jun 2008 14

Por James Freitas

james@blogdacomunicacao.com.br

Líder comunitário da segunda maior favela da cidade de São Paulo, representando mais de 80 mil pessoas que vivem numa área anteriormente invadida, Gilson Rodrigues 23 anos, representa a grosso modo um Juvenal Antena (Personagem de Antônio Fagundes na novela Duas Caras) de Paraisópolis! Presidente da união dos moradores da região, Rodrigues luta insistentemente pela melhoria na qualidade de vida dos habitantes, em suma, tenta fazer com que o bairro represente o nome que foi dado, até bem pouco tem atrás, Paraisópolis estava longe de dar sinais de paraíso, hoje a situação já melhorou e a tendência é melhorar ainda mais.

A trajetória de Rodrigues na comunidade de Paraisópolis começou através do grêmio estudantil da Escola Estadual Etelvina de Góes Marcucci sendo presidente do grêmio por três anos, onde entre outras coisas desenvolveu consciência necessária para buscar construir uma comunidade melhor. Atualmente é presidente da união dos moradores da favela e conta com a colaboração de mais de 50 voluntários “A união não tem funcionários! Todos somos voluntários”, frisa Rodrigues.

Presidente da união dos moradores de Paraisópolis

A união dos moradores atua como se fosse a prefeitura do bairro englobando um conjunto de ações que tem como finalidade melhorar a qualidade de vida da população que vive em Paraisópolis, Eles são acionados principalmente quando há necessidades nas áreas de saúde, habitação e educação que por trata-se de uma comunidade carente, acaba tendo um grande déficit no que diz respeito a relação entre demanda e estrutura.

James Freitas: Como são tratados os recursos que a associação recebe? E como são investidos para melhorar a vida da comunidade?

Gilson Rodrigues: A União dos Moradores, não recebe muitos recursos, mas quando a uma doação é revertido para o projeto em que a pessoa deseja contribuir. Buscamos sempre receber recursos materiais. Falamos a necessidade e o parceiro vai lá e compra.

Você tem pretensões em lançar candidatura para vereador ou qualquer outro cargo no poder público? Qual a visão da comunidade quanto essa idéia?

GR: Acredito que a comunidade só vai crescer e se desenvolver quando tiver seus representantes da comunidade, no entanto não tenho pretenções de concorrer cargos politicos. O que eu faço para a comunidade de Paraisópolis não precisa ter um cargo, mas vontade e correr atrás.

Como funciona a remuneração de um líder comunitário?

GR: Depende. Um líder comunitário pode trabalhar e atuar na comunidade. ELe não precisa se dedicar exclusivamente a questão comunitária, pois isso não dá dinheiro. Os lideres comunitários tem que trabalhar para sobreviver.

Quais os elementos necessários para construir uma sociedade melhor? Quais desses valores são trabalhados em Paraisópolis?

GR: Acho que o processo para construir uma sociedade melhor parte da conscientização do papel de cada individuo na sociedade e de que forma cada um pode modificá-la coletivamente. Juntos somos mais fortes. A história de que unidos jamais seremos vencidos é verdade e é isso que pregamos aqui.

Como é a relação da favela com o poder público? Há união nas lutas para melhorar as condições dos moradores ou o contrário? Cite um exemplo, por favor.

GR: A fases em que a relação é boa. A setores, secretarias que a relação é ruim. Cada caso é um caso. Por exemplo a nossa relação com a Secretaria de Educação é ruim, pois temos 8 mil crianças fora de escola. Faltam creches e centros de educação infantil. Compramos a briga e a relação fica complicada, mas é uma reinvidicação legitima da comunidade.

CRÉDITO: SITE DA PREFEITURA DE SÃO PAULO

Rodrigues indica que a principal vitória da comunidade é a urbanização do bairro realizada em conjunto pelo governo estadual e prefeitura, totalizando investimentos de quase 500 milhões em infra-estrutura. “O CEU (Centro de Educação Unificado), a escola técnica entre outros são ações que vem do fruto da urbanização iniciada” analisa Rodrigues. Maria Tereza Diniz,arquiteta e coordenado do projeto de Paraisópolis da prefeitura de São Paulo avalia, em declaração no site do governo estadual,que a urbanização promoverá o acesso dos moradores locais à infra-estrutura, à inclusão social e à melhoria das condições de habitabilidade, de saúde e ambientais.

Paralelamente as ações vindas da urbanização a união dos moradores conta também com parceiros da iniciativa privada que dão assistência aos moradores do bairro como por exemplo o hospital Albert Einstein e colégio Porto Seguro, que oferecem atendimento médico e bolsas de estudos aos habitantes da favela. Existem ainda projetos de autoria da própria associação e que são destaque e por que não, referência para outras comunidades carentes do Brasil como a Escola do Povo, projeto criado para erradicar o analfabetismo de 15 mil moradores da favela, aliás, no dia 6 de Junho, a escola do povo celebrou a formatura de 600 jovens e adultos em cerimônia no Jockey Clube.

