jun 2010 09

Por Henrique Torres

economia@blogdacomunicacao.com.br

Poucos são os que realmente entendem de economia. Por isso são poucos os verdadeiramente aptos para discutir sobre isso. Mesmo assim podemos fazer juízos sobre o que acontece na economia deste país, e tentar entender porque algumas ações são tomadas. A ascensão econômica pela qual o Brasil vem passando na era Lula é notória; o Brasil saiu das sombras para os holofotes do prestigio econômico internacional. Ainda não somos “grandes”, mas estamos em vias de ser.

Embora estejamos no caminho certo, e principalmente, andando rápido por este caminho, pisamos pela segunda vez no freio este ano. Grosso modo, a alta dos juros mais uma vez foi a medida utilizada.  A questão é controversa, e por ser controversa é difícil para os mais precavidos e menos entendidos de economia, dizer se o aumento é bom ou ruim. Vamos então às razões da controvérsia.

A Selic representa a média que o governo paga em juros aos bancos credores. Quando ela está alta os bancos correm para emprestar dinheiro ao governo, para com isso lucrarem mais. Deste modo, os empréstimos à população em geral ficam mais caros por que há menos dinheiro disponível. Isso afeta diretamente o crédito de maneira geral, isto é, cartão de crédito, cheque especial, crediário, compras à prazo e etc. Este é o maior impacto que a população recebe: ela perde o estímulo para as compras à prazo, que ficam mais caras.

Por outro lado o risco de inflação fica controlado, isto é, a produção não corre o risco de ser superada pelo consumo, e assim sendo, os preços não correm o risco de atingir níveis estelares. Este é o resultado imediato deste freio ao consumo. Mas ainda é necessário acrescentar um outro fator decorrente deste segundo.

Até quando durará o medo dos falsos fantasmas? - Crédito: Divulgação.

Aumentando os juros se impede que a população consuma de modo desenfreado, e com isso se diminui o risco de inflação. Contudo, se não tem gente consumindo não tem gente vendendo. E nisso as empresas ficam prejudicadas e o Brasil dá um “pause” na economia. Além disso, se as empresas não crescem alguns indicadores crescem em contrapartida. O desemprego é um deles.

Vale acrescentar que com os juros altos o Brasil é alvo de especuladores estrangeiros que colocam dinheiro aqui, mas que a qualquer momento podem retirá-lo. Esse tipo de investimento é completamente diverso daquele investimento estrangeiro (mais benéfico) que é feito para melhorar uma empresa, por exemplo. É de se notar também que aqueles que são donos de poupança passam a vê-las render um pouco mais, já que os bancos são obrigados a pagar uma taxa mais alta de juros pelo dinheiro que eles pegam emprestado.

De um modo bem geral são essas as influências do aumento da Selic: compra-se mais caro a prazo, não se corre o risco de inflação, a economia cresce menos e as poupanças rendem mais. Dois pontos positivos e dois negativos.  Cabe a nós pensar, em que medida este aumento é vantajoso ou prejudicial para nossa vida, e principalmente, em que medida este aumento é realmente necessário para o Brasil. Alguns vêem como acertada a decisão de aumento dos juros visando o controle da inflação. Outros vêem como um medo exagerado diante deste “fantasma” (a inflação). Particularmente, eu estou neste segundo time. Acho que o Brasil possui um medo exagerado não só do fantasma da inflação, como do fantasma do crescimento (que não é um fantasma). Ao menos a mim, este aumento passa a impressão daquele condutor iniciante que ao ver uma curva mais acentuada na estrada freia demais e chega quase a parar o carro com medo de não conseguir fazê-la. O Brasil precisa aprender a se conduzir como gente grande. Precisa adquirir a experiência dos “velhos-lobos” da economia.

Para terminar, lembro-me ainda que numa matéria da Carta Capital sobre o assunto, o colunista (André Siqueira) compara o Brasil à Salsicha e Scooby-Doo. Como se sabe, os dois fogem à menor ameaça de fantasmas, e no fim dos episódios acabam sempre descobrindo que o seu fantasma não passa de algum patife disfarçado. A comparação é assaz pertinente. O Brasil precisa parar de ver falsos fantasmas.

Ver também:

- Carta Capital (Edição de 5 de Maio de 2010) e

- http://g1.globo.com/economia-e-negocios/noticia/2010/04/entenda-como-taxa-selic-afeta-vida-do-consumidor.html

mai 2010 25

Por Leandro Lopes
economia@blogdacomunicacao.com.br

Rico – Que possui em grande quantidade, abundância, fartura, bom, agradável.
2. Muito usado para referenciar uma pessoa que tem muito dinheiro.

