mai 2011 19

por Priscilla Aloi
mundodacomunicacao@blogdacomunicacao.com.br

Como é feito a medição do Ibope? Que tipo de aparelho é usado para fazer essas pequisas? Ele é medido em tempo real? Os canais de TV a cabo também fazem parte dos estudos do órgão? Quem responde a estas questões aqui é Dora Câmara, diretora comercial do Ibope Mídia. Em uma entrevista ao Blog da Comunicação, ela explica o trabalho do Ibope em todo o Brasil. Confira abaixo.

Priscilla Aloi: Como é feita a medição do Ibope? Essa história de aparelho na casa das pessoas é real? De que forma há essa seleção? Qual a periodicidade? Quais são os meios dessa informação?
Dora Câmara:
Para a medição de audiência nas praças onde é oferecido o serviço regular de audiência TV. Utiliza-se um aparelho eletrônico denominado “peoplemeter”. O aparelho é conectado em até quatro televisores dos domicílios que fazem parte da amostra. O “peoplemeter” registra o status do televisor, se está ligado, identifica automaticamente o canal sintonizado, bem como todas as mudanças ocorridas. Cada morador deve se identificar acionando o botão com o número que corresponde ao seu nome. A metodologia para medição de audiência de televisão é denominada “Painel”, cuja característica é acompanhar um grupo fixo de domicílios ao longo do tempo. Esses domicílios permanecem na amostra por até 4 anos sendo que 25% do painel (amostra) é substituído a cada ano.

O Ibope disponibiliza a audiência em tempo real em vários estados – Crédito: Reprodução

Priscilla: Qual o critério utilizado nessa medição (tipo classe social, região, enfim outros pontos abordados)?
Dora:
Para o painel de audiência TV, selecionamos uma amostra representativa da população (universo) que estamos pesquisando. A escolha é realizada por meio de um processo estatístico baseado nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), órgão oficial responsável pelo levantamento de estatísticas sociais, demográficas e econômicas. Para complementar essas informações, o Ibope realiza anualmente o Levantamento Socioeconômico (LSE), que além de pesquisar as características dos domicílios para definir a melhor estrutura amostral e a estimativa dos universos pesquisados, também oferece endereços para a composição do painel. Os domicílios entrevistados nesse levantamento servem de base para selecionar quem irá compor o painel de medição de audiência de TV, de forma a representar uma amostra exata da população brasileira. Esta amostra deverá representar a população por sexo, classe econômica, idade, presença de crianças, posse de TV paga e regiões da cidade a serem pesquisadas.

Priscilla: Depois dessa medição como é analisado esse Ibope? Um exemplo quando o apresentador diz: estamos com 3 pontos no Ibope. O que quer dizer isso?
Dora:
O Ibope enta seus clientes como analisar todos os dados que são fornecidos na pesquisa para o meio TV. As análises podem ser feitas por faixa horária e por programa. As informações mais utilizadas são: Audiência: Porcentagem de indivíduos/domicílios que assistiram à emissora X num intervalo de tempo. 1% de audiência significa 1% da população ou dos domicílios da cidade pesquisada, por exemplo, uma cidade como Grande São Paulo: (Total da população estimada para 2011 = 18.352.032. 1% equivale a 183.520 pessoas, 3% equivale a 550.561 pessoas e 10% equivale a 1.835.203 pessoas. Total de domicílios estimado para 2011 = 5.823.590. 1% equivale a 58.236 domicílios, 3% equivale a 174.708 domicílios e 10% equivale a 582.359 domicílios). O share é a participação que tem uma emissora ou programa sobre o total de ligados em um determinada horário ou programa. Aqui apresentamos apenas duas variáveis, entre dezenas que são apresentadas nos softwares que oferecemos para nossos clientes.

Canais de TV a cabo também são medidos pelo Ibope – Crédito: Reprodução

Priscilla: O Ibope é medido em tempo real? Depois há uma média final no mês (aqui se possível para a visualização das pessoas se quiser enviar um gráfico)?
Dora:
O Ibope disponibiliza a audiência em tempo real em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Distrito Federal e Curitiba. O dado em tempo real é um dado prévio e não pode ser divulgado. Isso porque o dado prévio ainda não passou por todas as etapas de processamento e controle de qualidade. Esse processo é de extrema importância, pois nos dá a garantia que todos os procedimentos necessários foram adotados desde a coleta dos dados até a geração do resultado final. O dado final consolidado é entregue ao cliente no dia seguinte. Para o banco de Pay TV 8 mercados a entrega é semanal/mensal.

