ago 2011 12

Por Renata de Tullio Monteiro

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Em 1945, na peça “Entre Quatro Paredes”, o filósofo existencialista francês Jean Paul-Sartre perpetuou uma de suas mais famosas frases, que até hoje retumba de maneira perturbadora: “O inferno são os outros”.   Não me arrisco a interpretá-la, mas penso que é exatamente disso que trata o filme argentino “O Homem ao Lado” (2009), de Mariano Cohn e Gastón Duprat.

A trama é minimalista e, no primeiro momento, pouco interessante. Leonardo, um designer renomado e encerrado no seu mundo de trabalho e sucesso, vive com a esposa e filha em uma moderna residência, desenhada pelo arquiteto suíço Le Corbusier.  Marteladas provindas de uma reforma na casa ao lado dão início ao drama intrigante e bem humorado, que gira em torno de um rombo que o vizinho Vítor – um sujeito meio brutamontes – fez na parede de sua casa, com vista para a sala de Leonardo.

Como o morador da mansão mais conceituada e popular da cidade de La Plata, em Buenos Aires, poderia ficar tão incomodado com a sua exposição ao novo vizinho, de personalidade rústica e um tanto vulgar? Para Leonardo, o buraco na parede foi também um orifício em sua vida.  Ao longo do filme, fica claro que o incômodo não provém da perda de privacidade exatamente, mas da exposição de uma personalidade frágil e insegura, geralmente travestida de bem-estar, fama e bom gosto.  O que sustentava seu sofrimento era o fato de que suas futilidades, inseguranças e seu modo convencional de levar a vida estavam ali: entregues e vulneráveis.

Com filmagens que parecem um tanto amadoras, dando a sensação de proximidade entre o espectador e as personagens, o filme transcorre entre discussões, pensamentos e introspecções provocadas pelo buraco na parede. Mas o desfecho da trama tem um efeito perturbador: são longos minutos de silêncio e vazio, com uma cena paralisada, que hipnotiza.

Não há nada de inovador no filme, nem atuações excepcionais, nem profundos jogos de psicologia. Há apenas uma identificação súbita do público com uma briga de vizinhos, além um final incômodo e taciturno.  Daqueles que demoram a sair da cabeça e fazem a gente ir embora do cinema discutindo, querendo contar e recomendar para todo mundo.

Clique aqui para assistir ao trailer do filme no YouTube.

Cartaz do premiado filme argentino "O Homem ao Lado".

ago 2011 05

por Priscilla Aloi
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Poster do filme “Os Smurfs” – Crédito: Reprodução

Isso mesmo! Recomendo aos leitores de plantão a irem ao cinema e se divertir com o filme: “Os Smurfs”, que teve a pré-estreia hoje nos cinemas. A versão em 3D é sensacional, pois logo no início do filme você tem a sensação que está caindo de um penhasco. A história das figurinhas azuis sai do mundo da imaginação para interagir com o mundo real, inclusive com o Gargamel indo para Nova York[bb].

Preste atenção nos Smurfs em cima do táxi, e ao fundo, a propaganda do grupo Blue Man (uma grande sacada de marketing). O enredo é divertido e trabalha o lado pessoal e profissional de um casal, e claro a luta dos Smurfs contra o Gargamel. A trilha sonora é a tradicional canção dos Smurfs, lá, lá, lá, lá, lá…

Então não perca tempo e corra ao cinema mais próximo!

Imagem de Amostra do You Tube

ago 2011 05

Por Renata de Tullio Monteiro

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Um dos destinos mais charmosos e cheios de glamour da América do Sul, Punta del Este, no Uruguay, me mostrou nesse inverno o seu lado silencioso e nostálgico.

À espera de dias mais quentes, a cidade assiste o impiedoso frio uruguaio com resignação.  Os poucos visitantes, em sua maioria brasileiros e argentinos, que gostam do deserto puntaesteño desfrutam da despovoada cidade, que parece ter uma aura de lembrança do último verão.

