mai 2010 19

Apesar de todos os discursos o pré-sal ainda parece um grande desafio. A Petrobras e o Brasil Aguentam? Imagem: www.conecval.com.br

Por Henrique Oliveira
meioambiente@blogdacomunicacao.com

O mundo vem acompanhando com assombro o crescimento da mancha de poluição que está tomando conta do Golfo do México há cerca de três semanas (veja mais aqui) . O desastre ambiental –  fruto de um enorme vazamento de óleo provocado por uma explosão numa plataforma petrolífera estadunidense – além da sua incomensurável devastação traz muitos outros questionamentos. E um deles está diretamente ligado nós, brasileiros: será mesmo que as tecnologias petrolíferas estão aptas a descer tão altas profundidades em busca do famoso “ouro negro”? Não estaríamos nos precipitando e buscando uma riqueza que, ainda, não estamos preparados para conter em caso de uma situação crítica?

Para o geógrafo e consultor técnico na área de exploração de petróleo, gás e minério do fundo oceânico, Jules Soto, é notável que o Brasil não está preparado para conter um desastre nas plataformas de petróleo que surgirão para explorar a zona pré-sal. E o argumento do pesquisador é bem aceitável. Para ele as Bacias de Campos e de Santos têm suas unidades de produção muito próximas da costa e essa proximidade, em caso de acidente, não permitiria que se tivesse um tempo hábil para a organização de medidas eficazes de contenção para uma possível mancha de poluição, como a do golfo do México.

Soto continua a polêmica afirmando que a Petrobras precisa reformular sua “política” de exploração: “ela [a Petrobras] utiliza os mesmos parâmetros de segurança das demais petroleiras, que são visivelmente deficientes e muito longe do ideal. É muito parecida com a tecnologia da espacial ou mesmo de “fórmula 1”, explorando os limites incessantemente e com isso carregando muitas indústrias na esteira. Quando aprendemos a explorar com segurança a uma determinada faixa, automaticamente passamos para outra. Na década de 1970 a Petrobrás explorava no limite o que hoje é “feijão com arroz”. O pré-sal é um salto macro, onde é necessário enterrar os parâmetros de segurança que até então foram estabelecidos” (Fonte: Oeco).

Em outras palavras, é preciso que o governo brasileiro se municie ao máximo contra possíveis desastres naturais que ameaçarão suas novas investidas na área da exploração marítima de petróleo. É claro que não devemos esquecer-nos da importância econômica e política da exploração do pré-sal, porém as perdas ambientais seriam incomensuráveis em caso de um acidente grave. No caso do exemplo do acidente no Golfo do México, é bem possível que estejamos assistindo ao pior desastre natural da história dos Estados Unidos, e isso é muito preocupante.

A Petrobras, porém, se diz muito preparada para a exploração do Pré-sal. Tanto que, em seu site, a empresa afirma “estar direcionando grande parte de seus esforços para a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico que garantirão, nos próximos anos, a produção dessa nova fronteira exploratória. [...] Além de desenvolver tecnologia própria, a empresa trabalha em sintonia com uma rede de universidades que contribuem para a formação de um sólido portfólio tecnológico nacional”, diz o site em seu texto.

A grande questão agora é saber quem está com razão. A Petrobras está mesmo preparada para o desafio do pré-sal? Ou o país estaria arriscando nosso meio ambiente em nome de ganhos mais “rápidos”? Admito que as duas possibilidades sejam cabíveis…

abr 2010 27

DIA MUNDIAL ANTIVIVISSECÇÃO É MARCADO POR PROTESTO EM SÃO PAULO 

por Kika Cirra
meioambiente@blogdacomunicacao.com.br 

No último domingo (25) cerca de 150 ativistas se reuniram em São Paulo em manifestação pelo Dia Mundial Antivivissecção. O evento,organizado pelo grupo Consciência Veg teve apoio de várias ONGs, entre elas: Veddas, Holocausto Animal, Anda, Ativeg, Instituto Nina Rosa, entre outras. Os manifestantes deram um exemplo de ativismo e união ao juntarem forças e vozes pela mesma causa. 