Quando se fala em economia, ou estudar economia, a maioria da população sempre relaciona o estudo econômico a ganhar muito dinheiro e conseguir alcançar o sentido literário da palavra rico, como demonstrado (principalmente, ou pior, unicamente, no segundo trecho) no parágrafo acima.

O ser humano tem uma grande capacidade de concentrar-se e lutar por um ideal até conquistá-lo. Nesse sentido, entramos no mundo da motivação e dos valores, que diferenciam de acordo com cultura ou conhecimento de cada individuo. O grande ponto a ser explorado nessa circunstância é a grande fixação pela busca da riqueza material.

Muito provavelmente o nobre leitor já ouviu falar que quando deixarmos este mundo e, por conseguinte, sairmos do mundo material (no sentido químico de matéria) deixaremos neste planeta toda nossa riqueza material para próximas gerações.

Desde os tempos de Aristóteles e Platão, a busca pela felicidade é o maior objetivo de todas as pessoas. Ainda não tive noticias de alguém que veio a este mundo e não buscou a felicidade. Para alguns de nós, essa busca é constantemente confundida com a busca por bens.

Estar em uma luta incessante por bens faz do ser humano um mero instrumento econômico, um motor que ajuda a aquecer a roda da economia, e de alguma forma isso é bom, porém, por diversas vezes nos distancia do mundo ou do sentido de felicidade que foi ensinado a nós (provavelmente) por nossos pais, ou professores.

Esquecemos da riqueza de ser criança?

Quando somos crianças, aprendemos que a felicidade reside em pintar o céu de vermelho ou comer um algodão doce dado pelo palhaço que nos faz rir enquanto caminhamos. Quando crescemos e deixamos de nos preocupar com a cor do céu, grande parte da população passa a entender como felicidade um carro na garagem, uma casa na praia e uma televisão de LCD. Nada de condenável nesta atitude, porém, quase que instantaneamente, a pessoa que consegue comprar estes itens de luxo, por assim dizer, passa a lutar por um iate, uma lancha e possivelmente um carro sport para passeios.

A qualidade de vida anda paralela com a felicidade. Ter ou não dinheiro suficiente para comprar o iate e a lancha podem fazer de alguém um comprador de potencial maior do que eu ou você. Não o fará mais rico. O primeiro sentido da palavra rico, ou seja, abundante, pode ser empregado em abundância na harmonia em família, abundância no lazer em coisas simples, abundância de conhecimento… Logo, considero-me rico.

A economia também visa estudar a qualidade de vida das pessoas e qualidade de vida NÃO está relacionada à quantidade de bens materiais que você possui. Qualidade de vida está relacionada à viver bem com as condições que você tem e saber lutar para melhorar essas condições e possibilitar melhores armas para a luta que é ser feliz.

Definitivamente eu sou rico, e você?

De olho neles (e na riqueza que acham que tem).

Abraço,

Leandro Lopes.
formspring.me
@falecomleandro

mai 2010 23

Por Henrique Torres

economia@blogdacomunicacao.com.br

Grécia. Século VIII a.C. País dos grandes poetas épicos, como Hesíodo e Homero, que narravam em versos (respectivamente) as histórias do nascimento dos deuses e de heróis fantásticos como Ulisses e Aquiles, sendo este segundo, de acordo com a própria história, alguém que teria o nome gravado eternamente na memória da humanidade.

Grécia. Séculos V e IV a.C. Terra da filosofia nascente. Pátria de uma gama de filósofos que nos surpreendem com os seus problemas tão atuais ainda hoje. Dentre estes, destaque para o pai da filosofia; Sócrates. Nada mais do que o segundo homem mais influente de toda a história da civilização ocidental. Nesta mesma época, pode-se destacar a existência de um outro fato tão prodigioso quanto os anteriores: a democracia. Esta terra tão fértil deu luz à forma de governo que hoje é a consagradamente a mais “justa”.

Estas são as duas épocas mais férteis da Grécia, nelas de tudo se desenvolveu: agricultura, política, filosofia, religião, artes e por ai vai. E desta última (a arte) colho um dos exemplos mais bem sucedidos da época. O teatro. Neste vigoravam dois gêneros principais, a saber, a comédia e a tragédia, gêneros que atraiam o público ao teatro de uma forma que poucas vezes se atraiu ao longo da história.

