mar 2010 02

MUNDO, MUNDO, VASTO MUNDO.18

Escrito por Victor Oliveira | Postado em Comportamento | Tags: , , , ,

por Victor Oliveira

entretenimento@blogdacomunicacao.com.br

Não sei se este é um sentimento coletivo ou uma paranóia individual minha. De todo modo, é uma sensação que incomoda, faz sentir menor. Não ocorre em todos os momentos, aparecendo, sobretudo, quando sinto que o tempo passou e nada produzi, ou seja, literalmente falando, matei o tempo.

Falo da sensação que tenho quando imagino que o mundo corre, as coisas acontecem, pessoas nascem e morrem, e aqui estou, preso a uma bolha, a um pequeno círculo, sem saber ao menos o que se passa na casa do vizinho ao lado. Pense bem, só neste tempo em que você leu este pequeno trecho do texto, quantas coisas, boas ou ruins, já aconteceram. Acha isso estranho? Já pensou sobre isso?

Crédito: Karma.Rg3.net

Quantas vezes já deixamos de fazer alguma coisa e nos arrependemos logo depois por não ter feito? E se tivéssemos lá, o que seria diferente? Aparentemente nada. A Terra continuaria girando do mesmo modo. Não para nós, obviamente. Cada escolha implica numa diferente reação do mundo, do nosso mundo, do mundo daquele que nos cercam. Pensando desta forma, é uma responsabilidade enorme cada decisão que tomamos. Talvez por isso, por um instinto que nos previna desta paranóia, é que analisamos, ação por ação, o que vai ser melhor para nós.

Arrepender por não ter feito algo ou por ter tomado aquela decisão, o que é pior? Não sei. Acredito que a linha de se arrepender do que se faz é melhor. Não tomar a decisão, não fazer, é pior em dois sentidos: primeiro por saber que uma decisão em contrário poderia ser boa, depois por ter perdido a chance de mudar alguma coisa, nem que seja uma mudança boa de humor, ainda que temporariamente. Quando a gente faz, na maioria dos casos é possível ou retornar ao ponto de origem, ou deixar a coisa como está. Não fazendo, fica difícil saber o que poderia ser, além da decepção pela falta de coragem pela omissão.

Há remédio para este sentimento de ser pequeno perto da imensidão do mundo? Talvez. É um remédio natural, que deve ser tomado em doses homeopáticas. Basta viver, usufruir o bem maior que temos, a liberdade de opção. Ir a uma festa ou ficar em casa num sábado à noite, o que é melhor? Vai ser melhor sempre aquilo que o coração mandar fazer no momento. Mas não basta escutá-lo, sob o risco de confundir suas “falas” com outros sentimentos, como a preguiça, por exemplo. Antes de tomar uma decisão, pense, reflita, não responda de pronto. Quantas vezes fomos a um lugar achando que seria horrível e na verdade foi muito bom? E quantas vezes aconteceu o contrário? Aposto que a primeira situação ocorre muito mais que a segunda, não?

Não quero passar em casa enquanto o mundo gira. Vivemos em um formigueiro, então que conheçamos, ao menos, as formigas que aqui vivem conosco. Para conhecê-las, temos que ir a lugares, aos eventos. A internet ajuda nisso, mas é insuficiente, já que ao mesmo tempo em que une pessoas com interesses semelhantes, gera afastamento, pela frieza de um monitor e pela comodidade que traz, que se transforma numa preguiça de sair dali.

Então, caro amigo, viva, converse, conheça, se entretenha e se entrelace com o que lhe agrada. O que se busca nesta vida? Certamente não é apenas dinheiro ou bens. É mais que isso. A busca pela felicidade está interligada no contato com outras pessoas. De nada adianta ter tudo e não ter ninguém para compartilhar seus feitos. A sensação de ter conhecido pessoas legais é mais intensa do que a de comprar uma roupa da moda. Esta última passa tão rápido quanto a própria moda, ao passo que a primeira tem efeito prolongado e pode ser repetida inúmeras vezes, bastando que a gente queira.

É isso.