A sensação é de que há uma memória coletiva no ar: das músicas altas nos carros importados, dos artistas famosos desfilando na região de José Ignácio, das roupas de marca, das mansões esbanjando festas, da cidade acontecendo. Mas, basta esfregar os olhos para voltar à realidade e perceber que continuamos na deserta Punta, cujo frio é seco e ensolarado, à noite os semáforos são desligados, o único shopping carece de consumidores e as janelas das casas e edifícios mais luxuosos estão fechadas.

É interessante assistir esse lado saudoso de uma cidade tão Top. O profundo silêncio que grita em Punta durante os meses mais frios faz a gente olhar para dentro de nós mesmos. Almejamos tanto o que há de mais luxuoso, movimentado e, de repente, nos vemos entregues aos momentos de vazio e inércia, que justamente nos revelam nossas peculiaridades, belezas escondidas.

Em minha opinião, Punta del Este é esplêndida no inverno e recomendo a visita. Porque, vazia, permite ser admirada em sua totalidade, em sua essência. Um lugar pouco turístico que merece ser conhecido nessa época do ano é a região campestre. Há vinhedos que compõem paisagens incríveis, além de restaurantes rústicos, de pedra e lareira, que servem saborosos pratos.

Tive a oportunidade de visitar um clube de chácaras chamado PuebloMio, onde geralmente se “escondem” os milionários mais discretos. Além desse passeio alternativo, tudo o que é cartão-postal também precisa ser visto: La Barra, José Ignácio (vale comer no restaurante mais “in” de lá: La Huella), a península, a praia brava e a mansa, entre outros pontos turísticos.

Quanto à gastronomia, os peixes e frutos do mar dominam a região e são deliciosos.  Junto com um vinho uruguaio, eles temperam com muito mais charme o inverno puntaesteño.

La Mano: o cartão-postal de Punta del Este, a espera de turistas. Crédito: Divulgação
jul 2011 08

por Isaque Criscuolo

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O mundo pop é conhecido por ser superficial e efêmero. Inúmeras cantoras e cantores passam pelo grande palco desse mundo para desaparecer repentinamente, assim como surgiram. Enquanto isso, outros se habilitam a entrar para história desse mundo de memória falha, como Madonna, e conseguem conquistar o seu espaço. Stefani Germanotta nasceu para o mundo pop em 2008, quando seu primeiro álbum, The Fame, tomou as paradas de sucesso e as atenções do universo da música. Desde então, a cantora vem conquistando espaço e provando que nasceu para fazer o que faz. Sim, ela nasceu assim. Você provavelmente a conhece, mas por outro nome. O emblemático: Lady Gaga.

Se existem tantas figuras no mundo pop, todas buscando seus minutinhos de fama, por qual motivo Lady Gaga chama tanta atenção? Como será que a recente estrela do pop consegue se manter em alta, ganhar as manchetes dos tablóides e ainda ter uma legião de fãs? São perguntas que tem inúmeras respostas. Talvez eu consiga respondê-las, mas o objetivo aqui é entender a figura por trás da personagem Lady Gaga, suas inspirações, dores, euforias, família, medos… Se possível.

Comparado ao início de sua carreira, Lady Gaga ganha a cada dia mais autonomia em sua obra. Músicas mais autorais, mais ousadas, menos comerciais do que em seu primeiro álbum. Talvez ter consolidado no mercado uma imagem e uma legião de fãs dê mais liberdade na hora de produzir trabalhos inéditos. O sucesso e as vendas estão garantidos, afinal.

Nesses tempos em que esteve em alta, Lady Gaga consolidou seu estilo peculiar de se vestir, provocou polêmicas com a Igreja Católica e tem experimentado à exaustão ‘novos’ formatos audiovisuais e performances.  Mostra que possui uma habilidade única de trabalhar duro para se manter na pauta do mundo do entretenimento. Prova disso são as recentes apresentações em programas de TV, para divulgar seu novo álbum, Born This Way, que em nenhum caso as roupas se repetiram ou as danças ou muito menos a playlist. Lady Gaga é uma artista pop que trabalha árduamente para se manter na mídia, não importa o que falem ou o que precise fazer. Artisticamente falando, claro.

