por Fernanda Pereira
fernanda@blogdacomunicacao.com.br
Idos os tempos em que meu avô vestia um terno elegante, passava a mão em seu chapéu panamá e ia às janelas de moçoilas belas, cantar seu coração despedaçado em amores não correspondidos. Fazia-o às vezes aos sábados, domingos, feriados, mas gostava mesmo era das sextas – feiras. Se houvesse lua no céu, melhor ainda. Admirava o rosto da pequena na janela, banhado pelo clarão que a lua fazia. E sentia o coração despedaçar a cada nota do violão choroso encostado ao peito. Cantava com os amigos e, quando por vezes a pequena ingrata não se derretia pelas vozes melodiosas, iam sem destino tocando e cantando rua afora de uma São Paulo antiga que eu não conheci e, talvez, nem você leitor. Eram românticos boêmios que levavam sua juventude diferente da nossa, eram as serestas com seus seresteiros.
Romantismos a parte as serestas aos poucos foram deixando de ser uma expressão cultural e tornaram-se motivo de chacota entre a juventude de hoje. Os cantadores foram substituidos por cd’s, dvd’s, telas de plasma. E, as declarações feitas ao pé de uma janela já não fazem mais o mesmo sucesso com as meninas. Poucos os homens tocadores, muitos os corações despedaçados e maior ainda o número de boêmios, que nem a Lei Seca consegue diminuir.
Para matar essa saudade algumas cidades exploram nesse saudosismo um potencial atrativo de entretenimento e cultura, como é o caso de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Toda segunda sexta-feira de cada mês a Prefeitura Municipal pela Fundação Municipal de Cultura (FUNDAC), promove na Praça do Rádio Clube, no centro da cidade, a Noite da Seresta.
Música de qualidade, com seresteiros locais e um convidado nacional. Já passaram pelo palco nomes como: Demônios da Garoa, Agnaldo Rayol, Agnaldo Timóteo e por aí vai. Hoje a capital se prepara para receber Oswaldo Montenegro. O carioca que além de cantor, tocador é também diretor e escritor de peças teatrais, imortalizou músicas como “Lua e Flor, da trilha sonora da novela O Salvador da Pátria.
Em 94, Oswaldo lançou seu primeiro livro – “O Vale Encantado” – um livro infantil, no mesmo ano indicado pelo MEC, através da Universidade de Brasília, para ser adotado nas escolas de 1º grau. Nesse mesmo ano, realizou sua 1ª excursão fora do país, fazendo shows em Boston, New Jersey, Monte Vernon, Conecticut e Miami. A carreira, que começou aos 13 anos continua de vento em popa, hoje quando tem 52 anos tem sempre um novo projeto ou uma nova canção cantarolada nas ruas ou nas cenas de novela.
O Vale Encantado virou peça de teatro, encenado por cadeirantes. Atores, peça e música (Mel do Sol) um espetáculo sem igual. Assista ao vídeo no final do post e sinta-se quase em uma seresta como a de logo mais a noite. Procure na sua cidade programas como esse, uma seresta, teatro, dança. Alimente a alma nesta sexta-feira, dia dos solteiros.
por Fernanda Pereira
fernanda@blogdacomunicacao.com.br
Créditos: Foto do anoitecer em Campo Grande de Gutember
Sobá do Google imagens e Feira Central do site http://www.feiracentralcg.com.br/index.php
Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, é um meio termo entre capital e interior. Com cerca de 800 mil habitantes a cidade, que vive a expectativa de sediar alguns jogos da Copa de 2014, está em franco desenvolvimento. Um crescimento planejado, verde e constante. Enfrenta problemas muito parecidos com os das grandes capitais. Enchentes e alagamentos em tempos de chuvas muito fortes, a criminalidade que cresce junto com o avanço financeiro e o trânsito que é o mais perigoso de todo o país.
Em contrapartida está às portas de um santuário ecológico, o Pantanal, tem uma das melhores qualidades de vida do país e ainda reserva um certo ar bucólico nos bairros onde os vizinhos sentam-se à porta para conversar no final do dia e tomam despreocupadamente o tereré gelado. Além disso, de acordo com dados do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), tem um dos melhores ensinos públicos de base do Brasil.
A capital Morena ainda abriga a terceira maior colônia de imigrantes japoneses no Brasil. E este ano, quando a imigração dos olhinhos puxados completa 100 anos, a empolgação por estas terras não poderia ser maior quando o assunto é o Festival de Sobá da Feira Central. Para quem não é dessas paragens são muitas informações novas em poucas frases, não? Então vamos por partes.
O Festival do Sobá é um evento realizado todos os anos em Campo Grande, para a felicidade dos comedores dessa iguaria oriental. Macarrão japonês, com carne suína ou bovina, cebolinha, omelete em fatias bem finas e o caldo de cozimento da carne, o tempero é um segredo milenar que ninguém divulga. O prato já é uma tradição campograndense e em nenhum outro lugar do país é tão consumido e apreciado como por aqui. Com os anos acabou ganhando toques brasileiros, mas ainda assim continua a ser muito parecido com a receita que veio de Okinawa com os primeiros imigrantes.
A Feira Central, ponto turístico da cidade, idealizadora do evento, abriga barracas especialistas na iguaria, além de oferecer espetinho com mandioca amarela, doces, “bugingangas” típicas de toda feira e souvenirs para turistas. Funcionando às quartas, sextas e sábados durante a noite e domingos no horário do almoço e a tarde, a feira é um programa típico dos moradores e os frequentadores são de todas as idades. Antes da balada, depois da balada, só para comprar umas pulseiras, só para bater perna, para ver gente bonita, comer um sobá ou simplesmente uma volta para não ficar em casa. A Feira Central, que fica em uma área histórica da capital, a Esplanada da Ferrovia, está sempre cheia e de braços abertos. Quem vier à capiutal Morena passe por lá, experimente o sobá e divirta-se.