foi a impressionante superioridade do time espanhol ante o Santos. O Barcelona mostrou como está a frente de todos os clubes do planeta. Em uma semana venceu o supertime do Real Madrid e atropelou o Santos. A vitória do Barça confirma o abismo que existe entre o futebol brasileiro e o time espanhol. Hoje nenhum time está apto para vencer a equipe de Guardiola. E acredito que se a seleção brasileira enfrentasse Messi e companhia também tomaria uma surra.

Sou jovem, tenho ainda 25 anos. Mas posso afirmar que este é o melhor time que já vi na minha vida. Incrível como tocam a bola, atacam, defendem e encantam com perfeição. Além disso, na final contra o Santos jogaram sem nenhum atacante de ofício. E atacavam sempre. Pareciam o lendário Carrossel Holandês de Rinnus Mitchel, onde os jogadores não tinham posição fixa. Espero um dia poder ver com meus próprios olhos este timaço em ação.

FICHA DO JOGO
Barcelona 4 x 0 Santos
Árbitro: Ravshan Irmatov (Uzbequistão)
Estádio: International Stadium Yokohama, Japão
Público: 68.166 pagantes
Gols: Messi aos 16, Xavi aos 23 e Fábregas aos 45 do 1º tempo. Messi aos 37 do 2º tempo.
Barcelona: Valdés; Piqué (Mascherano), Puyol (Fontas) e Abidal; Busquets, Thiago Alcântara (Pedro), Xavi e Fábregas; Daniel Alves, Iniesta e Messi. Téc: Guardiola.
Santos: Rafael, Bruno Rodrigo, Edu Dracena e Durval; Danilo (Elano), Henrique, Arouca, PH Ganso (Ibson) e Léo; Neymar e Borges (Alan Kardec). Téc: Muricy Ramalho.

Últimos campeões
2011- Barcelona (ESP)
2010- Internazionalle (ITA)
2009- Barcelona (ESP)
2008- Manchester United (GBR)
2007- Milan (ITA)
2006- Internacional (BRA)
2005- São Paulo (BRA)
2004- Porto (POR)
2003- Boca Juniors (ARG)
2002- Real Madrid (ESP)

Confira abaixo os melhores momentos da final do Mundial de Clubes

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dez 2011 07

ADEUS DOUTOR1

Escrito por Guilherme Freitas | Postado em Esportes | Tags: , , , , , ,

por Guilherme Freitas
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No último domingo a torcida corintiana sentiu na pele dois sentimentos totalmente opostos. Comemorou a alegria de ser pela quinta vez campeão brasileiro, mas chorou a morte de um de seus jogadores mais emblemáticos e importantes de sua história, o doutor Sócrates. Dono de um futebol vistoso e refinado, o “Magrão” marcou época no Parque São Jorge liderando o movimento chamado Democracia Corintiana, onde os atletas passaram a ter mais participação e voz dentro do clube, e por fazer partidas e gols inesquecíveis para os fãs do futebol.

Tinha um biótipo estranho para um meia habilidoso, já que era magro e muito alto. Mesmo assim tinha categoria de sobra. Sua marca registrada foram os passes de calcanhar e a classe com que conduzia a bola. No Corinthians[bb] foi Campeão Paulista três vezes e é o oitavo maior artilheiro da história alvinegra. Também jogou no Flamengo, Santos, Fiorentina e Botafogo de Ribeirão Preto, clube onde iniciou e encerrou a gloriosa carreira. Na seleção brasileira integrou um dos times mais brilhantes de todos os tempos: o time da Copa do Mundo de 1982 que perdeu para a Itália. O doutor era o capitão da seleção de Telê Santana.

Sócrates (1954 - 2011) - Crédito: Reprodução

Fora dos gramados Sócrates foi reconhecido por ser um dos atletas mais politizados do país. Formado em medicina, assumiu a liderança da Democracia Corintiana ao lado de Casagrande, Wladimir e Zenon. O movimento consistia em dar aos atletas mais voz e responsabilidade no clube. Algumas decisões importantes como, por exemplo, contratações, concentração e o famoso bicho eram decididos pelo voto. O movimento alvinegro foi de vital importância para a realização de outros que aconteciam no Brasil[bb], ainda vivendo sob as leis do Regime Militar. Sócrates inclusive participou ativamente das Diretas Já, em 1984.

