dez 2011 16

por Guilherme Freitas
internacional@blogdacomunicacao.com.br

Primeiro foi um norueguês que saiu disparando tiros. O saldo foi de 76 mortes. Ele foi detido, julgado e passará o resto na vida num manicômio. Depois um italiano de extrema direita que abriu fogo em uma feirinha de imigrantes em Florença. Matou dois senegaleses e cometeu suicídio ao ser cercado pela polícia. E por fim, um ex-presidiário que detonou granadas e tiros no centro de Liège, na Bélgica. Matou cinco pessoas, entre elas um bebê de 17 meses, cometendo suicídio em seguida. Mas o que leva à Europa[bb] essa onda de crimes contra imigrantes e até cidadãos europeus.

Um das respostas para essa onda de violência é a crise que assola o continente. Com as economias em recessão e a falta de dinheiro, o desemprego e as dívidas cresceram. Muitos europeus tiveram que cortar alguns luxos, como jantares em restaurantes, por exemplo, para poder se adequar a nova realidade. Com isso, o desemprego também aumenta e atinge principalmente os mais jovens, que deixam a faculdade e não conseguem trabalhar na área que estudaram devido as poucas vagas. Só na Espanha, os jovens sem empregam quase atingem 40% da população.

Equipe de resgate atua na Bélgica após atentado em Liège - Crédito: ABC.net

Foi daí que surgiram fortes movimentos populares, os chamados indignados, que lotaram as ruas de Atenas, Lisboa, Madri e Paris em protestos contra a situação atual europeia. O movimento também ganhou adeptos do outro lado do Oceano Atlântico, nos Estados Unidos[bb], com o Ocupe Wall Street. Com esse descontentamento a xenofobia e o sentimento contrário a imigração afloram. Os europeus que antes viam os imigrantes como necessários no mercado de trabalho, agora passam a considerá-los como concorrentes porque muitos estão pegando o primeiro emprego que aparece.

Mas qual a solução para evitarmos problemas sociais e outros fatos lamentáveis como os citados no início deste artigo? Sinceramente, não sei. Acredito que o sistema precisa urgentemente mudar. Não dá mais para permanecer nessa situação. Atualmente poucos lucram (leia-se políticos, grandes empresários e bancos). E muita, muita gente não fica com nada. A Europa está conhecendo o lado negro do capitalismo e precisa achar uma solução para sair do buraco. Caso contrário aquele que já foi considerado o melhor lugar para se viver, será o local onde ninguém mais vai querer ficar.

ago 2011 29

Por João Paulo Denófrio

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A presidente Dilma Rousseff começou a semana participando de encontros importantes com as áreas de economia do governo, a base aliada e até sindicalistas. O objetivo não foi falar só sobre o risco de uma nova crise financeira mundial, mas também medidas de prevenção que poderiam ajudar a combater, inclusive, a crise política interna.

A ideia do governo é ficar de olho no superávit primário para aí sim pôr em prática o que muitos governos prometem há tempos: reduzir de forma “decente” a taxa básica de juros, que atualmente está em 12,5% ao ano – uma das mais elevadas do mundo. Os sindicalistas estão confiantes de que a queda possa refletir na geração de mais empregos e em outros resultados positivos para as indústrias e o comércio.

Dilma anuncia medidas econômicas contra crise - Crédito: Evaristo Sá/AFP

Primeiro, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, decidiu ampliar de R$ 81 bilhões para R$ 91 bilhões a meta de superávit primário, que representa o quanto o governo pretende economizar. E não é nenhum esforço não, já que novamente a arrecadação com impostos foi recorde. Segundo Mantega, esse aperto nos gastos deve resultar na manutenção da aceleração da economia, no crescimento de forma geral e irá refletir na taxa de juros.

