POBRES TRABALHAM O DOBRO PARA PAGAR IMPOSTOS2
Escrito por Henrique Beirangê | Postado em Economia | Tags: classes D e E, desigualdade social no Brasil, injustiça social, IPEA, salários
por Henrique Beirangê
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Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mostra que a parcela da população que ganha até 2 salários mínimos dedica 197 dias do ano somente para pagar contribuições. Os que recebem mais de 30 salários mínimos precisam de apenas 106 dias.
Diferente dos países desenvolvidos onde a carga tributária é progressiva, ou seja, quem ganha mais paga mais, no Brasil o processo é inverso. A maior parte dos impostos e contribuições é indireta, incide sobre a produção e não sobre a renda, o que torna o custo de vida dos que possuem salários menores mais alto. Quando se encarece a produção por meio de impostos, os empresários repassam os custos para os consumidores. Estatisticamente, os integrantes das classes D e E gastam todo o salário com consumo. Já os que ganham mais, conseguem reservar parte de suas receitas para formação de poupança e investimentos.
Vejamos:
Imaginemos uma família com renda de R$ 1.000,00. Todo volume desse recurso é gasto com itens e serviços como: aluguel, alimentação, transporte e vestuário. O volume desse dinheiro é muito pequeno para que sobre algum recurso para formação de poupança. Quando recebem algum reajuste em seus salários, esse aumento é logo transformado em consumo, afinal já sobrevivem habitualmente com grandes limitações.
Esse fenômeno é chamado de alta propensão marginal ao consumo. Já uma família com renda de R$ 15.000,00, dificilmente aumentaria muito seu consumo de itens como alimentação e vestuários se sua renda global sofresse algum reajuste, afinal ninguém dobra seu consumo de alimentos apenas porque está ganhando mais. Por meio desse raciocínio conseguimos constatar que quanto maior a carga tributária sobre itens de consumo primário, como alimentos, habitação e vestuário, proporcionalmente, os que se encontram na base da pirâmide social pagam mais impostos dos que se situam na porção superior. Uma das formas de se corrigir essa anomalia é aumentar a contribuição sobre a renda e reduzir sobre o consumo. Esse expediente é usado no mundo civilizado há muito tempo.
Precisamos corrigir esse problema rápido. Uma das razões que se encontram no DNA da injustiça social no Brasil é esse sistema desonesto de cobrança de impostos. A tão falada e nunca realizada, reforma tributária, precisa tocar nesse tema, caso contrário continuaremos a sermos vítimas do imbróglio do atraso.

Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora com extensão em Jornalismo Econômico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente faz pós-graduação em "Brasil: Estado e Sociedade" pelo Instituto de Ciências Humanas da UFJF. Procura focar seus estudos na crítica da conduta política e econômica dos agentes públicos brasileiros.












Henrique, o Brasil é um dos países mais desiguais de todo o planeta. Aqui os pobres sofrem demais e pagam impostos pesados que custam suas rendas. Uma vergonha para um país que quer ser uma potência mundial no futuro. Nosso país é como um Congo e Suíça ao mesmo tempo. Temos riqueza e uma economia forte, mas temos desigualdade e pobreza demais. A balança deve ser equilibrada e ai sim o Brasil será justo. Abraços e parabéns por abordar esse tema, que passou meio batido pela mídia durante a semana.
Nos EUA o povo sabe oq paga de impostos…por mais que critiquem esse país creio que a forma com que eles cobram os impostos é justa!
abs