Priscilla: Qualquer emissora pode pedir a medição do Ibope? Já existe essa cultura dentro da TV à cabo?
Dora:
Medimos a audiência de todas as emissoras seja VHF, UHF ou TV por assinatura. O Ibope aufere a audiência de Pay TV no Brasil desde 2001. Atualmente o banco de Pay TV contempla oito regiões: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Distrito Federal, Curitiba, Florianópolis e Campinas.

fev 2010 08

por Leandro Lopes

concursos@blogdacomunicacao.com.br

Marco Bianchi é VJ da MTV. Apresentador do Rockgol e nos deu o imenso prazer de conversar um pouco sobre esporte e claro com boa pitada de humor. Confira!

Blog da Comunicação: Marco é um prazer conversar com você e um prazer maior ainda poder transmitir esse bate papo para os leitores do site. Muito obrigado por isso.

Marco Bianchi: De nádegas, o prazer é todo seu! (risos)

BGC: Hoje o Rockgol é um programa visto por um público cada vez maior e você e o Paulo Bonfá se tornaram conhecidos principalmente do público jovem. Você pode nos falar sobre o começo de tudo isso, o início de sua carreira?

Bianchi: Nosso início foi no rádio, fazendo humorísticos como o programa “Sobrinhos do Ataíde”, que ficou bastante conhecido, em especial em São Paulo. Mas isso foi em 1995 e de 1991 a 1995 já estávamos na Rádio USP, onde fazíamos programas (no bom sentido) em troca de comida (também no bom sentido).

BGC: Faço essa pergunta a todos os jornalistas que encontro. Estudantes de jornalismo escutam que o mercado é saturado e a disputa por um espaço é cada vez maior. Como profissional da área, o que você pensa a respeito?

Bianchi: Jornalista bom vai sempre ter espaço. A não ser que – como eu – seja formado na Foderj, Faculdades Odair Ernesto Júnior.

BGC: Todos sabem que você é jornalista formado pela Foderj. Recentemente o STF eliminou a obrigatoriedade do diploma acadêmico para jornalistas. Qual sua posição a respeito?

Bianchi: Eu diria que não ter diploma é muito mais edificante do que se formar na Foderj!

BGC: Os telespectadores sempre participaram do Rockgol, fosse por e-mail, por telefonema e agora por twitter. Como usar a internet a favor do trabalho jornalístico?

Bianchi: O importante, penso eu, é explorar da melhor forma possível a interação com o público proporcionada pela internet. Essa proximidade permite uma maior troca de pescotapas e passadas de mão na bunda.

BGC: Qual a maior dificuldade de aliar humor e futebol? Qual o maior desafio para manter o Rockgol no caminho do “jornalismo sério que atravessa os anos”?

Bianchi: Não vejo maiores dificuldades. O futebol, bem como a política e a religião, são pratos cheios para se fazer humor e, de quebra, alavancar o jornalismo sério que atravessa os anos (ânus)!

Paulo Bonfá (esquerda) ao lado de seu companheiro Marco Bianchi! - Crédito: MTV/Divulgação

BGC: A parceria existente entre você e o Paulo vem desde os tempos do grupo “Os sobrinhos do Ataíde”. Vê-se que a sintonia é muito grande. Vocês ainda conversam sobre o enredo do programa? Piadas, bordões e jornalismo ainda precisam ser “ensaiados” depois de tantos anos?

Bianchi: É claro que preparamos nossos programas, mas minha intimidade com o Paulo permite que quase tudo flua naturalmente. Às vezes sei o que ele está pensando só de olhar a cara do cara!

BGC: Vamos falar de futebol. Hoje os maiores clubes fazem grandes contratos de marketing, grandes craques voltam para reencontrar o bom futebol, você acha que nossos clubes são bem administrados?

Binchi: Aaaaahhhhhh! O senhor já tentou a carreira de humorista?

BGC: E a CBD? Exemplo de administração e boa preparação para a Copa? Vide os jogos desafiadores para a seleção canarinho como contra Omã e similares?

Bianchi: A CBD não é uma entidade privada e nem pública, ou seja, é uma privada pública!

BGC: Por falar em Copa do Mundo este é o ano do hexa?