Contudo, o mundo já deu muitas voltas desde aquela época. E para me utilizar de um dos emblemas gregos da época, eu diria que a roda da fortuna grega também deu algumas voltas. Não vou enumerar os altos e baixos da fortuna. Basta saber que hoje em dia ela anda em baixa. E as coisas não mudaram muito quanto ao gênero dramático da tragédia. O palco não mudou, mas os atores e a platéia mudaram. Diria também que aumentaram.

Manifestantes protestam em Atenas - Crédito:veja.abril.com.br

Atualmente o palco da grande tragédia ainda se dá na Grécia. Mas os atores agora são todos os gregos, e a platéia é toda a humanidade. A antiga Grécia promissora, berço da filosofia, dos grandes poemas épicos, dos grandes sistemas políticos, outrora a força que impulsionava a humanidade, é agora sua âncora. Literalmente falida, a Grécia hoje vem trazendo a baixo bolsas de valores de todo o mundo, e com elas o Euro. Sorte do Dólar. Azar da União Européia.

A Tragédia econômica grega mostra uma verdade muito simples e muito antiga do cotidiano de qualquer um. Não dá para fazer dividas e só pensar em gastar. É preciso trabalhar para pagar de volta. Chega a ser ridículo que o país onde a racionalidade nasceu tenha se comportado de maneira tão irracional. Mas é fato: os gregos foram desleixados com a administração fiscal do país e contraíram dividas sem lembrar que um dia teriam pagar. Culpados os políticos, culpado o povo. Os políticos pela condução desastrosa da economia. O povo por aplaudir com alegria os seus eleitos que prometiam o consumo sem o trabalho. Pura ignorância. A população é mais culpada do que os políticos, pois era da vontade deles este tipo de conduta econômica.

Os gregos muitas vezes comeram e não pagaram a conta. Agora o dono do restaurante não quer mais servi-los sem o pagamento de tudo o que está atrasado. O que fazer? Quatro coisas. Primeira: pagar o mais rapidamente possível o dono do restaurante (os bancos que emprestaram dinheiro para a Grécia) com o generoso empréstimo (112 bilhões de euros) do credor riquíssimo e benfeitor (FMI). Segunda: apertar o cinto e comer menos (reduzir o consumo desenfreado). Terceira: trabalhar convivendo com esta nova realidade que se impõe. Por que agora, apesar do empréstimo vir a calhar e conseguir abater até 50% da divida, ainda resta a outra metade. E quarta: agradecer a não importa quem pela sorte de poder contar com este empréstimo, por que sem ele a Grécia além da estagnação teria de conviver com a extrema pobreza. Em todo caso só resta trabalhar.

A Grécia volta a ser a grande mestra da tragédia. Mas a tragédia no decorrer dos séculos migrou da dramaturgia para a economia.

abr 2010 27

Por Leandro Lopes

economia@blogdacomunicacao.com.br

Estamos nos preparando para uma grande eleição que já bate em nossa porta. Após oito anos de um governo tucano liderado por Fernando Henrique Cardoso e mais oito anos de um governo petista liderado por Luis Inácio Lula da Silva, aproxima-se a hora de uma nação escolher entre os “discípulos” destes importantes nomes políticos.

Obviamente que a população brasileira terá mais opções de escolha para avaliação de voto, mas o embate entre Serra e Dilma é com certeza o mais provável e o mais aguardado pela chamada opinião pública.

O fato é que não só a economia, mas o país como um todo avançou e ocupa hoje uma posição mais sólida frente ao mundo. A evolução brasileira e a mudança na qualidade de vida de sua população será núcleo de debate durante todo o período eleitoral. Seja decorrente da visão futura de Fernando Henrique e sua base econômica sólida, ou do trabalho e projetos de Luis Inácio o Brasil parece um lugar melhor para se viver do que fora anos atrás.

A luta será ferrenha.

Há também a teoria de que a globalização foi determinante para nosso crescimento e essa sem dúvida é uma hipótese da qual não devemos levantar suspeitas, já que como sabemos o capital que faz da globalização o que ela é, faz também com que nações se movimentem e economias se aqueçam.

A grande questão é que na próxima eleição o eleitorado brasileiro (diga-se de passagem, obrigatório) será responsável pela escolha entre duas visões de governo que perduraram durante oito anos em nosso país. A diferença entre essas visões é justamente o ponto que pretendo explorar: o povo brasileiro não se prende a visões ou bandeiras!

Para o eleitor (ou a grande maioria dele) pouco importa se o partido é de esquerda ou de direita, pouco importa se existe ou não uma esquerda ou uma oposição, o povo está ligado somente a nomes. Lula foi eleito como símbolo de esperança em uma mudança, repare que Lula foi eleito e não o PT. A guerra política que já se faz presente nos meios de comunicação é uma guerra de imagens públicas. Idoneidade, caráter e “ficha limpa” farão grade diferença na hora de confirmação do voto.