Gaiolas com ativistas simulando o sofrimento passado pelos animais usados como cobaias em laboratórios foram distribuídas nas calçadas da Avenida Paulista[bb]. Também foram distribuídos panfletos entre os transeuntes que se mostravam interessados em entender a razão da manifestação. 

Manifestantes na Avenida Paulista – Crédito: Divulgação

O coordenador geral do grupo Holocausto Animal, Fábio Piva, adverte que o problema já começa com o termo “vivissecção”, que a maioria das pessoas desconhece e esclarece: “A vivissecção é o uso de animais vivos em laboratórios para criação, pesquisa, formulação de medicamentos, testes em cosméticos e uma infinidade de ‘utilidades’ sequer imaginadas pelos consumidores, realidade ocultada por interesses econômicos”. Fábio destaca ainda a importância da transmissão da informação, ou seja: do que está por trás de uma marca de sabão em pó, ou de um simples frasco de lustra-móveis, ou de um perfume: “Tudo que você puder imaginar foi testado em um animal, da maneira mais absurda possível. Uma delas é o teste de irritabilidade feito em coelhos, o Draize (um método cruel pelo qual coelhos são imobilizados e substâncias são aplicadas em seus olhos). Uma empresa que lança uma marca de lustra-móveis não precisa usar um coelho para mostrar que o produto não é toxico, isso é uma crueldade sem tamanho, totalmente inútil e desnecessária”. 

O uso de animais para fins didáticos, em experimentos de laboratórios e em testes industriais é cruel, pois os procedimentos são realizados sem anestesia, o que provoca reações profundamente dolorosas e traumatizantes. Os animais, indefesos, são tratados como objetos durante sua curta vida, submetidos a todo tipo de tortura sem nenhuma possibilidade de reação. 

Nina Rosa exibe cartaz contra vivissecção – Crédito: Divulgação

Christian Saboia, organizador do evento e coordenador do grupo Consciência, declarou que a vivissecção é absolutamente antiética além de sabidamente desnecessária: “O vivisseccionista, pelo hábito de estar em uma universidade, tende a defender essa prática como um pré-requisito para a ciência. No entanto, as indústrias e instituições que não utilizam mais animais continuam produzindo bons trabalhos e fazendo ciência de ponta”. 

A bióloga e ativista independente Tamara Bauab, lembra que a vivissecção vem da época de Descartes, da tradição seiscentista, quando se imaginava que os animais não sentissem absolutamente nada, tão pouco percepção e sensibilidade. “Hoje em dia ainda praticamos isso, e não faz bem nenhum ao ser humano. Ninguém pensa em curar, este não é o propósito”. Tamara denomina a indústria farmacêutica de “indústria da doença”, e afirma que o ser humano torna-se dependente de medicamentos e totalmente irresponsável com a sua saúde. “Pode comer e viver de uma maneira totalmente errada, e a indústria vai dar uma pílula mágica. Eu não acredito nessa indústria farmacêutica e nem na medicina. O uso de animais não levou a nada. Não se descobriu a cura para as grandes doenças do ser humano”. Finaliza. 

Representantes de Ongs em defesa animal – Créditos: Divulgação

Já Mauricio Varallo, colaborador do Instituto Nina Rosa e coordenador do site Olhar Animal, destaca um fato que confirma a falácia científica da indústria que testa em animais, com isso relembra a polêmica do fármaco talidomida, que teve seu uso liberado a partir de testes em animais, nos quais “não causava mal nenhum”, mas que acabou vitimando uma geração de crianças que nasceram defeituosas, com graves problemas congênitos”. 

Para Mauricio, a aprovação da Lei Arouca, (a qual deu respaldo à utilização de animais pela ciência), foi um retrocesso no Brasil e vai atrasar em anos a evolução dessa questão, uma vez que na Europa há uma série de avanços e inclusive já está proibido uso de animais pela indústria de cosméticos. “Eu vejo, por outro lado, que esse movimento crescente, como o que vemos aqui hoje, tende a esclarecer as pessoas. A gente vai ter que trabalhar muito com a informação, mostrar às pessoas não só os aspectos éticos, que são fundamentais para a defesa animal, mas também a falácia científica. As pessoas tomam a ciência como tomavam a religião, consideram as informações da ciência como dogma, e basta pesquisar um pouquinho para ver que isso é um engano, que há muito dinheiro, poder e erro por trás disso”, conclui. 