Bianchi: Creio que sim. Se não for desta vez, será por ruindade, não por salto-alto.

BGC: Vamos unir os dois últimos assuntos. A CBD está pronta para organizar uma Copa? O Brasil está (estará) pronto em 2014?

Bianchi: Acho que o Brasil estará pronto. Apesar da CBD e dos paspalhões de uma ova que planejam gastar 10 e depois gastam 100. Do nosso dinheiro, o que é pior.

BGC: Sou um estudante de jornalismo que se esforça para sempre melhorar na profissão. Assim como você?

Bianchi: Rs! Tai um sujeito gozado…

BGC: Muito obrigado pela atenção que você nos deu. O Blog da Comunicação agradece e o convida para sempre visitar nosso site ok?

Bianchi: Maravilha, Albertô! Qualquer dia desses eu dou uma pintada aí!

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Ele é um brincalhão!

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De olho neles.

Abraço,

Leandro Lopes.

ago 2009 02

por Priscilla Aloi
educacao@blogdacomunicacao.com.br

Na entrevista com Diego Bergamini fica claro que os fatores externos como o ambiente e situações vividas, não devem influenciar a história de vida, se você der a volta por cima, é claro! Quantas pessoas você conhece, que tem de tudo e todas as condições favoráveis para estudar, trabalhar, mas não querem saber de nada. O que vale é a determinação e a coragem de atingir o objetivo e tornar real o sonho, mas isso dá trabalho. Diego é um exemplo de superação na área educacional. Confira a entrevista.

Blog da Comunicação: Diego como foi sua infância?
Diego Bergamini:
Eu nasci e fui criado em um bairro pobre de Curitiba chamado Cajuru. Filho de mãe solteira, quando mais menino, fui criado pela minha avó, já que minha mãe trabalhava o dia inteiro. Mais tarde, por volta dos sete anos, fui morar com a minha mãe e o meu padrasto (que considero como um pai para mim). Fiz o ensino fundamental em um colégio público chamado Escola Municipal Prefeito Omar Sabbag e sempre me esforcei muito para tirar boas notas e ter um bom desempenho acadêmico. O motivo? Não sei dizer. Sempre fui inclinado a estudar e desde de menino gostava de coisas mais culturais. Assistia a programas como mundo de Beakman e gostava de ler o livro de história das civilizações. Mas sinceramente, salvo isso, eu não encontro nada de muito diferente na minha história de menino do suburbio em relação a outro: brincava na rua como qualquer um deles, jogava futebol, soltava pipa, namorava as mesmas meninas, enfim, tudo como qualquer piá da minha idade. Ademais, existe um fato de que me orgulho: o dia em que eu descobri um erro na mídia do falecido Banco Banestado. Quando menino, 13 anos, eu lembro de ter visto a seguinte propaganda: “Banestado, a confiança que você precisa”. Como eu tinha estudado preposição na escola, eu sabia que o verbo precisar demanda a preposição “de”. Tão logo, a propaganda deveria ser “Banestado, a confiança de que você precisa”. Lembro de ter informado ao canal CNT do erro de linguagem deles. A rede de TV demorou uns dois dias para confirmar o erro. Mas no final das contas, eu estava certo.

BGC: O que o levou a participar do Programa Bom Aluno?
Bergamini: O Bom Aluno veio até mim. Conforme eu havia relatado, eles enviaram uma carta para mim explicando superficialmente o programa e me convidando para um teste de seleção. Eu estava na quinta série e não estava nenhum um pouco aware do que era aquilo tudo e tão pouco minha mãe, a destinatária da carta, entendia exatamente o que era. Só sei que fui fazer os testes e passei. E assim entrei no projeto, sem saber exatamente o que era e menos ainda tendo a noção de como ele mudaria minha vida.

Diego Bergamini - Crédito: Arquivo Pessoal
Diego Bergamini – Crédito: Arquivo Pessoal

