INTERNET: MAR DE FRIVOLIDADES?2
Escrito por Henrique Oliveira | Postado em Mundo da Comunicação | Tags: atualidades, conteúdo superficial, Frivolidade, internet, Mundo da Comunicação
Por Henrique Oliveira
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Não podemos negar: uma das grandes revoluções trazidas pela nossa era digital é a agilidade no processo de comunicação. Hoje, como bem sabemos, podemos nos comunicar com extrema rapidez e eficiência. Barreiras de espaço e tempo são a todo momento subvertidas e, do nosso PC, parecemos abraçar o mundo. Na verdade, criamos um novo mundo; um mundo com uma linguagem mais “resumida” e adaptada á realidade de rapidez com a qual temos que conviver. Com diz o pesquisador José Manuel Teixeira da Silva do Instituto Politécnico da Guarda de Portugal em seu artigo entitulado “A reprodução social e cultural na era digital”, “ Há um novo domínio totalmente gerado por computador que cai no âmbito de um espaço público usado permanentemente. Há uma vintena de anos atrás nada disto acontecia. A estranheza maior é que se trata de um lugar sem fronteiras nem atributos físicos. Para o homem habituado às sólidas coordenadas geográficas de latitude e longitude dos sítios, ficar assim de repente sem pé, desterritorializado, pode ser uma visão arrepiante. No ciberespaço, um conceito ainda a entrar no vocabulário do quotidiano, tudo se passa, e todas as actividades decorrem, numa matriz preenchida pelas telecomunicações electrónicas e as redes de computadores – a Internet”.
Em outras palavras, estamos vivendo a era da vertiginosidade. Hoje, os conteúdos multimídia e suas respectivas formas de produção estão muito mais acessíveis através da rede (as plataformas de blogs são, inclusive, um exemplo claro disso).
Ora, essa realidade deveria ser positiva. Afinal, estamos numa era de total reformulação comunicativa. A produção de conteúdos que se dava há algumas décadas atrás se modificou intensamente. O leitor passou de um papel eminentemente passivo, para atuar diretamente na produção e publicação de ideias. E isso foi uma grande mudança. O problema é que, junto com toda essa liberdade, a internet criou uma característica muito peculiar: ao invés de potencializar nossa acapacidade criativa, a lingugem da Internet, conhecido como “internetês”, causou uma deformidade cada vez mais visivel na qualidade do que se encontra por aí na Web. De acordo com um estudo da University College de Londres publicado recentenmente, a cultura da internet vem mediocrizando os textos de muitos jovens usuários, e isso é cada vez mais flagrante. “ David Nicholas, o acadêmico responsável pelo trabalho, chegou à conclusão que os adolescentes estão perdendo a capacidade de ler e escrever textos longos, já que a grande rede faz com que as mentes desse grupo populacional funcionem de um modo diferente do cérebro de gerações anteriores. [..]Durante o estudo, 100 pessoas foram convidadas a responder perguntas que exigiam um pouco de pesquisa. Os mais jovens (de 12 a 18 anos) escreveram suas respostas após consultar metade dos sites visitados por um grupo de pessoas mais velhas instruído a fazer o mesmo. Também foi constatado que as respostas dos mais novos eram mais incompletas” (Fonte: Portal Terra).
Estaríamos, então, usando a velocidade da rede de uma forma negativa? Ou, mesmo, transformando-a em “fonte” para uma superficialidade de conteúdo? Será que a “geração internet”, ao invés de adentrar no mar de conhecimento possibilitado pela Web, está se conformando com o primeiro resultado que aparece no Google? A nossa experiência com algumas das muitas produções na Internet nos indica que sim. Não são poucos os sites que se rendem ao plágio, á cópia pura e simples ou á mera reprodução de fórmulas prontas. Parece que a facilidade em se obter conteúdos está causando uma verdadeira repulsa áquilo que necessita de maior concentração e esforço. Nossas novas gerações têm (e terão) sim uma ferramenta de pesquisa cada vez mais poderosa nas mãos. Porém, esperamos que o mar mar de frivolidades não possa superar a vontade saber…

Jornalista e blogueiro, atualmente Henrique é editor do site Incomode-se. Tendo experiência com leitura de peças fílmicas e culturais. É, também, autor de artigos publicados nas áreas de comunicação, política, Ciências Sociais Aplicadas. É cinéfilo convicto! Na literatura interessa-se por grandes obras da literatura mundial, indo desde Machado de Assis até Falkner! No debate procura o que foge do consenso. É intensamente instigado pela iquietude do diálogo a pelas portas abertas das novas idéias. Por isso, está, também, sempre aberto a novas parcerias e debates!












A internet tem esses males que você citou no artigo Henrique. A linguagem da web é ruim para jovens que escrevem errado nos blogs, e ficam em dúvida quando vão escrever em testes e provas, muitas vezes aderindo a linguagem digital, que é errada. O plágio é muito fácil de ser feito na internet e todos nós corremos esse risco. Pouco podemos fazer, o jeito é tentar se prevenir e punir os trapaceiros. Abraços.
Acredito que a internet seja apenas um dos muitos ingredientes da receita da nova sociedade cuja preparação ainda está no forno.
Ainda é muito confusa a relação entre as nações, ainda não está muito claro o que seja nova cidadania, a nova escola e muito menos o que será a nova familia.
A internet está nesse meio. Mas penso que virá uma seleção natural, assim como foram selecionados os muitos modelos tradicionais de comunicação e o que não presta será mandado pra escanteio.
Quanto a escrita, a gramática, e falando apenas de Brasil, já faz muito tempo que estamos num processo de “desalfabetização” justamente pela consntante troca de modelos de escola, de ensino e de educação.
Grandes abraços.
http://www.jotagebece.blogspot.com