EDITORIA CRISE?1
Escrito por Colaboradores | Postado em Economia | Tags: crise, Economia, Globalizaçao, jornalismo, notícias
por Artur Mota
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Quando se pensa em economia atualmente, a primeira palavra que vem a mente, é crise. Todo canto que se olha, lá está ela. Nem sei mais qual é o seu significado conceitual, mais sei que ela existe. Dando uma olhada em alguns dos websites de jornais e agencia mais importantes do país, entendo que uma nova editoria foi criada. Isso mesmo, a editoria Crise.
Noticias e mais notícias, pequena variações sobre o mesmo tema. Não acho que os jornais precisem mais de pauta para fazer uma matéria qualquer que fale da crise. Quais empresas anunciaram cortes de funcionários hoje? O Brasil vai ou não entrar em recessão? O pacote de Obama pode tirar o mundo da crise? Como estão as bolsas em todo o mundo? Quais os novos números sobre a inflação, PIB, desemprego, dólar, consumo?
Eu não sei você, mas tudo isso me cansa. Talvez pelo fato de que muito, ou tudo isso, esteja bem distante do meu cotidiano. Mesmo assim, percebo que há uma saturação de informações. Todos os dias os números mudam e as noticias permanecem. A economia resumiu-se a isso. Já não é de hoje que as pessoas tem uma certa repulsa por essa palavra. “Economia”. Nem os jornalistas ficam de fora, dificilmente você encontrará um estudante de Jornalismo, que escolheu as ciências humanas, e que provavelmente não gosta de lidar com números, dizendo que gostaria de trabalhar na editoria de economia de um jornal.
Qual é o seu significado? Se me pedissem para definir, hoje eu diria que economia, é crise. Pelo menos é o que vejo nos jornais. Há quem diga sobre os efeitos da globalização; que a crise afeta a todos, direta ou indiretamente, de modo que não podemos dissociá-la do quadro geral da economia mundial. Será? Falta alguma coisa. Me sinto sufocado com tanta informação, que amanhã estarão esquecidas, sem que eu me dê conta disso.
Criou-se um meio restrito à circulação das noticias. Elas não estão voltadas para o público em geral. São movimentadas por um interesse próprio. Os grupos jornalísticos estão intimamente ligados a grandes empresas que mergulham na crise. Não existe abrangência ou profundidade. É isso e pronto. A economia centrou-se em um ponto apenas, não existe espaço para discussão.
Acredita-se que a economia mexe com o dinheiro. E mexer com dinheiro, aqui no Brasil, é quase sinônimo de crise. Imagine um cidadão comum acordar todo dia para abrir o jornal e a palavra que ele mais lê, é crise? É uma palavra forte e que impõe respeito. Mas que ultimamente só provoca medo. Já não temos noticias ruins demais? Preocupações demais? Nossos problemas não serão suficientes? O bom talvez, seja notar que o medo aqui recai muito mais a classe rica. Eles não estão acostumados a perder dinheiro, enquanto que o pobre, já se conformou. Estranho esse discurso, não?
O equivoco está ai. A imagem que nos é transmitida é essa. O cidadão que lê as noticias, fica esperando a hora que o seu dinheiro vai começar a diminuir ou quando irá perder o seu emprego; afinal é globalização não é? E a economia é global. Se um cair, que caiam todos. Fico indignado com isso. Onde está o lado mais humano da situação? Porque restringir aos números um tema que é global? Porque ninguém propõe soluções, caminhos, interpretações? Onde está o jornalismo que procura ir além das noticias?
Ficamos só rememorando o passado, “eu avisei”, e imaginando o futuro, “O Brasil não entrará em recessão”. Perdoem-me a palavra, mas essa masturbação por parte dos jornais, é o indício de uma crise no próprio meio jornalístico.

Este espaço é reservado para os trabalhos de colaboração e material dos leitores enviados ao Blog da Comunicação e de colunistas especiais.












É Artur, como você disse, economia virou sinônimo de crise. Economia é um assunto complicado, pois envolve cálculos, dinheiros, contas de juros, etc… Assuntos tem aos montes, mas como a palavra da moda é crise, ó pessoal só quer falar disso.