jul 2010 06
O escritor J. J. R. Tolkien – Crédito: Reprodução

por Guilherme Freitas
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Um dos maiores escritores da história e que teve suas obras retratadas fielmente nas telas de cinema é sul-africano, embora muita gente não saiba. John Ronald Reuel Tolkien, ou simplesmente J.R.R. Tolkien, nasceu em Bloemfontein, capital jurídica, no dia 3 de janeiro de 1892. Filho de ingleses, mudou-se com a família aos três anos para a Inglaterra[bb]. Aficionado por linguística começou ainda adolescente e a criar reinos e mundos fictícios para seus futuros livros. Cursou faculdade de letras e posteriormente se tornaria professor universitário em Oxford.

A brilhante carreira literária teve de ser interrompida devido a Primeira Guerra Mundial. Convocado pelo exército britânico, Tolkien serve como oficial, mas adoece devido a uma febre nas trincheiras. Após se recuperar nasce seu filho mais velho John, em 1917. Após uma década de trabalhos acadêmicos, o escritor começa a trabalhar no livro ”O Hobbit” em 1930, mas só o termina em 1937. A história narra a saga do pequeno hobbit Bilbo que herda o Um Anel.

Após o sucesso da obra, ele começa a escrever aquele que seria seu maior sucesso: “O Senhor dos Anéis”. Tolkien demorou seis anos para produzir a história dos hobbits Frodo e Sam na jornada para destruir o Um Anel e criar os vários alfabetos dos personagens. Este período foi duro para o escritor devido ao fato de seus filhos Michael e Christopher estarem lutando na Segunda Guerra Mundial[bb]. Ao mesmo tempo em que escrevia o livro, ele se preocupava com o estado dos dois. A obra é tão grande que foi dividida em três volumes, assim com a versão cinematográfica.

Após o sucesso dos livros sobre hobbits e reinos fictícios, Tolkien escreveu outras histórias. Entre elas “O Silmarillion”, considerado por muitos sua obra mais famosa. Ele morreu em 1973 após uma infecção no peito. No dia de se centenário, a Universidade de Oxford plantou duas árvores no campus da instituição relembrando sua história “Duas Árvores de Valinor”.

Capa do livro “O Senhor dos Anéis: As Duas Torres” – Crédito: Reprodução

Para ler: “O Senhor dos Anéis”, trilogia escrita entre 1943 e 1949, lançado em 1953. Preço médio: R$ 48,00 cada livro.

Capa do livro “O Hobbit” – Crédito: Reprodução

Para ler: “O Hobbit”, escrito entre 1930 e 1937. Preço médio: R$ 50,00.

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Para ver: “Trilogia O Senhor dos Anéis”, filmes lançados entre 2001 e 2003, baseados no livro de Tolkien ganhadores de 17 Oscars. Acima trailer de “O Retorno do Rei” (2003).

jul 2010 05

DA REDAÇÃO
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Vista área de Port Elizabeth – Crédito: Divulgação

A cidade de Port Elizabeth está localizada ao sul da sede da Copa do Mundo, situada na Baía de Algoa e tem um dos maiores portos do país e do continente. Ela foi fundada em 1820 por colonos britânicos e tem uma população de quase 1 milhão de habitantes, fazendo dela a quinta maior da África do Sul. Há uma grande colônia branca na cidade, já que o africânder é um dos idiomas mais falados por lá. Um dos mais famosos navegadores esteve por lá. Em sua rota rumo as Índias, Vasco da Gama[bb] aportou nas águas da cidade. Hoje Port Elizabeth é um grande pólo de desenvolvimento industrial, mas enfrenta problemas relacionados ao crime e a epidemia de Aids.

O monumento Donkin Reserve – Crédito: Divulgação

A atração mais famosa da cidade é Addo National Park, um dos parques naturais mais visitados do país. Lá vivem mais de 450 elefantes africanos, que estão ameaçados de extinção. Também é possível observar os big seven, os sete animais mais admirados no país: búfalo, elefante, leão, leopardo, rinoceronte, tubarão branco e a baleia franca austral. Vale a pena passear pela região do Donkin Heritage Trail, que concentra museus, monumentos e pontos históricos. Próximo ao estádio Nelson Mandela Bay há um moderno complexo de diversões chamado The Boardwalk. E claro, as praias de Port Elizabeth são um passeio imperdível.

