nov 2009 09

por Guilherme Freitas
mundodacomunicacao@blogdacomunicacao.com.br

O jornalista inglês Dan Williams - Crédito: Reuters/Divulgação
O jornalista inglês Dan Williams – Crédito: Reuters/Divulgação

Em setembro estive em uma palestra do correspondente da Reuters para o Oriente Médio, Dan Williams em São Paulo. Em quase 1 hora de apresentação ele falou da rotina dos jornalistas estrangeiros na região, famosa pelos conflitos étnicos e religiosos. Após a palestra tentei conversei com o jornalista inglês[bb], mas ele estava de partida para Jerusalém. Havia prometido aos leitores do Blog da Comunicação uma entrevista com ele e aqui está. Conversei com Dan sobre sua carreira, Oriente Médio e política internacional ele foi atencioso e respondeu a tudo. Confira abaixo a entrevista com Dan Williams da Reuters[bb].

Blog da Comunicação: A vida no Oriente Médio é muito diferente do Ocidente como muita gente diz?
Dan Williams:
É difícil generalizar, mas na verdade é sim. Há grandes diferenças, principalmente no campo cultural. Mas enquanto o Oriente Médio é o berço de algumas culturas bastante monolítica e antigas, também se viu grande o tráfego internacional ao longo dos séculos. A presença do petróleo e da tecnologia (no caso Israel) trazem bastante investimento à região também. Assim, enquanto algumas liberdades “ocidentais” e as normas podem faltar, o Oriente Médio ainda se sente “ligado” para o resto do mundo.

BGC: Como um correspondente internacional de imprensa ocidental é visto pelo povo da região? As pessoas gostam deles?
DW:
Geralmente o Oriente Médio é um local hospitaleiro, onde os correspondentes são bem-vindos. Porém, depende muito do local onde o repórter está instalado, já que existem alguns governos que respeitam a liberdade de imprensa e outros que não se esforçam para respeitá-la.

Mapa do Oriente Médio - Crédito: Reprodução
Mapa do Oriente Médio – Crédito: Reprodução

BGC: Foi difícil se adaptar a Jerusalém? Como você se sentiu ao chegar em um lugar tão diferente?
DW: Jerusalém é uma cidade muito intensa, com diversos grupos religiosos competindo entre si. Mas ao mesmo tempo, é uma cidade moderna e amena. Para os jornalistas é um bom local de trabalho, com muitas histórias sobre a política e a cultura.

BGC: Conte-nos como foram seus primeiros dias no Oriente Médio trabalhando como correspondente internacional?
DW: Foram dias de muito trabalho. A guerra está sempre presente. Jornalistas recém-chegados a região são sempre instruídos desde cedo para aprender sobre os fatos históricos e contemporâneos em termos de poder de força política e da zona de combate, onde se deve ter muito cuidado ao trabalhar.

BGC: Qual foi sua melhor reportagem ou história sobre a região?
DW:
Minha melhor recordação é de ter uma colhido uma informação sobre a decisão tomada por Dan Halutz, chefe das forças armadas de Israel, durante a guerra contra o Hezbolah no Líbano em 2006. Ele renunciou em desgraça, enviando ondas de choque através do Oriente Médio e dando a reconhecer que Israel havia fracassado.

O ex-premiê de Israel, Ariel Sharon - Crédito: Divulgação
O ex-premiê de Israel, Ariel Sharon – Crédito: Divulgação

BGC: Em todos esses anos você conheceu muitas personalidades políticas. Qual foi a figura que mais te marcou?
DW:
Creio que foi o Ariel Sharon (ex-primeiro ministro de Israel e que está em coma desde 2006). Sua jornada de herói de guerra (nos olhos dos israelenses) de criminoso de guerra (aos olhos dos árabes) ao estadista que projetou em 2005 a retirada de Gaza foi extraordinária.

BGC: Você tem intenção em se tornar correspondente internacional em outro lugar do planeta?
DW:
Sim, tenho interesse em trabalhar em Washington e em cobrir as atualidades no Afeganistão e Paquistão, que trarão muitos problemas No futuro.

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Guilherme Freitas

Nasceu em São Paulo, no dia 5 de fevereiro de 1986, é jornalista formado pela UniFIAMFAAM, pós-graduado em Globalização e Cultura pela FESPSP e vegetariano desde os quatro anos. É correspondente de imprensa da FINA (Federação Internacional de Natação) no Brasil e jornalista responsável pela revista Swim Channel. Também já trabalhou no LANCE! e no Diário de São Paulo. Em 2006, iniciou com seu amigo e também jornalista James Freitas na época da faculdade o BLOG DA COMUNICAÇÃO, que cresceu e ganhou ares de profissionalização. Em abril de 2010 fez um estágio na sede da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York e planeja fazer um mestrado em Relações Internacionais, tendo a África como foco de estudo.

1 comentário

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