dez 2008 17

por João Paulo Denófrio*
blog@blogdacomunicacao.com.br

O caso da morte de Marcelo Silva, ex-marido da atriz Suzana Vieira, evidencia uma questão importante na comunicação. Seria mais uma morte na editoria cotidiano não fosse o fato dele ter sido casado com uma das principais atrizes do país. Um relacionamento conturbado, é verdade. Mas, cheio de confusões que encheram os olhos da mídia sensacionalista e dos fofoqueiros de plantão.

O ex-policial Marcelo Silva, de 38 anos, que havia trocado Suzana por uma moça de 24 anos, já fora capa dos jornais e noticiários, semanas antes, ainda na época da separação do casal. Voltou às manchetes, desta vez com mais vigor, afinal, ao que parece, Marcelo morreu vítima de drogas. Eu costumo diferenciar os fatos como de interesse popular e impacto popular. No primeiro, o público se sente atraído pelo fato, que no caso é a curiosidade pela vida alheia (característica comum explicada pela psicologia). No segundo, o acontecimento é quem tem o poder de chamar a atenção do público e adquirir impacto no dia-a-dia.

A morte de Marcelo seria uma notícia cotidiana ou apenas do mundo das celebridades? Levanto esta dúvida dada aos campos opostos que são. Pelo menos, até então, uma área não deveria interferir na outra. Só que a impressão que ficou é que a mídia confundiu tudo e, na busca por audiência, mandou a notícia para as “escaladas”. A exceção foi a Rede Globo, tevê onde Suzana Vieira trabalha, que ignorou o caso e preferiu manter as devidas diferenças. E isso se refere apenas aos telejornais, já que nos sites da empresa de comunicação, o assunto ganhou destaque de capa.

Acredito que deve sim haver separações, afinal Marcelo Silva era um cidadão comum. Claro, que a mídia insistiu em destacá-lo pelo envolvimento com a atriz, no entanto, ainda assim é um ex-policial, e só. O problema é o círculo vicioso que, desde a criação, ronda a televisão brasileira. Mais telespectadores resultam em mais publicidade, que ao final das contas enchem os bolsos dos donos da mídia.

Divulgação

O finado Marcelo Silva e sua ex-mulher Suzana Vieira - Crédito: Divulgação

* João Paulo Denófrio é jornalista especializado em jornalismo internacional e colunista especial da editoria Mundo da Comunicação.

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João Paulo Denófrio

Minha paixão, desde criança, sempre foi me interar do que acontecia a minha volta. Conforme fui crescendo, em Pirassununga, SP, o interesse pelos jornais, revistas e TV só aumentava. Daí para a Faculdade de Jornalismo foi apenas um passo. Formei-me em 2004 na Universidade Metodista de Piracicaba, no interior paulista. No ano seguinte, viajei para Londres, onde pude estudar e trabalhar por 6 meses. Nas terras da rainha, eu cheguei ao nível avançado de inglês e ganhei habilidade no contato interpessoal graças aos trabalhos em cafeterias. Também houve um enorme crescimento pessoal. Assim que voltei ao Brasil, em agosto de 2005, coloquei meus conhecimentos jornalísticos em prática ao trabalhar como produtor de Internacional para o canal de notícias Bandnews, do Grupo Bandeirantes. Fui promovido um ano depois para editor de Internacional, cargo que ocupo atualmente. Minha mais nova aquisição curricular foi a Pós-Graduação em Comunicação Organizacional, pela Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, em São Paulo, em outubro de 2008.

7 comentários

  1. Michell Niero disse:

    É o velho dilema do interesse público e o interesse do público. Dentro dos critérios de noticiabilidade entra a questão da ascensão social do sujeito, do questionamento a uma moral vigente, tudo isso leva o fato a ser notícia. Acredito que um assunto como este poderia ser muito bem abordado pela imprensa. Torná-lo de interesse público, no entanto, leva tempo e gasta cérebro do jornalista (alguns se quer tem).

