por Henrique Beraingê *
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Segundo um dicionário que tenho em mãos, dissimulação é: Não revelar os sentimentos ou desígnios. Ocultar com astúcia, Agir dissimuladamente, Não deixar transparecer.
Adorei o ocultar com astúcia, é a cara das cenas dos últimos capítulos que temos vivido in loco. O verme dessa iniqüidade humana parece que tem contaminado a cada dia que passa mais e mais pessoas e instituições. Vejo em declarações de autoridades, tanta desfaçatez, tanta demagogia e hipocrisia que o que antes me causava revolta, já me causa indiferença. O fenômeno da banalização acerta em cheio muitas vezes aquilo que temos de mais resolvido.
Tento relativizar essa idéia querendo acreditar que essa sensação é decorrente de um amadurecimento emocional, uma espiritualização maior, sei lá, que portanto me torna menos sensibilizado as nossas mediocridades do dia a dia. Vou explicar.
Lendo o site do jornalista Paulo Henrique Amorim, a notícia sobre a condenação do banqueiro Daniel Dantas, fato quase que pitoresco, tratando-se de um país onde a justiça (deve ser escrita com letra minúscula mesmo) é tão parcial quanto nossa imprensa (haja vista a última pesquisa da Associação dos Magistrados Brasileiros mostrando que nunca houve uma condenação no Supremo Tribunal Federal sobre agentes políticos) , é seguida de um link para uma reportagem da Carta Capital. Ávido em ler o conteúdo da reportagem que trata de um suposto envolvimento do presidente do STF com um amigo de Hugo Chicaroni, preso pela operação Satiagraha por ofertar dinheiro a um delegado da polícia Federal com o intuito de livrar Dantas de um inquérito.
Segundo a matéria, Gilmar Mendes (esse nome tem me dado repugnância) presidente do STF, ao saber da decisão do juiz Fausto de Sanctis em condenar Dantas, ficou furioso com o conteúdo da sentença, e soltou o impropério, “Agora pego esse cara”, disse o “ilustre” magistrado. Isso pra mim é coisa de gângster. Gente perigosa. “ Agora pego esse cara”, então quando ele encontrar De Sanctis vai ser o que? “ Perdeu Playboy”, “Tu vai pra vala”.
Na reportagem, o motivo que desassossegou o “nobre” ministro foi que na sentença Na página 281 da sentença há o registro de que, entre 4 de junho e 7 de julho, Hugo Chicaroni, condenado a sete anos de prisão por tentar corromper o delegado federal Victor Hugo Ferreira, ligou nove vezes para o telefone do coronel da reserva do Exército, Sérgio de Souza Cirillo. A dupla pertencia aos quadros da mesma empresa, o Instituto Sagres, especializada, de acordo com o próprio site, em política e gestão estratégica aplicada. É de Chicaroni a jurisprudência, firmada em conversa gravada pela PF, de que Dantas usufrui de “facilidades” nos tribunais superiores do Brasil. Cirillo havia sido contratado por Mendes, 23 dias depois de deflagrada a Operação Satiagraha, para montar um núcleo de inteligência no STF. A investigação rastreou a troca de telefonemas a pedido da defesa de Chicaroni, que solicitou a quebra do sigilo à Justiça.
Ao tomar conhecimento do fato, Mendes declarou-se “surpreso” e solicitou uma investigação ao Ministério Público para saber se o coronel tem relações com Dantas.
Vivendo esses dias negros, me recordo da música do cantor Gabriel Pensador, “ Até quando?”
* Henrique Beirangê, é jornalista e colunista especial de política e economia do Blog da Comunicação.