É fato que Dilma está mirando vários aspectos em medidas como essa, até a avaliação sobre o andamento do governo. Tudo o que ela menos quer a saída de mais um ministro em meio a denúncias da imprensa. Portanto, mantendo a economia em franco aquecimento, será o bastante para afastar o Brasil da quebradeira mundial e evitar críticas internas sobre seu governo.

ago 2011 05

NUVEM NEGRA SOBRE O FMI1

Escrito por João Paulo Denófrio | Postado em Internacional | Tags: , , , ,

Por João Paulo Denófrio

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Parece até piada, perseguição ou azar: menos de 3 meses depois de assumir a chefia do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde está sendo investigada pela Justiça da França. Ela é suspeita de ter cometido abuso de poder quando era ministra das Finanças em 2008.

Na época, Christine Lagarde teria autorizado um pagamento de 285 milhões de euros ao empresário Bernard Tapie para compensá-lo a respeito de uma alegação de que o banco Crédit Lyonnais, na época estatal, o fraudou na venda de sua participação na Adidas na década de 90. Em 2007, enquanto ainda brigava na justiça para receber o dinheiro, Tapie deixou a esquerda e decidiu apoiar a candidatura à presidência francesa de Nicolas Sarkozy.

Coincidência ou não, após o apoio político, Christine Lagarde teria passado por cima de vários altos funcionários do governo para autorizar o pagamento milionário a Tapie já que, segundo ela teria dito, era preciso por fim à longa disputa entre o empresário e o banco estatal.

Críticos dizem que Christine Lagarde perde autoridade no FMI devido à investigação - Crédito: Paul J. Richards/AFP

Especialistas afirmam que o sistema judiciário da França é complicado, portanto, o processo de investigação pode se arrastar por anos, sem prejudicar o mandato de Lagarde no FMI. Ela nega as acusações.

De qualquer maneira, a investigação já está sendo usada pela oposição para abrir fogo contra o governo de Sarkozy. A presidente da Frente Nacional, Marine Le Pen, disse que a acusação contra a diretora-gerente do FMI é uma “nova humilhação internacional para a França”. Em maio, Dominique Strauss-Kahn, outro ex-ministro das Finanças francês, teve que deixar a chefia do órgão financeiro depois de ter sido acusado de tentativa de estupro por uma camareira de um hotel de Nova York.

jul 2011 01

O REMÉDIO AMARGO EUROPEU2

Escrito por João Paulo Denófrio | Postado em Internacional | Tags: , , , , , , ,

Por João Paulo Denófrio

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A crise escancarada da Grécia, com batalhas nas ruas, mostra que muitas economias europeias ainda não se recuperaram mesmo depois do fim da crise mundial de 2008. As dívidas de alguns Estados crescem, a inflação dispara e o remédio é aumentar impostos e privatizar estatais. O problema é a população não quer provar dessa solução e, por isso, protesta e enfrenta os policias que reagem gerando imagens de violência que chocaram o mundo essa semana.

Se a Grécia entrar em bancarrota é provável que leve junto Portugal, que mês passado recorreu por ajuda financeira à União Europeia. O efeito dominó poderia até afetar a Espanha, que também passa por dificuldades. Depois que o Parlamento grego aprovou o corte nos gastos públicos, aumento de impostos e privatizações, o bloco europeu liberou a primeira parcela de 12 bilhões de euros de um pacote total de 110 milhões de euros.

Mais de 100 pessoas ficaram feridas nos protestos na Grécia - Crédito: Uriel Sinai/Getty Images

Na Itália, o cenário não é muito diferente. O primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, pediu ao Parlamento para aprovar um plano de austeridade fiscal com o objetivo de reduzir o déficit público a 0,2% do PIB até 2014. Esse “espirro” italiano já causa temores nos investidores de que a crise grega contamine o país e outros integrantes da União Europeia.

