UM CONFLITO QUE NEM MESMO O FUTEBOL CONSEGUIU PARAR6
Escrito por Guilherme Freitas | Postado em Especial da Terra Santa | Tags: Especial da Terra Santa, FIFA, futebol em Israel, futebol na Palestina, Guilherme Freitas, Israel e Palestina, ONU
por Guilherme Freitas
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O futebol é o esporte mais popular do planeta. Só a final da última Copa do Mundo entre Holanda e Espanha registrou uma audiência de mais de 700 milhões de TV ligadas no mundo todo. O poder do futebol é tão grande que a FIFA tem mais países membros do que a ONU: 208 contra 192. Esse magnífico esporte consegue reunir até inimigos históricos e unir países em guerras civis. Porém, isso não pode ser aplicado no conflito israelo-palestino.
Israel está localizado na Ásia, mas desde 1991 se filiou a UEFA (Federação da Europa) devido aos problemas com seus vizinhos árabes. Nem mesmo a paixão do esporte conseguiu superar os problemas políticos deste conturbado conflito. Partidas do time israelense em solo árabe eram constantes problemas de segurança e intolerância. Sentindo-se ameaçado e cansado de tantos problemas, o país decidiu jogar na Europa (antes havia se filiado a Federação da Oceania). Foi uma decisão ruim, já que contra os fortes rivais europeus Israel tem poucas chances de brilhar. Em toda a história, o país só jogou uma Copa do Mundo, em 1970.
Os palestinos não são reconhecidos como uma nação pela ONU. Porém, são reconhecidos pela FIFA. A primeira seleção nacional foi formada na década de 1920, ainda com a região sob regime britânico. Com a criação de Israel ficou ainda mais complicado disputar partidas internacionais. Só em 1998 os palestinos foram admitidos pela Federação Internacional e passaram a disputar amistosos contra outras nações árabes e nos anos seguintes, disputar os torneios continentais. Devido ao cerco israelense, a seleção da Palestina é a única do mundo que não pode jogar partidas em casa. Os bloqueios que Israel impõe para entrar em solo palestino prejudicam o próprio time que não consegue muitas vezes treinar conjuntamente, pois há atletas na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, separados pelo território judeu.
Já tivemos o prazer de ver as duas Coreias, inimigas históricas, desfilarem juntas na abertura dos Jogos Olímpicos de Sydney em 2000. Também assistimos ao poder do esporte quando americanos e iranianos trocaram flores e posaram juntos para fotos antes de um jogo na Copa do Mundo de 1998. E que o Santos de Pelé parou uma guerra civil no Congo apenas para jogar uma partida e unir um país durante 90 minutos. O ex-presidente Lula sugeriu certa vez a realização de uma partida amistosa da seleção brasileira contra um combinado de israelenses e palestinos, nos mesmos moldes que o jogo contra o Haiti em 2004. Infelizmente a ideia não se concretizou. Parece que esse jogo de futebol entre israelenses e palestinos jamais vai acontecer…




















