mar 2010 17

Erro na previsão de derretimento de geleira causa a polêmica: o aquecimento global existe mesmo? -- Imagem: www.apolo11.com

Por Henrique Oliveira
meioambiente@blogdacomunicacao.com.br

Parecia unanimidade. Mas, não é que, de uns tempos para cá, tem gente questionando a veracidade do “famigerado” aquecimento global. É isso mesmo. Depois de algumas informações desencontradas, alguns “céticos” arregaçaram as mangas e partiram para imprensa mundial: aquecimento global é uma balela – vociraram eles, comemorando. Mas, será  que eles têm razão?

Para quem ainda não sabe, o termo “aquecimento global” serve para designar  um fenômeno climático de larga extensão caracterizado por aumentos na temperatura média da superfície do  nosso globo, e que vem se intensificando nos últimos 150 anos. Por incrível que pareça, o fenômeno ainda não tem suas origens bem delineadas. Mas, acredita-se que a causa primeira deste aumento na temperatura do globo seja causada pela soma, nem sempre equilibrada, de fatores naturais e antropogênicos (provocados pelo homem).

A grande maioria dos cientistas que estuda com profundidade o clima do planeta é veemente em dizer que o aumento descontrolado da concentração de poluentes na atmosfera terrestre, atualmente, é causa principal da intensificação do aquecimento global.

“A principal evidência do aquecimento global vem das medidas de temperatura de estações metereológicas em todo o globo desde 1860. Os dados com a correção dos efeitos de “ilhas urbanas” mostra que o aumento médio da temperatura foi de 0.6+-0.2 C durante o século XX. Os maiores aumentos foram em dois períodos: 1910 a 1945 e 1976 a 2000. (fonte IPCC). […] Evidências secundárias são obtidas através da observação das variações da cobertura de neve das montanhas e de áreas geladas, do aumento do nível global dos mares, do aumento das precipitações, da cobertura de nuvens, do El Niño e outros eventos extremos de mau tempo durante o século XX. […] Por exemplo, dados de satélite mostram uma diminuição de 10% na área que é coberta por neve desde os anos 60. A área da cobertura de gelo no hemisfério norte na primavera e verão também diminuiu em cerca de 10% a 15% desde 1950 e houve retração das montanhas geladas em regiões não polares durante todo o século XX”.(Fonte: IPCC–Encontrado no site: www.jornaldomeioambiente.com.br)

O problema é que a principal fonte organizadora de todas essas evidências de uma “presença” do aquecimento global foi colocada em xeque por um erro, digamos, bastante polêmico: no início desse ano, alguns cientistas declararam uma verdadeira guerra ao IPCC  (Painel Intergovernamental de Especialistas sobre Mudanças Climáticas da ONU) por causa da inclusão, no relatório de 2007 da instituição, de uma declaração que, segundo os críticos, sem bases científicas, dava como certo o derretimento das geleiras do Himalaia nas próximas décadas.

O suposto erro foi descoberto depois que uma entrevista por e-mail veio a público, indicando que as informações sobre o derretimento da geleira eram “equivocados”. Uma reportagem da respeitada revista britânica New Scientist publicou um comentário do glaciologista indiano Syed Hasnain, da Universidade Jawaharlal Nehru em Nova Deli, que disse, na tal entrevista por e-mail, que todas as geleiras no Himalaia central e oriental poderiam desaparecer até 2035.

O problema é que Hasnain, que era então presidente grupo de trabalho sobre glaciologia do Himalaia, nunca fez essa previsão em um artigo científico e, muito menos, publicou-a em um periódico revisado por outros cientistas. Para piorar, logo depois, o mesmo pesquisador veio a público comentando novamente o assunto: a pedido da revista, ele agora diz que o comentário foi “especulativo”.

Para muitos pesquisadores integrantes do IPCC, o erro estaria sendo supervalorizado por conta de uma uma questão meramente política. Para Carlos Nobre, cientista brasileiro do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e membro do IPCC, por exemplo:

“Esses acontecimentos servem de impulso para os céticos porque eles não conseguem trazer qualquer fato científico novo, surpreendente, que coloque realmente em dúvida a ciência robusta e sólida do aquecimento global. Assim, se apegam a qualquer coisa […] para contestar o aquecimento do planeta. Como não têm condições de debater no nível da ciência, por isso querem jogar o debate em um nível político. Existem aí enormes interesses econômicos afetados pela mudança do paradigma da geração de energia, pela troca de todo o sistema de produção que a partir do qual construímos o bem estar moderno” (Fonte:IHU-Online).

