mar 2010 12

Crédito: Karma.Rg3.net

por Victor Oliveira

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Não sei como é para você, caro amigo, mas uma manhã ensolarada funciona para mim como um estímulo para acordar mais alegre, para aproveitar mais aquele dia. Mesmo com sono, tendo dormido mal, basta ver o sol chegando, um céu sem nuvens, que o humor muda, a perspectiva de ficar bem durante todo o dia também. Acredito que o Sol tenha este poder de interferir no humor das pessoas. Prova disso é a diferença dos nordestinos para os sulistas do Brasil. No Nordeste, apesar de tudo, das crises, da pobreza, pessoal está sempre rindo, bem disposto. Já no Sul acontece justamente o contrário: pessoas que têm um nível de vida relativamente melhor, mas que andam sempre com a expressão fechada.

Pois bem, amigos, disse isso tudo porque, ao valorizar aquele dia maravilhoso que se iniciava, percebi a importância do dia nublado, cinza, feio. Se ele não existisse, com toda certeza eu não daria valor para o dia limpo, não veria o Sol com os mesmos olhos.

Assim sendo, penso nesta situação como uma lição para o nosso dia-a-dia. Sempre buscamos o melhor, fazemos o máximo a fim de conquistar vitórias sucessivas. É assim com todo mundo. Ninguém gosta de perder, nem mesmo em um simples par ou ímpar. Quem falar que gosta está mentindo ou é candidato a assumir a vaga de Madre Teresa de Calcutá. Gostar de perder não existe; saber perder é uma dádiva, mas este “saber” deve ser entendido na maior concepção possível da palavra. É saber como entender, analisar e ver onde errou, o que influenciou a derrota e o que vai (vai, e não deve) ser feito.

A derrota vem para todos, é natural. No momento em que ela chega é terrível, parece que o mundo se transformará em um caos, que nunca mais recuperaremos as forças. É questão temporal, em breve passa. Tenho certeza que você se lembra de mais momentos bons do que os ruins. Mas aí que entra a importância do insucesso: dar valor maior ao sucesso, à vitória, às conquistas. Só vencer não tem graça. Fazendo uma metáfora muito ruim, pego um caso de quando jogo videogame com um primo de 11 anos. Ele consegue ser pior que eu e não ganha nenhuma partida do futebol virtual. Que graça tem jogar assim? Nenhuma! As vitórias somente têm aquele gostinho bom quando durante a partida surge a possibilidade da derrota. Lutamos mais, nos esforçamos mais para vencer.

Por isso, quando passar por um momento assim, tente encarar dessa forma. A derrota, o feio, sempre passa. Como diz um ditado popular “não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe”. Vivemos ciclos, numa roda-gigante que alterna momentos felizes com decepções. Problema que esta roda não possui a regularidade de um relógio. Como se fosse um moinho, é tarefa nossa soprar o vento que o movimenta. Quando ele estiver no lado ruim, furacão, para passar ligeiro. Do lado bom, brisa marítima, lenta, para valorizar o momento e eternizá-lo em nossas lembranças.

É isso.

Obs: As ilustrações são do excepcional artista Ricardo Bezerra. Mais trabalhos dele podem ser vistos no site: http://www.karma.rg3.net/

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Victor Oliveira

Turismólogo, estudante de Direito, servidor público, flamenguista. Escrevo sobre nosso cotidiano, sobre percepções que tenho das relações humanas. Não pretendo impor verdades e nem determinar caminhos. Leia, absorva o que achar interessante e descarte o que lhe parecer prejudicial. É isso.

10 comentários

  1. Tiburciana disse:

    Nossa eu odeio perder idem vc, ate é par ou impar
    sempre que possivel quando perco reanaliso minhas taticas vejo os pontos falhos e vou para o contra ataque

  2. Frase que ouvi outro dia, mas não lembro quem disse, dizia: “Quem acha que ninguém é melhor que ninguém é por que não é melhor que ninguém mesmo.” Pensando nisso fica fácil entender como algumas pessoas por mais simples que sejam se mostram melhores que outras. Melhores por que em nós existe o fator “comparação”. Quando comparamos algo ou alguém é por que buscamos o melhor para nós. E sempre queremos o melhor. Sempre queremos acordar com o Sol raiando, brilhado e mostrando a sua onipotência, mesmo em dias nublados ou chuvosos, pois sabemos que ele sempre estará lá.

    Mesmo nos dias nublados, podemos acordar estimulados a fazermos o melhor. Não o melhor que queremos, mas o melhor que podemos fazer, baseados no fator comparação.

    • Olá Renato,
      Muito legal seu comentário. É bem por aí mesmo o espírito desse texto. É saber valorizar o que se tem naquele momento, mas sem se conformar por ter somente aquilo, pois a gente pode ter o que a gente deseja, desde que nos dediquemos para isso.
      Obrigado pelo comentário e pela visita ao Blog da Comunicação.

  3. Pirão disse:

    Não há como conhecer o ápice sem antes ter ido ao fundo do poço…Essa é a subida mais prazerosa. Há períodos longos de sofrimento, mas o melhor é acreditar que tudo vai ser melhor e valer a pena!!!!

  4. Guilherme Freitas disse:

    Victor, mais uma vez um grande texto seu por aqui! Sem dúvida perder faz parte da vida. Eu já tive derrotas e tropeços, mas sempre procuro me levantar e enteder o que deu errado para na próxima vez não errar. Perder faz parte da vida. Eu não gosto de perder, mas procuro aceitar a derrota e depois tentar vencer. Abraços.

    • Olá Guilherme!

      Valeu mesmo pelo elogio aí.
      Eu acredito mesmo que o caminho é por aí, entender que perder é importante, mas não pode tomar gosto pela coisa. O ideal é fazer sempre a reflexão e ver porque as coisas não deram certo naquele momento.

      Abraços.

  5. Tony disse:

    Caro Victor,
    Sem dúvida é substancial que existam os extremos, o feio e o bonito, o bem e o mal, a sorte e o azar, a vitória e a derrota e assim por diante…somente assim podemos nos transformar e evoluírmos na vida.
    Dizem por aí, e eu acredito, que aprendemos mais com a derrota do que com a vitória. São as nossas cicatrizes (derrotas) que nos marcam e nos fazem lembrar e reconhecer o tamanho que realmente somos.
    Um forte abraço meu caro.

    • Tony disse:

      Caro Victor,
      Sem dúvida é substancial que existam os extremos, o feio e o bonito, o bem e o mal, a sorte e o azar, a vitória e a derrota e assim por diante…somente assim podemos nos transformar e evoluírmos na vida.
      Dizem por aí, e eu acredito, que aprendemos mais com a derrota do que com a vitória. São as nossas cicatrizes (derrotas) que nos marcam e nos fazem lembrar e reconhecer o tamanho que realmente somos.
      Um forte abraço meu caro.

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