mai 2008 30

Por Ruither Ferrão

ruither@blogdacomunicacao.com.br

Depois de quase quatro anos freqüentando as aulas de um curso de graduação, é chegado o momento de se preparar para o grande desafio. A monografia. A escolha do tema, o pré-projeto, pesquisas e muito corre-corre. Afinal, é necessário que se produza um trabalho muito bem elaborado, seguindo fielmente as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), ou, do contrário, corre-se o grande risco de o aluno ter a sua monografia reprovada. O que fazer? Enfrentar o desafio ou simplesmente comprar a monografia?

No decorrer do curso sempre aparece aquele aluno que está em busca de um diploma e não de conhecimento. Esse se torna alvo de profissionais desprovidos de ética que, visando lucro, oferecem para colocar as mãos na massa e produzir a monografia, aliás, qualquer tipo de trabalho acadêmico, principalmente através da Internet.

Nossa equipe enviou um orçamento para uma determinada empresa que produz trabalhos acadêmicos da maneira que o cliente escolher. Todo o processo de negociação é feito pela Internet. Foi enviada uma ficha cadastral com dados fictícios de um suposto aluno do curso de jornalismo para uma empresa que presta esse tipo de serviço. Em questão de poucas horas recebemos uma resposta com o valor e a forma de pagamento, no entanto, um detalhe importante chamou a nossa atenção. Ninguém assina o documento. No nosso caso, a monografia de 60 páginas, com o tema: “Os idosos e a solidão”, sairia por R$ 600,00. Valor que poderia ser dividido em até 24 parcelas.

Mirian Sousa Alves, professora do curso de jornalismo da Faculdade Estácio de Sá de Belo Horizonte lamenta que haja esse tipo de serviço. Para ela, o aluno acaba iludido com a promessa de ter a monografia tão facilmente, se esquecendo que no momento da apresentação ele passará por um teste que exigirá seus conhecimentos sobre o tema ali proposto. Mirian diz que é muito fácil descobrir se a pessoa é autora do documento, no entanto, ela argumenta que é pouco provável que o aluno se arrisque a entrar neste barco. Justamente para evitar este procedimento, o aluno tem um orientador à sua disposição, o que o faz mostrar todo o processo de elaboração da sua monografia, assim como, tirar todas as dúvidas e fazer as devidas correções. “Isso é um absurdo”, conclui a professora.

Um dos maiores problemas enfrentados pelos alunos ao produzirem suas monografias é a elaboração do texto, conforme Mirian Alves. Segundo ela, muitas vezes o aluno tem conhecimento do assunto que é tema do seu trabalho, porém, não está preparado para colocar as suas idéias no papel. No caso da Estácio de BH, ela lamenta que não haja interesse pelas oficinas da língua portuguesa que são ministradas gratuitamente nas dependências da faculdade, o que seria muito útil nesta etapa final do curso.

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Ruither Ferrão

nasceu em Abaeté, MG e mudou-se para Belo Horizonte ainda criança. Começou a trabalhar ainda na infância para ajudar a mãe no sustento da casa, uma vez que seu pai era doente e não podia trabalhar. Aos 40 anos, fez o vestibular na Estácio de Sá a título de curiosidade e passou. No 3° período do curso de jornalismo se viu obrigado a interromper os estudos por problemas financeiros. No entanto, surgiu a oportunidade de inscrever-se no Pro-Uni e passou em primeiro lugar na prova de redação. Esta conquista lhe rendeu uma bolsa de estudos integral, com a qual conseguiu dar continuidade no curso. Atualmente é repórter free-lancer do Jornal Edição do Brasil, em Belo Horizonte.

2 comentários

  1. Guilherme Freitas disse:

    Sem dúvida nenhuma o TCC é algo muito cansativo, mas prazeroso de ser feito. Boa Ruither. Abraços

  2. daiah7 disse:

    Ainda não cheguei no TCC, mas minha preocupação atual refere-se à qualidade do ensino no país. Muitos, mas muitos professores estão deixando a desejar, não sei se é pelo salário, pela Instituição, ou por estarem dando aulas por falta de opção, sem o amor pelo trabalho. Pagamos caro para termos uma boa qualificação, conhecimento, e ao final da faculdade, pagamos mais caro ainda por não estarmos preparados suficientemente para o mercado. Quanta gente formada não está trabalhando, ou está se sustentando através de outra área, diferente da sua formação?
    A soma de professores displicentes mais alunos desinteressados, levará ao resultado de profissionais incapazes de fazer o progresso!

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