Obs: o título deste texto foi tirado do Poema de sete faces, de Carlos Drummond de Andrade.

 Obs2: as ilustrações são do excepcional artista Ricardo Bezerra. Mais trabalhos dele podem ser vistos no site: http://www.karma.rg3.net/

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Victor Oliveira

Sou formado em Turismo e, por não me encontrar nessa área, resolvi fazer Direito (ainda em curso). Não muito diferente de muitos, tornei-me concursando e acabei entrando para a esfera pública. Escrevo sobre nosso cotidiano, sobre percepções que tenho das relações humanas. Não pretendo impor verdades e nem determinar caminhos. Leia, absorva o que achar interessante e descarte o que lhe parecer prejudicial. É isso.

18 comentários

  1. Victor, compartilho do mesmo sentimento que você. E meus olhos brilharam a cada linha deste texto. Parabéns e Obrigado! Abraço!

    • Olá Isaque!

      Muito obrigado pelo comentário e pelo elogio. Fico emocionando quando observo que as linhas que escrevo conseguem tocar o sentimento das pessoas, conseguem trazer alguma reflexão de vida. Isso me motiva a escrever mais a cada dia.
      Obrigado, abraços!

  2. Kellen disse:

    Sinceramente, penso ser um epidemia coletiva mesmo! Parece que com o avanço das comunicações, ambições complexas e popularização da informação temos a impressão de estarmos sempre lentos..rs é muito louco mesmo…

    Sds
    Kellen
    Meu Mundo Amigo

    • Olá Kellen!
      De fato, essa loucura do tempo nos afeta. A velocidade com que o mundo corre parece aumentar a cada dia (ainda mais quando vamos “acumulando” mais alguns aninhos…).
      Obrigado pelo comentário.
      Volte sempre!

  3. Olá!

    O mundo com a sua imensidão, todos os seus mistérios, com tantas coisas ruins e tantas coisas boas, com tanta gente que não presta e com tanta gente maravilhosa é um encanto que não pode ser trocado por nenhum outro lugar.

    Abraços

    Francisco Castro

    • Olá Francisco!
      Justamente essa imensidão que assusta. Assusta e frusta também, já que, por mais que viajarmos, ainda assim não será possível conhecer praticamente nada que existe por aqui.
      Obrigado pelo comentário.
      Abraços!

  4. Luciana Bepller disse:

    MUITO BOM!
    Parei por um segundo e pensei…
    Como o medo nós trava,de viver momentos inesqueciveis!! NÃO SOU TÃO BOA COMO VC, MAS PARA UM AMIGO A GENTE TENTA!!

    • Olá Luciana!

      Muito obrigado pelo comentário. Fiquei feliz com sua passagem pelo site. Espero ver você comentando e lendo os textos do Blog da Comunicação sempre…
      Beijos!

  5. Vanessa disse:

    Sair e conhecer pessoas legais é sempre bom, mas às vezes eu tenho a sensação de que isso vicia.Quanto mais eu saio e faço novas amizades mais eu tenho vontade de sair, parece uma avalanche. Acho que é importante também ter um momento só nosso, um momento de introspecção para nos conhecermos melhor e com isso facilitar a nossa socialização com outras pessoas. Adorei o texto, me refletir sobre vários momentos da minha vida. Um texto que realmente despertouminha atenção e emoção.
    Um abraço,
    Vanessa

    • Olá Vanessa!

      Que bom que escreveu aqui!
      Sair é muito bom. A sensação de chegar em casa e ver que conheceu pessoas novas e, sobretudo, legais, é muito gratificante mesmo. Essa auto reflexão é importante também e, como você diz, é mesmo complicado fazer isso saindo direto. O ideal é sempre ponderar, não pode exagerar em nenhuma das duas coisas. Vivendo nesse equilíbrio a gente consegue ampliar nossos momentos felizes.

      Obrigado pelos elogios!
      Beijos!

  6. Antônio Paulo disse:

    Fala meu caro!

    Realmente o mundo é vasto, muito maior que podemos imaginar ou crer, mesmo sendo tão ínfimo diante da imensidão do universo.