O coordenador do grupo ativista Veddas,George Guimarães também é da opinião de que uma das maneiras de abolir a vivissecção é disseminando as informações entre as pessoas,oque pode ser feito por meio de campanhas e também pressão junto ao poder legislativo – uma vez que se trata de uma prática passível de proibição. George ressalta a facilidade das pessoas em absorverem a mensagem, uma vez que a maior parte delas,não são a favor dessa prática tão cruel e ultrapassada. 

FONTE: Lilian Garrafa- ANDA (AGÊNCIA DE NOTÌCIAS DE DIREITOS ANIMAIS)

abr 2010 19

O QUE EU POSSO FAZER?9

Escrito por Isabela Fonseca | Postado em Meio Ambiente | Tags: , ,

Por Isabela Fonseca

meioambiente@blogdacomunicacao.com.br

 

Muito se fala sobre meio-ambiente, poluição, emissão de CO2, fontes renováveis, e Aquecimento Global (Mito ou Verdade)?

O aquecimento Global, hoje em dia chamado de ‘’ Maior Desafio da Humanidade’’, é um dos maiores problemas da nossa geração, na verdade, de todas as gerações da história. Muito se diz sobre as conseqüências que veremos em pouco tempo, como por exemplo, aumento do nível do mar, desastres naturais, pragas e etc.

Não estou aqui para falar sobre o que todos nós já sabemos e já cansamos de ouvir, concordo em partes que a culpa é nossa, mas o que podemos fazer? Não quero propor uma revolução, mas se sabemos que temos um problema, e que podemos solucioná-lo, então, por que não o fazemos?

Fala-se muito sobre Vegetarianismo, com campanhas na internet, como “Meet is Muder’’, e “Go Vegan’’, particularmente, nunca vi muita vantagem em aderir a essa causa, mas ao pesquisar sobre o assunto, descobri por exemplo, que um relatório das Nações Unidas em 2006 constatou que a indústria de carnes produz mais gases que contribuem para o aquecimento global, do que todos o carros, caminhões e aviões juntos!

Uma pesquisa feita pela Universidade de Chicago diz que tornar-se vegetariano é 50% mais eficaz do que trocar seu carro, ou diminuir a quantidade de lixo que você joga na rua.

 Será que tudo isso é realmente verdade, deixar de comer carne, significa contribuir para salvar o planeta? Seria possível que se mentiram (ou não) a respeito do Aquecimento Global, não estariam fazendo isso novamente?

 A verdade permanece um mistério, mas que o Planeta está gritando por socorro, e que nós não estamos ouvindo, é  fato. Muitas são as alternativas para mudar esse quadro, podemos escolher se acreditamos ou não, se deixamos de comer carne, jogar lixo nas ruas, trocar de carro, apagar as luzes, ou não.

Você sabe em qual verdade acreditar, então acredite nela, e faça alguma coisa, sejamos mais conscientes, e menos indiferentes.

abr 2010 14

Por Marcello Ghigonetto
blogdacomunicacao@blogdacomunicacao.com.br

Os desastres ocorridos no estado do Rio de Janeiro na última semana me fizeram refletir sobre a forma como muitas pessoas despejam o seu lixo sem ao menos sonhar sobre a destinação correta e o que acontece com este lixo. Alguma vez você já parou para pensar quanto de lixo você produz ao dia? Pois bem, estudos indicam que um adulto de hábitos normais chega a descartar até 500g de detrito por dia, mas por um acaso você leitor, tem idéia para onde vai o lixo de todos os dias?

Segundo IBGE coleta-se no Brasil cerca de 130 milhões de toneladas de lixo diariamente, sendo que deste montante,  52% vão direto para os famosos “lixões”, áreas de disposição final de resíduos sólidos mas que não apresentam nenhum tipo de preparação anterior do solo, sem nenhum sistema de tratamento de efluentes líquidos – o chorume (liquido preto que escorre do lixo), que penetra pela terra levando substancias que contaminam o solo e os lençóis freáticos. O mais desesperador esta na exposição a céu aberto com moscas, pássaros, ratos e também crianças, adolescente a adultos que buscam comida e materiais recicláveis para vender.