    Poderia ser explorado o comportamento da atriz durante todo este tempo. Ela virou exemplo pra muita dona de casa que já passou dos 50, – se cuida, pinta o cabelo, é desbocada, casou com um cara mais novo – conheço muitas senhoras que passaram a reproduzir o jeito de ser dela. O final trágico sugere um questionamento a tudo isso. Ela foi traída, humilhada em público e o castelo ruiu.

    Outro questionamento possível vai de encontro a sociedade patriarcal que nós vivemos. Mesmo com toda esta pinta de independente, a atriz caiu na lábia de um machão a moda antiga, que claramente estava com ela por interesses financeiros. Aonde está de fato a atitude de uma mulher independente e a imagem de uma figura notória que pretende passar estes valores para atrair fama?

    Enfim, eu fico gastando linhas e mais linhas, mas o fato é que a imprensa atual quer mesmo é pôr isso logo no ar da maneira mais sensacional possível pra chamar audiência aos anunciantes. De forma reduzida é isso, o resto infelizmente fica em discussões academicas cada vez mais distantes da realidade.

  2. Rodrigo Piva disse:

    Hoje em dia os programas mais sensacionalistas aguardam a nova tragédia da vez para trazer “debates”, “especialistas” e etc para espremer até a última lágrima dos envolvidos. E claro, recheado de propagandas, mais merchandising no meio da discussão, o que mostra, o objetivo real do negócio. Este é um assunto muito polêmico que certamente gera opiniões bem diferentes.

    Abraços

  3. Diógenes disse:

    Pior do que o interesse dele no dinheiro da atriz é a arruaça que a mídia faz, ainda por cima quando quer jogar a culpa para a apresentadora Ana Maria Braga, por um discurso mais do que certo que ela fez para defender a amiga.

  4. Wander Veroni disse:

    Olá! O caso do Marcelo Silva foi uma notícia que me pegou de surpresa, sem brincadeira. Depois de algumas semanas ele ter aparecido na mídia para falar da sua traição, como se fosse um orgulho – ele queria viver como celebridade. Isso mostra o quanto as pessoas estão confundindo as coisas: que arte esse homem oferece? E morreu de uma forma trágica – vítima de drogas.

    Abraço,

    =]
    —————————-
    http://cafecomnoticias.blogspot.com

  5. Cristiano disse:

    Esse tipo de fofoca dá dinheiro, é a velha lei da maximização do lucro. A mídia sempre estará interessada em explorar esse tipo de notícia enquanto existir público querendo consumí-la.

  6. Guilherme Freitas disse:

    Não considero esse tipo de sensacionalismo como jornalismo. O pior é que muita gente dá Ibope para as Sônias Abrãaos da vida, que adoram explorar a vida alheia. Essa faceta do jornalismo mostra muito bem como nossa profissão está em crise. Há poucos empregos. Há muita gente. Com isso as empresas jornalísticas fecham as portas para muitos profissionais, que passam a trabalhar em massa para esses programas sensacionalistas e consequentemente, atraem dinheiro e audiência.

    Claro que a questão do dinheiro faz a diferença, afinal tem muito patrocinador interessado em divulgar sua marca em programas desse tipo. Pergunte a eles o que preferem: anunciar no BBB ou em programas voltados para a cultura? Isso tudo é reflexo da sociedade brasileira, que não se interessa em aprender, que não sabe a história do seu país, que não gosta de ler, que se conforma com os políticos corruptos que estão espalhados por ai. O que a grande massa quer ver é a desgraça alheia. É o Caso Eloá, o Caso Isabella, etc…Para eles não interessa assistir a um documentário, ler livros, participar de paletras e debates.

    O Marcelo Silva aproveitou a chance de ser famoso e rico. Morreu sem desfrutar desse prazer. Agora não podemos santificar a Suzana Vieira, que se envoveu com um rapaz problemático e tinha noção do que poderia vir pela frente. Ah essas senhoras de 60 anos com mentalidade de 20 e poucos anos…

  7. [...] as pessoas estão confundindo as coisas: que arte esse homem oferece? … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]

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