O estádio Nelson Mandela Bay – Crédito: Divulgação

A arena da cidade durante a Copa do Mundo é o moderno Nelson Mandela Bay. Ele foi construído em 2009 e seria utilizado na Copa das Confederações, mas ficou de fora da competição vencida pelo Brasil. O estádio, com capacidade para 42 mil pessoas, vive um dilema. Não clubes de futebol na cidade que poderão arcar com a manutenção e utilização do estádio. Teme-se que o moderno Nelson Mandela Bay transforme-se em um suntuoso elefante branco. Na arena ocorrerão várias surpresas na Copa, como a derrota da Espanha para o Chile e a vitória da Sérvia sobre a Alemanha. Foi lá também que o Brasil se despediu da Copa a perder para a Holanda[bb] nas quartas de final. O estádio encerra sua participação no Mundial após sediar a decisão do terceiro lugar.

Veja abaixo vídeo sobre as belezas naturais de Port Elizabeth:

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jun 2010 30

DA REDAÇÃO
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Vista da beira-mar de Durban – Crédito: Divulgação

Terceira maior cidade da África do Sul, atrás apenas de Johanesburgo e Cidade do Cabo, Durban está localizada na costa do Oceano Índico e tem 2,7 milhões de habitantes. Uma curiosidade é o alto número de indianos vivendo na cidade e que o zulu é a língua mais falada. A economia da cidade gira em torno do turismo, devido as belezas naturais. Há fortes laços de Durban com Portugal[bb]. O navegador Vasco da Gama descobriu a cidade no dia 25 de dezembro de 1497 e Fernando Pessoa viveu parte de sua juventude lá.

A cidade de Durban ao fundo – Crédito: Divulgação

Assim como a Cidade do Cabo, Durban é famosa pela belíssima costa. Praias que atraem turistas e muitos surfistas são os cartões postais da cidade. O clima quente o ano todo faz com que ela seja considerada o “Rio de Janeiro[bb]” africano. Além das belíssimas praias, outro ponto turístico badalado é o Shaka Marine World, um parque construído em uma homenagem a rei zulu Shaka. Lá o turista encontra lojas, restaurantes, shows de golfinhos e um aquário construído dentro de um barco naufragado. A vida noturna de Durban é agitada e há lá excelentes restaurantes e casas noturnas como a Florida Road, Davenport Road e Swapo Avenue.

O estádio Moses Mabhida – Crédito: Divulgação

O moderno estádio Moses Mabhida foi construído especialmente para a Copa do Mundo. A arena foi projetada para se tornar multiuso e há um anfiteatro com teleférico que leva os fãs a uma plataforma de observação no topo do arco de 100 metros de altura, acima do gramado do estádio. De lá, é possível observas belos pontos da cidade de Durban. A arena está localizada no Complexo Esportivo Kings Park e tem capacidade para 69 mil pessoas. O Brasil empatou com Portugal neste estádio, que se despede da Copa no dia 7 de julho, na semifinal entre os vencedores dos jogos Argentina x Alemanha e Paraguai x Espanha.

Veja abaixo um vídeo com fotos de Durban:

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jun 2010 29

por Guilherme Freitas
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O bispo da Igreja Anglicana e Prêmio Nobel da Paz, Desmond Tutu – Crédito: Divulgação

Uma das figuras mais carismáticas e simbólicas da África do Sul é o destaque de hoje dessa sessão sobre ícones do país sede do Mundial de futebol. Desmond Tutu, bispo da Igreja Anglicana[bb], roubou a cena na cerimônia de abertura da Copa do Mundo. Vestindo camisa, gorro e cachecol da seleção sul-africana, Tutu gritou, cantou, dançou e convocou a todos para que unissem e assistissem a Copa. Na partida de estreia dos Bafana Bafana, lá estava ele mais uma vez cantando e torcendo pela seleção. Uma alegria contagiante e emocionante.

