ago 2009 28

por Serg Smigg
politica@blogdacomunicacao.com.br

As estranhas questões que têm envolvido o nome do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e revolvido seu passado também estranho, escancaram uma careta política que parlamentares sempre tentam esconder – sejam eles de que mundo forem: do primeiro ou do terceiro: a careta da acomodação de interesses grupais.

Todos sabemos (ou melhor, nem todos: os que votam nos mesmos candidatos em dois pleitos seguidos talvez não saibam) que há meandros, entrepalavras e intracircunstâncias que alteram profundamente os princípios de um político. E os que sabemos, compreendemos que nem sempre tais alterações representam falta de escrúpulos desse ou daquele parlamentar. Para atender os direitos de muitos, às vezes é necessário sacrificar as próprias opiniões para fazê-las condizer com as de poucos, de forma que os interesses desses poucos abram portas para os direitos daqueles muitos. Mas isso é raridade, somente os políticos do nível de um Teotônio Vilela.

É o que deve estar acontecendo no “Caso Sarney”, como provavelmente será reconhecida no futuro a maneira como o presidente do Senado, movendo peças de xadrez complicado, conseguiu com que a Comissão de Ética (?) esquecesse todas as denúncias sobre seu comportamento, ao que consta, nepotista e usurpador de influência.

Até pouquíssimo, mas não seriíssimo, tempo atrás, José Sarney e seu staff eram para o PT a própria encarnação do conceito “tudo isso que tá aí”, algo como uma raiz que deveria ser extirpada do terreno político do Brasil para que novas plantas, árvores e frutos rendessem as glórias que “um país tão rico como o nosso não pode deixar de ter, companheiros”.

O Senador Mercadante que disse uma coisa e fez outra - Crédito: Divulgação
O Senador Mercadante que disse uma coisa e fez outra – Crédito: Divulgação

Nunca se sabe o que realmente acontece nos bastidores dos plenários. Qualquer jornalista político em início de carreira percebe isso já nas primeiras investidas. Mas a opinião pública está completamente desolada com a ferrenha defesa que o alto escalão do PT produziu pela permanência do presidente no cargo. Pareceu que um tsunâmi bralisienses arrasaria o País se Sarney fosse exonerado, que um dilúvio destruiria o mundo se as investigações se aprofundassem, que um novo surto de baixas econômicas acabaria com as finanças da ONU e do FMI se a oposição fizesse o levantamento real dos casos ilegais, ou no mínimo repreensíveis e indignos de homens, em que o nome Sarney estava enlameado.

Por outro lado, em se prevendo o poder de fogo que Sarney e todas as velhas raposas do Congresso mantêm guardado justamente para tempos como esse, talvez o que o País passasse fosse mais ou menos tudo isso mesmo, se ele o usasse.

A oposição abandonou o Conselho de Ética do Senado, expressando a vergonha após o anúncio do arquivamento dos processos contra o presidente do Senado. Mas, como mostra o passado político do País, o ato não foi exatamente para salvaguardar a honra incorruptível dos revoltados.

DEM e PSDB estão propondo reformulação na estrutura funcional do Conselho de Ética. Mas, como mostra o passado político do País, não exatamente porque o comportamento dos conselheiros tenha ferido a imagem, mas talvez porque os resultados tenham ido contra seus próprios interesses.

Depois da decisão pelo arquivamento dos processos, os senadores se dividiram em dois grupos contrários, a exemplo do passado político do País: o bem menor, dos que pretendem levar o caso ao STF e o bem maior, dos que simplesmente gostariam de esquecer tudo isso.

Aloízio Mercadante (PT-SP) anunciou sua retirada da liderança após a instalação da “vergonha perante a opinião pública”, como disse Cristovam Buarque (PDT-DF). Mas, em consonância com o passado político do País e depois de rápida conversa com Lula e Berzoine, (PT-SP), voltou atrás.

Enquanto isso, a Câmara aprovou a proposta de aumento do número de vereadores e oito mil cadeiras em todo o Brasil.