Requisitos para ser uma estrela pop a nova iorquina tem. Ousadia, garra, talento musical e teatralidade. Esta sendo a mais importante de todas as suas qualidades. Essa teatralidade é o que permite à Lady Gaga usar um vestido feito de carne bovina e desfilar orgulhosa da aberração fashionista que criou. É o que permite afrontas e referências constantes à religião em seus trabalhos. É o que permite também a ela, personagem de si mesma, criar outros personagens, infinitos e contraditórios.  Diante dessa ideia, onde está Stefani? A garota que sofria bullying na escola, era considerada feia, esquisita, sem brilho, sem espaço? Stefani esconde-se atrás da própria personagem Gaga, com suas caras, bocas, estilos e crenças peculiares.

Confiança, certamente, não falta à cantora. Antes de lançar o primeiro single de seu novo álbum, faixa que dá título ao CD (Born This Way), Lady Gaga afirmou que a canção se tornaria o novo hino homossexual, cheio de aceitação e orgulho. Talvez seja pretensão afirmar que a própria obra será um marco, mas não dá para dispensar a importância que essa nova fase da carreira da cantora representa para ela mesma. Uma fase que leva aos fãs, predominantemente gays, mensagens de amor próprio, superação e perseverança. Mensagens pautadas nas próprias vivências de Gaga, agora envolvida com seus little monsters, sua turnê e sua nada mole vida.

Dito tudo isto, ainda não consigo entender quem é Lady Gaga. Ativista, performática, agitadora da boa vontade. Uma figura que possui um unicórnio de brinquedo ao qual batizou Gagacorn. Uma figura que costuma usar as roupas e acessórios, produzidos por fãs devotados, entregues desesperadamente durante os shows. Uma figura pública, mas que é atormentada pela própria solidão, como todos nós.

Em entrevista à Rolling Stone, Gaga afirma ter medo de ir ao psicanalista para explorar a si mesma. O medo de se aprofundar nas questões pessoais, por mais que sobre sensibilidade, amor e tantos outros sentimentos comuns à qualquer outro ser humano. A cantora sempre sonhou com o estrelato, com as implicações em ser do pop, com as inspirações em ídolos deste mesmo mundo e é, volta e meia, acusada de plágio, cópia e coisas do gênero.  Lady Gaga deixa muito claras suas influências culturais e musicais. Seja em entrevistas ou performances. Os mais sensíveis podem notar facilmente essas influências em suas músicas. Portanto, não dá para questionar a capacidade artística da cantora, principalmente no meio em que escolheu produzir sua música: o mundo pop. O que podemos questionar é esse personagem performático que se mostra na mídia, tão dúbio, tão contraditório e sinistro. Um personagem que ri da própria miséria e a exalta para o mundo ver, transformando-a em lição de vida para mentes jovens e sem guia definida. “O que vou dizer é que, quando não estou no palco, eu me sinto morta, e quando estou no palco eu me sinto viva”, disse Gaga à Rolling Stone.

Por fim, dá para concluir que Lady Gaga é sua música, seus fãs, sua mensagem, sua obra, sua superficialidade. Ou talvez, como uma de suas novas músicas diz: ‘I Am My Hair!’. Resta saber se existe espaço para Stefani reinar. Ou talvez não haja mesmo tanta profundidade a ser discutida e analisada.

jun 2011 17

por Priscilla Aloi
entretenimento@blogdacomunicacao.com.br

Aqui vai uma dica para o pessoal que estará durante os dias 24 de maio a 12 de julho no Jockey Club em São Paulo, na Casa Cor 2011. Alguns chefs dos melhores restaurantes da cidade darão aulas para os interessados em aprender novas técnicas. Confira mais detalhes no release abaixo.

O chef argentino Luciano Nardelli, do DOM, ministrará curso no Casa Cor 2011 – Crédito: BGourmet 2011

CHEFS MINISTRAM AULAS NO BAR E BISTRÔ FUNCIONAL DA BGOURMET NA CASA COR SÃO PAULO
por Dani Gasparini, PB&D Comunicação

Os arquitetos Saulo Szabó e Fernando Oliveira que assinam o Bar e Bistrô Funcional na BGourmet durante a 25ª edição da Casa Cor São Paulo terão convidados ilustres em seu ambiente. O espaço, com clima de cassino e cabaré, será palco de aulas com diversos chefs renomados que vão preparar diferentes pratos partindo de um único elemento: o palmito pupunha.

