jun 2010 18

O caos dominava as ruas de um país que passou por um recente golpe militar. Hoje a emoção pela Copa do Mundo alegra as ruas em Honduras

por Guilherme Freitas
blog@blogdacomunicacao.com.br

No dia 28 de junho de 2009, Honduras[bb] era destaque no noticiário internacional. O pequeno país de 112.492 km² da América Latina sofria um golpe militar. O presidente Manuel Zelaya, que buscava alterar a Constituição para concorrer a uma reeleição, era retirado do cargo e enviado a força para Costa Rica. Um novo governo era formado e os militares iam as ruas conter parte da população revoltada com a manobra política. Líderes estrangeiros como Hugo Chavez e Lula apoiaram por Zelaya. O presidente deposto retornou ao país e se abrigou por mais de quatro meses na embaixada brasileira na capital Tegucigalpa. Não conseguiu voltar ao poder e hoje vive no exílio na República Dominicana. Já Honduras, tem um novo presidente.

Hondurenhos assistem a estreia de sua seleção na Copa – Crédito: Jornal El Heraldo

Com uma população de 7,4 milhões, Honduras é um dos mais populosos da América Central. A crise política está sendo superada pela população e hoje o presidente Porfírio Paz começa a ser reconhecido por várias nações. O Brasil ainda é uma exceção. A vida está voltando ao normal no país, mas ao mesmo tempo o número de jornalistas mortos no país aumentou. E muito. Porém, no final do ano passado o povo hondurenho teve uma boa notícia. Honduras conseguiu se classificar para a Copa do Mundo de futebol[bb], após 28 anos. Festa nas ruas de Tegucigalpa. Festa em um país apaixonado pelo esporte bretão.

A seleção hondurenha disputou apenas uma Copa em toda a sua história. Foi em 1982, quando o time foi eliminado ainda na primeira fase por Irlanda do Norte e Espanha. O país tem apenas um título de expressão: a Copa Ouro de 1981. Mas uma vitória foi e ainda é muito celebrada pelo povo hondurenho. Em 2001, Honduras eliminou o Brasil de Luiz Felipe Scolari nas quartas de final da Copa América. A equipe entrou como convidada na disputa e terminou a competição numa honrosa terceira colocação.

Tegucigalpa deserta na hora do jogo de Honduras – Crédito: Jornal El Heraldo

No último dia 16, Honduras estreiou na Copa. Perdeu para o Chile por 1 a 0. O jornal El Heraldo, um dos maiores do país, publicou matérias e artigo sobre o clima da torcida na capital Tegucigalpa. Para ler um desses relatos, clique aqui. Ruas desertas, comércio fechado, bares lotados e calçadas pintadas. Parece até as cidades brasileiras quando a nossa seleção joga em Mundiais. Mesmo com a derrota frente aos chilenos, o povo hondurenho não deixa de torcer por sua seleção e estará vibrando pelo “H” (apelido do selecionado) contra Espanha e Suíça.

Futebol. O esporte mais popular do planeta é capaz de fazer milagres. Há meses atrás Honduras estava sitiada e isolada do mundo. Um presidente deposto, embargos comerciais das nações estrangeiras e pessoas nas ruas brigando entre si. Mas aparece o futebol no cenário nacional e tudo muda. Pessoas na rua, torcendo, vibrando e cantando. Todas juntas pelo seu país. Por algumas semanas esse será o clima em Tegucigalpa. Um viva ao futebol!

jun 2010 01

RAIO-X DAS SELEÇÕES PARTICIPANTES DA COPA DO MUNDO 2010

por Leandro Lopes

esportes@blogdacomunicacao.com.br

A seleção de Honduras

NA VISÃO DA SORTE, OU FALTA DELA

O grupo H é um grupo equilibrado. Conta com uma grande força do futebol mundial, a Espanha, e três aspirantes a segundo colocado. A despeito do futebol ofensivo do Chile e da força defensiva da Suíça, os hondurenhos podem ser considerados zebras neste grupo. A classificação para este Mundial veio repleta de expectativa e com um uma “pitada” de sorte quando os americanos marcaram o gol de empate no fim do jogo contra a Costa Rica, tento esse que determinou Honduras no Grupo H da Copa do Mundo 2010.

COM A BOLA NOS PÉS

Com um futebol pouco conhecido no mundo todo, devido pouca história em torneios futebolísticos, a seleção de Honduras conseguiu eliminar e deixar para trás nas eliminatórias adversários mais tradicionais como Costa Rica e Canadá. O equilíbrio entre defesa, meio campo e ataque é um dos pontos fortes de Honduras. Sem contar com um setor que se destaque, a entrega dos jogadores foi o trunfo que levou o selecionado para este Mundial.

Depois de 27 anos sem jogar uma Copa do Mundo sequer, a seleção hondurenha entra em campo em 2010 na África do Sul fazendo história, ao menos em seu país. Conseguir eliminar os arquirrivais da Costa Rica foi uma grande emoção para eles. Quando o último jogo das eliminatórias terminou Honduras estava fora da Copa 2010, mas segundo o atacante Carlos Pavon os jogadores viram o entusiasmo e a agitação da torcida e perceberam que a milhares de quilômetros dali os Estados Unidos empatavam o jogo contra Costa Rica. Resultado que carimbou os hondurenhos na Copa.