Depois de casos como esse, e outros tantos de que se tem notícia, é provável que os parlamentares façam de tudo para esconder a careta da acomodação de interesses grupais não somente para atender a seus anseios, mas porque tal careta é realmente muito, muito feia e tanto assuste os que os conhecem como surpreenda os que ainda lhes dão o voto em pleitos seguidos.

ago 2009 24

POLÍTICA DE TWITTER?3

Escrito por Henrique Oliveira | Postado em Política | Tags: , , , ,

 Por Henrique Oliveira

politica@blogdacomunicacao.com.br

Fonte: www.boston.com

Fonte: www.boston.com

Nos últimos dias temos assistido a um curioso e inédito movimento na política nacional. Senadores tarimbados e velhas “raposas” dos grandes partidos brasileiros, têm se utilizado com cada vez maior frequência e intensidade o Twitter para divulgar suas posturas e combater alguns “desafetos”. Como uma verdadeira revolução comunicativa, o Twitter vem possibilitando que os políticos falem diretamente aos seus eleitores e recebam, também, as respostas por suas muitas vezes nebulosas posturas.

Na última semana, por exemplo, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) anunciou, em primeira mão, a sua “renúncia” ao posto de líder do PT no Senado. E logo depois, pelo mesmo Twitter, recebeu, de seus seguidores, duras críticas pela volatilidade da sua postura e pela falsidade da sua retórica. Já há algum tempo, o Twitter tem servido muito para a divulgação de “notícias em primeira mão”. Foi, basicamente, o que ocorreu na última quinta-feira, 20. O senador Mercadante anunciou, em seu Twitter, que renunciaria à liderança do partido, escrevendo: “eu subo hoje à tribuna para apresentar minha renúncia da liderança do PT em caráter irrevogável”. Uma grande repercussão foi criada em cima do anúncio do senador. Pessoas do Brasil inteiro elogiavam a coragem de Mercadante em criticar severamente a postura petista (e lulista) de defender com unhas e dentes a permanência de José Sarney na presidência do Senado – Mercadante sempre foi contra a essa postura.  

O problema é que o “irrevogável” do senador se revogou logo na manhã da sexta-feira, 21. A cúpula petista precionou Mercadante a voltar atrás em sua “renúncia”. Falou mais alto, como sempre nesse país, a voz do poder, e, logo depois da negociata, o senador João Pedro (PT-AM) foi á tribuna com inglória tarefa de divulgar o recuo do senador paulista. “O senador Mercadante entrou em contato comigo hoje de manhã e disse que permanecerá no cargo”, afirmou diante dos outros senadores. Conforme afirmado pelo Estadão, nesse momento, “Mercadante acabou sendo vítima do seu próprio Twitter. Logo após seu discurso de recuo em plenário, milhares de mensagens de repúdio à sua postura invadiram o microblog. Foram mais de três mil manifestações em poucas horas. ‘Fui às ruas pelo PT, fiz campanha pelo PT, votei no PT e hoje você ajudou a decidir o que fazer no futuro: PT nunca mais’, enviou a Mercadante um internauta chamado Igor Polaroid”.

Em outras palavras, o twitter vem, ao seu modo, mudando a própria forma de se fazer política no país. Em mensagens de 140 caracteres, muitos protestos e ações já foram organizadas e levadas à cabo no Brasil. Lembremos aqui da repercussão do movimento “Fora Sarney”, das divulgações da repressão iraniana e de diversas outras campanhas “twitteiras”. O episódio do senador Mercadante só prova que o fluxo de comunicação na sociedade vem se modificando de uma forma cada vez mais frenética e rápida. E que a esfera política deverá se adaptar a mais esta demanda.

Certamente, não chegaremos a ter uma política apenas “de twitter” ou “de internet”. Porém, já está provado que, por essas vias, muita coisa deverá mudar….

ago 2009 21

Por Leandro Lopes
política@blogdacomunicacao.com.br

“Eu quero dizer
Agora, o oposto do que eu disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante”

Link 1 – Mercadante anucia que deixa a liderança do PT no Senado, segundo o site do Estadão.

BRASÍLIA – O senador Aloízio Mercadante (PT-SP) anunciou nesta sexta-feira, 21, em sua página no Twitter, que está a caminho do Senado para fazer o discurso no qual deve formalizar sua renúncia à liderança do partido, menos de sete meses depois de ser escolhido para um mandato de dois anos. Na quinta-feira, também pelo microblog, o senador avisou que iria deixar o cargo.

“Eu subo hoje (ontem) à tribuna para apresentar minha renúncia da liderança do PT em caráter irrevogável”, avisou. No entanto, chamado para uma conversa à noite com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele acabou adiando o discurso para hoje.