O problema é que o próprio IPCC cometeu um erro “científico” ao permitir que um dos seus pesquisadores divulgasse informações errôneas. Creio que, sim, exista um nível político bastante forte no debate. Mas, com certeza, muito dessa confusão foi criada pela falta de controle do próprio IPCC. Não nos cabe aqui tomar partido sobre o que estaria certo ou errado na situação. Mas, é nosso papel cobrar mais responsabilidade daqueles que se dizem cientistas…

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Henrique Oliveira

Jornalista e blogueiro, atualmente Henrique é editor do site Incomode-se. Tendo experiência com leitura de peças fílmicas e culturais. É, também, autor de artigos publicados nas áreas de comunicação, política, Ciências Sociais Aplicadas. É cinéfilo convicto! Na literatura interessa-se por grandes obras da literatura mundial, indo desde Machado de Assis até Falkner! No debate procura o que foge do consenso. É intensamente instigado pela iquietude do diálogo a pelas portas abertas das novas idéias. Por isso, está, também, sempre aberto a novas parcerias e debates!

16 comentários

  1. Guilherme Freitas disse:

    Henrique, eu acredito no aquecimento global, mas achei esta pesquisa bem interessante. Esta discussão sobre se o aquecimento global existe ou não é algo que vai durar um bom tempo. Abraço

  2. Nathan disse:

    Claro… Até essa charge se tornar realidade…
    http://www.issoecoisafeia.com/2010/02/aquecimento-global.html

    Mito, estão pagando para ver?! :/

  3. Christian disse:

    Sinceramente, acho que nada do que fizermos para conservar o planeta irá trazer algum resultado. O ser humano, é mais esperto e inteligente que qualquer outro animal nesse planeta, isso é fato. O grande problema é que com isso, nós desequilibramos totalmente a cadeia alimentar, antigamente, um homem não teria chance alguma contra um leão. Hoje, um homem com uma metralhadora consegue derrubar 200 leões. A consequência disso é que nossa população foi crescendo exponencialmente, e com isso, nossas necessidades também. Todos querem se alimentar, se vestir, enfim, consumir. Por isso eu acho normal nós estarmos acabando com nosso planeta. E isso em partes não é culpa nossa. Simplesmente esse lugar ficou pequeno demais para todos nós.

    Podemos tomar medidas para fazer um uso mais consciente de nossos recursos, mas isso nos dará quanto tempo mais? Quantos anos a humanidade têm? Esse tempo que iremos ganahr realmente fará alguma diferença?

    É esperar para ver…

    Parabéns pelo blog.

    • ELIZIER DO CARMO LEITE disse:

      No entanto,em relação ao desalinho causado pelo ser humano na natureza bruta, é de se levar em conta que esta, como nosso tecido ceular pode sentir e perceber os fenômenos comuns a todos os reinos,e, com igual inteligência os realinha e recompõe, de tempos em tempos. Levemos em conta as transformações havidas na era terciária. em que abismos viraram planos e vice-versa.Haveria, alí,efeitos de poluição ou ausência de ecologia,e, consequentemente, a ciência e a tecnologia atuais ? É para pensar…

  4. Fabricio (geógrafo) disse:

    Pra quem quer ter uma base teórica sobre a farsa do aquecimento global procure no google: ‘desmistificando o aquecimento global’. Um artigo do professor Luiz Carlos Baldicero Molion do Instituto de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Alagoas. Parem, de falar merdas sobre leões, metralhadores… O homem faz mal a si mesmo poluindo o próprio ambiente, o planeta nem perceberá que o homem se foi e novas espécies surgirão. O que é 1 milhão de anos pra quem tem 4,5 bilhões de anos

  5. Lucas disse:

    Verdade ou mentira.. não devemos deixar de ter consciência ambiental.

  6. Rodolfo disse:

    Concordo com o Lucas, é até bom que não caia essa noticia na voz do povão, pq o povo burro do jeito que é, é capaz de poluir mais ainda. Vamos ter consciência ambiental sim, não jogar lixo nas ruas é o primeiro passo, pois a consequencia está ae.. pessoas morrendo nos alagamentos.

    • Jethro disse:

      Fora o fedor e o visual, também acho que muitas pessoas vão usar esse tipo de coisa pra poluir, já existe até um filme falando que é um mito, (basta procurar “Aquecimento Global: Um Mito”) e isso só vai piorar a situação atual.

  7. Mariana disse:

    eu estava fasendo um trabalho sobre o aquecimento global e achei interessante isso pois eu acho que é verdade agora eu intendo que aquecimento global existe eu me interessei muito pelo assunto que o trabalho valia 0.2 pontos e eu tirei dois eu fiz um cartaz e uma maquete ficou lindooo
    Valeu por me ajudar no trabalho :)

    • Mudanças Climáticas – com quem está a verdade?