BGC: Que tipo de dificuldades você encontrou?
Bergamini: Pergunta difícil. São várias que eu poderia citar, mas cito duas estruturando-as por cunho. Financeiro: com certeza, esse foi o mais difícil. Quando estava por volta dos 14 anos, minha mãe se separou do meu padrasto (aquele que eu considero como pai) e nossa renda caiu absurdamente. A renda mensal dela era de aproximadamente R$300, 00 o que não dava para nos sustentarmos direito. Em paralelo, eu tinha acabado de entrar numa escola particular de primeira classe como bolsista. Aí foi um grande constraste: eu mal tinha dinheiro para o ônibus, possuía apenas um par de roupas para a semana inteira, enquanto os meus colegas passavam a tarde em shoppings e desfilando com suas incríveis roupas de surf. Realmente, suportar isso, tanto pela escassez de recurso financeiro quanto pelo fator psicológio, foi o mais difícil. Familiar: já disse que sou filho de mãe solteira. Apesar de todo o esforço dela para me dar uma criação, infelizmente a ausência de uma figura masculina faz muita falta na vida de qualquer criança. Mesmo tendo um padrasto maravilhoso que me ajudou muito, houve e sempre haverá essa sinapse em minha vida.

BGC: De onde vem essa força para superar todos esses obstáculos?
Bergamini:
Não tenho a menor idéia. Aqui vou plagiar uma idéia consagrada, contando uma passagem da minha vida. Quando criança, minha mãe e eu uma vez passamos em frente a Universidade Católica do Paraná e ela me disse: “meu filho, o sonho da mãe é que um dia você esteja estudando aqui”. Eu era menino, não sabia direito o que ela queria dizer, mas respondi:”fica tranquila, mãe. Eu vou conseguir”. Na verdade, eu “não consegui” pois para a minha alegria eu acabei indo estudar na universidade mais tradicional do Paraná: a UFPR. Contudo, cheguei lá na essência do que minha mãe queria. O motivo? não sabendo que era impossível, foi lá e fez. Acho que é um pouco disso. Eu nunca soube que isso era muito difícil de se fazer. Assim, fui lá e fiz. Enquanto me derem asas, vou fazer o que eu conseguir.

BGC: Como está a expectativa de ir para Milão?
Bergamini:
A ficha ainda não caiu direito, mas não vejo a hora de dar uma guinada na minha vida. Adoro, ou adorava, trabalhar na Kraft mas o tempo dela na minha vida passou. Sinto que devo fazer algo diferente e que hoje esse algo diferente certamente é fora da companhia e do meu país. Mas acredito que a ficha só vá cair mesmo na véspera da viagem, ou seja, por enquanto, as borboletas na barriga estão controladas.

BGC: Você já se considera um vencedor?
Bergamini:
Não. Mas entenda assim: não me considero um vencedor, porém tão pouco um perdedor. Acho que ainda estou no jogo, e o jogo está acontecendo. Tenho algumas vitórias e alguns fracassos, contudo tem muita água para rolar ainda. Para mim, a definição de vencedor ou não…deve vir em um estágio mais avançado da vida. Por agora, posso apenas afirmar que sou feliz como pessoa e os resultados que tenho até agora.

nov 2008 19

por Fernanda Pereira

fernanda@blogdacomunicacao.com.br

Ele tem 34 anos, nasceu em Três Lagoas, no interior do Mato Grosso do Sul, é formado em jornalismo pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e Pós-Graduado pela PUC-SP em jornalismo-social, Jairo Marques é chefe de reportagem da Agência Folha coordenando a produção da equipe de correspondentes nacionais do jornal e mais um grupo de repórteres na sede da Folha de S.Paulo. Além disso, Jairo ainda é o autor do blog Assim Como Você, um dos grandes sucessos da blogosfera. Com acessos para deixar qualquer blogueiro com sorriso de orelha a orelha e comentários que beiram as centenas, Jairo já tem inclusive “seguidores”.

O Assim Como Você é um diário onde Jairo, que teve poliomelite aos seis meses de idade e é cadeirante, conta as aventuras de ser uma pessoa com deficiência em diversas situações que todo mundo passa, fomenta a inclusão e o respeito à pessoa com deficiência e de lambuja apresenta para o leitor diversas histórias de gente que assim como você, leva a vida superando dificuldades todos os dias.

Blog da Comunicação: Como surgiu a idéia de fazer o Assim Como Você e como o projeto foi recebido pelo Grupo Folha?

Jairo Marques: As histórias que conto no blog são as mesmas que eu sempre contei para amigos, familiares e colegas e fazem muito sucesso, ao mesmo passo que causavam indignação, exatamente como acontece no meu diário. Várias pessoas começaram a me incentivar a colocar aquelas situações no “papel”. Fui pegando opiniões e todo mundo achava que poderia dar muito certo, como tem dado, felizmente. A Folha abraçou a causa do blog de imediato, para minha surpresa. A aceitação foi e é tão grande que o portal da Folha Online destaca sempre os textos.