Prefeito Gilberto Kassab prestigia a formatura da primeira turma da escola do povo

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James Freitas

James Freitas Alves Viera, 22 anos, nascido e criado no tradicional bairro do Brás em São Paulo, formado pela FIAM (Faculdades Integradas Alcântara Machado) em 2007. Iniciou ao lado de seu amigo e também jornalista, Guilherme Freitas, o projeto de cooperativa na área jornalística com BLOG DA COMUNICAÇÃO. Com passagens por assessorias de imprensa do setor público e privado, James enxerga no Blog da Comunicação a grande oportunidade de “estar do outro lado da moeda”, em outras palavras, após anos de estágio em assessorias, hoje, Freitas escreve na função de repórter para o Blog da Comunicação, Atrás do Gol e SPFC1935. James enxerga na web a grande oportunidade de trabalho para jornalistas à medida que cresce cada dia mais o número de pessoas com acesso a rede mundial de computadores em todas as regiões do mundo. .

13 comentários

  1. Roberto Roncolato disse:

    Excelente matéria James. Pessoas como o Gilson Rodrigues com certeza fazem toda a diferença.

  2. Guilherme disse:

    Parabéns ao James pela ótima entrevista e parabéns ao Gilson, pela iniciativa e força de vontade de tentar melhorar a condição de vida de toda uma comunidade carente.

  3. Dih disse:

    Cara parabéns pra ele, eu que sei como é viver em uma cidade pobre!!!
    SE a gente nao luta com todas as forças a gente não sai do lugar!!!

  4. Mayna Nabuco disse:

    Parece história de novela mesmo. Mas, são pessoas assim que fazem a diferença nessa sociedade em que vivemos.

  5. Sensacional… o cara é o Zé do Caroço da Paraisópolis.

  6. Marcello disse:

    Parabéns Jájá. Ée xatamente o que disseram no comentário. Legal saber que existem pessoas no dia a dia que fazem o que a ficção nos mostrou.

  7. Francisco disse:

    Projeto de urbanização de Paraisópolis foi basiado em uma sociedade sem portadores de deficiência, ignorando totalmente a legislação específica, como o Decreto 5296/2004 e a NBR 9050 da Associação Brasileira de Normas Técnicas.

  8. Prezados,
    Meu nome é Marcos Rosa, sou o arquiteto responsável pelo Prêmio Deutsche Bank Urban Age Award Sao Paulo 2008. Gostaria de apresentá-lo.
    Este prêmio é uma iniciativa do Deutsche Bank associada ao projeto Urban Age, uma investigação conjunta de Alfred Herrhausen Society, Deutsche Bank e London School of Economics and Political Science sobre o futuro de cidades.
    O Prêmio (100 mil dólares) tem como objetivo incentivar cidadãos, movimentos populares, coletivos, cooperativas, ONGs, organizações e empresas (entre outras partes possíveis) a assumirem papel pró-ativo para se engajar ativamente na trasnformação do ambiente urbano.
    http://www.alfred-herrhausen-gesellschaft.de/awardsaopaulo
    Dado seu contato com muitos desses grupos e movimentos, gostaríamos de solicitar ajuda na divulgação, através de mailing ou lista de contatos. Nossa intenção é comunicar e divulgar o prêmio, intencionando a participação de um grande número de iniciativas presentes na Região Metropolitana de São Paulo.
    As inscrições vão até 15 de setembro de 2008.
    Desde já agradeço pela atenção. Por favor, entre em contato para esclarecer quaisquer dúvidas.

    Atenciosamente,

    Marcos L. Rosa

    project manager | deutsche bank urban age award sao paulo
    alfred herrhausen society for international dialogue | unter den linden 13-15 10117 berlin germany
    de_ t +49 30 34073634 f +49 30 34074209
    br_ t +55 11 82898211
    M.L.Rosa@lse.ac.uk

  9. Paula disse:

    Olá ,
    Gilson Rodrigues

    Me sinto a pessoa mais indicada para falar de você.
    Você ta mostrando que é uma pessoa do bem, pensa no próximo, se preocupa com o amanhã e isso é muito legal.

    Um abraço,
    Paula Alencar

  10. [...] projeto que visa erradicar o analfabetismo em Paraisópolis. Ele também já tinha concedido uma entrevista para este blog, em um artigo assinado pelo jornalista James [...]

  11. o q é certo disse:

    é mto bacana isso ai nessa favela, só não esqueção do trafico q existe socado dentro dela e da injustiça q tb tem la,mtos desses moradores ficam escondidos com medo do trafico

  12. Marcel Lopes disse:

    Olá meu caro James, gostaria de parabenizar o Blog, é muito importante dar voz as pessoas que vivem em espaços sob contante opressão política e policial, como ocorre nas favelas e na periferia da cidade de São Paulo. Seu Blog é fundamental para que a população tome conhecimento do que realmente ocorre na comunidade, pois é mídia dirtorce e reprime com a mesma veemência (e violência) das balas de borracha e das bombas de gás lacrimogênio, instrumentos básicos do diálogo da PM. Não moro em Paraisópolis, mas como estudante de história sinto-me obrigado em deixar minha mensagem de apoio ao colega e aos milhares de moradores que vivem nessa bela comunidade.
    Abraços,
    Marcel

  13. Assaltado pelos moradores da PARAISOPOLIS disse:

    Gostaria de lembrar que nao adianta nada projeto e pessoas com um bando de ladrao dentro dessa favela e recebendo apoio e cobertura de muitos dos moradores. estou de saco cheio com essa gente.

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