ago 2008 25

As grandes potências mundiais já começaram a mexer suas peças no jogo para ver quem dará “xeque-mate” primeiro

 

por Guilherme Freitas

guilherme@blogdacomunicacao.com.br

 

Há alguns dias atrás, li um artigo muito bom do professor da Universidade de Hampshire, Michael T. Klare. O título era “Imperialismo. A nova geopolítica da energia”. Falava sobre como as potências mundiais estão se preparando para possíveis futuros conflitos. Segundo Klare, as futuras lutas não terão como motivo territórios (como na II Guerra Mundial) ou questões étnicas (como as guerras civis pelo mundo a fora). O grande motivo será a política de recursos naturais. Sim caros leitores, os recursos naturais do planeta Terra não vão durar para sempre e as potências mundiais já começam a mexer suas peças no tabuleiro.

 

O jogador que está se sentindo mais pressionado são os Estados Unidos da América. País mais rico, poderoso e influente do mundo, os ianques estão preocupados com seu futuro. As vésperas de uma de suas eleições mais importantes de sua história, o país está vendo sua moeda ser desvalorizada e muito dinheiro ser gasto nos conflitos no Oriente Médio. Enquanto a Casa Branca chega a gastar cerca de US$ 3,5 bilhões em apenas um único submarino de guerra, outros órgãos do governo estão de olho nos recursos mineiras que ainda restam no planeta. Os americanos estão traçando novas estratégias para poder sobrepor-se a China e a Rússia. Hoje eles estão no Iraque aproveitando-se de todo o petróleo do país e a ponto de provocar um novo conflito com o Irã.

 

Candidata a futura potência, a China já está se articulando neste jogo. Os chineses acharam sua mina de recursos naturais: a África. Pequim mantém hoje relações estreitas com alguns países do continente africano. Ela é uma das maiores compradoras de petróleo de países como Argélia, Angola, Nigéria e Guiné Equatorial. No campo de minérios, extrai cobre das reservas do Congo, cromo do Zimbábue e madeira de Moçambique. Em troca o governo chinês além de distribuir dinheiro, contribui outra forma de pagamento: armamento. A China é uma das principais fornecedores de armas para o Sudão, rico em recursos minerais, porém pobre. O país africano enfrenta uma guerra civil e as armas chinesas contribuem para o massacre de civis.

 

Outro que também mexe suas peças em silêncio é um gigante que muitos julgavam adormecido e enfraquecido. A Rússia não morreu e deu mostra de sua força recentemente no rápido conflito contra a vizinha Geórgia, que em poucos dias foi sufocada pelo exército russo. Dona de uma enorme reserva de petróleo e gás natural, Moscou tem menos preocupações do que outras grandes nações neste quesito (seu vasto território ajuda). Ela ainda exerce muita influência em repúblicas desmembradas da antiga União Soviética e ao lado da China é a maior ameaça aos Estados Unidos.

 

A Índia é outra que está crescendo e enriquecendo. Potência nuclear, não quer deixar os chineses e russo terem todos os holofotes do continente. Os europeus parecem ser coadjuvante. No futuro a Europa, o mais devastado dos continentes, vai sentir a falta de recursos mineirais. O Brasil é um país estratégico para estas potências, devido a sua boa posição geográfica e sua abundância em recursos minerais. A influência americana na região diminuiu nos últimos anos e fez com que os países da América do Sul pudessem ganhar mais confiança e autonomia. Resta saber se o Brasil será uma peça vital neste jogo ou um mero peão. O tabuleiro está armado. Agora é esperar para saber que dará o xeque-mate primeiro.

 

Links e fontes:

Clique aqui para conferir na íntegra o artigo do Professor Michael T. Klare

 

Quem dará o primeiro “xeque-mate” neste jogo?

Crédito da imagem – Divulgação

 

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Guilherme Freitas

Nasceu em São Paulo, no dia 5 de fevereiro de 1986, é jornalista formado pela UniFIAMFAAM, pós-graduado em Globalização e Cultura pela FESPSP e vegetariano desde os quatro anos. É correspondente de imprensa da FINA (Federação Internacional de Natação) no Brasil e jornalista responsável pela revista Swim Channel. Também já trabalhou no LANCE! e no Diário de São Paulo. Em 2006, iniciou com seu amigo e também jornalista James Freitas na época da faculdade o BLOG DA COMUNICAÇÃO, que cresceu e ganhou ares de profissionalização. Em abril de 2010 fez um estágio na sede da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York e planeja fazer um mestrado em Relações Internacionais, tendo a África como foco de estudo.

3 comentários

  1. James disse:

    O Brasil com toda a certeza é peça vital…porém não exerce sua importância, sendo assim, tratado como peão…e assim continuará sendo por muitos e muitos anos…não tenha dúvida….

    Agora voto na China para dar o Xeque-mate….

    abss

  2. Daiane Torres disse:

    Nossa, não! A China não pode dar o xeque-mate! rs….. antes de qualquer coisa o Brasil precisa estabelecer uma forte aliança e se impor, senão vamos acabar perdendo nossa rica Amazônia!

    bjos

  3. sabrina santos disse:

    O Brasil sem duvida vai esta na rota, rico em minerais, posiçao geografica favorecida e quem chega “pode fazer o que quiser”. Esta tudo bem facil para nossos “amigos”(E.U.A, cHINA e etc…)
    Acho que os governos dos paises integrantes da america do sul deviam se aliar para impedir a facilitaçao do acesso por outros paises…

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