jan 2012 27

por Guilherme Freitas
internacional@blogdacomunicacao.com.br

Chega as livrarias no início de fevereiro a autobiografia de George W. Bush[bb], o polêmico ex-presidente dos Estados Unidos. Intitulada de “Momentos de Decisão”, a obra publicada pela Editora Novo Século traz as memórias do ex-presidente durante seu mandato de oito anos à frente da mais poderosa nação do planeta e momentos de sua vida particular. Marcado pela Guerra do Iraque, Bush revela detalhes de seu governo e do dia a dia a frente da Casa Branca.

Nas páginas do livro, o ex-presidente americano buscar passar seu lado mais humano para os leitores contando também sobre problemas pessoais, como alcoolismo na juventude. Atualmente, Bush mantém o Centro Presidencial George Bush, na Southern Methodist University, em Dallas, no Texas. O local abrange um instituto político que trabalha para o avanço das iniciativas sociais e na geração de oportunidades para as mulheres em todo o mundo.

A capa do livro do ex-presidente Bush - Crédito: Editora Novo Século/Reprodução

Confira mais detalhes do livro:
Momentos de Decisão (Decisions Points)
Editora Novo Século
Tradutora: Barbara Sampaio Vieira
Páginas: 632
Preço: R$ 69,90
Formato: 16 x 23
Acabamento: Brochura
ISBN: 978-85-7679-640-4

PORQUE LER ESTE LIVRO?
Este é um livro que vale a pena ler, mesmo que você não goste ou deteste Bush. Não nutro a menor simpatia pelo ex-presidente americano. Na minha opinião ele foi um desastre durante seus oito anos de Casa Branca. Esteve totalmente perdido durante os atentados de 11 de setembro, foi lento durante o Furacão Katrina, inventou uma mentira para invadir um país e por fim, mergulhou os EUA em uma crise que dura até hoje. Mas Bush é história, e ler sobre sua vida é indispensável para quem gosta de política internacional. Quem quer saber mais sobre o mundo contemporâneo precisar ler livros como este. Estou muito interessado em ler a obra, afinal trata-se das memórias de um dos personagens mais importantes deste início de século.

jan 2012 13

por Guilherme Freitas
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A última polêmica do Governo Federal é sobre a entrada de imigrantes haitianos ilegais em território nacional. Fugindo do caos que se instalou há anos no país, esses imigrantes optaram pelo Brasil[bb] para buscar novas oportunidades de vida. E para isso, utilizam uma rota alternativa: saem do Haiti, passam pela República Dominicana, Panamá, Equador (ou Peru), Bolívia e enfim entram no território nacional via Acre. Até chegar ao Acre estes imigrantes passam por apuros com coiotes bolivianos e ainda desembolsam muito dinheiro. Dos cerca de 4 mil haitianos que entraram no país por esta rota, cerca de 2.400 estão em situação irregular. E o número de vistos solicitados não para de crescer.

O Conselho Nacional de Imigração, vinculado ao Ministério do Trabalho, aceitou a sugestão do governo de limitar os vistos para cidadãos do Haiti em 1.200 por ano. O caso rendeu polêmica, porque é a primeira vez na história que o Brasil adota tal medida anti-imigração. Visto como um país emergente e com oportunidades, o Brasil está sendo considerado um novo eldorado para os haitianos. Muitos estão vindo para cá visando melhores condições de emprego e vida e alguns estão empregados e trabalhando em empresas na região Norte e Sul. Mas a grande maioria ainda segue sem destino e futuro. E este é o problema.

Imigrantes haitianos no Acre - Crédito: Victor Augusto AE

Na minha opinião, o Brasil ainda não é potência mundial para querer abraçar todos os males do mundo. Temos milhões de pessoas vivendo na miséria ainda (o último levantamento do Censo registrou mais de 10 milhões morando em favelas). Receber imigrantes ou refugiados é sempre algo positivo e humano, mas é preciso cuidado, pois não adianta receber tantos haitianos que vivem fugindo da miséria se eles irão encontrar o mesmo por aqui, em alojamentos ruins, sem saúde, com crianças sem escolas, sem empregos, etc.