BC: O Assim Como Você foi idealizado para um público específico, foi uma surpresa quando você percebeu que seus leitores vão muito além daqueles do mundo da “Matrix” de quem tem alguma deficiência?

Jairo: Foi. Eu não achava que conseguiria atingir tanta gente que, hipoteticamente, nada tem a ver com o que eu chamo de projeto de “dominar o mundo”, que nada mais é do que dar condições de vida plena para pessoas que tem algum tipo de deficiência.

BC: vc é conhecido por ser um chefe linha dura, no entanto no blog vc é um “minino muito bão”, o blog é mais prazer do que trabalho?

Jairo: Totalmente. O blog é o que eu realmente sou no meu dia a dia. É o que penso do mundo, minhas inspirações. Tanto é assim que quando não estou afim, por qualquer que seja o motivo, eu não escrevo, mesmo com a reclamação dos leitores.

BC: Além das suas boas histórias, vc também conta sobre a luta de superação e respeito de várias pessoas, como é o processo para escolher o que vai para o blog, vc recebe muitas “sugestões”?

Jairo: Recebo muita coisa, muita coisa, mesmo, ainda bem. No processo entram a minha experiência de chefia de reportagem, de feeling com a notícia isso me ajuda um bocado. O que eu consigo visualizar como “manchete” , como chamada de página, vai pro blog!

BC: A chamada “blogosfera” vem crescendo, na sua opinião que reflexo isso pode ter na produção jornalística?

Jairo: Na produção jornalística, particularmente, acho que nenhuma. Um blog nunca será um espaço jornalístico, mas um espaço onde poderão ser discutidas ou abordadas questões jornalísticas. Pelos próprios princípios da profissão, o que se faz em um diário se contrapõe às regras consagradas da comunicação. De qualquer forma, é inevitável, a meu ver, o avanço para esse novo veículo de informação.

BC: No Assim como Você tem algum post que seja o seu preferido?

Jairo: Tem, tem sim. Mas não vou dizer qual o meu favorito. O marketing me obriga a dizer que todos têm seu charme. (risos)

Agora que você já conheceu melhor o autor de um dos blogs mais visitados da Folha Online, clica no link e conheça de perto. Para entender as palavras que vêm entre aspas, só indo ao Assim Como Você, também. O Jairo está de férias, portanto as postagens não estão sendo diárias, mas para ler as histórias anteriores é só clicar lá em baixo em Ver mensagens anteriores e escolher a data para visualizar.

http://assimcomovoce.folha.blog.uol.com.br/

Divirta-se!

set 2008 14

Conversamos com o primeiro campeão olímpico da natação brasileira

por Guilherme Freitas

guilherme@blogdacomunicacao.com.br

Semana passada estive cobrindo o Troféu José Finkel de natação para o site especializado Best Swimming. Lá pude conversar com meu amigo e agora campeão olímpico Cesar Augusto Cielo Filho. Foi um papo descontraído e animado, com direitos e a piadas e risadas. Cesão falou sobre sua conquista histórica para a natação brasileira, o assédio que vem sofrendo de fãs, seus patrocinadores e sobre o futuro.

Na entrevista (que está publicada na Best Swimming) resolvi não entrar em polêmicas, principalmente sobre a não bonificação do atleta, afinal ele não ganhou nenhum prêmio especial por sua conquista olímpica. Acho que não vem ao caso discutir esse assunto, é entre César Cielo e a CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos). Outra coisa que não abordei é sobre namoradas, baladas ao lado de Xuxa e sua vida pessoal. A entrevista é sobre natação e sobre o atleta César Cielo, afinal foi publicada em um site epecializado. Confiram abaixo.

Cielo vibra, grita, chora…emoção ao vencer os 50m livre

Blog da Comunicação: Cesão, primeiramente parabéns pelas medalhas. Vamos lá. O que mudou do Cielo pré-olímpico e para o Cielo pós-olímpico?

Cesar Cielo: Muito obrigado. Olha, falando da minha personalidade não mudou nada mesmo. Continuo sendo a mesma pessoa e todos sabem disto. Quando ao dia-a-dia tudo mudou (risos). Está sendo uma correria tremenda.

BGC: Como você está lidando com essa “fase celebridade” da sua vida?