Link 2 – Mercadante muda de ideia e anucia que fica, segundo notícia do UOL.

O senador Aloizio Mercadante (SP) encerrou nesta sexta-feira (21) a novela sobre sua permanência na liderança da bancada petista no Senado. Depois de conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Mercadante decidiu permanecer no cargo. A decisão foi anunciada em discurso na tribuna do Senado.

Mercadante disse que a conversa com Lula durou cinco horas na noite de quinta-feira. Lula pediu para o petista ficar. Antes do encontro com o presidente, contudo, Mercadante disse que sua decisão era “irrevogável”.

Viva Raul! - Crédito: Divulgação
Viva Raul! – Crédito: Divulgação

“Se eu quero e você quer
Tomar banho de chapéu
Ou esperar Papai Noel
Ou discutir Carlos Gardel
Então vá!
Faz o que tu queres
Pois é tudo
Da Lei! Da Lei!
Viva! Viva!
Viva A Sociedade Alternativa…”

“-Faz o que tu queres
Há de ser tudo da Lei”

Sócia de uma das netas do senador José Sarney (PMDB-AP), Zenicéia Silva de Assis, 41, foi nomeada duas vezes para cargos no Senado por meio de atos secretos. Veja na matéria da Folha Online aqui.

Há 20 anos exatos. Raulzito nos deixou. Porém com uma mensagem cada vez mais atual. Esteja com Deus Raulzito!

TOCA RAUL!
“Hoje a gente já nem sabe
De que lado estão certos cabeludos
Tipo estereotipado
Se é da direita ou dá traseira
Não se sabe mais lá de que lado”

De olho neles,

Abraços

Leandro Lopes

ago 2009 21

por Guilherme Freitas
politica@blogdacomunicacao.com.br

Na última quinta-feira, a senadora Marina Silva deixou o PT e está prestes a se filiar ao PV. Marina estava no Partido dos Trabalhadores desde 1985 e durante o governo Lula foi ministra do Meio Ambiente, pasta que deixou ano passado após conflitos com empresários do ramo do agronegócio e com outras alas petistas. Ela deixou o PT após assedio do PV para que ela concorra a presidência ano que vem pelo Partido Verde. Marina ainda não confirmou sua candidatura, mas é quase certo que disputará o pleito em 2010.

Ainda é cedo para saber como Marina se sairá em uma corrida presidencial. Pode tanto tirar votos de Dilma Rousseff, como de José Serra ou de qualquer outro presidenciável. Ela tem a seu favor o fato de ser uma novidade no cenário político nacional e ter uma biografia respeitada, além de sua postura política no combate ao desmatamento na Amazônia. Porém tem como desvantagem o fato de ainda ser pouco conhecida fora da região Norte, estar em um partido pequeno que terá pouco espaço no horário político e de ter sua imagem ainda associada ao PT.

Marina Silva pode ser a novidade em 2010 - Crédito: Globo.com
Marina Silva pode ser a novidade em 2010 – Crédito: Globo.com

Marina terá uma longa caminhada até o início da sucessão presidencial. Precisará fazer seu nome para subir nas pesquisas, costurar alianças para ganhar mais espaço na mídia e saber com quem está andando já que seu novo partido tem como líder o deputado Zequinha Sarney, filho do presidente do Senado José Sarney. A senadora deixou o PT afirmando não ter mais ilusão que existam partidos perfeitos no Brasil e que o partido não teria condições de trabalhar com o projeto de desenvolvimento sustentável.

Para almejar alguma coisa, Marina não poderá focar suas fichas apenas no Meio Ambiente, que conhece tão bem. A maioria da população não está nem um pouco interessada em escutar sobre planos para conter o desmatamento na Amazônia. O povo quer saber é de saúde e educação decentes, empregos e menos corrupção e escândalos envolvendo parlamentares. Mesmo assim, a entrada de Marina na sucessão presidencial é uma novidade para a já monótona disputa PT-PSDB.