É preciso ter cautela nesta situação. O mais correto seria ajudar os haitianos a se reerguerem sozinhos, investindo e reestruturando seu país. O problema é a corrupção que atinge a ONU, os governos envolvidos na reconstrução do Haiti e algumas Ong’s que posam de bons moços e nada fazem. Não vejo este caso como xenofobia e sim como uma medida coerente do Governo. Como disse, não somos potência e antes de abraçar os problemas do mundo temos que resolver os nossos.

dez 2011 16

por Guilherme Freitas
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Primeiro foi um norueguês que saiu disparando tiros. O saldo foi de 76 mortes. Ele foi detido, julgado e passará o resto na vida num manicômio. Depois um italiano de extrema direita que abriu fogo em uma feirinha de imigrantes em Florença. Matou dois senegaleses e cometeu suicídio ao ser cercado pela polícia. E por fim, um ex-presidiário que detonou granadas e tiros no centro de Liège, na Bélgica. Matou cinco pessoas, entre elas um bebê de 17 meses, cometendo suicídio em seguida. Mas o que leva à Europa[bb] essa onda de crimes contra imigrantes e até cidadãos europeus.

Um das respostas para essa onda de violência é a crise que assola o continente. Com as economias em recessão e a falta de dinheiro, o desemprego e as dívidas cresceram. Muitos europeus tiveram que cortar alguns luxos, como jantares em restaurantes, por exemplo, para poder se adequar a nova realidade. Com isso, o desemprego também aumenta e atinge principalmente os mais jovens, que deixam a faculdade e não conseguem trabalhar na área que estudaram devido as poucas vagas. Só na Espanha, os jovens sem empregam quase atingem 40% da população.

Equipe de resgate atua na Bélgica após atentado em Liège - Crédito: ABC.net

Foi daí que surgiram fortes movimentos populares, os chamados indignados, que lotaram as ruas de Atenas, Lisboa, Madri e Paris em protestos contra a situação atual europeia. O movimento também ganhou adeptos do outro lado do Oceano Atlântico, nos Estados Unidos[bb], com o Ocupe Wall Street. Com esse descontentamento a xenofobia e o sentimento contrário a imigração afloram. Os europeus que antes viam os imigrantes como necessários no mercado de trabalho, agora passam a considerá-los como concorrentes porque muitos estão pegando o primeiro emprego que aparece.

Mas qual a solução para evitarmos problemas sociais e outros fatos lamentáveis como os citados no início deste artigo? Sinceramente, não sei. Acredito que o sistema precisa urgentemente mudar. Não dá mais para permanecer nessa situação. Atualmente poucos lucram (leia-se políticos, grandes empresários e bancos). E muita, muita gente não fica com nada. A Europa está conhecendo o lado negro do capitalismo e precisa achar uma solução para sair do buraco. Caso contrário aquele que já foi considerado o melhor lugar para se viver, será o local onde ninguém mais vai querer ficar.

dez 2011 02

por Guilherme Freitas
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E finalmente o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU) tomou uma decisão quanto ao caso da Síria. Foi aprovado nesta sexta em Genebra uma resolução contra o ditador Bashar al-Assad. O regime sírio está desde março, quando a Primavera Árabe aportou em Damasco, massacrando a população local contrária a seu governo. O Conselho condenou Assad por “grosseiras e sistemáticas” violações perpetradas pelo seu exército. Segundo a ONU já são mais de 4 mil mortos nos conflitos. A resolução é um alerta para que o Conselho de Segurança das Nações Unidas condene também o regime de Assad.