      Em artigo recente no Wall Street Journal, assinado por dezesseis cientistas, o grupo apresenta uma carta aberta à sociedade – não necessariamente um documento científico – em relação ao que pensa do Aquecimento Global (causa) e as Mudanças Climáticas (efeitos).
      No texto – polêmico, mas que deve ser respeitado – é feita a citação que não há motivo para pânico sobre o assunto. Enfatiza que há gente ganhando dinheiro na venda do que chama de “alarmismo climático”. Conclui dizendo que um grupo de cientistas está sendo deixados – propositalmente – fora da discussão, particularmente os que não defendem soluções drásticas para a solução do Aquecimento Global. Continua, criticando abertamente o IPCC e a ONU. Explícita – em tom de desabafo – que os modelos matemáticos utilizados por estas instituições estão superestimando os valores de previsão dos futuros efeitos do Aquecimento Global, ou seja, das Mudanças Climáticas.
      Os cientistas vão mais longe; afirmam que o crescimento do nível de gás carbônico na atmosfera foi muito bom para a produtividade da agricultura, ou seja, o efeito estufa foi positivo sob este aspecto. Vão mais longe: o grupo dos cientistas alarmistas visou – e conseguiu – financiamento público para suas pesquisas voltadas aos seus interesses e não, necessariamente, com a verdade. Este fato propiciou a alguns governos a desculpa para criarem taxas e subsídios, ou seja, a saída para as necessárias soluções econômicas, disfarçadas por pressão ambiental.
      Posições antagônicas como esta – digamos polêmicas em termos de convergência para uma verdade de consenso científico – têm sido, de forma cíclica, uma realidade em relação ao tipo de informações sobre o Aquecimento Global que chegam à sociedade. Para quem deseja – sem ser iniciado no tema – entender o que está acontecendo de verdade, acreditando que os cientistas é que deveriam ter as respostas para as suas dúvidas (digamos, as primárias) acaba por levar a sociedade a, cada vez mais, a se afastar da discussão, exatamente no sentido inverso que se faz necessário.
      Muitas pesquisas mostram que a sociedade – no caso a brasileira – mostra envolvimento com a problemática decorrente do Aquecimento Global, entretanto outras pesquisas evidenciam que apesar de mostrarem envolvimento com o tema, não conseguem, com suas próprias palavras, explicar o que é Aquecimento Global (causa) e Mudanças Climáticas (efeitos). Respeitando as duas linhas de pesquisa fica a evidente a dúvida: a sociedade pode estar envolvida com um assunto que não consegue explicar?
      O cenário é, no mínimo, preocupante, pois a tendência da discussão ainda continua na área científica – apoiada ou contestada por ambientalistas, governos e uma minoria de iniciados da sociedade – pano de fundo para várias conferências realizadas ao longo do mundo, voltadas ao tema.
      Nosso foco neste artigo – sobretudo, pois não há espaço para tal – não é defender uma das posições (alarmistas x não alarmistas), mas colocar a discussão em termos da sociedade, ou seja, procurar esclarecer o aspecto de que ela não pode se excluir / omitir dessa discussão. Ou seja, acompanhar os fatos na mídia, estando consciente que, em algum momento, a sociedade terá de ser ouvida.
      Simplificando, se é que é possível: partindo dos extremos, sem compromisso com nenhum dos lados, se as Mudanças Climáticas não serão críticas como dizem os “não alarmistas” ou se serão, como afirmam os “alarmistas”, em qualquer dos casos a sociedade já está pagando os ônus decorrentes (necessários ou não).

      Roosevelt S. Fernandes, M. Sc.
      roosevelt@ebrnet.com.br

  8. Mariana disse:

    eu gostei muito desse texto :)

  9. adinar disse:

    acredito no aquecimento global, e so verificar a situação atual do clima enchentes,terremetos,temp. do clima bastante elevada,derretimento das geleiras,etc. o clima esta descontrolado

  10. grazielly disse:

    se todo mundo coperasse o aquecimento global e a se derrotado mais nao so querem cutir a vida e deixa de lado o nosso planeta eu to fasendo minha parte e vc ta fasendo a sua?sera qui ta fasendo mesmo

  11. Antônio Muniz disse:

    Bem,aquecimento pois sim. O que eu estou vendo, é boa parte do hemisfério Norte enfrentando sua maior nevasca, e um frio de rachar os ossos. Basta ver.Não é estatistica.A antártida teve queda de temperatura no continente , mesmo perdendo com o degelo no mar ,e o oceano Artico o gelo tomou de conta do mar, dados da Estação de comandante Ferraz confirmam a queda de temperatura já a há Três anos. Frio no Sul em pleno verão.E pode esperar esse ano em junho, neve no Brasil. O Japão hoje faz um calor de vestir roupa de esquimó e não está chovendo, só neva no calor de -5 cº. KKKK me faz rir, essa idéia do E.U.A. Eles deveriam se preocupar com seus SUPER VULCÕES, QUE ESTÃO A TREMER TODO DIA,ELEVANDO O TERRENO em cm, FUMAÇANDO, E A TERRA EM VolTA AQUECENDO A 90 GRAU C°.Ciêntistas de lá estão apavorados em um só dia a terra estufou 19 cm.

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