Cielo: Estou tentando atender o máximo de pessoas possíveis, as crianças também, tirando fotos e dando autógrafos. Mas estou tentando manter ao máximo a imagem de atleta e não de celebridade. Quero dar um exemplo para a molecada, assim como eu via os meus ídolos.

BGC: Esperava um assédio destas proporções quando ganhou as medalhas olímpicas?

Cielo: Aqui na piscina eu estava esperando esse assédio sim. Porque o pessoal da natação sempre acompanha e tinha certeza que eles estariam vendo a Olimpíada. Agora não esperava tanto assedio do pessoal que não acompanha regulamente a natação. Fiquei surpreso com o grande número de pessoas que me viram pela TV e depois vieram me dar os parabéns.

BGC: O que representa para você as duas medalhas conquistadas em Beijing?

Cielo: O bronze significa para mim a superação de tudo. Foi uma surpresa para todos inclusive para mim. Era para esta medalha ter vindo, pois senão acho difícil afirmar que ganharia a medalha de ouro nos 50m livre. Ela me de uma moral, me despertou. Já o ouro é o grande sonho que tive na minha carreira. Dedico esta medalha a minha família.

BGC: O que você espera da jovem geração de velocistas do Brasil. Há muitos bons nadadores vindo por ai, acredita que alguns deles podem te superar?

Cielo: Muita pode acontecer com eles e muitas novidades podem pintar por ai. Do mesmo jeito que eu não estava na equipe olímpica de 2004, pode aparecer alguém ai e se classificar para Londres-2012. Tenho evoluir e continuar acompanhando a evolução do pessoal.

BGC: Onde veremos você treinar em 2009?

Cielo: Então, estou conversando com meu técnico (Brett Hawke) e iremos decidir o que fazer até lá. Não sei se ele deixará Auburn, mas se ele sair é provável que eu vá com ele. Mas isso só será decidido ano que vem. Até lá vou treinar aqui em São Paulo, com o Albertinho (Alberto Pinto) no Pinheiros.

BGC: Cite apenas um nome como seu grande adversário atual?

Cielo: Acho que eu mesmo. Porque a coisa está tão parelha que é difícil dizer apenas um rival. O fator psicológico conta muito também. Antes da Olimpíada diria que meus adversários mais fortes fossem o Eamon Sullivan e o Alain Bernard. Mas o Sullivan perdeu os 100m livre e se tornou um adversário mais fraco nos 50m livre, graças o psicológico, que derrubou ele. O momento pesa muito.

BGC: O que você acha do Phelps entrar no “seu terreno”, disputando as provas de velocidade?

Cielo: Phelps não tem chance nos 50m livre. Ele sofreria para pegar uma final. Nos 100m livre ele vai incomodar, e muito. É um dos favoritos ao ouro. Um rival de respeito.

BGC: Como é a sua relação com o Fernando Scherer?

Cielo: Nós somos muito parecidos e ele é um grande ídolo e amigo. Ele fica cuidando da parte fora d’água, me ajudando a se concentrar apenas nos treinos. A parceria está dando muito certo.

BGC: Além da Samsung, você está em acordo com mais patrocinadores?

Cielo: O Xuxa é o responsável pelos patrocinadores e acordos. É ele que sabe desta coisas. A nossa intenção é ter cerca de dois ou três patrocinadores durante este próximo ciclo olímpico, para não ficar muito preso aos eventos e não esquecer de treinar (risos).

BGC: E essa performance no revezamento 4x50m livre (esta foi a única prova que ele nadou no Troféu José Finkel, fazendo um tempo expressivo)? Como explicar esse 21s09 (tempo de sua parcial no revezamento).

Cielo: Fiquei dolorido! Estava 18 dias sem nadar e cai na água para aquecer. Fiz uma virada e disse que ainda bem que a piscina era longa. Se fosse na curta não ia dar não (risos). Mas o tempo me surpreendeu. Quando sai da água o cronometrista me disse que tinha feito 21s09. Disse para ele parar de me sacanear. Depois fiz as contas e vi que era verdade. Fui lá pedi desculpa pro cara (risos). Falei com o Albertinho (técnico do Pinheiros) dizendo que não vou mais treinar, só nadar. Deu certo pô (risos). Agora vou me preparar para a etapa de BH da Copa do Mundo.

BGC: Cesão muito obrigado pela entrevista. Parabéns pelos seus feitos e boa sorte em sua caminhada até Roma e Londres.

