nov 2008 01

por Ana Lúcia Abrão *

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Já faz quase uma semana e a discussão permanece

A 28ª Bienal de São Paulo, inaugurada no último domingo, 26 de outubro, recebeu oficialmente o nome de “em vivo contato”, mas ficou conhecida mesmo como a “Bienal do Vazio”. A novidade desta edição – que gerou o apelido – é que o segundo dos três andares disponíveis para as obras de arte ficou todo vazio. De acordo com os curadores da exposição, a intenção é alertar para a atual falta de dinheiro para organizá-la. Ou seja, uma espécie de protesto.

Também protestando, mas por motivos bem diferentes, cerca de 40 a 50 pessoas entraram no prédio no dia da inauguração e picharam todo o andar. O manifesto já era esperado pela organização da bienal, que nem assim conseguiu contê-la. Enquanto os pichadores agiam, foram aplaudidos por alguns dos visitantes.

Para o designer Paulo Cholla, protestos são válidos, mas pichação é crime e ao final, quem paga a conta é o contribuinte. “Não vejo problema no fato de a curadoria ter deixado o andar superior vazio como forma de protesto. Acho extremamente válido. Só não concordo com pessoas que entram, picham, sujam, batem em seguranças e quebram vidraças para fugir”. Paulo aproveita para ressaltar que pichação é diferente de grafite, e lembra da dupla de grafiteiros OsGêmeos, “que grafita pelo mundo inteiro e tem seu trabalho reconhecido por muitas pessoas”.

Já Michelle Araújo, assessora de imprensa, considera pichação “uma forma de arte, uma forma alternativa de se expressar“, e chegou a pensar que a ação fazia parte da programação da Bienal. “Mas daí seria acreditar demais na superação do pensamento conservador de alguns gestores das artes aqui no Brasil”, ela completa.

Nathália Ilovate, estudante de jornalismo, acredita que tenha sido tudo pensado previamente. Já que a idéia desta edição é propor uma reflexão sobre a própria Bienal, a arte contemporânea e a democratização da arte, “acho que um grupo de pichadores fazer um trabalho justamente no andar vazio de uma exposição que tem como intuito esse questionamento é complementar a ela”.

A segurança foi reforçada e as pichações já retiradas. Mas fica no ar a pergunta: arte ou vandalismo?

Para quem quiser conferir, a 28ª Bienal de São Paulo acontece no Parque do Ibirapuera até o dia 6 de dezembro, de terça a domingo, das 10h às 22h.

* Ana Lúcia Abrão é jornalista e colaboradora especial de “Cidades” do Blog da Comunicação.

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5 comentários

  1. Paulo Cholla disse:

    parabéns pelo texto, Ana!

    são opiniões bem diferentes, que com certeza rendem uma boa discussão!

    =]

  2. Rodrigo Piva disse:

    Pela forma como foi feita, vandalismo. Culminou com outros incidentes onde destruíram vários desenhos (grafites) famosos em diferentes partes de São Paulo. Esse é o tipo de coisa que é alimentada pela nossa impunidade. O saber que não será preso e que nada vai acontecer, é uma carta branca.

    Abraços

  3. James Freitas disse:

    É um absurdo!
    foram vândalos…
    Criminosos..
    que devem ser punidos…….
    são verdadeiros animais…vi as imagens na TV e fiquei horrorizado…
    Perderam razão…

    lamentavel…

    ótumo texto!!

    bjs

  4. Guilherme Freitas disse:

    Lamentável que essas cenas tenham acontecido em um evento de grande importância e tradição como a Bienal. Se os pixadores querem se manisfetar que encontrem uma maneira mais civilizada para se expressarem.

  5. Aquilo foi vandalismo sim. O ato havia sido previamente marcado e até onde eu sei não possuia nenhuma intenção artística. Se possuia, o ato foi mal realizado… “arte” não é desculpa para invadir locais e quebrar janelas na fuga. Questionamento e ousadia, sim. Crime, não.
    Acho que esse tipo de discussão vem da crença de que tudo pode ser arte. Por não ser uma área de definição simples, muitas pessoas acreditam que arte pode ser qualquer coisa, inclusive um arrastão na Bienal.
    Marcel Duchamp abordou essa questão de “o que é arte” de um modo muito mais bem humorado e civilizado. Vandalismo não é arte. É crime. Se esses garotos desejam se expressar, procurem outro caminho.

    Garanto que eles tem tanto talento quanto técnica; o que falta é disciplina.

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