mai 2010 28

Crédito: www.calebbooker.com

Por Henrique Oliveira
mundodacomunicacao@blogdacomunicacao.com.br

Há muito tempo eu ouvia de alguns colegas que o jornalismo era uma verdadeira forma de poder. Debatíamos muito naquela época e, sempre, chegávamos à conclusão de que muitos dos que detém o “controle” da informação usam-no para atender a motivos pessoais, mesquinhos e nada éticos. Inúmeros são os casos em que jornalistas, detentores de uma boa  informação ou contato, usam da sua posição para coagir e receber vantagens indevidas e absolutamente reprováveis.

Recentemente, por exemplo, um jornalista chamado Maurício Machado, vulgo “Palhinha”, foi denunciado por extorsão, contra o deputado federal Sérgio Antônio Nechar, pelo Ministério Público Federal (MPF) em Marília (SP). Machado tentava chantagear o político. E usava como instrumento de chantagem reportagens denunciavam o parlamentar.

De acordo com notícia publicada no Portal Imprensa, “segundo informações da Procuradoria da República de São Paulo, o MP do Estado (MP – SP), o procurador Jefferson Aparecido Dias foi o autor da denúncia contra o jornalista. Se for condenado, Machado pode cumprir pena de quatro a dez anos de prisão, além de pagamento de multa. Para Dias, Machado, que é diretor do jornal Atualidades, teria constrangido o deputado de forma consciente para obter vantagem econômica. O jornalista também foi indiciado por difamação, calúnia, extorsão e injúria pela Polícia Federal (PF)”.

Esse caso me faz relembrar das antigas discussões. Parece mesmo que o jornalismo se aproxima de ser uma forma de poder. Não é à toa que inúmeras “pessoas públicas” presam tanto por sua imagem diante da mídia. O jornalismo tem, sim, presença marcante na formação de opinião de seu público e isso deve ser encarado como um elemento que traz mais responsabilidade á atuação dos “profissionais da notícia”.

Atuações espúrias como a do Maurício Machado têm que ser rechaçadas. Afinal, se existe mesmo uma forma tão contundente de atuação por parte dos jornalistas, esta não pode, jamais, se separar da conduta ética.

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Henrique Oliveira

Jornalista e blogueiro, atualmente Henrique é editor do site Incomode-se. Tendo experiência com leitura de peças fílmicas e culturais. É, também, autor de artigos publicados nas áreas de comunicação, política, Ciências Sociais Aplicadas. É cinéfilo convicto! Na literatura interessa-se por grandes obras da literatura mundial, indo desde Machado de Assis até Falkner! No debate procura o que foge do consenso. É intensamente instigado pela iquietude do diálogo a pelas portas abertas das novas idéias. Por isso, está, também, sempre aberto a novas parcerias e debates!

6 comentários

  1. [...] This post was mentioned on Twitter by Profissão:Jornalista, Ana Karenina. Ana Karenina said: RT @anamagal: Vale a pena ler: JORNALISMO: PARA O BEM OU PARA O MAL? http://bit.ly/biDhEU [...]

  2. È gente, infelizmente temos que conviver com essas situações no nosso dia a dia. Para nós que fazemos parte da área e complicado julgarmos, mas de qualquer maneira temos que expor nossas idéias respeitando as opiniões dos outros, e usando-a de maneira inteligente, a comunicação sempre foi uma arma muito poderosa porem poucos sabem aproveitá-la e colher bons frutos.

    A sua matéria esta bem intrigante, aqui muitos comentários surgirão pois o tema e polemico tenha certeza que você está fazendo bom uso dela.

    Grande Abraço

  3. Jornalismo, Rádio e TV, WEB, Ates Cênicas, Publicidade, Marketing, Comunicação e quelquer outra profissão que detém a Liberdade de Expressão e Informação, devem não ter a exigência de diploma e DRT.

    Cada um que responda por sua responsabilidade, criatividade, competência e atualização do conhecimento.

    Para chefia de grandes grupos de comunicação, coberturas oficiais e matérias específicas, certamente teria que ser exigidos conhecimento, experiência e antecedentes.

  4. [...] Pessoalmente, não acho que Neymar deveria ir a Copa. Ele ainda é muito imaturo e me parece deslumbrado pela fama. Mas nesta hora a imprensa pode ser fatal para um astro do esporte. Infelizmente tem muita gente na mídia que acha que pode fazer, escrever e dizer o que quiser e sobre quem quiser. Alguns acreditam que estão acima do bom e do mal, como nosso colega aqui no blog Henrique Oliveira escreveu semana passada. [...]

  5. Pois é Henrique, muitas vezes nós jornalistas achamos que estamos acima do bem e do mal. O problema é que na maioria das vezes no dia a dia de trabalho e até nas universidades, é ensinado que o jornalista é sempre o dono da razão. Isso colabora para quem não tem humildade, já que o sucesso sobe a cabeça de alguns. Abraço.

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