Por Leandro Lopes
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Quem comanda o futebol brasileiro não merece respeito.
Nosso futebol não é dirigido por gente séria. Eles são inteligentes, malandros talvez, mas não são sérios. A polêmica Taça das Bolinhas é mais um em tantos outros exemplos para o que digo.
O troféu comemorativo desenvolvido pela Caixa Econômica Federal devia ser entregue ao primeiro penta campeão do futebol brasileiro. Acompanho o esporte bretão desde que consigo me lembrar… Até hoje não sei se o primeiro a levantar a taça cinco vezes foi o Santos, o Palmeiras, o Flamengo, o São Paulo ou outro clube que a CBF resolva lançar para contrariar alguém…
O que de fato aconteceu foi que o São Paulo Futebol Clube recebeu a taça. Uma semana depois, o presidente da CBF, e inimigo número 1 do tricolor paulista, Ricardo Teixeira, reconheceu o título de 1987 do Flamengo como legítimo título de campeonato brasileiro, fazendo o São Paulo passar por momento constrangedor quando supostamente se viu obrigado a devolver a taça.
Ricardo Teixeira colocou em conflito dois dos gigantes do nosso futebol. Porém nada na CBF é de graça. Jamais teremos provas daquilo que supomos sobre a entidade. O Flamengo deixou o Clube dos 13. Não só ele é verdade, mas o clube de maior torcida do mundo pesa em qualquer negociação. E a negociação dos direitos de transmissão pela TV aberta do campeonato brasileiro no triênio 2012-2014 estava em jogo.
O Clube dos 13 normalmente negociaria com as emissoras de televisão.
A Rede Globo se retirou do páreo. Alegou que “as condições impostas na carta-convite não se coadunam com os formatos de conteúdo e comercialização”.
A Rede Record ameaçava o reinado da Globo. O dinheiro da emissora prometia balançar o futebol brasileiro. Prometia. “A emissora volta a manifestar seu desejo de participar da concorrência democrática, caso os clubes entrem em acordo, garantindo estabilidade jurídica a quem apresentar melhor proposta.”
A RedeTV! foi a única a participar da concorrência. Ofereceu R$ 516 milhões por ano ou R$ 1,548 bilhão por todo o período e venceu a disputa. Porém, para que de fato transmita o campeonato, precisa da “assinatura” de todos os times.
Botafogo, Corinthians, Coritiba, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Palmeiras, Santos e Vasco. Dez clubes que negociarão a parte com outras emissoras. Se isso não mudar, fim de papo. Nada de RedeTV!.
O Clube dos Treze e a CBF não falam a mesma língua. A Globo não fala a língua do Clube dos Treze. A Globo e a CBF falam a mesma língua?
Além desses dez clubes, Bahia, Inter e Sport já admitem conversar de forma independente. O Goiás, de forma ousada diga-se de passagem, declara que vai procurar o que for melhor para o clube. Somente Atlético-MG, Atlético-PR, Portuguesa e São Paulo continuam com o Clube dos Treze. Ao menos por ora.
O acordo com a RedeTV!, que não deve mesmo sair, poderia ter sido maior segundo o diretor da emissora. “Às 10h, vi que não apareceu mais ninguém, e entreguei o envelope. Tinha outro guardado, com valor mais alto, mas não foi preciso.”. “O segundo envelope, era (superior a 700). Mas era menor que 800 (milhões)”.¹
Segundo o jornalista da ESPN, Paulo Vinícius Coelho, o PVC, os valores do Clube dos Treze são maiores do que os possíveis acordos com a Rede Globo. Ele expõe os valores em seu blog. O Coritiba recebe atualmente R$ 13 milhões de reais, a Rede Globo oferece R$ 27 milhões e, com o Clube dos Treze, passaria a receber, no mínimo, R$ 34,8 milhões de reais.²
Passei toda minha infância ouvindo que os clubes no Brasil sofriam com suas finanças. Não encontro motivos plausíveis para dizer não ao dinheiro dessa forma. O valor mínimo aumentaria a receita do Coritiba em R$ 21,8 milhões. Quase o montante que a Rede Globo oferece.
Claro que existem muitos motivos para aceitar menos da Globo e ficar de bem com a CBF.
Basta que se diga que o clube mais retalhado no país é o São Paulo Futebol Clube. Inimigo óbvio da CBF e de quase todos no futebol. Na realidade, Juvenal Juvêncio é o inimigo . A entidade responde com a voz de seu presidente. Logo, a CBF não é ruim. Ricardo Teixeira que é.
Os estádios para a Copa do Mundo, as licitações, os patrocínios, os contratos, a política, as retalhações… Não nos preocupemos demais com isso. As pessoas ainda sofrem com o terremoto no Japão e a Líbia continua em guerra civil. Existem coisas muito mais importantes com o que se preocupar.
Mas, se puder, ame outra coisa. O futebol fede.
Leandro Lopes
@falecomleandro
¹ – Blog do Juca
² – Blog do PVC