    Agora, o que uma dicisão ou uma ação pode implicar nessa roda gigante maluca?
    Talvez tenhamos mesmo que pagar para vê…mas não sei bem ao certo se agir é a melhor opção, ainda tenho muitas dúvidas sobre isso.

    Na verdade esse negócio de que temos que agir é necessário…de que é melhor se arrepender do que se faz…para mim é um tanto quanto contraditório. Às vezes a melhor decisão é não fazer nada…não partir para cima só para vê no que vai dá…, pois os riscos que uma ação desse tipo pode nos trazer pode não ser remediada facilmente.

    Não quero dizer, nem tampouco incentivar, que não devemos agir. Mas continuo a acreditar que a vida seja uma corda bamba e que qualquer desequilíbrio que se gere pode ser necessário uma força monumental para recuperá-lo.
    Vale ressaltar o Isaac Newton insculpiu:”toda ação gera uma reação, de mesmo módulo, mesma direção, porém em sentido contrário”.
    Tudo isso me leva a pensar que a “força” que iremos dissipar deva ser bem calculada e se possível exata, independente se o resultado for zero.

    Mas é isso, independente da decisão é necessário agir para concretizá-la, mesmo que não haja deslocamento, que o ponto de partida seja o mesmo da chegada.

    Grande abraço.

    • Olá Antônio Paulo,

      Obrigado pelo comentário. E que comentário!!! Isso é pauta para outro texto, para outra discussão. De fato, é preciso ponderar em agir ou não agir. Acho que as duas coisas provocam reflexos. A omissão pode até parecer mais confortável no momento, mas no futuro ela cobra, o peso parece ser muito maior. A regra é agir, desde que não faça mal a outras pessoas, aja!
      Valeu e apareça sempre!

  7. Fran disse:

    Adorei o texto….
    É a mais pura verdade.As vezes deixamos a vida passar, nos prendendo a coisas sem importancia, matando o tempo que não volta mais.
    Temos que humanizar mais as relações, sermos afetivos, queé uma caracteristica que nos difere dos animais…
    Quando digo afetivos,falo em amigos, familia e a nós memso.

    • Olá Fran!
      Obrigado pelo comentário e pela visita ao site.
      Concordo com o que disse… só discordo um pouquinho nessa diferenciação que você fez dos humanos e dos animais… quem tem cachorro, gato, etc, sabe o quanto o lado afetivo deles é evoluído, talvez até mais que o nosso…
      Beijos!

  8. Guilherme Freitas disse:

    Victor, belo artigo. Ao ler refleti sobre como nosso mundo é curioso: é globalizado pois podemos convesar com todos através da web, mas não podemos olhar no olho da pessoa com quem conversamos. Ao mesmo tempo que estamos ligados, estamos a quilômetros de distância. Realmente é algo para se refletir e praticar. O ser humano vive de contato, sozinho ele não é nada. Abraço e parabéns pelo texto.

  9. Olá Guilherme!
    Esse paradoxo da imensidão do mundo e a falsa sensação de acesso a tudo isso pelo computador é muito estranho. Dá uma falsa paz, mas a gente conhece muito pouco ficando atrás de um monitor.
    Obrigado pelos elogios.
    Abraços!

  10. Tiburciana disse:

    Nossa Vitor vc escreve muito bem mesmo, e quanto ao teu texto .
    Não consigo me ver como uma pessoa que ve a vida passar eu futuco por tudo.
    Mas sempre me pego pensando sobre os milhares de acontecimento simultaneos no mundo
    bjos

    • Olá Tiburciana!

      Primeiramente, muito obrigado por visitar o Blog da Comunicação e mais obrigado ainda pelo elogio.
      É difícil mostrar para muitas pessoas que elas estão ali, deixando a vida passar. Não dá pra ser Zeca Pagodinho, deixando a vida me levar. Ele mesmo canta isso, mas não age assim… ele é esperto, corre atrás das coisas, está sempre criando e produzindo, levando a vida dele pros caminhos que ele deseja.
      Beijos e volte sempre!

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