A morte de Sócrates era anunciada. Em 2011 o ex-jogador esteve internado três vezes, em razão de complicações de uma cirrose devido ao consumo de álcool. Uma pena que tenha se entregado ao vício da bebida, algo que nunca negou e nem fez questão de esconder. Sócrates tinha opiniões convincentes e não agradava a todos, mas era um atleta raro. Era aquele atleta que participa e discute as questões importantes para sua classe e para o país. Usava sua imagem para falar e propor melhorias ao Brasil. Infelizmente, esse tipo de esportista é raro por aqui. Descanse em paz Doutor.

nov 2011 24

por Guilherme Freitas
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No domingo acontece o último Grande Prêmio da temporada 2011 da Fórmula 1[bb]. E caberá mais uma vez ao Brasil esta honra de fechar o ano da velocidade. A temporada 2011 não foi das mais emocionantes, com Sebastian Vettel atropelando seus adversários e conquistando seu segundo título consecutivo. Mas aproveitando que estamos na semana do GP do Brasil, gostaria de perguntar a vocês caros leitores, qual GP aqui em terras tupiniquins foi o mais emocionante: o de 1991 ou o de 2008? Em ambos os casos um brasileiro venceu. No primeiro Senna, e no segundo Massa. Mas o que mais marcou nestas duas corridas foi a emoção.

Senna ergue o troféu de vencedor do GP Brasil em 1991 - Crédito: Pascal Rondeau/All Sport

No GP Brasil de 1991 o Brasil chorou, mas de alegria. Ayrton Senna já havia disputado sete corridas em casa e nunca havia vencido. Mas no ano em que conquistaria o tricampeonato, Senna foi sublime em Interlagos. Manteve a liderança durante toda a corrida e parecia que conquistaria uma vitória tranquila. Mas a situação ficou dramática quando ele perdeu todas marchas e ficou apenas com a sexta. Guiando no limite e com a pista molhada Senna[bb] mostrou toda a sua genialidade e vencer pela primeira vez no Brasil. A cena mais emocionante foi no pódio, quando esgotado fisicamente fez questão de erguer o troféu para delírio do público. Um exemplo de persistência.

Massa cai em lágrimas após o GP Brasil 2008 - Crédito: Getty Images

Já em 2008 a sensação era de tristeza, mesmo com a vitória de Felipe Massa. Largando na pole position o ferrarista liderou toda a corrida e estava fazendo a sua parte na luta pela taça. Para comemorar o título ele precisava que Hamilton fosse no máximo sexto colocado. E isso quase aconteceu até a última curva, quando o alemão Timo Glock não segurou sua Toyota no piso molhado de Interlagos e o inglês aproveitou a brecha para ultrapassá-lo. Foi por uma curva que um piloto brasileiro não saiu de Interlagos com uma vitória histórica e com um título mundial. No pódio, lágrimas de Massa para o delírio da torcida que o aplaudiu mesmo embaixo de chuva.

As duas corridas foram sensacionais e mostraram o que é um Grande Prêmio do Brasil[bb]. Emoção a flor da pele e adrenalina pura. E com chuva, algo que ocorre com frequência, é garantia na certa de uma boa corrida. Prova disso foram outros tantos GPs em Interlagos como em 1993, 2001 e 2003 por exemplo. Meu favorito é o GP de 2008, pelo drama até a última curva, mas o GP de 1991 mostrou como um ser humano pode se superar mesmo nas piores condições. Infelizmente acho que este GP será chato, como foi essa temporada toda. Mas temos o Youtube para isso. Para rever essas maravilhas da Fórmula 1.

Veja abaixo os dois Grandes Prêmios em questão: em 1991 e 2008.

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