Outra forma de disposição final do lixo esta pelos aterros sanitários, considerada a mais adequada, o terreno é preparado previamente com o nivelamento da terra e com o selamento da base com argila e mantas de PVC. Esta impermeabilização garante a não contaminação do lençol freático pelo chorume, este coletado através de drenos e encaminhado para o poços de acumulação. Após 6 meses, este mesmo liquido é encaminhado para uma estação de tratamento de efluentes para depois ser devolvido a meio ambiente em plenas condições. Lembrando que esta é a forma mais adequada ou menos agressiva de descarte ao lixo.

Pois bem, fica a dica. Todo mundo se preocupa em não comprar grandes quantidades, pois pode ser exagero ou até mesmo desperdício, mas atualmente deveríamos parar para pensar em uma logística inversa, antes de sabermos o que colocar para dentro de casa, devemos saber o que fazer com aquilo que terá de ser substituído, como acontece com muitas empresas no país. Pare e pense.. que atire a primeira pedra quem alguma vez já parou para se preocupar com o lixo que produz após ele sair de sua casa…..

mar 2010 31

por Guilherme Freitas
meioambiente@blogdacomunicacao.com.br

Mais de 3 mil de cidades em todo o mundo apagaram as luzes por 1 hora na noite do último sábado, dia 27 de março. O motivo não foi um apagão elétrico, e sim a campanha promovida pela ONG WWF: a Hora do Planeta, que em 2010 teve sua quarta edição. O motivo desta campanha de ficar no escuro é um ato simbólico de tentar reduzir o consumo de energia elétrica no planeta, que consome demais os recursos naturais da Terra.

As pirâmides ficaram praticamente invisíveis – Crédito: The Huffington Post

Assim como no ano passado, o Brasil também participou do evento. Ao todo, 72 cidades apagaram as luzes de seus cartões postais por uma hora. No Rio de Janeiro a orla da praia de Copacabana[bb], o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar ficaram no escuro. Em São Paulo, foi a vez da Ponte Estaiada e do Estádio do Pacaembu “apagarem”. Em Brasília o Congresso Nacional ficou as escuras, embora ele pareça estar sem luz há um bm tempo.

Pelo mundo todo o que não se viu foram as luzes de diversos monumentos e pontos turísticos. No Egito, as pirâmides. Na Alemanha, o Portão de Brandeburgo em Berlim. Na França, a Torre Eiffel[bb]. Na Itália, o Coliseu e a cúpula da Basílica de São Pedro no Vaticano. Na Austrália, a Ópera de Sydney. Na Inglaterra, o Big Ben. Na China, os portões da Cidade Proibida. E nos Estados Unidos, o Empire State Building em Nova York.

Londres apagou o Big Ben – Crédito: Metro.co.uk

Os números desta edição superam de longe as dos anos anteriores. A WWF se animou e afirmou que pretende superar 2010 em 2011. Este ato da Hora do Planeta também mostra que algo pode ser feito pelo planeta após o fracasso das reuniões na última cúpula do clima, no final do ano passado em Copenhague. No final do ano as grande potências se reunem no México para mais uma cúpula sobre o clima[bb]. A expectativa é para que eles não fiquem no escuro desta vez.

mar 2010 17

Erro na previsão de derretimento de geleira causa a polêmica: o aquecimento global existe mesmo? -- Imagem: www.apolo11.com

Por Henrique Oliveira
meioambiente@blogdacomunicacao.com.br

Parecia unanimidade. Mas, não é que, de uns tempos para cá, tem gente questionando a veracidade do “famigerado” aquecimento global. É isso mesmo. Depois de algumas informações desencontradas, alguns “céticos” arregaçaram as mangas e partiram para imprensa mundial: aquecimento global é uma balela – vociraram eles, comemorando. Mas, será  que eles têm razão?