Aproveite e vote na enquete “Marina Silva tem chances de ser eleita presidente do Brasil?”. Ela sai do ar domingo a noite.

ago 2009 13

por Isaque Criscuolo

mundodacomunicacao@blogdacomunicacao.com.br 

Record X Globo
Record X Globo

Na noite de terça-feira (11/08) o Jornal Nacional exibiu notícia de dez minutos para falar das denúncias da promotoria ao bispo Edir Macedo por lavagem de dinheiro. Durante a matéria a Rede Record foi citada como beneficiária do dinheiro “lavado” pelo bispo e sua “quadrilha”.

“O fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, e mais nove pessoas, são acusados de se apropriar ilegalmente de dízimos e de ofertas de fiéis. E de usar o dinheiro das doações para construir um patrimônio pessoal.” diz um trecho da matéria que pode ser conferida no vídeo abaixo.

Imagem de Amostra do You TubeOntem (12/08) a Tv Record deu sua resposta pelo Jornal da Record, jogando baixo e apontando todos os podres da Tv Globo desde a época da ditadura. Também justificou a matéria da Rede Globo como sendo uma maneira desesperada contra a crescente audiência da Record e  monopólio da informação.

A matéria da Record pode ser conferida abaixo:

PARTE I

Imagem de Amostra do You TubePARTE II

Imagem de Amostra do You TubeNão defendo a Rede Globo nem a Rede Record, afinal, as duas são farinha do mesmo saco, todavia a atitude que a Record vem tomando é sanguinária e baixa.

O histórico de concorrência entre as duas emissoras é longo e promete continuar com esses novos “ataques”.

Veremos qual será a resposta da TV Globo hoje à noite, no JN. A Record já prometeu que no JR de hoje trará novas denuncias contra a TV Globo. A baixaria começou e os prejudicados somos nós, telespectadores, que no lugar de vermos notícias, veremos acusações das duas emissoras. Preparem os ouvidos e os olhos para a guerra!

ago 2009 03

por Sônia Mesquita

politica@blogdacomunicacao.com.br

Continua forte a pressão sobre o presidente do Senado, José Sarney, que é acusado de nepotismo, contas no exterior, desvio de dinheiro público e tráfico de influência.

O Senado, que deveria ser uma casa exemplo de seriedade e integridade, mais uma vez é palco de denúncias que ferem o seu propósito. Graças ao nosso regime democrático temos acesso a estas informações pela mídia.

Até mesmo por saber o poder da mídia, a família de Sarney tratou de ser detentora de um conglomerado de retransmissoras de TV do estado do Maranhão, dezenas de estações de rádio e o jornal diário de maior circulação: O Estado do Maranhão. Nestes veículos, Sarney é mostrado como um santo perseguido pela mídia paulista que quer derrubá-lo da presidência do Senado. Políticos são proibidos pela Constituição de ser sócios de empresas concessionárias de serviço público, ainda assim, não se isentam de executar tal prática, simplesmente ignoram a lei.

O presidente do Senado, José Sarney - Crédito: Divulgação
O presidente do Senado, José Sarney – Crédito: Divulgação

Infelizmente nossa cultura política vê quase como normal a manipulação do poder público em  interesse próprio. Talvez ainda esteja longe o dia que a sociedade brasileira perceba a real importância de controlar as ações de seus parlamentares.

Mas certamente já evoluímos de um regime detatorial repleto de corrupção que propiciou o acúmulo de grandes fortunas,  que não eram noticiadas, para o regime atual que mostra as mazelas políticas cometidas com o dinheiro alheio, do povo.

A sociedade do país precisa agora aproveitar-se da democracia e fazer valer seus direitos, pressionando o Congresso a criar leis de combate à corrupção, que é o maior entrave para o desenvolvimento com menos desigualdade social. Faz-se urgente uma reforma política retirando tantos privilégios de senadores, deputados e políticos para estabelecer maior controle e transparência.

Falando assim parece meio vago esse controle. Falar com quem? Cobrar de quem? Mais uma vez tudo começa pela educação. Nos currículos escolares deveria vir incluido matérias sobre cidadania e ações políticas que ensinassem a nossos estudantes a participarem da vida de sua escola, comunidade, formando assim pessoas conscientes de seus direitos e deveres na vida do país.

Certamente este é um passo necessário ao amadurecimento político da nação e estamos no caminho para uma sociedade mais forte, longe da corrupção que tem se mostrado inerente ao ser humano.

Ainda espero o dia em que a cumplicidade política de nossos eleitos será para o bem de todos, e não somente para alguns poucos privilegiados.

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