A zona do euro ainda é muito forte, mas quando ocorrem esses problemas econômicos é preciso sempre ficar alerta com o risco de contágio. Afinal, se alguns prosperam, todos costumam prosperar juntos. Porém, se alguns se endividam, é perigoso que os outros também entrem nessa lama. E para evitar essa tragédia grega, países reticentes, como Alemanha e França, têm votado em prol dos pacotes de ajuda financeira.

jun 2011 13

“SACODE” NO GOVERNO DILMA ROUSSEFF2

Escrito por João Paulo Denófrio | Postado em Política | Tags: , , , , ,

Por João Paulo Denófrio

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O início dessa semana tem um gosto diferente para a presidente Dilma Rousseff. Ainda de “ressaca” após a queda de Antonio Palocci, no ministério da Casa Civil, o governo petista tenta colocar tudo ordem e tentar contornar a crise da semana passada. As denúncias de enriquecimento ilícito contra Palocci pesaram muito e, mesmo com todo o esforço, inclusive do Palácio do Planalto, ele não conseguiu manter-se no cargo. Dilma lamentou a saída do aliado e anunciou Gleisi Hoffmann, como nova ministra-chefe da Casa Civil.

Conhecida pela excelente postura de gestora, Gleisi já anunciou mudanças em dois ministérios: Ideli Salvatti assume a pasta de Relações Institucionais e Luiz Sérgio, na Pesca. Para os governistas, a figura de Ideli nos corredores do Congresso é forte o suficiente para juntar a base aliada. Já a oposição acredita que a manobra da presidente é desesperada a fim de enfrentar a crise política e afastar qualquer possibilidade, mesmo que mínima, de racha no governo.

Dilma tenta contornar crise após demissão de Palocci - Crédito: Antonio Cruz/ABr

Apesar dos problemas, Dilma mantém a popularidade em alta. De acordo com a última pesquisa do Datafolha, o índice de aprovação do governo é de 49%, melhor que os 47% registrados em março. Se a crise política não incomoda tanto no aspecto popular, seria melhor a presidente continuar a focar no combate à inflação e ao estímulo da economia, pois alguns institutos têm registrado certo impacto negativo na imagem pessoal de Dilma Rousseff.

Ainda há batalhas importantes como a aprovação do Código Florestal, no Senado, e uma Medida Provisória que deve ajudar a flexibilizar as obras para a Copa do Mundo de 2014. Para enfrentar os temas polêmicos, a base aliada precisa estar cada vez mais unida, evitando desentendimentos, por exemplo, com o PMDB. Nos últimos meses, Dilma cedeu aqui e ali para agradar os peemedebistas e garantir a estabilidade do governo. Há analistas que dizem que o PMDB quer ver Dilma refém, portanto, é preciso agir com cautela.

out 2009 30

Por João Paulo Denófrio

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Após meses de impasse, as delegações do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e do líder interino, Roberto Micheletti, assinaram um acordo de entendimento. Ambos concordaram que o Congresso Nacional dê a palavra final sobre a restituição, ou não, de Zelaya. O acordo foi possível graças a certa pressão feita por uma delegação dos Estados Unidos que está em Tegucigalpa e é liderada pelo secretário-assistente para Assuntos Hemisféricos, Thomas Shannon.

Zelaya diz estar "otimista moderado" sobre acordo - Crédito: AFP
Zelaya diz estar “otimista moderado” sobre acordo – Crédito: AFP

No chamado Acordo de Guaymuras, Zelaya e Micheletti reconheceram as eleições presidenciais marcadas para o dia 29 de novembro no país. A comunidade internacional pressiona Honduras a restituir o presidente deposto antes do pleito, mas o acordo assinado não estabelece um prazo para que o Congresso defina se Manuel Zelaya voltará ao poder. Ele declarou estar “otimista moderado” sobre o texto.

Zelaya foi deposto em junho quando tentava se reeleger, manobra proibida pela Constituição hondurenha. Ele chegou a ficar alguns meses exilado na Nicarágua. No mês passado, conseguiu voltar clandestinamente a Tegucigalpa e obteve abrigo na embaixada do Brasil. O fato gerou controvérsias. Esta semana, o governo interino abriu um processo na Corte Internacional de Haia em que acusa o Brasil de interferência nos assuntos internos do país.

 

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