Para quem ainda não sabe, o termo “aquecimento global” serve para designar  um fenômeno climático de larga extensão caracterizado por aumentos na temperatura média da superfície do  nosso globo, e que vem se intensificando nos últimos 150 anos. Por incrível que pareça, o fenômeno ainda não tem suas origens bem delineadas. Mas, acredita-se que a causa primeira deste aumento na temperatura do globo seja causada pela soma, nem sempre equilibrada, de fatores naturais e antropogênicos (provocados pelo homem).

A grande maioria dos cientistas que estuda com profundidade o clima do planeta é veemente em dizer que o aumento descontrolado da concentração de poluentes na atmosfera terrestre, atualmente, é causa principal da intensificação do aquecimento global.

“A principal evidência do aquecimento global vem das medidas de temperatura de estações metereológicas em todo o globo desde 1860. Os dados com a correção dos efeitos de “ilhas urbanas” mostra que o aumento médio da temperatura foi de 0.6+-0.2 C durante o século XX. Os maiores aumentos foram em dois períodos: 1910 a 1945 e 1976 a 2000. (fonte IPCC). […] Evidências secundárias são obtidas através da observação das variações da cobertura de neve das montanhas e de áreas geladas, do aumento do nível global dos mares, do aumento das precipitações, da cobertura de nuvens, do El Niño e outros eventos extremos de mau tempo durante o século XX. […] Por exemplo, dados de satélite mostram uma diminuição de 10% na área que é coberta por neve desde os anos 60. A área da cobertura de gelo no hemisfério norte na primavera e verão também diminuiu em cerca de 10% a 15% desde 1950 e houve retração das montanhas geladas em regiões não polares durante todo o século XX”.(Fonte: IPCC–Encontrado no site: www.jornaldomeioambiente.com.br)

O problema é que a principal fonte organizadora de todas essas evidências de uma “presença” do aquecimento global foi colocada em xeque por um erro, digamos, bastante polêmico: no início desse ano, alguns cientistas declararam uma verdadeira guerra ao IPCC  (Painel Intergovernamental de Especialistas sobre Mudanças Climáticas da ONU) por causa da inclusão, no relatório de 2007 da instituição, de uma declaração que, segundo os críticos, sem bases científicas, dava como certo o derretimento das geleiras do Himalaia nas próximas décadas.

O suposto erro foi descoberto depois que uma entrevista por e-mail veio a público, indicando que as informações sobre o derretimento da geleira eram “equivocados”. Uma reportagem da respeitada revista britânica New Scientist publicou um comentário do glaciologista indiano Syed Hasnain, da Universidade Jawaharlal Nehru em Nova Deli, que disse, na tal entrevista por e-mail, que todas as geleiras no Himalaia central e oriental poderiam desaparecer até 2035.

O problema é que Hasnain, que era então presidente grupo de trabalho sobre glaciologia do Himalaia, nunca fez essa previsão em um artigo científico e, muito menos, publicou-a em um periódico revisado por outros cientistas. Para piorar, logo depois, o mesmo pesquisador veio a público comentando novamente o assunto: a pedido da revista, ele agora diz que o comentário foi “especulativo”.

Para muitos pesquisadores integrantes do IPCC, o erro estaria sendo supervalorizado por conta de uma uma questão meramente política. Para Carlos Nobre, cientista brasileiro do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e membro do IPCC, por exemplo:

“Esses acontecimentos servem de impulso para os céticos porque eles não conseguem trazer qualquer fato científico novo, surpreendente, que coloque realmente em dúvida a ciência robusta e sólida do aquecimento global. Assim, se apegam a qualquer coisa […] para contestar o aquecimento do planeta. Como não têm condições de debater no nível da ciência, por isso querem jogar o debate em um nível político. Existem aí enormes interesses econômicos afetados pela mudança do paradigma da geração de energia, pela troca de todo o sistema de produção que a partir do qual construímos o bem estar moderno” (Fonte:IHU-Online).

O problema é que o próprio IPCC cometeu um erro “científico” ao permitir que um dos seus pesquisadores divulgasse informações errôneas. Creio que, sim, exista um nível político bastante forte no debate. Mas, com certeza, muito dessa confusão foi criada pela falta de controle do próprio IPCC. Não nos cabe aqui tomar partido sobre o que estaria certo ou errado na situação. Mas, é nosso papel cobrar mais responsabilidade daqueles que se dizem cientistas…

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