EXPECTATIVAS, APOSTAS E CORNETADAS

Não podemos considerar que a seleção de Honduras seja fraca. Um time que se entrega ao jogo, um time valente que deu muito trabalho aos americanos nas eliminatórias locais. Entretanto, Copa do Mundo é algo muito diferente. Com todo respeito à nação e aos jogadores não consigo acreditar que passem para as oitavas. É um grupo equilibrado (entre três forças) e assim sendo difícil buscar uma vaga. Acredito mais na Suíça. Acredito mais no Chile. Só o tempo dirá se estou certo. Mas de uma coisa tenho certeza, depois da classificação dramática, lutarão para fazer (ainda mais) história.

CONSIDERAÇÕES FINAIS/GRANDE ASTRO

Um selecionado feliz com a classificação (segunda em toda história) e um time que briga para marcar seus nomes em seu país, tornarem-se heróis. O grupo H é tranquilo para a Fúria e difícil para Chile, Suíça e Honduras. Caso Carlos Pavón consiga levar seus companheiros até as oitavas, tenho certeza, será mais que um herói em Honduras. Não é uma missão impossível. É Pavón?

De olho em Honduras.

Abraço,

Leandro Lopes.
formspring.me
@falecomleandro

out 2009 30

Por João Paulo Denófrio

internacional@blogdacomunicacao.com.br

Após meses de impasse, as delegações do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e do líder interino, Roberto Micheletti, assinaram um acordo de entendimento. Ambos concordaram que o Congresso Nacional dê a palavra final sobre a restituição, ou não, de Zelaya. O acordo foi possível graças a certa pressão feita por uma delegação dos Estados Unidos que está em Tegucigalpa e é liderada pelo secretário-assistente para Assuntos Hemisféricos, Thomas Shannon.

Zelaya diz estar "otimista moderado" sobre acordo - Crédito: AFP
Zelaya diz estar “otimista moderado” sobre acordo – Crédito: AFP

No chamado Acordo de Guaymuras, Zelaya e Micheletti reconheceram as eleições presidenciais marcadas para o dia 29 de novembro no país. A comunidade internacional pressiona Honduras a restituir o presidente deposto antes do pleito, mas o acordo assinado não estabelece um prazo para que o Congresso defina se Manuel Zelaya voltará ao poder. Ele declarou estar “otimista moderado” sobre o texto.

Zelaya foi deposto em junho quando tentava se reeleger, manobra proibida pela Constituição hondurenha. Ele chegou a ficar alguns meses exilado na Nicarágua. No mês passado, conseguiu voltar clandestinamente a Tegucigalpa e obteve abrigo na embaixada do Brasil. O fato gerou controvérsias. Esta semana, o governo interino abriu um processo na Corte Internacional de Haia em que acusa o Brasil de interferência nos assuntos internos do país.

 

set 2009 28

por Sônia Mesquita

politica@blogdacomunicacao.com.br

Carlos Lopez Contreras, ministro de Relações Exteriores interino de Honduras, anunciou, neste domingo, que a embaixada do Brasil será considerada “um prédio privado”, caso em 10 dias o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não informe oficialmente em que condições o presidente deposto, Manuel Zelaya, está abrigado.

Contreras argumenta que ” o Brasil decidiu romper com o governo. Simplesmente, o que estamos fazendo é reciprocidade. As relações diplomáticas são vinculos entre dois países, esse vinculo dá certos direitos e privilégios. E um dos direitos é manter os escudos diplomáticos. O título para ter escudo e tudo isso é acompanhando da relação bilateral. Se não existe essa relação bilateral, tem que se retirar o escudo. Vai ser um escritório privado.”

Isto significa que o Brasil poderá ficar sem embaixada em Honduras. O governo anunciou também o rompimento de todas as relações diplomáticas com a Espanha, Argentina, México e Venezuela.

Contreras comunicou o fato em entrevista coletiva na Casa Presidencial e disse: por “cortesia”, mesmo que o prazo expire, o prédio não será invadido para a detenção de Zelaya, que pediu abrigo na última segunda-feira. O Brasil decidiu não comunicar a situação do presidente deposto, já que não considera legítimo o governo liderado por Roberto Michelleti.

O ministro acrescentou que “isto não quer dizer que, por cortesia e por relação de civilização que o governo de Honduras tem, vai entrar na embaixada porque não tem o escudo.”

Lineu Pupo de Paula, ministro conselheiros do Brasil na Organização dos Estados Americanos, está dentro da embaixada do Brasil e disse que a situação é “muito séria”, mas avalia que, mesmo se o Brasil perder a embaixada, o prédio não deve ser invadido para a captura de Zelaya.

Na noite deste sábado, o governo de Roberto Micheletti já havia dito que o Brasil tinha um prazo de 10 dias para determinar a situação de Zelaya, caso contrário, adotaria medidas “adicionais”, previstas na legislação internacional

Fonte: Agencia Brasil