Sem bandeiras e sem rosto... e isso não é necessariamente ruim.

Sem se prender a bandeiras, ou a grandes causas políticas, o brasileiro fica exposto ao duelo de popularidade e ao duelo de influencias políticas no qual será “atirado” nos próximos meses. A imensa popularidade de Lula será suficiente para eleger Dilma presidente? A corrupção que se fez vista no atual governo será descontada da conta petista ao ponto de colocar Serra no poder? Há espaço para uma eventual surpresa no pleito?

Diferentemente do que acontece nos Estados Unidos, por exemplo, com uma clara divisão entre republicanos e democratas, o Brasil é um país de eleitores obrigatórios tão somente.

Julgue você se isso é bom ou não.

Há também de se salientar que o duelo político será divulgado como um duelo de idéias e praticas que na teoria serviriam para a melhoria do país; saúde, moradia, saneamento básico, segurança, política externa, educação e outros, porém, deve-se dizer que as propostas e o plano trilhado para os próximos anos é um imenso jogo de palavras e nós eleitores estamos sujeitos a cair em um deles.

Ouso dizer que quaisquer planos seguem linhas positivistas de raciocino para nosso país e que pouco diferem umas das outras.

O jogo político já começou. Façam suas apostas. O páreo promete ser cabeça a cabeça e os jóqueis já estão prontos.

De olho (bem aberto) neles.

Abraços,

Leandro Lopes.

@falecomleandro

abr 2010 20

Por Júnior Batista

economia@blogdacomunicacao.com.br

Sempre tento ser o mais ativista possível, sou colaborador do Green Peace, WWF, uma instituição chamada LBV que ajuda crianças carentes, as educa e é super reconhecida, inclusive pela ONU.

Toda vez que penso em postar algo aqui sobre economia eu tento ver alguma coisa legal (e que eu entenda, rs) para informar vocês e fazê-los criar  uma opinião sobre o assunto, dar uma lidinha, pensar, etc.

Quando abri o G1 hoje vi que um leilão havia acabado de terminar. Ok, vamos lá ver qual(é) desse leilão.

Dois consórcios (organizações) estavam disputando a compra de uma hidrelétrica que será construída no norte do país, nas imediações do estado do Pará, no rio Xingu. Hoje mesmo já saiu o resultado e a empresa Norte Energia é quem vai construir a Belo Monte, que será a segunda maior usina hidrelétrica do país.

Ao mesmo tempo em que li essa notícia, resolvi dar uma olhada no histórico dessas negociações e percebi que já houve 3 liminares negadas pelo governo federal para impedir a construção da hidrelétrica. A construção foi autorizada pelo ibama, mas segundo orgão de proteção ao meio ambiente, como WWf Brasil, por exemplo, a concessão do Ibama foi inadequada porque vai desabitar 6 mil famílias e alterar o fluxo do rio, o que pode causar secas na região e prejudicar a biodiversidade local. Hoje, na hora do leilão, manifestantes do Green Peace se alojaram em frente ao prédio, tentando impredir a entrada dos “compradores”.

O que dizer de tudo isso? Serão mais de 19 milhões de reais gastos para produzir mais uma hidrelétrica. Ótimo, mais luz! Mas por que não invertir esse dinheiro em energia renovável? Em outros tipos de energia? Caramba, se mais de 6 mil famílias serão realojadas, pra onde elas vão? O governo prometeu subsídios (moradias) para elas, mas até esses locais estarem prontos, eu não acredito.

E o que dizer do fluxo do rio que será alterado e provocará ainda mais destruição e modificação na biodiversidade local? Será que nisso ninguém pensa? Será que só pensam em dinheiro? Acho que o Brasil já deveria ter aberto os olhos para o aquecimento global e a destruição da biodiversidade, logo logo não haverá mais nada, e aí, pedirão clemência…

Dê sua opinião! Comente!

Abraços.

mar 2010 09

IR – DICAS1

Escrito por Isaque Criscuolo | Postado em Economia | Tags: , , , , , ,

por Isaque Criscuolo

economia@blogdacomunicacao.com.br

Hoje venho dar uma dica.

O prazo declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) de 2010, ano-base 2009, vai de 1º de março a 30 abril, somente para os que declaram o imposto. Portanto, não perca tempo.

Pensando nisso, reuni alguns sites que podem te ajudar.

Especial G1 Imposto de Renda

Estadão – Entenda seu IR

Uol – Imposto de Renda

Folha Online – IR

Boa Sorte!

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