por Henrique Oliveira
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Uma história de conflitos
Em tempos longínquos, a África do Sul
foi um território sem fronteiras. Os antepassados colonizaram o país sem restrições e, mesmo sem a complexidade social que, hoje, tanto nos orgulha, tiveram uma convivência primitiva mais harmoniosa. O homem moderno apareceu na região do país há três mil anos. “O povo africano Khoisan, que vivia na região norte de Botsuana, abriu mão da caça para criar gado, atividade que os outros africanos já estavam aprendendo. Eles chamavam a si mesmos de Khoikhoi, o significa homens dos homens, e se referiam aos que permaneceram caçadores como San”. Os Khoikhoi e os San povoaram todas as terras que alcançaram e, sem a devida noção do seu feito, iniciavam uma história de diversidade cultural e muitos conflitos.
Foi na Cidade do Cabo, hoje a segunda mais importante cidade da África do Sul, que a famosa “Companhia das Índias” se instalou em 1652. Como a cidade era a melhor parada para os que viajavam para o ocidente, muitos povos passaram pelos domínios africanos. Foi nesta época que os holandeses, povo diretamente interessado na rota para as índias, enviaram o comandante Jan van Riebeeck para o local. Chegando lá, como parece praxe nas histórias de colonização, ele se desentendeu com os nativos Khoikhois (chamados de Hottentots pelos holandeses).
Estava, então, declarada guerra entre os africanos e os alienígenas europeus. Van Reibeeck aprisionou seus líderes Khoikhoi em Robben Island e deu início a um período nada pacífico de colonização. Foi neste momento histórico que se estabeleceu a primeira semente da discriminação que tanto marcaria a história da África do Sul: os holandeses estabeleceram que os brancos eram distintos dos nativos por serem os colonizadores, e, por estarem nesta mesma posição de “prestígio”, criaram colônias de escravos (a maioria de indonésios).

- Jovens da etnia zulu – Crédito: Divulgação
As colônias foram se espalhando por todo o país e, com isso, a percepção que cada grupo tinha de si mesmo, foi se modificando: “os colonizadores decidiram se diferenciar de seus irmãos da Holanda e se autodenominaram Boers (palavra que significa fazendeiros) ou Afrikaaners (africanos). As mortes começaram a acontecer quando os ‘novos’ colonizadores decidiram tomar o que bem entendessem, matando os adultos dos grupos Khoikhoi e fazendo de seus filhos serventes domésticos” (Fonte: www.africadosul.org.br).
Mais tarde, com o fechamento da Cia das Índias em 1795, com a chegada avassaladora dos ingleses e com a perseguição implacável a outro povo nativo sul africano, os Xhosa, os conflitos e discriminações só aumentaram: “Os Boers uniram suas forças sob o comando de Andrius Pretorius, que mais tarde originou o nome da capital da África do Sul. Os Zulus foram vencidos na Batalha de Blood River, uma questão que até hoje toca o orgulho nacionalista dos Afrikaaners. Na década de 1930, os historiadores Afrikaaners reinterpretaram a batalha como um sinal divino de que os descendentes dos Voortrekkers eram pessoas enviadas por Deus que deveriam dominar a África do Sul. Nessa mesma época, outra guerra foi travada entre os britânicos e os Xhosas, dessa vez na divisa leste do país. O conflito foi tão longo que ficou conhecido como a Guerra dos Cem Anos. Quatro guerras em fronteiras estouraram entre 1819 e 1853, tirando milhares de vidas e deixando a tribo Xhosa arrasada por muitas gerações” (Fonte: www.africadosul.org.br).
Tempos mais tarde, a descoberta do ouro e do diamante na África do Sul só veio a intensificar os conflitos já existentes. Várias brigas litigiosas pela posse de minas, conhecidas historicamente como Grigualand West, eclodiram no país. Desta vez foi o povo Khoina, que há 70 anos habitava o local, que protagonizou a briga. “Como as minas estavam nas fronteiras, os governos do estado de Orange Free, da República Sul-Africana e de Cape Colony também queriam uma parte da riqueza. Quando os britânicos chegaram em 1880 e simplesmente anexaram a área, todos discordaram. Kimberley, considerada o centro da indústria de diamantes, foi dominada por nomes como Cecil Rhodes, Charles Rudd e Barney Barnato, que juntos trabalharam para criar um poderoso cartel, que mais tarde foi consolidado e deu origem à De Beers Consolidated Mines. Hoje, sob o comando do grupo Oppenheimers, a De Beers domina o mercado mundial de diamantes” (Fonte: www.africadosul.org.br). Em outras palavras, mais uma riqueza foi expropriada do povo sul-africano.