Desmond Tutu nasceu em Klerksdorp, no dia 7 de outubro de 1931. Na época do seu nascimento, os negros tinham que ter uma identificação especial e sempre que necessário tinham que mostrar para os policiais brancos. Quando ainda era criança, mudou-se com a família para Johanesburgo e lá estudou na Escola Normal de Johannesburgo. Aos 24 anos, fez um ato de coragem: escreveu uma carta ao primeiro-ministro Johannes Gerhardus Strijdom classificando o apartheid de “política diabólica”. Sonhava em ser físico, mas cursou a faculdade de teologia na King’s College de Londres.

De volta a África do Sul, Tutu foi nomeado decano da Catedral de Santa Maria, em Johannesburgo, em 1975. Foi o primeiro negro a conseguir este feito e anos mais tarde tornou-se secretário-geral do Conselho das Igrejas da África do Sul. Aos poucos foi ganhando fãs e popularidade no país e passou a combater o apartheid junto com outras personalidades negras. Sua luta por uma sociedade igual rendeu um Prêmio Nobel da Paz em 1984 e outras dezenas de honras em todo o mundo.

Após o fim da segregação racial, apoiou a eleição de Nelson Mandela e em 1996 presidiu a comissão de Reconciliação e Verdade, órgão que procurou promover uma integração racial na África do Sul e julgar crimes do regime racista. Atualmente Tutu é idolatrado pela população. É crítico das políticas do governo sul-africano e reclama constantemente dos casos de corrupção e da crescente xenofobia no país. Ele também esteve envolvido em polêmicas com Israel, tendo criticado a forma como o governo israelense conduz o bloqueio a Faixa de Gaza. Carismático e pacífico, Desmond Tutu[bb] é um homem do qual a África e o mundo podem, e devem, se orgulhar.

Para ver: “Reconciling Love: Archbishop Desmond Tutu”, vídeo especial onde Desmond Tutu discursa para a produzido em 2005 pelo canal UCSB.

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Para ver: Desmond Tutu na cerimônia de abertura da Copa do Mundo 2010 esbanjando simpatia e alegria.

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jun 2010 28

DA REDAÇÃO
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Campus da Universidade de Bloemfontein – Crédito: Divulgação

Bloemfontein é uma das três capitais da África do Sul[bb]. A cidade é a sede judiciária do país e com grande população branca, uma das maiores no país. Ela tem quase 400 mil habitantes e foi fundada em 1846 por descendentes africâners. Também é a capital da província do Estado Livre, nome da arena utilizada na Copa do Mundo. Hoje ela tem ótimas escolas e universidades e no passado teve grande presença na Segunda Guerra Anglo-Bôer, entre Inglaterra e a República do Transvaal (antigo nome da África do Sul). A economia de Bloemfontein gira em torno da indústria, comércio e agricultura.

Prédio da Corte de Apelação da jurídica Bloemfontein – Crédito: Divulgação

A cidade tem vários pontos turísticos. Um dos mais famosos é o Museu Nacional, que abriga diversas coleções de fósseis e objetos arqueológicos da África do Sul e é muito popular entre arqueólogos e historiadores. Lá há dois museus que lembram fatos militares no país, o Queen’s Military Museum e National Women’s Memorial e Anglo-Boer War Museum. Não podem ficar de fora do roteiro turístico a Represa das Lágrimas, uma pequena barragem, que formou parte do campo de concentração de Bloemfontein para mulheres e crianças.

O estádio Free State – Crédito: Divulgação

O estádio da cidade durante a Copa do Mundo é o Free State. Ele foi construído em 1995 para a Copa do Mundo de Rugby. Depois passou por obras para modernizar-se e hoje têm 45 mil lugares. Na Copa das Confederações do ano passado, ele foi palco da surpreendente vitória dos Estados Unidos sobre a Espanha[bb] na semifinal. Assim como muitos estádios no país, ele também é utilizado por times de rugby. O esporte é muito popular em Bloemfontein devido a grande concentração de brancos por lá. A arena se despediu da Copa ontem, com o jogão entre Alemanha e Inglaterra, que entrou para a história dos Mundiais com o gol anulado de Lampard e a goleada germânica.

jun 2010 26

por Henrique Oliveira
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País unido: a paixão pelo futebol
Desde a posse de Mandela, a África do Sul tenta superar os resquícios do seu antigo regime segregacionista. E, nesta trajetória, um aspecto tem sido de vital importância: o esporte. O futebol é um belo exemplo disso. Com sua força, ele vem ajudando a reunir um país antes separado. Com seu espírito coletivo ele vem ajudando a criar uma nova realidade sul-africana. A relação entre a África do sul e o futebol é bem antiga. Teve início na segunda metade do século 19 e, rapidamente, fez com que o esporte criasse fortes vínculos com boa parte da população do país.

