CONTRADIÇÕES PARA JAMAIS SE ENTENDER1
Escrito por Serg Smigg | Postado em Política | Tags: Conselho de Ética do Senado, contradições políticas, José Sarney, Mercadante e Twitter, PT, Teotônio Vilela
por Serg Smigg
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As estranhas questões que têm envolvido o nome do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e revolvido seu passado também estranho, escancaram uma careta política que parlamentares sempre tentam esconder – sejam eles de que mundo forem: do primeiro ou do terceiro: a careta da acomodação de interesses grupais.
Todos sabemos (ou melhor, nem todos: os que votam nos mesmos candidatos em dois pleitos seguidos talvez não saibam) que há meandros, entrepalavras e intracircunstâncias que alteram profundamente os princípios de um político. E os que sabemos, compreendemos que nem sempre tais alterações representam falta de escrúpulos desse ou daquele parlamentar. Para atender os direitos de muitos, às vezes é necessário sacrificar as próprias opiniões para fazê-las condizer com as de poucos, de forma que os interesses desses poucos abram portas para os direitos daqueles muitos. Mas isso é raridade, somente os políticos do nível de um Teotônio Vilela.
É o que deve estar acontecendo no “Caso Sarney”, como provavelmente será reconhecida no futuro a maneira como o presidente do Senado, movendo peças de xadrez complicado, conseguiu com que a Comissão de Ética (?) esquecesse todas as denúncias sobre seu comportamento, ao que consta, nepotista e usurpador de influência.
Até pouquíssimo, mas não seriíssimo, tempo atrás, José Sarney e seu staff eram para o PT a própria encarnação do conceito “tudo isso que tá aí”, algo como uma raiz que deveria ser extirpada do terreno político do Brasil para que novas plantas, árvores e frutos rendessem as glórias que “um país tão rico como o nosso não pode deixar de ter, companheiros”.
Nunca se sabe o que realmente acontece nos bastidores dos plenários. Qualquer jornalista político em início de carreira percebe isso já nas primeiras investidas. Mas a opinião pública está completamente desolada com a ferrenha defesa que o alto escalão do PT produziu pela permanência do presidente no cargo. Pareceu que um tsunâmi bralisienses arrasaria o País se Sarney fosse exonerado, que um dilúvio destruiria o mundo se as investigações se aprofundassem, que um novo surto de baixas econômicas acabaria com as finanças da ONU e do FMI se a oposição fizesse o levantamento real dos casos ilegais, ou no mínimo repreensíveis e indignos de homens, em que o nome Sarney estava enlameado.
Por outro lado, em se prevendo o poder de fogo que Sarney e todas as velhas raposas do Congresso mantêm guardado justamente para tempos como esse, talvez o que o País passasse fosse mais ou menos tudo isso mesmo, se ele o usasse.
A oposição abandonou o Conselho de Ética do Senado, expressando a vergonha após o anúncio do arquivamento dos processos contra o presidente do Senado. Mas, como mostra o passado político do País, o ato não foi exatamente para salvaguardar a honra incorruptível dos revoltados.
DEM e PSDB estão propondo reformulação na estrutura funcional do Conselho de Ética. Mas, como mostra o passado político do País, não exatamente porque o comportamento dos conselheiros tenha ferido a imagem, mas talvez porque os resultados tenham ido contra seus próprios interesses.
Depois da decisão pelo arquivamento dos processos, os senadores se dividiram em dois grupos contrários, a exemplo do passado político do País: o bem menor, dos que pretendem levar o caso ao STF e o bem maior, dos que simplesmente gostariam de esquecer tudo isso.
Aloízio Mercadante (PT-SP) anunciou sua retirada da liderança após a instalação da “vergonha perante a opinião pública”, como disse Cristovam Buarque (PDT-DF). Mas, em consonância com o passado político do País e depois de rápida conversa com Lula e Berzoine, (PT-SP), voltou atrás.
Enquanto isso, a Câmara aprovou a proposta de aumento do número de vereadores e oito mil cadeiras em todo o Brasil.
Depois de casos como esse, e outros tantos de que se tem notícia, é provável que os parlamentares façam de tudo para esconder a careta da acomodação de interesses grupais não somente para atender a seus anseios, mas porque tal careta é realmente muito, muito feia e tanto assuste os que os conhecem como surpreenda os que ainda lhes dão o voto em pleitos seguidos.




