Cielo: Obrigado e até mais.

César Cielo, 21 anos, é nadador do Esporte Clube Pinheiros e campeão olímpico nos 50m livre e medalhista de bronze nos 100m livre, nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008.

Valeu Cesão!!!

 Crédito das imagens: Satiro Sodré/CBDA

ago 2008 13

por Guilherme Freitas

guilherme@blogdacomunicacao.com.br

 

O Blog da Comunicação apresenta hoje uma entrevista com o jornalista moçambicano, Traquinho da Conceição, responsável pelo excelente blog “Jornalismo Moçambicano”, onde ficamos sabendo um pouco mais sobre a imprensa desse país-irmão do Brasil. Para conhecer mais o trabalho de Conceição, clique aqui (vale a pena!).

 

Moçambique é um país lusófono e assim como o Brasil foi colonizado por Portugal. Seu idioma oficial é o português e sua população soma 21 milhões de habitantes. Sua capital é Maputo. O país está localizado, ao sul do continente africano, fazendo fronteira com Zimbábue, Zâmbia, Tanzânia, Malawi, Suazilândia e África do Sul.

 

Esta entrevista tem como foco, a mídia moçambicana. Nós brasileiros sabemos muito pouco em relação a África, já que nossa imprensa muitas vezes ignora o que se passa por lá. Segundo Conceição, a imprensa moçambicana está em crescimento, apesar de haver ainda “interesses políticos” nos meios de comunicação, como em alguns veículos brasileiros. Confira abaixo a entrevista na íntegra.

 

Blog da Comunicação: Primeiramente gostaria de que você me descrevesse a imprensa moçambicana? Ela é tendenciosa, favorecendo alguém (governo, elite, patrocinadores, etc)?

Traquinho da Conceição: Dando uma olhada, percebemos claramente que a maior parte dos jornais em circulação no país está ligada direta ou indiretamente a políticos influentes, ainda mais em ano de eleições. Estes políticos donos ou (financiadores) de jornais ou de empresas moçambicanas de comunicação social criam ou infiltram-se neste ramo o que a torna tendenciosa e muitas vezes usadas para satisfazer seus interesses econômicos ou partidário. Quando o assunto é sobre determinada empresa ou políticos no poder, muitas vezes o jornalista é proibido de divulgar tal informação por seus superiores sob pena de perder seu emprego. Ou acaba divulgando porque espera receber algum valor em troca. Exemplo disso é o Caso da televisão pública (TVM) que é obrigada a seguir a agenda política.

 

BC: Quais são as editoriais mais populares de Moçambique? Em qual delas os jornalistas preferem trabalhar e escrever?

TC: Em Moçambique os jornais escrevem mais sobre política. Depois sobre assuntos gerais. Infelizmente temos poucos jornais que tratam de assuntos específicos, como a moda, música ou esporte. Nos país só temos um jornal e uma revista esportiva. Não existe no país um jornal ou revista que trate especificamente de moda, música, ciência ou gastronomia ou entretenimento como no Brasil, por exemplo.

 

BC: Você tem um blog muito bom, onde sempre aborda as questões sociais e culturais de seu país, além de comentar sobre a mídia local. Em sua opinião, como o povo moçambicano avalia a imprensa? Eles gostam ou não dela?

TC: A mídia no geral em Moçambique não é vista com “bons olhos”. Ela é tendenciosa, comercial e muitas vezes usada como instrumento para defender assuntos de determinadas alas políticas ao invés de reportar a verdade ou assuntos de interesse do povo.

 

BC: Como você vê o jornalismo moçambicano no cenário africano? Acha que ele está entre os melhores do continente?

TC: Não temos tudo, mas estamos numa posição de relevo em relação a outros países africanos, caso do Zimbábue, por exemplo. Estamos lutando para ter uma lei que nos facilite o acesso as fontes de informação independentemente da vontade das fontes. Hoje, se pode escrever sem temer represálias ou perseguições, tudo graças aos esforços e as rudes lutas da classe jornalística.

 

BC: Conceição me conte um pouco mais sobre sua carreira jornalística? O que pretende fazer no jornalismo?

TC: Sou formado em jornalismo e tenho um jornal via fax onde deposito todo meu esforço, apesar das dificuldades materiais que enfrento (computadores e outros materiais). Também estou cursando direito atualmente.

 

Na foto acima o entrevistado: Traquinho da Conceição