O Conselho de Direitos Humanos é composto por 47 membros. A proposta de punição a Síria foi apresentada pela União Europeia, sendo aprovada por 37 países. Seis nações se abstiveram e outras quatro votaram contra o projeto: China, Rússia, Equador e Cuba (países que normalmente não respeitam os direitos humanos). O Brasil não votou porque não é membro do Conselho, porém o Itamaraty havia apoiado anteriormente uma punição ao regime sírio. As violações citadas no processo foram execuções, torturas, abusos sexuais e crimes contra a humanidade, inclusive contra crianças.

Assad é cercado por simpatizantes - Crédito: Bassem Tellawi/AP

Um dos críticos a decisão do Conselho da ONU foi a Rússia, que votou contra a punição. Os russos consideraram a declaração como “inaceitável” e afirmaram que a aplicação dela dá brechas para uma possível intervenção militar no país, como aconteceu na Líbia. A postura russa é semelhante a da China. Ambos têm poder de veto no Conselho de Segurança e não querem ver seus rivais ocidentais ganharem espaço no plano da geopolítica internacional. A Rússia teme que a postura do Conselho possa induzir sua população a apoiar protestos contra o governo. Afinal, o país também é conhecido pelos abusos de autoritarismo e pouca liberdade de expressão.

A alta comissária das Nações Unidas para os direitos humanos, Navi Pillay, afirmou que a Síria vive uma guerra civil e que é preciso tomar sérias providências para deter Assad. Agora ela vai apresentar um relatório na próxima sessão do Conselho de Segurança, em Nova York. O brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, integrante da Comissão Internacional de Investigações sobre a Síria, disse que as forças de Assad estão massacrando os civis. “Segundo fontes confiáveis, até agora 307 crianças foram mortas pelas forças de segurança. Novembro foi o mês mais letal, com 56 crianças mortas”, declarou.

Assad segue impune, matando e banhando o solo sírio de sangue. O Conselho de Segurança da ONU, composto por Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia, deverá apoiar sanções mais pesadas contra a Síria. Não descarto uma invasão nos moldes da Líbia, com participação da controversa OTAN. Porém, muitas nações ficaram descontentes com a forma de atuação da aliança militar no país árabe e também recentemente no Paquistão. Ainda é cedo para saber o que irá acontecer, mas vejo futuro sombrio paira sobre a Síria.

nov 2011 25

por Guilherme Freitas
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No começo do ano o povo egípcio foi as ruas pedindo mudanças e democracia. Conseguiram após 18 dias de intensos protestos derrubar o ditador Hosni Mubarak, que estava no comando do país há três décadas. Após meses de indefinição política e com a junta militar ainda a frente do poder, o povo da terra dos Faraós se rebelou mais uma vez. Agora impaciente com as demoras na transição do poder que deveria ser feita pelos militares, que parecem não ter pressa alguma em implantar de fato a democracia no país. Mais uma vez as ruas foram palcos de violência e morte.

Mesmo o governo militar afirmando que as eleições presidenciais seriam adiantadas e nem a nomeação do ex-chefe de gabinete do governo Mubarak como novo premiê egípcio, Kamal Ganzouri, os ânimos não se acalmaram no Egito[bb]. Milhares de pessoas voltaram a tomar a Praça Tahrir para protestar contra o governo. Confrontos entre ambas as partes foram inevitáveis nos últimos dias e mais de 20 pessoas morreram nos protestos. Os manifestantes exigem também a saída marechal Husein Tantawi, que é o líder da junta militar que comanda o país. Ele também era um aliado fiel de Mubarak e não quer deixar o poder.

A praça Tahrir é tomada novamente por manifestantes - Crédito: Ben Curtis/AP

Foram noticiados também dois casos de agressão a jornalistas no Egito, ambas mulheres[bb]. A egípcia-americana e colunista do jornal Washington Post, Mona el-Tahawy afirmou em sua conta no twitter que foi presa, espancada e abusada sexualmente por membros do exército. Ela postou a foto da mão fraturada no microblog e foi libertada em seguida. Já a francesa Caroline Sinz, do canal de TV France 3, foi surpreendida por uma multidão de homens em meio as revoltas, sendo espancada e tendo as partes íntimas do corpo tocadas. Vale lembrar que na revolução no início do ano a americana da TV CBS, Lara Logan foi estuprada por homens que festejavam a queda de Mubarak.