Uma parceria da marca São Cassiano com a BGourmet, os cursos acontecem nos dias 19, 21 e 29 de junho de 2011. Os inscritos podem aprender receitas de profissionais conceituados e desfrutar ao mesmo tempo de um dos ambientes destaques da mostra. As inscrições devem ser feitas no site www.bgourmet.com.br.

Confira a programação:
19/06, domingo, às 17h:
Aula com o chef Luciano Nardelli do Restaurante D.O.M.
21/06, terça, às 17h: Aula com o chef Tsuyoshi Murakami do Buffet Murakami e restaurante Kinoshita.
29/06, quarta, às 15h: Aula com o chef Viko Tangoda do Buffet Viko.

BGOURMET – CASA COR SÃO PAULO 2011
Local:
Jockey Club de São Paulo.
Endereço: Av. Lineu de Paula Machado, 1075, Cidade Jardim, São Paulo (SP).
Período: de 24 de maio a 12 de julho de 2011
Informações: (11) 3819-7955
Site: www.casacor.com.br

jun 2011 10

LA BELLE DE JOUR NO BRASIL3

Escrito por Maisa Capobiango | Postado em Entretenimento & Cultura | Tags: ,

por Maísa Capobiango

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A dona de um dos olhares mais misteriosos do cinema está no Brasil. Musa de diretores como Luís Buñuel (A Bela da Tarde) e François Truffaut (O Último Metrô), Catherine Deneuve desembarcou no país no início desta semana para participar do Festival Varilux de Cinema Francês 2011. Junto com ela, vieram outros dois grandes nomes: Audrey Tautou e Sandrine Bonnaire, cada uma representando uma geração.

Depois de passar por São Paulo, as atrizes estão no Rio de Janeiro, para deleite dos fãs. No entanto, não é exagero nenhum afirmar que a maior sensação tem sido Deneuve. Só uma estrela com tamanha grandeza estaria numa sala fechada para coletiva de imprensa com um cigarro acesso sem que ninguém a perturbasse por isso.

Filha do ator de teatro e cinema Maurice Dorleac e irmã da também atriz Françoise Dorléac, Catherine Deneuve estreou no cinema aos 13 anos, em 1956, e durante a adolescência trabalhou em diversos pequenos filmes com o diretor Roger Vadim até chegar ao estrelato mundial em 1964, em Os Guarda Chuvas do Amor, do diretor Jacques Demy. Nos anos 1960, ela fez a reputação de símbolo sexual frio e inacessível através de filmes em que interpretava donzelas lindas e frígidas como Repulsa ao Sexo, de Roman Polanski.

Deneuve teve uma rica carreira cinematográfica, estrelando filmes de sucesso internacional como A Sereia do Mississipi, Mayerling, Tristana, Pele de Asno, entre outros, que além de a afirmarem como a grande estrela do cinema europeu da época, a transformaram no sinônimo de beleza francesa, fazendo dela a musa da alta costura da França, principalmente do estilista Yves Saint-Laurent e o rosto dos perfumes Chanel (o Chanel Nº 5, ligado a seu rosto e sua imagem, foi o mais vendido e famoso perfume do mundo por mais de duas décadas), levando-a a substituir Brigitte Bardot como a efígie de Marianne, a figura feminina oficial da República da França, estampada em selos e moedas do país.

Durante o festival, a diva está lançando “Potiche”, filme que mostra como uma mulher considerada fútil tem a oportunidade de colocar suas ideias em prática quando precisa assumir a empresa da família. A comédia também marca seu reencontro com Gerard Depardieu, com quem trabalhou em “O Último Metrô” (1980), de François Truffaut.

Para ficar por dentro de toda a programação do Festival Varilux de Cinema Francês, acesse o site e conheça as 22 cidades em que ele estará presente.

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