O primeiro clube de futebol sul-africano foi o Pietermaritzburg County, nascido em 1879. A equipe era composta apenas por imigrantes europeus, e jogou suas primeiras partidas contra equipes do exército[bb] inglês que, na época, ocupavam o país. Foi só em 1882, quando foi criada a Associação de Futebol de Natal, que surgiu um pequeno campeonato formado por quatro clubes: o Pietermaritzburg County, Natal Wasps, Durban Alpha e Umgeni Stars. O sucesso foi imediato e, já no ano seguinte, a liga nacional contava com dez clubes.

Mais tarde, em Port Elizabeth, surgiu o Pioneers FC: fundado por dois ingleses, mas contando com a presença de jogadores nativos, o clube foi um desafio frontal ás equipes militares e, também, um pontapé inicial para a criação das primeiras competições encorpadas do país. Mais tarde, com a consolidação da Associação Sul-Africana de Futebol, teve-se o marco inicial para que uma equipe nacional defendesse as cores da África do Sul pela primeira vez: em 1897, contra o clube inglês Corinthians que excursionava pelo país. Foi também à Inglaterra que a seleção sul-africana viajou internacionalmente pela primeira vez: em 1898, quando o Orange Free State Bantu Soccer fez uma viagem ao país.

A apaixonada torcida dos Bafana Bafana – Crédito: Cape Town Travel

E os Bafana Bafana (nome popular do selecionado no país) tiveram o começo bem competitivo, vencendo times hoje tradicionais, como Uruguai e, pasmem, Argentina. Porém, foi outro aspecto que sempre fez com que o futebol sul-africano fosse bem visto: “O futebol[bb] sempre se orgulhou de promover a integração racial, e na África do Sul o esporte de fato ajudou a quebrar as barreiras do apartheid, embora o processo não tenha sido rápido. A partir de 1946, o Comitê Interracial de Futebol passou a organizar partidas em que todas as comunidades eram representadas. Com o mesmo intuito, federações representantes de três comunidades (indiana, africana e “de cor”) disputaram na província de Natal o Troféu Singh. Na antiga província de Transvaal, uma iniciativa semelhante colocou em jogo o Troféu Rev. Sigamoney” (Fonte: http://pt.fifa.com/worldcup).

Em outras palavras, o esporte mais popular do planeta[bb] foi, sim, crucial no processo de luta contra a absurda segregação que acontecia no país. Em 1959, quando definitivamente, nasceu o futebol profissional sul-africano, mais de 500 mil espectadores assistiram a 210 partidas de dois torneios e, com isso, mesmo que de maneira inconsciente, engrossaram o caldo daqueles que protestavam contra o apartheid e lutavam pela união dos povos do país.

Em 1991 foi fundada a South African Football Association (Associação Sul-Africana de Futebol, Safa). Essa associação foi, em suma, fruto de todo um processo de unificação. Um processo que lutava pela libertação do esporte nacional de um passado obscuro de segregação racial. No mesmo ano, com a apoteótica participação da Safa em um congresso da Confederação Africana de Futebol, realizada em Dacar, no Senegal, a África do Sul ingressa na Fifa e volta ao cenário mundial.

Quase duas décadas depois, a África do Sul mostra que todo o seu passado de segregação está ficando, aos poucos, enterrado. Anfitrião da Copa de 2010, o país, mesmo não contando com um selecionado tão competitivo assim, e ainda guardando algumas rusgas do passado, mostra que tem alegria e diversidade cultural para dar e vender. Mostra que o país e que o povo sul-africano são muito mais do que a sede da Copa.

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