É difícil prever qual será o futuro do Egito. O país africano teve êxito em depor uma longa tirania, mas mostra que nada mudou na prática. O que o povo enxerga agora é a troca de uma ditadura por outra, agora militar. A sociedade parece buscar inspiração na Turquia e quer ser uma república secular, sem misturar a religião com a política. A democracia não nasce do dia para noite. Para que ela passe a vigorar é necessário um tempo para todos, governo e sociedade se acostumarem com ela. Vai demorar ainda para o Egito resolver seus problemas e infelizmente casos de violência continuaram sendo notícias nas páginas de jornais.

nov 2011 04

por Guilherme Freitas
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Mais um capítulo da novela Israel-Irã. Desta vez a coisa esquentou de vez. Segundo rumores, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o ministro da Defesa, Ehud Barak e o presidente Shimon Peres tentam convencer parte do governo e da opinião pública para que o país ataque o Irã em breve. O motivo seria assegurar a segurança de Israel e evitar que o país persa desenvolva seu arsenal nuclear. Fontes do governo israelense afirmam que o Irã está próximo de desenvolver uma bomba atômica e que esta poderia ser lançada contra o país judeu. A maior parte da resistência para um ataque frontal está entre apoiadores do governo e os serviços secretos do Mossad e Shin Bet. Porém, 41% dos israelenses são a favor de um ataque ao Irã.

A idéia do premiê Netanyahu é bombardear instalações nucleares iranianas, porém quem é contra alega que estas encontram-se no subsolo e que este ataque não surtiria efeito. Israel afirma que o Irã[bb] desenvolve material bélico nuclear, o que o governo de Teerã nega veemente. Esta novela já se arrasta há anos e até agora ficou apenas nas acusações e bate-bocas entre os países. Porém, Israel parece estar disposto a levar a ofensiva a frente. Militares do país realizaram treinamentos de combate a uma possível ofensiva rival. O Irã por outro lado se disse sempre preparado para uma guerra e afirmou que caso ataque, Jerusalém e seus aliados sofreram “graves consequêcias”.

O premiê israelense Benjamin Netanyahu - Crédito: Elizabeth Dalziel/AP

Mas Netanyahu não pretende agir sozinho. Ele conta com o apoio dos Estados Unidos, tradicional aliado israelense. O presidente americano Barack Obama afirmou recentemente que a pressão sobre o processo nuclear iraniano deve ser mantida. Porém, existem dois fatos que podem pesar na história. De um lado os EUA estão envolvidos até o pescoço com a crise mundial e precisando economizar. Um conflito bélico agora poderia piorar o cenário econômico do país, que só no Iraque gastou mais de US$ 1 trilhão. Por outro lado, em 2012 haverá eleição presidencial e nessas horas o patriotismo fala alto. Enviar tropas para a guerra e mostrar ao mundo a força americana são táticas comuns. Bush invadiu o Iraque em 2003 e levou a eleição no ano seguinte.

Tanto o Irã, quanto Israel[bb] tem políticas exteriores agressivas. Mahmoud Ahmadinejad já disse querer varrer judeus do mapa e Israel não pensa duas vezes em retaliar ataques a seu território. Um conflito militar não envolveria apenas ambas as partes. Arrastaria para a guerra países como Estados Unidos, Reino Unido, nações mulçumanas e grupos terroristas como Hamas e Hezbollah, ligados ao Irã. E é iminente não pensar que armas nucleares seriam utilizadas por ambos os lados. Acredito que dizer que esta é a possibilidade de uma III Guerra Mundial, como já li em vários artigos, é um exagero. Porém, grandes guerras começam assim. Espero que esta tensão fique só na ameaça. Uma nova guerra seria desnecessária para o mundo.

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